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segunda-feira, 11 de julho de 2022

Onde o Mar é mais Azul


Depois de um dia em que não se sentia a diferença entre abrir a porta do terraço e a porta do forno, hoje, aqui onde o mar é mais azul, a típica doce e refrescante brisa marítima temperou o clima o que me permite estar a escrever estas linhas no exterior.

Confesso que ainda sinto uma certa nostalgia de Lagos, mas este cantinho é de facto abençoado. Com uma quantidade assinalável de praias, desde as mais cosmopolitas às mais escondidas, a temperatura da água é compensada pelo calor humano. Inúmeras ribeiras desaguam em praias cavando vales férteis até à areia e proporcionando abrigo aos ventos que são uma imagem de marca do Oeste.

Depois há esse pormaior que, para quem me lê há algum tempo já sabe, tem uma importância central na minha vida - O AZUL. De facto aqui é mesmo onde o mar é mais azul! Desde que me conheço como gente, o azul foi sempre a minha cor favorita e sempre dominou os meus gostos. Cresci com uma vista privilegiada sobre o azul com o mar à porta e o céu limpo sobre a cabeça. Passava dias inteiros na praia, mergulhando, nadando, surfando, quer dizer tentando surfar, pois naquela altura era muito difícil encontrar pranchas de surf em Portugal, tentei fazer com vários materiais que conseguia arranjar, mas todas se partiam na minha primeira tentativa de as usar 😖. Acabei a fazer bodysurf, ou como se dizia na época a "correr marulho". Ou a surfar com os pequenos veleiros da escola de vela, acabando muitas vezes por ver-me obrigado a algumas reparações nas embarcações.

Por falar nisso, tinha 12 anos quando pela primeira vez me sentei um barco à vela - um Optimist. Ainda hoje me lembro da sensação de caçar a vela e sentir a "caixa de sabão" a deslizar pela ribeira até ao mar, de esgueirar-me pela praia da Batata, passar pela praia dos Estudantes e contemplar o pôr-do-sol na Ponta da Piedade. Acho que me ficou melhor gravado esse momento do que o do primeiro beijo. 😆


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



quinta-feira, 15 de abril de 2021

The Fog


Like ghosts coming out from the fog, the giants and majestic buildings irromps in the skyline gathering the attention from everybody who are contemplating.

The silence imposes himself over the normal sounds of the city, in a moment everything disappears, only these giants remains there, still, quiet.

But, suddenly, they start moving, they start dancing. A music start to play, firstly low, almost imperceptibly, but slowly get louder and louder.

Now we can distinguish the piano echoing by the square, the sad and at the same time joyful chords of the music combine in harmony with the old and new mixture of architecture.

In a breach of the fog a figure appears playing the keyboard while floating in the gentle breeze, his passion is moving his fingers over the keys.

The music follows the wind, now slowly... now speedy, one time high... other time low, majestic and romantic, she mix with the fog and echoes endlessly.

The love, the same love who make this man to state that his heart should stay forever in the city he loved, the LOVE is everywhere dissolved in the fog. 
 

Stay well on the Dark Side Of The Moon.



This was my first poem written in english, and his dedicated to my beautiful and dear wife

domingo, 28 de maio de 2017

Mais uma vitória para a equipa das Quinas

Distraí-me e não liguei o cabo de energia ao PC, quando acabou a bateria isto apagou mas com estilhaços!

Fiquei sem capacidade de usar o explorador de ficheiros, depois de alguma investigação concluí que o serviço Windows Search estava desactivado. Acabei por localizar o problema e reconstruir o índice e... Voilá! Está aqui a 100%.

Fiquem bem no lado escuro da lua.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

10.000 anos depois entre Vénus e Marte


Rebuscando no baú, venho a verificar que cometi um verdadeiro pecado. Ainda não me referi a este magnífico álbum, como sou um pouco presunçoso, chamo-lhe o melhor que já foi feito em Portugal.

Pouca gente imagina José Cid a tocar Rock Progressivo, a "atacar" os sintetizadores como poucos, ouvir nas suas músicas longos solos de viola eléctrica, letras de ficção cientifica e vê-lo associado a Mike Sergent não tão é improvável como com Ramon Galarza e Zé Nabo. No entanto em 1978 editou um disco com todos estes ingredientes - 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte.

