segunda-feira, 21 de abril de 2008

Imersus


É o título do Livro de Miguel Helfrich que comprei neste sábado, e que já li por várias vezes. Quer dizer ler não é bem o verbo correcto, será mais contemplar.

Em 1º lugar uma palavra sobre o Miguel, é daquelas pessoas que nos põem tão à vontade que se fica com a sensação de que o conhecemos já há muitos anos. Sendo alguém cujo nome não precisa de qualquer apresentação junto às comunidades de mergulho e de fotografia, é no entanto alguém muito acessível e afável, notando-se imediatamente a sua outra paixão que é ensinar, partilhar os conhecimentos.

Pois o Miguel levou-me a passear pelo mundo, mergulhamos nas Bahamas, nos Açores, em Portugal, no Mar Vermelho,em Bali, em Sulawesi e por fim em Timor. Mostrou-me a delicadeza dos corais, a força e beleza dos Tubarões, dezenas de espécies de peixes multicolores, mostrou-me texturas que nunca esperaria ver debaixo de água, Medusas transparentes, cores impossíveis. Mostrou-me a grandeza do infinitamente pequeno, assim como a delicadeza do imensamente grande. Com ele aprendi que existem outros mares dentro do mar, que a verdadeira grandeza muitas vezes é invisível a olho nu.

Vi os pólipos do coral desenhando estrelas e espirais, vi texturas na pele dos peixes que nunca me tinha ocorrido que podessem existir. Vi paisagens submarinas que me fizeram perder o fôlego. Vi nudibrânquios multicoloridos e as suas posturas lembrando espirais de neve. Vi cardumes prateados que lembravam um luar espelhado no mar. Vi dragões e Fanecas, Vejas e Tartarugas, Lagostas e Espirógrafos. Vi tudo isto como se tivesse visto pela primeira vez.

Que mais poderei dizer, apenas que fiz todos esses mergulhos já por várias vezes, umas enquanto viro placidamente as páginas de Imersus, outras depois de adormecer. Às vezes encontro ninfas outros vejo-me lá só a absorver cada pixel, cada cor. Que melhor homenagem poderei eu fazer senão dizer que é para mim uma versão em livro do Atlantis. Realmente a não perder.

Fiquem Imersus no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Café del Mar

Só para referir a excelente playlist que coloquei aqui ao lado. Pertence à colectânea Café del Mar, para quem não conhece o Café del Mar é um bar em Ibiza célebre pelos pôr-do-sol na sua esplanada ao som de excelente música. A sua fama e beleza expandiu-se de tal forma que neste momento já existem vários em todo o mundo e os seus discos já totalizam os 40 (sim, quarenta).

Nada do que eu possa escrever pode ultrapassar a audição destas maravilhosas músicas, desfrutem...

Fiquem Bem no Café del Lado Escuro da Lua!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ainda o Atlantis

Coloquei na barra de vídeo extractos do You Tube sobre o filme Atlantis.

Assim poderão ter uma ideia melhor daquilo que vos descrevi no post anterior. Eu não me canso de ver e rever essa maravilha.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

sábado, 5 de abril de 2008

ATLANTIS



Hoje venho falar de um filme, ou melhor DO filme da minha vida. Já me tinha referido a ele anteriormente e estava convencido que lhe tinha dedicado um post, fi-lo no entanto no antigo blog. Hoje resolvi postar sobre ele no Planeta d'agua e acabei por dar por essa falta.

Atlantis de Luc Besson é algo de extraordinário. Sem um único dialogo, sem um único actor humano, apenas o monólogo de abertura, que recomendo a audição na língua original - o francês, "Oblié un à un les sons de tous les jour (...) et plongé, PLONGÉ(...)". Fabuloso, colossal. Depois vem um verdadeiro festival de música, de Eric Serra, e imagem que em alguns casos nos deixam arrepiados de tanta beleza (destaco o bailado das Mantas ao som de La Sonnambula de Bellini interpretada de forma sublime por Maria Callas).

Luc Besson um dos melhores realizadores de cinema, filho de instrutores de mergulho, passou 5 anos da sua infância a acompanhar os pais à volta do mundo, tendo sofrido um acidente de mergulho aos 17 que o impossibilitou de mergulhar durante anos e o fez desistir do seu sonho de vir a ser um biólogo marinho e estudar golfinhos. Aos 18 anos regressa à sua cidade natal (Paris) e tem o primeiro contacto com a vida urbana, e pela primeira vez tem uma televisão. A vida escolar aborrecia-o e começou a escrever na escola os primeiros esboços de 2 das suas obras primas - Le Grand Bleu e Fifth Element. A sua cinematografia é enorme e destacam-se: Subway (1985), Le Grand Bleu (1988), Nikita (1990), Atlantis (1991), Leon (1994), The Fifth Element (1997), The Messenger: The Story of Joan d'Arc (1999) e Arthur et les Minimoys (2006) .

Antes de me debruçar sobre o artigo para a Planeta d'Agua li dezenas de criticas ao filme e posso afirmar que todas são unânimes em considerá-lo único, belo e transcendente - Arte Visual como chegaram a catalogá-lo. Acho que deve ser um dos filmes mais consensuais em termos de critica que já tive oportunidade de ver.

O seu amor pelo mar pode sentir-se em cada segundo deste filme, como me revejo nele e como me identifico com cada fotograma. Sinto arrepios cada vez que vejo o capítulo La Grace, o qual podem ver aqui, vou já dizendo que a qualidade do You Tube deixa muito a desejar em relação ao DVD, mas até aí se apercebe que há muito amor na forma como se harmonizou as imagens e a música. Talvez esse seja para mim o momento mais marcante do filme, mas qualquer um dos outros capítulos é excelente:
  • "Oublié un à un les sons de tous les jour. tout ces bruits, tout ces symboles de une vie qui a devenue moderne, urbain. Oublié ce environnement de verre et de métal. Oublié cette asphalte que chaque jour nous envers, plus vite, plus loin. Bienvenues au monde de Atlantis, le monde originel. Un monde magnifique, harmonieux, mystérieux. L'homme y est née, l´homme y a grandie et maori comme un prince héritier. Il éduqué ses sens au contact de ce monde sans pesanteur, ce monde livre de tout le chaos. L'amour, la tendresse, le ritme, la grâce, l'esprit. Autan de cadeaux offrait pas jamais par cette mer belle et généreuse. Oublié une à une les souvenirs de nos nombreuse générations. Oublié tous que vous savais, Plongé. Plongé quelques millions d'année au paravent au moment on la vie, cette idée merveilleuse aller devenir une réalité".
  • La lumiére - inicio o mergulho olho para cima e vejo a suave ondulação, a luz é filtrada pela superfície do mar e explode nas bolhas libertadas pelo regulador, cardumes de salemas, barracudas e de uma miríade de espécies feitos de prata reluzem e reflectem-na numa espécie de bolas de espelhos.
  • L' Esprit - um Golfinho surge, cedo surge um segundo dançam rodopiam ao som de oboés e fagodes, houve-se uma harpa e outros se juntam, tocam as trompas e estamos perante um cardume que dança alegremente, a música e o bailando são unos como em qualquer coreografia do Bolchoi.
  • Le Movement - um mero passeia-se junto ao fundo, uma tartaruga parece voar como se fosse uma gaivota, surge uma serpente marinha que ondula graciosamente, a música assume um tom árabe, estou a assistir a uma dança de ventre nas mil e uma noites submarinas.
  • Le Jeu - rodopio debaixo de água os leões marinhos vêem ter comigo e juntos dançamos loucamente através do oceano, pinguins mergulham das rochas e juntam-se nesta dança frenética, uma iguana parece executar o solo de viola.
  • La Grace - mergulho num naufrágio e vejo-me envolvido por uma multidão de peixes, procuro o meu lugar numa janela, ao longe surge a diva do mar, a voz quase divina de Maria Callas parece desenhar os movimentos das Mantas, não respiro, não quero perturbar este momento divino, a cada flutuação da voz da diva dos palcos a sua congénere marinha evolui, subindo com os agudos, descendo nos graves, shiu não faças barulho, não perturbes, de repente explodem as palmas e milhares de peixes surgem de todos os lados.
  • La Nuit - de repente estou numa floresta de laminárias, um polvo gigante passa por mim e deixa um rasto de ferrado, segue graciosamente lembrando uma andorinha, ele é o arauto da noite e conduz-me a ela um caranguejo transporta os ovos rubros nas costas, gorgónias abrem os seus leques capturando plancton.
  • La Foi - com o som de um trovão surge um casal de orcas, seguem-se 2 belugas, estou numa catedral de coral, o seu estilo gótico é acentuado pelo coro, a luz irrompe pelas vitrais.
  • La Tendresse - estou já no exterior é manhã oiço as aves marinhas chamarem e sou conduzido à presença de 2 manatins, aqui não se sabe o que é pressa, cardumes envolvem-nos e sou convidado para um pequeno-almoço de algas, pachorrento o manatim choca comigo, leva a mão à boca num pedido de desculpa envergonhado, dou-lhe um abraço e despeço-me.
  • L' Amour - estou numa fenda, sigo os leões marinhos e vejo-os apaixonados beijando-se e mordiscando, embrulham-se e amam-se, 2 serpentes marinhas enrolam-se, um casal de tartarugas deixam-se entusiasmar, o Nudibrânquio dança atraindo a sua parceira, até as moreias se deixam levar pela onda de amor que invadio o oceano.
  • La Haine - a silhueta de um anequim ondula com uma graciosidade feroz contra a luz da superfície, sinto um calafrio ao ver que vários se juntam, são dezenas, largas dezenas, estremeço um grande tubarão branco surge, olha-me e sorri-me ameaçadoramente, de súbito surge o ataque um anequim primeiro e depois outro abocanham uma presa, um frenesim de morte irrompe no cardume, o tubarão branco abre as mandíbulas colossais na minha direcção, um frio de morte desce pela minha coluna ao pensar que não há mordedura mais poderosa do que aquela no mundo, um tubarão baleia diz-lhe para deixar o convidado de Neptuno em paz, é majestoso um séquito de rémoras e peixes piloto acompanha-o, leva uma eternidade a passar por mim, deixo a sua enorme barbatana caudal desaparecer no azul, agradecendo.
  • La Naissance estou debaixo do gelo, a luz chega a mim através de fendas e ranhuras, sinto-me dentro de um útero à procura da saída para nascer de novo, olho para trás, uma luz difusa, sobrenatural, lembra uma aurora boreal, deslizo por um túnel e vejo num orifício a luz, renasci... estou sobre as ondas, um barco traça um risco branco, sou um albatroz!
Deixei-me levar pela sensação sempre arrebatadora provocada pela visualização deste filme e fui escrevendo, perdi a noção do tempo (são 06:00) e to espaço, daí o comprimento deste post.
Excerto em francês é a transcrição do monologo inicial do filme (peço desculpas por qualquer erro pois estou algo desabituado de escrever na língua gaulesa)