José Cid, um dos músicos com a carreira mais extensa em Portugal, aparece normalmente ligado à música popular, sendo este álbum um exemplar, e que exemplar, único. A revista americana Billboard coloca-o nos 100 melhores álbuns de sempre do género. Aliás este disco passou algo despercebido em Portugal, enquanto além fronteiras obteve um sucesso e um reconhecimento ímpares na nossa música até mesmo nos dias de hoje.

Antecessor da explosão do Rock Português, foi contemporâneo dos Tantra, uma banda de Rock Progressivo portuguesa apenas conhecida por franjas minoritárias de jovens desalinhados com o main stream; um e outro acabariam por eclipsar-se na espuma de Xico Fininho e de Cavalos de Corrida.

10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte é uma Ópera Rock que conta uma história de ficção cientifica: o planeta Terra está em colapso, moribundo, levado à destruição pelos Homens, o ar fica irrespirável e o Sol invisível entre a bruma da poluição. É o caos, a humanidade morre, as cidades tornam-se em valas comuns. A esperança desapareceu, o futuro morre na apatia dos homens. No meio deste caos um casal foge para o espaço, percorrem uma longa viagem entre planetas maravilhosos e 10.000 anos depois regressam à Terra para começar do zero.

Se recuarmos a 1978 o tema poluição não estava entre as prioridades da humanidade, hoje na esteira da conferência de Paris sobre o ambiente e das alterações climáticas, esta história não poderia ser mais actual. Até neste ponto 10.000 Anos é inovador e desconcertante, como é que um músico que cantava "A Rosa que te Dei" vem-nos contar uma história tão futurista e mostrar-nos uma visão de um holocausto, com um suporte musical arrojado?

Uma última palavra para o grafismo do disco, também ele inovador, naif q.b. e que transformava a capa do disco num livro cujo texto era, nem mais nem menos, as letras das músicas.



Fiquem bem no lado escuro da lua.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O meu mar


És como o mar!
Às vezes calma e terna
Às vezes tempestuosa e agreste
Mas sempre, SEMPRE LINDA

És como o mar!
Embalas-me placidamente,
Bailas, rodopias, inebrias-me,
Enroscas-te e anichas-te em mim

És como o mar!
De uma beleza única, inimitável,
O teu odor preenche-me os sentidos,
O teu sabor adoça-me a vida

És como o mar!
Indomável, forte, poderosa,
Delicada, dedicada, amiga,
Poderosa e frágil

És como o mar!
Sem ti não podia viver,
Sem ti não podia amar,
Sem ti estaria perdido

És como o mar!
Amo-te!
Adoro-te!
Quero-te para sempre!



Fiquem bem no lado escuro da lua.

domingo, 5 de abril de 2015

Waterboys

Este é um grupo que me diz muito, a começar pelo nome. Não fosse eu também um rapaz da água.




Um rock alternativo, com o omnipresente violino e com a voz rouca de Mike Scott a dar um toque folk q.b.

Pelo menos venho "afogar" as mágoas, afastado das profundidades tenho andado sem inspiração, nem vontade para escrever. Um vasto conjunto de razões afastou-me do fundo do mar e tem sistematicamente impedido o meu regresso.

O último mergulho foi quase fatídico: resolvi ir sem lentes e tendo o meu computador ficado sem bateria (ou avariado ainda não sei) levei um computador que mal conhecia, sem conseguir ler correctamente os dados confundi o tempo até à descompressão com o manómetro da garrafa.

Estávamos a mais de 30 metros de profundidade e o ar subitamente acabou! Por sorte estava a mergulhar num dos melhores centros do país - a Subnauta - onde os cuidados com a segurança nunca são descurados e o divemaster para além de uma boa reserva de ar também estava atento e por perto.

Esta experiência em alguns dos centros em que já mergulhei (cujos nomes não irei mencionar mas eles sabem quem são) era um acidente de mergulho que tinha tudo para terminar na primeira página de alguns jornais. Com a Subnauta foi apenas um inconveniente e orgulho ferido.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Land Rover Discovery

Estou de volta às origens, que é como quem diz ao Discovery. O TD5 é como o homem da Regisconta "Aquela MÁ-QUI-NA!". Isto para quem se lembra do anúncio. De facto este foi defenitivamente o carro que me atestou as medidas e com cangulo! Um motor concebido exclusivamente para TT (acho que foi o único), uma suspensão pneumática atrás e com o sistema ACE que teima em manter a carroçaria sempre direita independentemente da carga e da força centrífuga, mas que quando passamos a trialeiras deixa um curso de 1 metro (sim é mesmo um metro) às suspensões. Depois há o HDC, o controlo de tração, a possibilidade de elevar a traseira para aumentar os ângulos central e de saída. A única falta é o bloqueio manual dos diferenciais. Situação que até se pode ultrapassar pois já vi que é possível bloquear o centro por software. Enfim na minha modesta opinião é o melhor carro de todos os tempos!!!

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tempestade 2


As nuvens deslocam-se para lá do horizonte perseguidas pelo azul do céu. A poente, começam a surgir as primeiras pinceladas de laranja, as gaivotas pairam aproveitando as correntes sem aparente dificuldade seguindo o pequeno barco, oiço o som das vagas a serem cortadas pela proa.
A brisa vai trazendo o cheiro da maresia, acariciando o meu rosto e inundando-me os pulmões. Agora sinto-me em paz. O turbilhão da tempestade já passou, doem-me os músculos. Com renitência vou trocar a vela de estai1) pela genoa2) e tirar os rizes3) da vela grande4). O barco ganha velocidade, retomo o leme, mareio as velas5), traço uma rota mais favorável. A velocidade vai aumentando, o casco começa a planar6) e atinjo os 9 nós7), 10, 12. Tudo está em ordem, o pequeno veleiro resistiu incólume à tempestade.
Sinto-me em paz, feliz, um largo sorriso ilumina-me o rosto.
-Anda, podes subir, o temporal passou, podemos de novo estar aqui abraçados.
Ela subiu e dirige-se até mim com aquele movimento sensual e felino que me lembra a música dos U2 "She moves in mysterious ways". Abraçamo-nos e beijamo-nos apaixonadamente.
Estivemos afastados durante aquela tempestade que saiu do nada, de repente. Tinha-a pressentido, havia indícios dela aqui e ali, mas eterno otimista, segui o meu caminho. Era simplesmente impossível estar os 2 juntos no convés8) no meio daquelas vagas. Agora podíamos apreciar tranquilamente o pôr-do-sol ali, abraçados.
Lá ao longe começa a brilhar o farol, aos poucos vão se tornando visíveis as luzes das povoações, como uma poeira luminosa. Lentamente a poeira vai-se transformando em pontos bem definidos até ficarem individualizados.
Os pequenos faróis verde e vermelho que balizam a entrada do porto já são visíveis.
Aponto a meio dos dois, vermelho a bombordo9), verde a estibordo10) e preparo-me para recolher as velas.
Ligo o motor, o velho Volvo Penta tosse uma baforada de fumo e começa a cantar. Salto para a proa11) e peço-lhe para soltar a escota12) da genoa, solto a sua adriça13), rapidamente a grande vela começa a descer, oriento a queda para que não caia na água, depois é só prendê-la com os elásticos e regressar ao poço14) e repetir a manobra para a vela grande. Enquanto amarro a vela ela engata a marcha à vante15). Dirigimo-nos para o pontão onde encosto e amarro o barco. Abraço-a longamente olhando-a nos olhos, beijamo-nos embalados pelas pequenas vagas do porto.
-Vamos para casa, acendemos a lareira, jantamos e bebemos um bom vinho, depois… a noite é longa e temos muito para dar um ao outro – murmurei-lhe ao ouvido.
Entramos no carro, no rádio toca “Goodbye Moon” dos Shivaree…