Talvez Atlantis esteja no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Planeta d'Agua



Fui convidado pela revista Planeta d'Agua a colaborar activamente no seu blog. Para além de que estive a escrever um artigo sobre o livro Dive in Style, que deverá ser publicado na mesma.

Deixo aqui um convite para lhe darem uma vista em www.planetadagua.com.

Felizmente que consegui pôr um velhinho portátil Pentium II a 233MHz a aceder via wifi ao router e assim posso estar aqui fora deitado e aceder ao Servidor aqui de casa, para escrever esses artigos para além de navegar na net.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 30 de março de 2008

Regresso


Realizei propositadamente esta foto, finalmente acabou um longo jejum de mergulhos! Foi uma espécie de sair das trevas, de encontrar o fim do túnel!

Já passaram várias horas desde que saí do Reino de Neptuno, mas continuo a sentir embalado pelas Ninfas. Sinto uma profunda paz, posso dizer que é como se continuasse a flutuar. Nada me afecta neste momento, talvez a sensação que neste momento perpassa o meu corpo seja idêntica ao que sente alguém que atinge o Nirvana, talvez seja isto o Nirvana, o Satori, o Paraíso...

Sinto-me ainda em sintonia com as ondas que suavemente me recolheram quando mergulhei e que me embalaram enquanto no fim do mergulho aguardava a chegada do barco, que se tinha afastado para ir buscar outra dupla que saiu muito longe do ponto em que entramos. Foi perto de 1 hora que estive dentro de água, mas as sensações dessa hora mágica acompanharam-me o resto do dia. O suave cantar da ondulação entoa nos meus ouvidos e ainda sinto as suaves massagens que só as Sereias e as Ninfas sabem dar.

Resisti a tirar o sal do corpo até à hora de jantar, arranjei pilhas de desculpas para prolongar aquela sensação de uma aspereza terna e salgada, que como que tempera o corpo e a alma. Mas agora neste momento volto a senti-la, as memórias não residem apenas no cérebro, a pele, a língua, os ouvidos e o nariz também a têm e neste momento sinto aquelas sensações de novo como se estivesse lá!

Paz, harmonia, calma tudo isto é o que sinto, a música do Café Del Mar interliga-se com estas sensações e eleva-me a alma, acho que a minha alma está ainda lá em Sesimbra, com as Ninfas, as Sereias, os peixes, as gorgónias, se calhar ficou ali a contemplar aquele espirógrafo que dançava ao sabor da corrente. Parece que ainda lá estou, parece que renasci...

Quem me dera ter guelras, quem me dera ser um peixe, um coral, quem me dera viver para sempre lá, a vogar pelas correntes, numa imponderabilidade que se altera à medida que enchemos de ar os pulmões dando-nos um suave impulso ascendente, para à medida que libertamos o ar embalar-nos com ternura a caminho das profundezas.

O peso é uma grilheta que nos colocam quando saimos do seio do mar. Lá em baixo apenas ajusto o colete para me dar o equilíbrio perfeito, depois cada ligeiro movimento das barbatanas deslizo suavemente sobre as rochas do fundo, aproveito as correntes e deixo-me levar não é preciso lutar, não é preciso escolher um caminho, basta deslizar sem esforço, sem pressas, sem stress.

Como é perfeito este mundo, como podemos nós termos abandonado o seu ventre e vir viver para terra, onde a gravidade nos amarra ao chão duro, agreste e rude, onde a dor impera e a cada movimento é polvilhado por violência.

Como eu gostava que todos os seres deste planeta se sentissem como eu me sinto...

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 25 de março de 2008

Yabadabaduuuuuu!!!

Estou radiante! O médico autoriza que faça mergulho com moderação. Isto significa que tenho de limitar os mergulhos aos 18 metros, viagens de barco de 30 minutos no máximo e apenas com o mar calmo e, sobretudo, nada de carregar pesos.

Outra ordem para cumprir é a de começar a fazer natação de modo a reabilitar os músculos das costas, que há vários meses que não fazem exercício nenhum. Fazer caminhadas agora com distancias e ritmos mais elevados. Mantém-se a proibição de me sentar por períodos de tempos superiores a 30 minutos/1 hora, utilizar máquinas que produzam vibração, todo-o-terreno está também interdito, pelo menos até Junho. Perder peso é um objectivo que terei também de ter em atenção, algo como 10 Kg será a meta.

Ao escrever o título lembrei-me de uma discussão filosófica que li não me lembro onde:

I think then I am
René Descartes

I am then I think
Jean Paul Sartre

Yabadabadu
Fred Flindstone

Fiquem Bem no lado escuro da Lua!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Remember That Night

Ao largo de Sesimbra em 8 de Julho de 2006 pelas 22:30

Como prenda do dia do Pai recebi o DVD "RemeberThat Night". Estou a vê-lo e ouvi-lo o mesmo tempo que estou escrevendo este post.

Apenas posso dizer que é algo de transcendente, o "velhote" ataca as cordas como ninguém, sem menosprezar outros (entre os quais incluo Eric Clampton, Joe Satrianni, Carlos Santana e mesmo Jimmy Hendrix), David Gilmour é o guitarrista que mais me enche as medidas. Não falando no legado que deixa pois a solo ou com os Pink Floyd produziu do melhor que já ouvi até hoje, de resto para quase todas as músicas dos Pink Floyd tenho uma história para contar.

REMEMBER THAT NIGHT... Algumas noites não se esquecem, os seus sabores, os seus sons, os seus cheiros, imagens e sensações permanecem na nossa boca até ao fim da vida, coisas que parecem vulgares tendem a ficar para sempre cristalizados nas nossas memorias, coisas simples como um esparguete à bolonhesa, podem passar muitos anos podemos comer muitos esparguetes à bolonhesa, mas aquele em particular nunca mais será esquecido.

O meu primeiro mergulho nocturno foi em Lagos na Ponta da Piedade durante uma lua nova. Por cima das nossas cabeças o céu apresentava-se completamente estrelado, muito mais do que alguma vez tinha visto, o brilho das estrelas reflectia-se num mar estanhado, aqui e ali uma estrela cadente riscava-o e parecia tombar no mar. Quando mergulhei, ao desviar o olhar do cone de luz da lanterna para verificar o equipamento surgiu a grande surpresa, afinal não era só no céu que haviam estrelas ali à minha volta milhares de estrelas brilhavam, desliguei a lanterna e o espectáculo foi impressionante cada movimento deixava um rasto luminoso, qual via láctea submarina, inspirei profundamente e mergulhei sustendo a respiração, fiquei lá embaixo alguns minutos, finalmente tinha regressado a casa, com muita pena tive de regressar à superfície, pois o folgo não era infinito (foi um mergulho em apneia), cá cima já todos estavam preocupados, NITROX; NITROX ONDE ESTÁS? - liguei de novo a lanterna - Bolas pregaste-nos um susto dos grandes há mais de 5 minutos que te procuramos.

Aqueles foram os melhores 5 minutos da minha vida.

Voltei a repetir os mergulhos nocturnos de caça submarina mas só passados 20 anos voltei a ter outro mergulho nocturno memorável. Foi o primeiro mergulho autónomo nocturno, foi em 8 de Julho de 2006 em Sesimbra. Passadas as burocracias do costume lá zarpamos directos à Baía dos Porcos. No caminho fui contemplando a lua cheia que se reflectia no mar como uma língua de prata em direcção ao nosso barco, uma forte brisa nocturna de Julho acariciava-me o rosto, o natural arrefecimento quando se vai para o mar não conseguia atravessar o fato semiseco, sentia-me numa profunda paz, mesmo tendo em conta a excitação pela aproximação do mergulho. Finalmente chegou o grande momento, eram 22:48. Deixei-me cair na água com as lanternas propositadamente desligadas, dei por mim no meio de uma explosão de luz, senti-me no centro de uma galáxia, depois lentamente as estrelas vão-se apagando, é então que resolvi subir e comunicar aos outros que está tudo bem.

Após checar todo o equipamento aguardei ansiosamente o sinal de descer, quando tal aconteceu voltei a sentir de novo aquela paz, aquela sensação de voltar a casa. Verifico o computador, estou a 7 metros de profundidade, tenho 220 bar de ar na garrafa de 15 litros e um RBT (Remain Bottom Time, tempo restante à profundidade) de mais de 99 minutos, deve dar para ficar mais de 1 hora lá embaixo. Apesar da forte brisa que provoca uma grande corrente a temperatura é amena à superfície (21º) debaixo de água não passa dos 15º, mais uma vez abençoou o fato semiseco, continuo o mergulho desço um pouco mais mas não chego a ultrapassar os 9 m dou comigo rodeado de bruxas ou, como também são conhecidos, cavacos. Foi por eles que fiz os primeiros mergulhos nocturnos, mas desta vez não os perturbo, apenas os contemplo, parados encandeados pela luz da lanterna, aqui e ali um safio esgueira-se por entre as rochas. O equilíbrio não está bom, não sei porquê mas aquela profundidade tenho a tendência de os pés subirem em relação à cabeça. Anoto mentalmente que preciso de comprar uns pesos para colocar nos pés. O ar da garrafa ainda vai nos 80 bar mas fazem-me sinal para subir, ao chegar cá cima protesto pois achava que tinha sido pouco tempo e ainda tinha para quase meia-hora. Dizem-me que já passou uma hora de mergulho. - JÁ?!

Nota: A precisão dos números deve-se ao facto de ter mesmo aqui à mão os dados do computador de mergulho.

Fiquem Bem!

domingo, 9 de março de 2008

Melancolia


Tenho andado algo deprimido, tal deve-se fundamentalmente a estar confinado a uma vida de quase clausura, de não poder mergulhar, sobretudo da consciência desse facto. É verdade que no ano passado fiz poucos mergulhos, mas não tinha um impedimento tão explicito, ao fim e ao cabo sabia que em qualquer altura podia com maior ou menor sacrifício e ir fazer um mergulho. Por exemplo no último fim-de-semana antes da operação ainda tentei ir fazer um mergulho, mas não tive buddy's e fiquei em seco.

Vou vendo os filmes Atlantis, Vertigem Azul, os documentários do Cousteau e tudo o resto que se passe no mar, em baixo ou em cima, também tenho lido de fio a pavio as revistas Planeta d'Agua que em boa hora comprei na Nauticampo; tenho ainda mais uns livros que de vez em quando vou relendo como sejam "Dive in Style" ou o "Guia de Mergulho Açores"; por fim e sempre que consigo estar numa posição mais vertical dou uns saltitos pela Internet devorando tudo o que seja sites de mergulho.

Quando dá para sair a algum sítio é para a praia que vou, fico horas só a olhar e a ouvir o mar, umas vezes a passear pela praia outras sentado no Cabanas a beber uma bebida quente, deixo-me embalar pela poesia que é ditada pelas ondas e vou recordando os mais belos momentos que passei no mar, vou gizando os planos para a "rentrée" e sonhando com uma vida perfeita que seria toda ela ligada ao mar. É um prazer enorme estar ali horas a fio a ouvir as histórias que o Oceano nos conta umas vezes em tons de epopeia outras em melancólicos sonetos, observando cada crista das suas ondas como se fossem telas de um qualquer pintor impressionista, ficar ali só, apesar de acompanhado por toda uma miríade de seres reais e mitológicos, observar os mergulhos em voo picado das andorinhas do mar e os bandos de gaivotas orientadas na direcção do vento como se fossem cata-ventos, aqui e ali uma tainha salta para fora de água na tentativa de escapar a um predador que se mantém invisível debaixo do grande azul.

Raramente me venho embora sem ver o pôr-do-sol, esse momento mágico em que as cores e os contrastes se tornam mais vincados em que as sombras projectadas pelas ondas se acentuam criando um ambiente quase sobrenatural que é amplificado pela maior percepção da maresia, esse cheiro salgado que nos invade e embriaga ficando colado ao corpo na forma de pequenos cristais de sal. É nessa altura que a visão dos rosas, laranjas e amarelos dos pôr do sol, a audição dos estrondos roucos e graves das ondas misturados com os agudos do marulhar, a maresia invade o nosso olfacto deixando um paladar salgado na boca ao mesmo tempo que o vento nos acaricia a pele, preenchendo assim na plenitude os nossos sentidos. Os minutos passam sem opressão, não consigo dizer se depressa ou devagar, apenas passam deixando a alma preenchida os sentimentos acalmam e entra-se num estado meditativo.

Tudo o resto deixa de ser importante, até nós próprios parecemos deixar de existir sendo integrados naquele quadro, vemo-nos então numa perspectiva de terceira pessoa como se a nossa alma flutuasse para fora do corpo e fosse ocupar a posição do pintor que traça as linhas de uma tela cósmica. Deixo de me sentir um eu e transformo-me num borrão que o pincel desse pintor desenha num quadro perfeito em que os sons e os cheiros também se imortalizam num instante eterno.

Fiquem Bem!

sábado, 1 de março de 2008

Cheirinhos

Hoje tem estado um excelente dia, assim sendo achei que era uma óptima ideia dar um pulinho até à Fonte da Telha e aproveitar a maré vazia para fazer uma caminhada na areia dura.

Quando estacionei o carro junto ao Cabanas vi que se estavam a preparar para sair para um mergulho, fui até lá farejar o cheiro do neoprene e da borracha e logo dou de caras com um antigo colega de trabalho - o Pedro.
- Oi! tu por acaso não trabalhaste na Regra?
-Aí meu há quanto tempo. É pá mas estás muito diferente.
-Pois é cortei a barba...

A conversa foi andando por ali, até que chegou o momento de irem para o mar. Despedi-me -Bom mergulho. No caminha para casa toca o telemóvel:
-Está sim? Daqui é o Luís.
-Oi Luís queria mesmo falar contigo, estou a pensar ir até aí aos Açores fazer uns mergulhos e terminar o curso de Rescue.
-Tudo bem, quando vens? Agora tem estado perfeito.
-Agora não dá estou a convalescer da operação, 26 de Março o médico vai reavaliar o estado disto e já devo ter por essa altura uma ideia.
-OK, então quando estiveres operacional combinamos tudo.

Agora estou a descansar um pouco, depois vou num instante ao Casco Antiguo para colocar o regulador na revisão e talvez adquirir uma mascara nova, estou a pensar na Cressi Matrix, é um modelo um pouco maior do que a Linx (que tem a minha filha) e que está muito bem concebida pois permite uma fácil leitura dos instrumentos sem comprometer a visão global, graças ao seu vidro inclinado.


Fiquem Bem!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Olá! Estou de volta

Afinal foi tudo mais rápido do esperava. Na 2ª feira já o médico me dizia "Quer ir para casa? Olhe que já não estou com vontade de o ter cá". OK! Vamos para casa.