1) Vela de estai – pequena vela de proa, usada quando o vento é mais forte.
2) Genoa – vela de estai de maiores dimensões.
3) Rizes – pequenos cabos usados para reduzir a dimensão da vela grande.
4) Vela grande – vela situada atrás do mastro de forma triangular e mantida entre o mastro e a retranca.
5) Marear – caçar ou folgar uma vela ajustando-a à direção do vento.
6) Planar – quando o barco deslizar na crista da onda.
7) Nós – unidade de medida de velocidade. Corresponde a uma Milha Náutica (1852 metros) por hora (MN/H) ou seja 1,852 Km/h.
8) Convés – é a parte da cobertura superior de uma embarcação.
9) Bombordo – lado esquerdo da embarcação, quando virados para a proa.
10) Estibordo – lado direito da embarcação, quando virados para a proa.
11) Proa – a parte da frente de uma embarcação.
12) Escota – cabo fixo à retranca ou ao punho da escota através da qual se controla a abertura da vela em relação ao vento.
13) Adriça – cabo para sutentar a vela e também usado para a içar.
14) Poço – local onde se encontra a tripulação e de onde se comanda a embarcação.
15) Vante – proa.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Tempestade 1

Navego no meio da tempestade, as vagas roçam o céu de chumbo, o vento uiva nos brandais, temo que o tormentin (pequena vela usada quando o vento é muito forte) se desfaça sob a sua fúria. O barco geme e range a cada rajada de vento, não consigo ganhar velocidade, não consigo sair dali, cada vez que tento voltar a popa à fúria do mar uma onda desfaz-se na proa abortando essa demanda.

Não tenho medo, se há um sítio onde não tenho medo de morrer é no mar, consigo manter a proa virada às ondas, o barco sobe-as, quais montanhas de água em movimento. Parece que fica na vertical, lá em cima projecta-se no vazio caindo com estrondo no regaço da onda seguinte, por vezes mergulha profundamente naquele mar tempestuoso, agarro-me com ambas as mão à roda de leme, luto desenfreadamente para me manter a bordo.

Os dias passam, semanas, meses, aquela tempestade não termina... Espera, lá ao fundo, parece um raio de sol... É um raio de sol. Sinto-me só naquele navio, estou cansado, doem-me as mãos, os braços, os ombros. De repente vejo um intervalo maior entre 2 cristas, agarro a escota com uma mão, deixo a escota escorregar no molinete. Arribo ligeiramente de modo a ganhar alguma velocidade, atinjo o cume da primeira montanha de água, desta vez vou muito mais perpendicular, já não caio, desço a onda a grande velocidade, lá em baixo orço descaradamente, puxo a escota, rapidamente o vento muda de bordo, ganho velocidade, subo a onda seguinte.

Tenho o raio de sol à proa, uma gaivota pousa junto a mim, peço-lhe para ficar de olho na roda de leme, corro até ao pé do mastro e puxo as adriças da vela grande que sobe célere. O rumo mantém-se estável, desloco-me à proa troco o tourmentin pelo estai. Volto até à roda de leme, o barco já segue célere pelas ondas o céu vai trocando lentamente os tons de chumbo por tons laranja. Ainda estou só, apenas a gaivota me acompanha, falo com ela, desabafo sobre a tormenta que atravesso ainda, mas que aos poucos vai desfazendo. A gaivota levanta voo e aponta-me o caminho, fixo a roda de leme as ondas estão ainda pesadas, ainda me encontro só. Desloco-me de novo à proa, chegou a altura de fazer subir a genoa. O casco começa a planar, volto-me para traz e vejo-A ao leme. Já não estou só, ELA conduz-me a um lugar mágico, sinto-me enebriado pelo cheiro, envolvo-A com um braço, beijo-A, AMO-A.

Estou feliz, muito feliz, não sei para onde me dirijo, apenas tenho uma certeza: com ELA vou até ao fim do mundo, até ao fim da vida.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

sábado, 23 de abril de 2011

Vamos a ver se é desta

Já passou 1 mês desde que iniciei este post. Não tenho tido disponibilidade, nem mental nem de tempo. Agora estou a meio de umas férias e com os serviços encerrados já posso dispor de algum tempo para o lazer. É que sempre que estou no computador tenho trabalho para fazer, tenho alguém que está "encravado" ou os postos de trabalho estão todos ocupados ou há um problema num programa ou há uma alteração urgente... Quando não há nada disto sou eu que acho que determinado procedimento faria mais sentido de outra forma...