Só hoje é que finalmente consegui arranjar o meu cantinho, como o meu quarto era no 1º andar tivemos de me mudar para um pequeno quartinha que servia, fundamentalmente, para passar a ferro e colocar roupa, para ser o meu quarto.

Como tínhamos cá uma cama para visitas foi só arranjar as coisas de modo que as suas anteriores funções fossem transferidas para a cozinha e para a dispensa. Pronto as coisas não ficaram muito bem, mas foi o melhor que se conseguiu arranjar.

No dia 13 fui com a minha mulher ao cinema, vimos o... não me lembro, vou ter de lhe perguntar... a anestesia geral é tramada... "O Vale de Elah"... foi ela que me disse agora... de resto estou a lembrar-me agora do filme e da injustiça de não ter sido nomeado para um Óscar. Mas lembrava-me perfeitamente do trailer que passaram antes, tinha por base um fenómeno raríssimo (500/20.000) em que o anestesiado fica consciente e sente tudo durante a operação embora não possa nem comunicar nem mexer. Estão a ver o filme.

Felizmente não aconteceu nada disso, pois caso contrário teriam sido 5 (cinco) horas terríveis. Pois ao contrário do que muitos pensam a operação à coluna é efectuada, normalmente pela frente, o que no meu caso foi um problema maior pois tenho um volume... bom, ficamos por acima da média. Depois é que foram elas. Realmente a evolução também chegou à medicina, é que depois de operado à coluna e de ter recuperado da anestesia geral levei algumas horas na UCI e para meu espanto quando decidiram transferir-me para o quarto o médico foi da opinião que eu próprio devia levantar-me e mudar de cama. Onkie Donkie, com a ajuda de 2 enfermeiros fiquei em pé e dei os primeiros passos para a outra cama que estava e 2 metros.

Daí para cá tem sido uma lenta evolução, um dia melhor, no outro pior, mas as melhorias são sempre maiores que as pioras. O que mais me dói vão ser os 3 meses sem poder mergulhar, vão ser 3 meses que pareceram uma eternidade, mas a vingança será terrível - AÇORES - Sim vou para os Açores provavelmente 2 semanas e vais ser mergulhar até ao limite, até estou com ideias de alugar lá um veleiro.

Escolhi para primeiro disco a ouvir em casa... era inevitável... "David Gimour - On an Island", neste preciso momento ouço a música "When we start"... estupidamente ao ouvir a letra desato a chorar... será da anestesia?


WHERE WE START

Where we start, is where we end
We step out sweetly, nothing planned
Along by the river we feed bread to the swans
And then over the footbridge to the woods beyond

We walk ourselves weary, you and I
There's just this moment

I light a campfire away from the path
We lie in the bluebells, a woodpecker laughs

Time passes slowly our hearts entwined
All of the dark times left behind

The day is done
The sun sinks low
We fold up the blanket, it's time to go

We walk ourselves weary, arm in arm
Back through the twilight
Home again

We waltz in the moonlight and the embers glow
So much behind us
Still far to go


Fiquem Bem!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

É agora

Estou já de malas feitas.

Voltarei a colocar noticias assim que possível, mas como só vou levar o telemóvel, não sei quando vos poderei visitar.

Fiquem Bem!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Medos

Antes de ontem acordei com qualquer coisa de estranho, um frio na espinha - e se alguma coisa correr mal? E se nunca mais voltar a poder sentir a água a fluir pelas barbatanas? Este sonho/sensação deixou-me aterrado; ontem dirigi-me ao Cabana Divers com uma ideia fixa, mergulhar, só que não apareceu ninguém para além de mim e de um outro mergulhador, assim o mergulho ficou anulado.

Bolas! Mas também ficou desde já uma coisa prometida a mim próprio: se tudo correr bem vou passar uns dias nos Açores e mergulhar naquele azul infinito até o computador de mergulho me ordenar chega, se pelo contrário a mobilidade das pernas ficar afectada, então comprarei uma scooter submarina, mas nunca deixarei de mergulhar. Como digo na minha apresentação é lá no mar que gostava de morrer, é para lá que quero que os meus restos sejam deitados.

Interrompo as minhas meditações para descrever ver o que estou a presenciar na TV. Coloquei o filme Atlantis de Luc Besson, ao qual já dediquei um artigo, e estou a observar um bailado de Mantas ao som de Maria Callas. É soberbo, fantástico, parei de escrever para absorver cada instante e no fim retrocedi para o início do capítulo para rever. Fica aqui um pequeno trecho que consegui encontrar no You Tube.



Fantástico as imagens da dança da Manta e a voz cristalina de Maria Callas, de referir que com essa excepção as músicas são de Eric Serra, que existe outros bailados: golfinhos, leões marinhos, uma serpente marinha e até iguanas, os primeiros 10 minutos do filme rezam assim...


A qualidade das imagens não se equipara aquilo que vemos no DVD, mas pelo menos dá uma ideia. Se me perguntarem porquê que tenho tanto AMOR pelo Mar este vídeo é a melhor resposta que poderei dar, porque nenhumas palavras alguma vez poderão alguma vez transmitir nem a mais pálida das emoções que sinto quando penso no "Grand Bleu".

O Atlantis não se comercializa em Portugal, comprei na Amazon codificado para Zona 1 tive de fazer uma cópia e retirar as protecções para poder vê-lo na TV, estou a pensar num plano para transmiti-lo na integra através da net, gostava imenso de poder partilhá-lo com mais gente. Enfim por agora não tenho tido muita cabeça para me dedicar a este assunto.

Outra noticia triste, um dos flutuadores do Groupama 3 partiu-se tendo o barco virado. Toda a tripulação foi resgatada e está sã e salva na Nova Zelândia.


Fiquem Bem!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Jean Michel Jarre



Mais um concerto, desta será o Jean Michel Jarre no Coliseu dos Recreios no dia 25 de Abril.
Lembro-me perfeitamente do primeiro concerto dele que vi - The China Concerts, estava em Lisboa a fazer o 12º ano, como só tinha aulas à noite tive de faltar para ver o concerto, naquela altura ainda não havia vídeo-gravadores, pelo menos acessíveis ao comum mortal, ou se via em "directo" ou azar.

Lembro-me perfeitamente que nunca tinha assistido a nada assim, o raios laser, aqueles instrumentos magníficos - a harpa laser era um must - e depois havia a música, apesar de dentro do género eu preferir Tangerine Dream ou Vangelis, Jean Michel Jarre fazia parte dos favoritos e ao vivo era mesmo o melhor dos 3.

Não estou à espera de ver algo do género de La Defense (para mim o melhor de todos os concerto que vi do JMJ, por falar nisso não o consegui encontrar em Portugal, vou ter de tentar o Amazon), mas estou à espera que este 25 de Abril seja memorável. Vou deixar uma amostra.

Fiquem Bem!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Suffer Well


Neste momento estou sentado na minha sala, com um portátil que salvei de um despejo num qualquer caixote do lixo e que por ser uns anitos mais recente que o meu possui uma porta USB, o que permite a instalação de uma pen WiFi. Bom deixando a tecnologia para trás, estou a ouvir/ver um concerto dos Depeche Mode em Paris, Dream On (Do you feel a little love), Free Love, Enjoy the Silence, etc trazem recordações, memórias e uma nostalgia que se por um lado me deixa triste pelo que perdi por outro reconforta pois vivi nesse tempo algo que poucos seres humanos alguma vez vislumbrem - a felicidade absoluta. Não sei se viram o filme "A Cidade dos Anjos" com o aclamado actor Nicholas Cage, é um pouco assim que me sinto.

É pois nesta mistura de sentimentos que vou aguardando a data da intervenção cirúrgica que urge realizar, pois as dores ultrapassaram o patamar suportável. Não sei o que irá acontecer depois da operação, poderei recuperar, poderei ficar condenado a uma vida de dificuldades motoras, mas pelo menos não voltarei a sofrer desta maneira. As caixas de analgésicos vão desaparecendo, os movimentos que aprendi ao longo de 20 anos de sofrimento a realizar de modo a aliviar a dor já não resultam, já não tenho posição para dormir, sigo um ritual de dormir 2-3 horas num sofá almofadado de modo a proporcionar o máximo conforto, outras 2-3 horas noutro sofá ortopédico e o restante na cama. Mesmo assim os despertares são dolorosos e dormentes, nem os banhos turcos nem as hidromassagens conseguem devolver uma normalidade à vida.

"Don't say you happy out there without me" estou neste momento a ouvir os DM cantarem, agora começam a cantar "Personal Jesus". Vou ter de me levantar preparar uma borracha de água quente para tentar amortecer a dor causada pela "Discopatia Degenerativa", é este o nome pelo qual é conhecida a "senhora" que me obriga a uma visita ao cirurgião. Eles voltaram ao palco e eu vou tratar da borracha e deixar de vos aborrecer com histórias de doenças, vou desde já pedindo desculpa, mas acabei por ceder ao sofrimento e deixá-lo escorregar para o Dark Side of the Moon.

Espero caminhar até lá, ao Lado Escuro da Lua...

Fiquem Bem!

Pro Actividade

Lagoa de Albufeira - 15 de Abril de 2006

"Não há nada mais aterrador que se aceitar-se completamente a si mesmo"
Carl Jung.

Há algumas semanas atrás tive um curso, o primeiro em 11 anos, no serviço. O curso versava sobre auto motivação e pro actividade - psicologia social. O conceito é um pouco assim: temos de ser todos cinzentinhos, retirarmos a nossa personalidade e adoptarmos um comportamento perfeito. Resumindo standartizar as emoções.

Se esse conceito tivesse vigorado desde o princípio da humanidade nunca teríamos tido Mozart, Van Gogh, Picasso, Jim Morrison, Bethoven, Hemingway, Shakespeare, Camões, Roger Waters, David Gilmour, Syd Barret e tantos outros, seriamos uma civilização de merda, uma espécie de formigueiro, sem arte, sem sentimentos.

A senhora até falou muito bem, devemos cultivar os bons sentimentos e deitar fora os maus. Mas sem ódio não há amor, sem preto não há branco, sem dor não há prazer. Não é isso que nos diz os Tao? Onde está o equilíbrio? Onde está o ser humano? Será essa a sociedade ideal? Em que os comportamentos são definidos por decreto? Em que não há malfeitores nem génios?

Experimentem a tirar o pólo norte de um imã, partem ao meio e o que acontece? ficam 2 imãs cada um com pólo norte e pólo sul. O mesmo irá acontecer na nossa sociedade e no próprio ser humano.

Outra situação que me admirou foi a tentativa de moldar os funcionários aos lugares. Que diabo está tudo parvo? Tem forçosamente de ser ao contrário, olhem para uma equipa de futebol, seria a mesma coisa que exigir ao ponta de lança que fosse guarda redes e a este que fosse um médio, etc. Numa equipa de futebol aproveita-se as características dos jogadores e coloca-se os mesmos nas posições onde dão melhor rendimento. Quando isso não acontece a equipa recente-se imediatamente. Nas empresas devia ser assim também, tem de ser a empresa a explorar as potencialidades do empregado e a tirar o melhor partido dele e não o empregado a adaptar-se à posição na empresa.

Em vez de andarem para ai a dar cursos de pro actividade deviam sim ensinar cada um a conhecer-se a si mesmo e a aproveitar plenamente as suas características. Mas isso é assustador? Não é?

Fiquem Bem!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Relax

Hoje andava às voltas pela net e tropecei nisto.



Ponham o som no máximo desfrutem/relembrem e...

Fiquem Bem!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Às voltas ao mundo

Vou voltar a um tema, já aqui tratado - o Troféu Júlio Verne.

Esse troféu recebeu o nome devido a ter sido atribuído pela 1ª vez a quem conseguisse dar a volta ao mundo em menos de 80 dias sem usar meios aéreos, logo por mar, uma vez que por terra é impossível.

Desde a sua criação esse troféu sempre pertenceu a barcos à vela, e assim se vai manter pois o Earthrace - que é apresentado como o potencial recordista entre os navios a motor tem como objectivo os 60 dias; o troféu Júlio Verne está neste momento em 50 dias!!! e o Groupama 3 já leva 118 milhas de avanço a esse recorde ao fim de 2 dias e meio!!! INCRÍVEL! Bem mas melhor que as palavras só mesmo as imagens desse magnífico trimarã durante a quebra do recorde absoluto de travessia do Atlântico Norte. Respirem fundo e cliquem no «play» é absolutamente de cortar a respiração...



OK! Agora alguns números a velocidade média desse recorde foi de 29.26 nós, num dos periodos de 24 horas foi batida a distancia máxima percorrida por um barco num dia - 794 milhas, a uma velocidade média de 33.08 nós (a título comparativo o mais rápido barco oceânico a motor do mundo apesar de poder atingir 42 nós de velocidade máxima não os pode manter mais do que algumas horas sendo que a velocidade máxima que pode atingir numa travessia oceânica está entre os 24 e os 29 nós). Estimo que a velocidade a que o Groupama se deslocava quando foi feito o filme seria superior a 35 nós!!!

Estes feitos da vela dão que pensar pois nenhum motor é usado, nenhuma poluição é produzida, nem o mais limpo motor do mundo poderá alguma vez rivalizar com a vela em termos ecológicos, então pergunto eu porquê que se continua a apostar num meio de locomoção pouco eficiente, poluidor, caro, barulhento e, o mais importante, sem poesia.

Sim nada no mundo tem a mesma poesia, a mesma beleza, a mesma harmonia, a mesma magia que cruzar os mares à vela. Velejei muito na minha adolescência, mas o momento em que pela primeira vez naveguei num iate e à saída do porto se desligou o motor ficando imersos naqueles sons da água a murmurar no casco e do vento a assobiar nos brandais ficará para sempre na minha memória.

AMO o mar e tudo o que mais gosto nesta vida está lá: mergulhar, velejar, nadar ou simplesmente sentar-me na areia da praia a contemplar o sol a pôr-se para lá das ondas.

Deixo aqui um desafio vejam os outros vídeos que acompanham aquele que coloquei acima, e tenho a certeza que entenderão perfeitamente a minha paixão; chamo a atenção para 3: o nº 7 onde se vê o odómetro marcar os 38.9 nós, o 6º não sendo o Groupama são 5 minutos de pura magia e o 3º da segunda página é retirado, penso eu, da Odisseia Billabong do melhor surf que já vi.

Fiquem Bem!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Espertos

Realmente o chico-espertismo impera neste país, estou diminuido fisicamente devido a um problema na coluna, tendo algumas dificuldades locumotoras tenho de recorrer a uma bengala. Hoje ao ter-me atrasado um pouco ao chegar ao barco constatei que os lugares de estacionamento para deficientes estavam todos ocupados, apenas um deles era deficiente, todos os outros já são habitués e a única deficiencia que devem ter é serem parvos.

Já no Almada Forum foi a mesma coisa nem um lugar de deficiente livre, quase nenhum dos carros ostentava o simbolo de deficiente. O meu também não tem, pois a minha deficiencia é temporaria, espero eu, mas se no caso aqui do Seixal bem vejo quem são os espertos, no Forum não acredito que haja tantos deficientes assim.

De facto isto é mesmo um país de espertos. Conheço uma criatura que tendo o trabalho 6 meses atrasado, chegando todos os dias atrasado, faltando 2 manhãs por semana, etc,etc,consegue ser promovido, receber alcavalas tudo à pala de politiquices e ainda tem a suprema lata de se autointitular o melhor dos trabalhadores. Como este existem centenas, talvez milhares. E o que dizer de uma empresa que tem 4 (quatro) anos (sim anos) de atraso num projecto. Não estou a falar de obras públicas nem sequer pensem que era um projecto de muito tempo. O projecto inicial era de 1 (um) ano e já vai em 5 (cinco). E o burro sou eu? O ruim sou eu?

Cada um é livre de tirar as suas conclusões, se fosse comigo ao fim de 6 meses de atraso tinham ido enganar outros, pois um atraso de 50% em relação a um qualquer prazo é inadmissivel, mas aqui estamos a falar de um atraso de 400%, estamos a falar de as maquinas que foram compradas na altura estarem já obsoletas e o sistema ainda não arrancou, estamos a falar de uma perda em termos financeiros muito avultada (não sei nem quero saber os valores envolvidos, mas sei que o atraso só por si deve valer uns bons milhares de Euros).

Peço desculpa pelo desabafo, mas as dores e a dificuldade de movimentar-me estão a tornar-me amargo e intolerante.

Fiquem bem!

domingo, 20 de janeiro de 2008

O melhor video clip de sempre



De volta ao blog pelo PC, resolvi trazer até aqui aquele que considero o melhor vídeo clip de sempre.

Não só a fotografia é excelente, a música é brilhante (definitivamente a melhor que os Duran Duran fizeram), a letra fascinante e fundamentalmente o casamento de tudo resulta numa quase perfeição.