Resumindo a minha vida de uma forma mais poética - Estou como o mar, em constante mudança, às vezes calmo, às vezes em completa agitação; às vezes em solidão, às vezes no meio de uma multidão, desde o Verão passado que as mudanças têm sido a única constante na minha vida, no amor, nas amizades, na família, no trabalho e até na aparência.

Nunca passaram tantos meses sem mergulhar. Nunca estive tanto tempo sem me deixar abraçar pelo mar. Talvez aqui resida uma boa parte das responsabilidades por tão longo afastamento. Uma miríade de razões provocou este afastamento, desde logo o aumento logarítmico das responsabilidades no trabalho e consequente aumento das preocupações, estudos e pesquisas; por outro lado decidi aprofundar-me em termos religiosos/filosóficos e tenho-me dedicado profundamente à meditação.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!

domingo, 21 de junho de 2009

Que dia!!!

musica: Beatiful Day - U2
Foi um dos melhores dias da minha vida, seguramente o melhor dos últimos 5 anos!

O dia iniciou-se às 8:00 da manhã, preparar o material e seguir para Sesimbra, onde cheguei perto da 10:00. Saída de mergulho para o River, novamente uma visibilidade extraordinária, mas o mergulho não correu 100%, a mergulhadora da esquerda (com os braços abertos) teve bastante dificuldade em descer e verifiquei que estava quase em pânico. Combinei com o Hupert que ele seguiria à frente e eu atrás dela ao alcance das barbatanas de modo a prevenir qualquer acidente. Foi um mergulho algo preocupado e consequentemente com muito consumo de ar, o Hupert acabou por se perder e nem vimos o River, terminou com mais de 500 metros a nadar contra a corrente à superfície para chegar ao barco.

Deu no entanto para ainda ver algumas coisas e foi optimo em termos de treino, não só pela parte física mas também pela parte de lidar com um mergulhador com problemas, permitindo-me avaliar as minhas capacidades de psicológicas para lidar com uma situação potencialmente perigosa, claro que a presença do Hupert (que é instructor) facilitou, mas deu-me para perceber que a minha reacção foi boa, aumentando de forma significativa a minha experiencia e a minha auto-confiança.

A seguir foi um teste de mar ao primeiro barco para liveaboard de Portugal. Numa palavra FABULOSO, a Subnauta está de parabéns e faço votos que tenham sucesso. Voltarei a abordar este tema num próximo post, já com imagens do interior do barco.
Por fim um mergulho nocturno! Local pedra Nautilus, mesmo no centro da baía de Sesimbra.

Em ambiente descontraído, com é norma na Nautilus, começou-se a prepara a saída por volta da 20:00, o calor era abrasador e os fatos apenas foram envergados à última da hora. Depois de preparar cuidadosamente todo o equipamento, pois no mar às escuras é complicado, saímos. A viagem foi curta e quando mergulhamos ainda havia luz do dia. Fizemos um pequeno briefing, em que ficou definido que quando me acabasse o ar a Lena viria comigo à superfície e depois voltaria para junto dos outros (isto de ser o maior beberrão de ar tem destas coisas). Mergulhamos direitos aos 13,2 metros, para avistarmos um pequeno polvo que por ali andava à caça.

Depois vi uma medusa enorme, linda e outra e outra. Nunca tinha visto medusas tão grandes e ainda por cima eram numa quantidade realmente impressionante.

Enquanto tirava uns bonecos às medusas a câmara avisou-me que já não havia bateria. Outra vez o estupor da bateria a acabar antes do mergulho, apesar de ser o 2º mergulho do dia, no 1º não tinha tirado praticamente fotos nenhumas. Estive então a prestar assistência ao meu parceiro enquanto me divertia com um ou outro polvo, tive hipótese de observar um a alimentar-se a uma ameijoa bem grande, vi um safio pequeno e por esta altura o computador indicou-me que estava a ficar na reserva de ar.

Olhei à volta e não vi ninguém, além do meu buddy, o que achei estranho pois a visibilidade era obscena, para dizer o mínimo. Fiz sinal ao meu buddy que precisava de subir e ele respondeu-me que também vinha para cima, só ia tirar mais uma foto. Iniciei a subida na vertical dele ficando a pairar na superfície e vendo-o claramente no fundo a 13 metros de profundidade.

Tirei a cabeça da água para localizar a embarcação e... foi o choque, à minha frente as luzes de Sesimbra brilhavam reflectindo-se na água, tentei fotografar mas ficou tudo tremido, apesar do mar estar um espelho não é possível fixar a máquina para fotografar com aqula luz, mas conservei a foto mais para me recordar do momento absolutamente mágico.

Olhando à volta, encontrei o barco e para meu espanto já lá estavam todos a bordo, nós eramos os últimos a sair da água. Chegado a casa verifiquei que foi o consumo de ar mais baixo de sempre (17 L/min contra o melhor que tinha feito até hoje 19 L/min, com a média na casa dos 24). Absolutamente fantástico. Foi uma excelente despedida da Primavera!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

sábado, 13 de junho de 2009

Prazeres

Apesar do turbilhão em que vivo, consegui isolar o que me afecta negativamente e estar a viver um momento do qual retiro algum prazer. Não fossem alguns problemas que me recuso a trazer para aqui, são mais para o de_escarnio, e poderia dizer que sou um ser humano feliz.

A piscina está óptima, depois da avaria do motor e consequente deterioração da água, consegui resolver a situação, agora está bem azulinha e quentinha também (hoje estão 25º), a descida das taxas de juro, os subsídios de férias e o IRS colocaram a economia num nível confortável, amanhã vou mergulhar! O verão parece ter chegado (embora hoje estejam umas nuvenzitas, mas está calor, parece as caraíbas), só se está bem dentro de água.

Ontem estive a cortar uma Aroeira que estava enorme e tapava o sol da piscina, para além de a encher de folhas (foi um barrete que me enfiaram, a Aroeira não suja, não suja pouco), o que aliado ao pinheiro que o vizinho cortou no inverno passado (roguei-lhe tantas pragas, que acabou por começar a tombar para cima da casa dele) fez com que a piscina ficasse ao sol o dia todo e assim a temperatura subiu logo 2º!

Bom vou dar outro mergulho para ir para o duche, pois hoje é dia de jantar fora!

Não sei se disse mas vou mergulhar amanhã!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 26 de abril de 2009

Regresso ao paraíso

música: Return to Paradise - Elton John
Em primeiro as más notícias, o Imeem, e os outros sites do género que conheço, deixaram de disponibilizar as músicas na totalidade, salvo raras e honrosas excepções só passam trechos de 30". Uma treta que me fez perder uma tarde inteira em busca de solução.

No Sábado voltei a mergulhar, já lá ia um longo mês de degredo em terra firma. Voltei ao local do costume - Sesimbra e ao spot mais mergulhado por mim - a Baía de Armação.

As condições de mergulho não sendo boas eram bem melhores do que estava previsto. Apesar de um vento de 15 nós o mar até nem estava muito agitado, mas durante o mergulho foi ficando pior, algo que deu para notar debaixo de água pois a visibilidade começou a baixar drasticamente. No regresso levamos bastante pancada do mar.

O fundo estava coberto de algas vermelhas, e a primeira foto foi a um pepino do mar salpicado de branco. Descobri algumas cavernas que nunca tinha visto, onde uma luz fantasmagórica entrava por duas "janelas" criando um ambiente místico. Enquanto ia tentando diversos enquadramentos fotográficos fui pensando que por muito que se mergulhe num local, acabamos sempre por encontrar coisas novas .

Um choco de dimensões apreciáveis brindou-nos com uma verdadeira sessão de fotos, qual top-model, ficou por ali pairando e colocando-se em diversas poses, tirei 12 fotografias ao bicho!!! Só para se ter a noção do quão à vontade estava.

Mais uma vez agradeci a quem teve a ideia de criar a reserva ecológica de Sesimbra, as criaturas marinhas já não fogem esbaforidas com medo de serem arpoadas assim que vêem um mergulhador.