"Save A Prayer"

You saw me standing by the wall,
Corner of a main street
And the lights are flashing on your window sill
All alone ain't much fun,
So you're looking for the thrill
And you know just what it takes and where to go

Don't say a prayer for me now,
Save it 'til the morning after
No, don't say a prayer for me now,
Save it 'til the morning after

Feel the breeze deep on the inside,
Look you down into your well
If you can, you'll see the world in all his fire
Take a chance
(Like all dreamers can't find another way)
You don't have to dream it all, just live a day

Don't say a prayer for me now,
Save it 'til the morning after
No, don't say a prayer for me now,
Save it 'til the morning after
Save it 'til the morning after,
Save it till the morning after

Pretty looking road,
Try to hold the rising floods that fill my skin
Don't ask me why I'll keep my promise,
Melt the ice
And you wanted to dance so I asked you to dance
But fear is in your soul
Some people call it a one night stand
But we can call it paradise

Don't say a prayer for me now,
Save it 'til the morning after
No, don't say a prayer for me now,
Save it 'til the morning after
Save it 'til the morning after
Save it 'til the morning after
Save it 'til the morning after
Save it 'til the morning after

Save a prayer 'til the morning after



Fiquem Bem!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Choque Tecnologico

O desenvolvimento tecnológico é surpreendente. Anteontem vi a apresentação do novo Mac Book Air, estamos a falar de um portátil com um poder impensável ainda há meia-dúzia de anos que cabe dentro de um envelope A4 comercial, impressionante!

Estou a usar meios que ainda há 10 anos atrás eram considerados ficção científica, se recuarmos outros 10 seriam impensáveis mesmo. Estou a escrever num telemóvel, usando um teclado sem fios, mais ainda, tenho os Pink Floyd, Police, Depeche Mode, etc. a tocar no mesmo telemóvel.
Este telemóvel permite-me ver qualquer ficheiro de Word, Excel, PowerPoint e até mesmo PDF, tem 2 câmaras de vídeo digital, GPS, reproduz vídeo, tem uma agenda, jogos, calculadora, envia e recebe emails, mensagens de texto, de vídeo e de imagem, faz conversão de moeda e unidades de medida, edição de fotos e vídeo, serve de gravador de som, tem relógio com despertador e até faz chamadas, não só de voz como também de vídeo. Tudo isto num equipamento que é mais pequeno que a minha mão. Hoje até pode parecer trivial mas se olharmos para uns 15 anos atrás, nem nos filmes de ficção científica se via um dispositivo tão sofisticado.

Como prova do que estou a dizer basta ver que este post foi todo realizado usando exclusivamente o telemóvel. OK não posso colocar música, como ficou demonstrado no post anterior, tal como as limitações com o teclado já citadas também, mas vai dando para desenrascar.

Mas a tecnologia não é tudo, temos de olhar para ela apenas como uma ferramenta ao nosso serviço e não sermos escravizados por ela. Li hoje no Noticias do Mar um artigo sobre o troféu Júlio Verne, o recorde da volta ao mundo em barco, curiosamente ainda há pouco tempo esteve em Lisboa o Earthrace - o barco a motor que foi muito falado pois pretendia bater o "recorde da volta ao mundo" realizando-a em menos de 60 dias e usando biodiesel - estranhei o ruido feito em torno desse projecto pois o RECORDE está nas mas de um catamaran à vela - o Orange II - em 50 dias 16 horas e 20 minutos, e em termos ecológicos ninguém poderá discutir que um veleiro polui menos do que um barco a motor, por muito económico e limpo que seja.

Sobre o Earthrace já muitos devem ter ouvido falar, sobre o Groupama 3, aposto que muito poucos. O Groupama também se prepara para bater o recorde mas à vela.

Aqui temos uma ilustração do que quero dizer sobre tecnologia - de um lado está um barco em que esta vale 90 % do outro um veleiro em que apenas vale 30 %. A tecnologia usada no Groupama é enorme, mas o Homem é fundamental, apesar dos meios envolvidos para a concepção, construção e ajudas de navegação (GPS, meteorologia por satélite em tempo real, etc) é preciso muita experiência, conhecimento e mesmo intuição para poder tirar todo o partido de um veleiro, um barco a motor já não é assim, desculpem o exagero, mas até podemos ensinar um macaco a conduzi-lo.

Fiquem Bem!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Blogmovel

Isto de postar por telemóvel está dar bons resultados, este já é o terceiro post usando esta técnica. O único senão é que este teclado não tem caracteres portugueses, obrigando-me a ir ao telemóvel para os colocar, outra desvantagem é que as fotos ficam sempre à esquerda, de resto pouco se nota a diferença. Do lado das vantagens tem essa ENORME de poder escrever no blog sempre e onde me apetecer.

Em relação às respostas e consultar outros blogs, não sendo impossível é algo dificil devido às dimensões do ecran.

Vamos ver como fica a música que aqui coloquei. Não! Não tem nada a ver com o Bin Ladden e outros parvalhões como ele, para os menos atentos o senhor chama-se Freddie Mercury.

Fiquem Bem!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O Dakar

Já escrevi aqui uma vez que seguia o Dakar apaixonadamente desde a sua primeira edição. Devem calcular como me sinto. Em 1978 apenas tive informações após o seu termo, nos anos seguintes ia recolhendo informação dia a dia pelo jornal L'equipe, por fim a sua mediatização acabou por o trazer para os jornais, radios, televisão e por fim internet. No ano passado "assisti" à prova em directo, minuto a minuto.

Sinto aquela sensação estranha de faltar quaquer coisa, de perda. Não consigo deixar de pensar em quem levou um ano (e às vezes mais) a preparar esta aventura e viu tudo ir por agua abaixo antes de partir.

Outra palavra para os filhos da puta que obrigaram ao cancelamento da prova. Ainda não sei se foi mesmo uma ameaça terrorista ou se foi uma jogada suja do governo francês para pressionar a Mauritânea no negocio do gas natural desta. A historia está muito mal contada, nunca nenhum governo cedeu a ameaças terroristas porquê agora? E se os terrorista ameaçarem os Jogos Olímpicos? Vamos cancelar também? Vamos deixar de andar de avião? de Metro? de comboio? vamos deixar de frequentar bares e discotecas?

Se foi uma cedência é mau se foi um negócio sujo ainda é pior. Seja como for o meu ódio pela classe política não pára de aumentar. Mas isso já são conversas de_escarnio.

Aqui apenas fica a tristeza e a melancolia de um Dakar anulado e o desejo que tudo se recomponha e que volte a haver Dakar, pois sem ele o mundo ficará mais pobre, muito mais pobre. Basta ver que é mais uma porta que se fecha a Africa, que para muitas populações o Dakar representava o rendimento de um ano inteiro. Se ele acabar ou for deslocalizado vai por certo aumentar a distancia entre os povos e quem vai perder seremos todos nós.

Nenhum outro evento aproximava tanto a Europa de Africa como o Dakar, pois não são as cimeiras entre lideres que aproximam os povos mas sim o contacto fraterno entre estes. O fim do Dakar será mais um passo (gigante?) para o fim de um sonho de paz e harmonia para este planeta.

Fiquem Bem, se puderem.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Do telemovel

Tenho andado ausente não só por razões de cansaço mas também por sentir uma certa desmotivação derivada de inumeros problemas.

Por outro lado estou a configurar o telemovel para poder colocar posts directamente.

Espero que seja mesmo o fim da tempestade

sábado, 24 de novembro de 2007

Regresso à calma


Após a tempestade vem bonança. Foi uma semana alucinante, no Domingo o Dudu e o Max resolveram ir dar um passeio à revelia, não foi a primeira vez, mas ao fim de uma hora comecei a preocupar-me e após percorrer as redondezas sem os encontrar e de os chamar até à exaustão sem sucesso vim para casa.

Passado algum tempo vejo o Dudu vir a coxear horrivelmente, ao agarrar-lhe na pata verifiquei que havia uma fractura e arranquei imediatamente com ele para o Hospital Veterinário. Após a radiografia veio a verificar-se que era uma fractura múltipla e em torção o que obrigou a uma delicada cirurgia.

Quanto ao Max, nada nem sinal, percorremos toda a vizinhança e nada. Na 2ª feira após uma chamada indicando que um cão idêntico ao Max tinha sido avistado do lado da Fonte da Telha lá fomos à procura, mas sem sucesso. Continuamos as buscas ao frio e à chuva mas nada. Até que na Quarta-feira de manhã lá estava ele do lado de dentro do Pinhal do Inglês. Ainda chamei pelo guarda mas sem sucesso e tive de ir trabalhar, à tarde já estava cá fora à porta de casa.

Quem não ficou contente foi o Dudu que deve-se ter sentido abandonado peo irmão depois do acidente. Mas agora já fizeram as pazes e está tudo em harmonia, com a gripe que apanhei já em fase de rescaldo também. Vontade, tempo e condições para escrever é que não houve.