Os espirógrafos esses nunca fogem, limitam-se a esconder-se no seu tubo assim que sentem a proximidade de um animal que tenha dimensões para os comer, havia bastantes, de várias cores e tamanhos. Outro reparo foi que o número de estrelas do mar e ouriços do mar era substancialmente inferior ao que era hábito por estas bandas. Será que houve um aumento dos predadores deste 2 invertebrados? Se a razão for essa então é mais uma razão de aplaudir a reserva pois estes estava a ser uma verdadeira praga.

As taínhas de grandes diemsões também abundavam. Admiro estes peixes pois têm um aspecto bastante hidrodinamico, com um corpo fusiforme e a sua impomente cauda devem conseguir atingir elevadas velocidades.

De resto foi um bom mergulho, o parceiro com que mergulhei desta vez, era bastante simpático e tentou sempre manter-se por perto, apenas nos perdemos por algum tempo quando a visibilidade baixou muito. mesmo assim ele manteve a calma o que permitiu-me encontrá-lo sem necessidade de subrimos.

Foi óptimo para recarregar as baterias para mais uma semana de trabalho.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Blue

Aroeira, 04/04/2009 - 23:00

Imaginem o que me está a apetecer fazer enquanto os meus olhos se perdem neste azul aqui mesmo à minha frente...

Pena a temperatura ainda não estar sintonizada com o restante quadro.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Remember that Night


Estou assim como que anestesiado. Coloquei o DVD "Remeber that Night" - o sublime concerto de David Gilmour no Royal Albert Hall - e aqueles sons levaram-me para muito longe daqui. É com algum esforço que escrevo estas linhas, vou interrompendo a escrita durante a música e retomando-a enquanto duram os aplausos.



Queria agradecer à Keila pelo selinho que orgulhosamente e, peço desculpa, tardiamente mostro. Em relação a repassar, dedico-o a todos os que me visitam regularmente.

Outra situação que me encheu de orgulho foi ter sido informado que fazia parte da lista de amigos de David Gilmour no IMEEM! Mais orgulhoso fiquei quando descobri que essa lista continha apenas 60 (sessenta) nomes. Nem podem imaginar o efeito, sinto-me como se tivesse sido tocado por Deus.


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 31 de agosto de 2008

Pedra da Lagoa

in The Wet Side of the Moon
música: The Great Gig in the Sky - Pink Floyd - The Dark Side of the Moon


Depois de 3 meses o Mar voltou a acolher-me nos seus braços!

Cada vez que volto a mergulhar após um tão grande período de ausência é como se
renascesse. Sou invadido por uma sensação quase orgástica que dura desde o momento em que começo a preparar a mala até assinar o logbook.

Ontem o mar estava calmo, parecia azeite, ao mergulhar sou recebido por um cardume de carapaus que brilhavam como se fossem pedaços de lua e me envolveram num festival de luz, como que a dar-me as boas vindas.

Continuei a descer e deparo com uma floresta de gorgónias de várias cores, com os seus leques abertos contra a corrente. Pequenos peixes passeavam entre elas, aqui e ali um ouriço do mar, uma anémona e um ou outro pepino do mar.

Só aqui me lembro que mergulhei com menos 4 Kg de lastro que o habitual, no entanto a descida foi fácil, muito fácil, as sereias e as musas conduziram-me para baixo sem qualquer esforço.

Parece que quanto mais Amamos o Mar mais ele nos Ama também.

Um cardume imenso de jovens fanecas tira-me dos meus pensamentos, sigo-as, deixo-me envolver por elas, sinto-me como se fosse uma delas e prossigo o mergulho.

Sinto-me recuar milhões de anos, as lembranças do nosso passado marinho devem ter ficado indelevelmente gravadas no meu ADN, pois recordo-me que nasci aqui, vivi aqui e morri aqui. Primeiro era uma simples célula, depois renasci como uma alga, voltei a morrer e a nascer diversas vezes.