Fiquem Bem!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O anel


Depois de altos e baixos, estou de novo feliz, mas tenho de me lembrar sempre daquele conto Budista em que o velho Rei quando está preste a morrer chama o filho e dá-lhe um anel dizendo – Meu filho vais herdar o meu Reino mas toma atenção, este anel, usa-o sempre e quando estiveres nos teus maiores momentos de tragédia ou de glória retira-o e lê a inscrição que tem no interior.

O jovem príncipe tornou-se Rei, passados anos um conflito com o reino vizinho provoca uma guerra e no meio de uma batalha, tendo perdido a maioria dos seus amigos e vendo que a mesma estava praticamente perdida e com ela a guerra ele lembrou-se do anel, retirou-o e leu "Um dia também isto terá um fim". Num volte face o jovem Rei acaba por vencer a batalha e de vitoria em vitoria acaba por vencer a guerra, ao regressar em triunfo, aclamado pelo povo, ele voltou a lembrar-se do anel retirou-o e leu "Um dia também isto terá um fim".


Fiquem Bem!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Felicidade

Parque dos Poetas 03/11/2007

Hoje, tendo de novo perdido o barco por poucos minutos, decidi sentar-me à beira-rio enquanto esperava pelo próximo. O sol aquecia-me a pele, contrastando com a brisa fresca, pensei em colocar os auscultadores para ouvir música, mas as ondas do rio imploraram-me que não o fizesse. Concordei e fiquei a ouvi-las, abri a minha revista do Budismo e comecei a ler, mas ao longe outras ondas solicitaram a minha atenção, mais uma vez anuí. Fiquei ali simplesmente olhando para a paisagem e ouvindo o doce cantar das ondas.

Entretanto chegou o barco, coloquei os auscultadores, a música dos Tangerine Dream nunca me tinha parecido tão bela. Venho no barco a ouvi-la e sinto nuances que nunca senti, sinto uma cristalinidade nunca percebida, apesar das condições não serem as ideais.

Sinto-me feliz, só por aqueles minutos. Esta felicidade faz-me lembrar a flor do Lótus, bela e imaculada no meio do lodo. A minha vida não tem sido nada fácil, mas senti-me e ainda me sinto feliz, não é aquela felicidade do riso alarve, da conquista desta ou daquela meta. É simplesmente felicidade. Porquê?

Por nada! Sinto-me feliz por nada!


Fiquem Bem!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Pôr-do-Sol



O pôr-do-sol é sempre algo de fascinante, infelizmente agora não posso ir dar um pulinho à praia e contemplá-lo depois de sair do trabalho, resta-me pois os fins-de-semana. Estava a entrar no barco e vi como estava bonito o céu, com os tons rosa e azul típicos desta hora do dia, ocorreu-me olhar à volta e ver a reacção das outras pessoas, ninguém estava prestando atenção, atrasei o passo na esperança de ver alguém a olhar para ele, mas nada ninguém pára para ver o pôr-do-sol. E este estava particularmente exuberante.

Lê-se o jornal ou a Caras, olha-se para o chão ou para o relógio, brinca-se com telemóvel, mas para olhar para aquilo que é belo, para saborear a vida ninguém parece ter tempo. O Dalai Lama diz que a humanidade vive como se nunca morresse e morre como se nunca tivesse vivido. Mais uma vez encontro uma profunda sabedoria nas palavras de Sua Santidade.

Longe de criticar ou de me achar superior, sinto compaixão por todos os que atravessam a sua existência sem viverem. Muitos têm perfeita noção disto, outros acham que uma existência carregada de materialismos, passada a correr para ganhar mais e mais chama-se vida, é destes que sinto maior compaixão, pois sentirão uma enorme dor quando tiverem de abandonar este mundo.


Fiquem Bem!

sábado, 20 de outubro de 2007

Praia



Hoje bem podia ter levado o teclado do telemóvel para a praia, pois estive lá umas horitas da parte da manhã. Tomei uma banhoca, e posso dizer-vos que em Agosto no Algarve a água estava mais fria. Não sendo estranho ter dias bons de praia em Outubro, é perfeitamente anormal a quantidade. Só não tenho ido todos os dias para a praia por falta de tempo, pois já há várias semanas que o tempo está esta maravilha. O Sol até nem queima muito pois está francamente mais baixo o que até é melhor pois no pino do Verão às vezes é insuportável estar na praia, por outro lado a água está muito boa não há muito vento e, sobretudo, há muito pouca gente.


Fiquem Bem!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Meditação


pensamentos em 09-10-2007 8:36
Ontem o vento estava forte quando sai do barco, vinha de conversa com uma colega e não me apercebi, depois quando nos separamos dei por ele. Aproximei-me do molhe e senti-o com vigor a massajar-me a face, estive ali parado durante minutos apenas sentindo-o, ouvindo-o a cantar, sentindo o seu cheiro salgado. Às vezes interrogo-me como as coisas mais simples podem ser as mais belas.
Sempre adorei o vento, talvez por ter vivido em Lagos, talvez por qualquer desequilíbrio energético. O certo é que gosto de o sentir, dá-me um prazer incrível passear ao vento. Recordei-me de um passeio na praia, ao pôr-do-sol, aliás não era assim tão diferente, ali ao pé rebentavam pequenas ondas, o cheiro a maresia pairava no ar e o sol punha-se pintando as esparsas nuvens de um tom rosa choque.
Nem um pensamento abordou a minha consciência, só o prazer transmitido pelos sentidos. Respirei aquele ar salgado profundamente e senti-o a penetrar nos pulmões e a misturar-se no sangue, tomando o lugar do CO2 que acabei por expulsar no fim do ciclo da respiração. A minha mente, apesar de cansada após um dia longo de trabalho, ficou mais fresca, mais desperta. Porém uma pequena dor no pescoço, que tinha começado a manifestar-se ainda no trabalho, teimava a estar lá, no entanto não me incomodava, apaguei-a do meu consciente, aliás apaguei o meu consciente e continuei ali a ouvir e a sentir o vento.
Ao fim e ao cabo trata-se de uma espécie de meditação. Para mim meditar é sempre uma experiência libertadora, às vezes esqueço-me, não tenho tempo ou estou demasiado cansado. Como já referi a vida actual é uma correria, estamos sempre à pressa, sempre contra-relógio. Muitas vezes não temos tempo para aquilo que é de facto importante – VIVER. O acto de meditar faz parte da vida, ajuda-nos a acalmar a mente, tal como o dormir, meditar é fundamental para o nosso equilíbrio mental, talvez por ser tão menosprezada hoje em dia é que estamos a viver numa sociedade cada vez mais esquizofrénica.
Meditar não tem nada de esotérico, lembro-me de uma conversa com o director comercial da Ameritec para a Europa há uns anos atrás. Ele provinha de famílias tradicionais inglesas e contou-nos a respeito de um vinho do Porto que lhe recordava a sua juventude, que se lembrava claramente do pai sentado à lareira a fumar um "Romeo e Julieta" e a beber um cálice desse vinho. Ele ficava ali em silêncio observando as labaredas, enquanto bebia e fumava. Isto é uma forma de meditar. Já escrevi aqui que um dia estava só na praia e resolvi meditar enquanto tentava sincronizar a minha respiração com as ondas. É preciso descobrir o nosso ritmo nos muitos que o Oceano tem, mas a recompensa é muito gratificante.
Claro que com toda esta loucura que se vive hoje em dia é muito complicado parar para não pensar, os problemas assolam-nos, é a taxa do crédito à habitação que não pára de subir e nos sufoca, é a situação no trabalho que está cada vez mais precária e desumanizada, é o custo de vida que não pára de subir acima dos salários. Todos temos muito graves motivos para andar sempre com a mente ocupada. Mas apesar disso, ou talvez mesmo por causa disso, devemos arranjar um momento para nos descontrairmos, para atirar para trás das costas todos os problemas. Tenho de confessar que até sou um privilegiado vivo ao pé do mar e da mata, para além disso tenho uma forte aliada – a música, seja o David Gilmour, os Pink Floyd, os Tangerine Dream, o Vangelis ou simplesmente a música do vento ou das ondas.
Às vezes é o q.b. escutar serenamente a música do vento ou o ritmo das ondas, tão menosprezados e no entanto tão belos. Fico a pensar que a nossa sociedade só dá valor a tudo aquilo que é pago, quantas pessoas vemos parar para admirar um pôr-do-sol? Se calhar se aparece-se uma marca a patrociná-los e começa-se a cobrar para os vermos, as audiências iriam subir.


Fiquem Bem!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dedicado à Micas

Fiquei com alguma pena pela Micas, afinal depois de se contar os dias para o concerto dos Police este teve de ser adiado.

Sei perfeitamente o que ela está a sentir pois também eu esperei ansiosamente pelo concerto dos Depeche Mode para este vir a ser cancelado.

Vim num instante colocar mais um bocadinho do concerto de Lisboa, têm sido dias cansativos e só me apetece sentar na frente da TV e descansar a alma um pouco.



Fiquem Bem!

sábado, 13 de outubro de 2007

Voltei ao Dark Side of the Moon



Resolvi terminar o luto pelo Syd. Assim voltei a usar o nome original.

Fiquem Bem!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Voltas

Filhota mergulha no pôr-do-sol em 10/10/2007 na Fonte da Telha

A vida dá imensas voltas. Hoje devia publicar um texto que acabei ontem mas, como já disse anteriormente, não sou capaz de publicar algo sem lhe dar mais um "jeito"; para mim tudo é fluido e resultado do momento. O que penso neste momento pode não ser o mesmo que pensarei daqui a umas horas. O que sinto agora não será seguramente o que estarei a sentir dentro de alguns minutos. Claro que há sempre uma reserva que muda pouco, aqueles pensamentos que demoram anos para mudar e aqueles sentimentos que se prolongam para o resto da vida.

Fui fazer algumas visitas a blogs amigos e a vontade de transcrever o que tinha escrito ficou adiada. Estou a ouvir PinkFloyd - The Dark Side of the Moon - Time:

And then the one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun


Já escrevi aqui uma frase de Sua Santidade o Dalai Lama:

Apenas há 2 dias por ano em que nada se pode fazer; um chama-se ontem e o outro amanhã.

Li ainda nos Laços Azuis:

Perguntaram ao Dalai Lama

“O que mais te surpreende na Humanidade?”

E ele respondeu:

“Os Homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.

E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.

E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido”

Estes pensamentos não me têm saído da cabeça nos últimos anos e por força das circunstâncias estão particularmente activos ultimamente. De modo que tenho feito tudo para viver intensamente cada momento como se fosse o ultimo, por não me prender a nada, para ser feliz hoje em vez de estar a preparar a vida para ser feliz amanhã.

Claro que nem sempre é possível agir assim, mas dentro do possível vou tentando desfrutar cada segundo desta breve passagem pela bolinha azul que apelidamos de Terra.

Fonte da Telha - 10/10/2007

Fiquem Bem!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

On An Island 3

Marina de Vilamoura (scan de uma foto já perdida no tempo)

O nevoeiro acompanhou-me até à porta de casa convidando-nos a entrar, a lareira crepita na sala, sentamo-nos na sua frente. Retiro do bolso as pedras que recolhi na praia colocando-as junto às labaredas que as aquecem. Após estarem na temperatura certa, uso-as para lhe fazer uma relaxante massagem. Voltamos a beijar-nos e deixamos os nossos corpos unirem-se, não trocamos uma única palavra, não precisamos basta olhar profundamente nos olhos e sabemos o que cada um quer dizer ao outro. As nossas sombras dançam na parede oposta impulsionadas pelo saltitar das chamas. Beijamo-nos mais uma vez, a nossa respiração está ofegante e por fim apertamo-nos ainda mais num momento de prazer supremo.
Voltou a calma, aquela paz, aquela serenidade. Voltei a pôr o disco, ajeito os troncos na lareira de modo a intensificar as chamas, volto deitar-me ao lado dela e abraço-a olhamos pela janela e vemos a lua desenhar as sombras dos pinheiros no chão, a voz do David Gilmour começa a ouvir-se e murmuramos as letras com ele…

On An Island

Remember that night...
White sails in the moonlight
The
y walked it too...
Through empty playground, this ghost's town
Children again on rusting swings getting higher
Sharing a dream
On an Island.... it felt right
We lay side by side,
Between the moon and the tide
Mapping the stars for a while
Let the night surround you
We're half way to the stars,
Ebb and flow
Let it grow..... feel the warmth beside you

Remember that night,
The warmth and the laughter
Candles burn...
Though the church was deserted
At dawn we went down through empty streets to the harbour
Dreamers may leave ...but we're here everafter...
Da da da da da....
Let the night surround you
We're half way to the stars,
Ebb and flow
Let it grow..... feel the warmth beside you...

Fim (por agora)

Fiquem Bem!

sábado, 6 de outubro de 2007

On An Island 2

Belém 28/08/2007

Concentro-me a olhar para o mar, ali ao lado, está calmo agora. Ao longe uma vela recorta-se no horizonte, entre dois tons de azul, desloca-se lentamente, a paz invade-me, uma paz profunda, serena. Os acordes da viola levam-me até ao veleiro onde me deito numa rede observando o azul profundo do céu. Um Albatroz desloca-se através da esfera celeste sem um único batimento de asas e afasta-se, placidamente.

Respiro fundo, o vento aumenta de intensidade acelerando o barco, a proa corta as ondas, salpicos de agua atingem-me a cara, olho pela popa e observo o risco que a esteira desenha na superfície do oceano, ainda assim impera a calma, respiro fundo mais uma vez. Uma sensação de calor apropria-se do meu peito, a velocidade aumenta, mas a serenidade subsiste. O vento assobia nos brandais, o clímax foi atingido, um momento orgásmico.

Aquela sensação de doce cansaço invade-me enquanto oiço os acordes de saxofone de “Red Sky at Night” e os céus tomam esse tom do pôr-do-sol filtrado pelas nuvens, de vez em quando uma suave aragem acaricia-me a cara e provoca um arrepio nas águas do mar. Sinto-me no céu, aliás condizendo com o que estou a ouvir agora “This Heaven”, nada tem importância agora, apenas eu e esta paisagem deslumbrante. Baloiço na rede acompanhando o ritmo da música.

Chego a terra, ouve-se as ondas a espreguiçarem-se no cascalho da praia, arrumo a palamenta, caiu um manto de nevoeiro e ouve-se ao longe a sirene do farol, alertando da proximidade de rochedos, ainda de vê o seu clarão no meio de nevoeiro. Fecho os olhos e inspiro aquele cheiro a maresia, sinto-me a flutuar no nevoeiro, lentamente, deixo o ar escapar lentamente ronronando de prazer, para voltar a encher os pulmões. Um sorriso invade a minha cara quando a vejo junto da porta de casa entreaberta, abraço-a e beijamo-nos ternamente, acaricio-lhe o cabelo e contemplo o seu belo e sereno sorriso enquanto encosta a cabeça no meu ombro. Deixo-me ficar ali admirando aquele sorriso terno e sentido o calor do seu corpo enroscado no meu.

Continua

Fiquem Bem!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

On An Island

O meu cantinho em 23/03/2006

Acho que ainda não falei deste álbum, talvez dos mais belos dos últimos anos, na minha perspectiva o melhor deste século. A sensação que me transmite é de uma profunda paz e serenidade. David Gilmour aparece aqui mais maduro, menos agressivo, menos depressivo. Um verdadeiro hino à felicidade e à calma. Só muito raramente um disco consegue transmitir tanta tranquilidade. SUBLIME.
Fechei os olhos e imagino-me a olhar para um lago cujas águas imaculadas pela ausência de qualquer brisa, reflectem um castelo numa ilha. O horizonte perde-se na bruma, ao longe ouve-se o som grave, quase cavernoso, das ondas do mar embatendo nos rochedos. Está frio, um frio seco, quase cortante, o céu coberto de nuvens que apesar do seu aspecto tempestuoso, combinam nesta paisagem conferindo uma moldura a todo este quadro. Sente-se alguma electricidade no ar, ouve longínquo um trovão, e nota-se claramente o cheiro da iminência da chuva.
A tarde aproxima-se do fim, pequenos bandos de aves cortam o ar a caminho dos seus ninhos, deixando aqui e ali escapar um trinado. Ao longe sobre as falésias adivinha-se o habitual frenesim de fim de tarde das gaivotas, do outro lado nas colinas que se adivinham verdejantes no cinzento da bruma, um rebanho de ovelhas pasta pachorrentamente, ouve os seus sinos assim como o latir dos cães pastores que se afadigam a reagrupar as que se tresmalham. Não sinto qualquer pressa nem vontade de abandonar este local mágico, olho para o relógio e verifico que os ponteiros estão parados. As sombras também não se movem, o tempo ficou congelado num longo segundo. Não reajo, não tenho fome, nem sede, nem cansaço, nem stress.
Continua - Um parêntesis para informar que devido à extensão do texto tive de cortá-lo. Irei publicar os diferentes excertos nos próximos dias. Um conselho, faz todo o sentido ler o texto acompanhado pela música, pois foi ouvindo-a que encontrei inspiração para escrever.
Fiquem Bem!