Fui uma esponja, um peixe, um tubarão, depois aconteceu uma calamidade e renasci terráqueo, fui muitos animais, mas voltei ao mar, fui uma baleia, fui um golfinho, voltei a nascer em terra como um homem.

Foi então que tomei consciência, que pude Amar o Mar. Então voltei a ele, desta vez precisei de fato, de garrafas, de barbatanas artificias e colete, mas só agora me deslumbro, só agora me sinto fundir nesse Universo liquido, só agora compreendi a verdadeira essência, o verdadeiro AMOR. Só agora consigo admirar em toda a sua plenitude a beleza dos Oceanos.


Um enorme safio vem cumprimentar-me, olhamos-nos longamente nos olhos um do outro. Ele disse-me:

-Um dia serei um homem como tu.
E eu respondi:
-E eu já fui um safio como tu.

O computador apita, atingi o fim do RBT, tenho de voltar à superfície.

Largo a bóia de patamar e subo aos 5 metros, prendo o mosquetão do carreto da bóia de patamar num arnês do colete e consigo um equilíbrio perfeito e fico ali a pairar durante os 3 minutos da praxe, sem um movimento, apenas um ocasional bater de barbatana para manter a posição naquela doce imponderabilidade. Sinto-me feliz imensamente feliz. Subo para bordo e até agora ainda não parei de sorrir.


Fiquem Bem, no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Planeta d'Agua



Fui convidado pela revista Planeta d'Agua a colaborar activamente no seu blog. Para além de que estive a escrever um artigo sobre o livro Dive in Style, que deverá ser publicado na mesma.

Deixo aqui um convite para lhe darem uma vista em www.planetadagua.com.

Felizmente que consegui pôr um velhinho portátil Pentium II a 233MHz a aceder via wifi ao router e assim posso estar aqui fora deitado e aceder ao Servidor aqui de casa, para escrever esses artigos para além de navegar na net.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 30 de março de 2008

Regresso


Realizei propositadamente esta foto, finalmente acabou um longo jejum de mergulhos! Foi uma espécie de sair das trevas, de encontrar o fim do túnel!

Já passaram várias horas desde que saí do Reino de Neptuno, mas continuo a sentir embalado pelas Ninfas. Sinto uma profunda paz, posso dizer que é como se continuasse a flutuar. Nada me afecta neste momento, talvez a sensação que neste momento perpassa o meu corpo seja idêntica ao que sente alguém que atinge o Nirvana, talvez seja isto o Nirvana, o Satori, o Paraíso...

Sinto-me ainda em sintonia com as ondas que suavemente me recolheram quando mergulhei e que me embalaram enquanto no fim do mergulho aguardava a chegada do barco, que se tinha afastado para ir buscar outra dupla que saiu muito longe do ponto em que entramos. Foi perto de 1 hora que estive dentro de água, mas as sensações dessa hora mágica acompanharam-me o resto do dia. O suave cantar da ondulação entoa nos meus ouvidos e ainda sinto as suaves massagens que só as Sereias e as Ninfas sabem dar.

Resisti a tirar o sal do corpo até à hora de jantar, arranjei pilhas de desculpas para prolongar aquela sensação de uma aspereza terna e salgada, que como que tempera o corpo e a alma. Mas agora neste momento volto a senti-la, as memórias não residem apenas no cérebro, a pele, a língua, os ouvidos e o nariz também a têm e neste momento sinto aquelas sensações de novo como se estivesse lá!

Paz, harmonia, calma tudo isto é o que sinto, a música do Café Del Mar interliga-se com estas sensações e eleva-me a alma, acho que a minha alma está ainda lá em Sesimbra, com as Ninfas, as Sereias, os peixes, as gorgónias, se calhar ficou ali a contemplar aquele espirógrafo que dançava ao sabor da corrente. Parece que ainda lá estou, parece que renasci...

Quem me dera ter guelras, quem me dera ser um peixe, um coral, quem me dera viver para sempre lá, a vogar pelas correntes, numa imponderabilidade que se altera à medida que enchemos de ar os pulmões dando-nos um suave impulso ascendente, para à medida que libertamos o ar embalar-nos com ternura a caminho das profundezas.

O peso é uma grilheta que nos colocam quando saimos do seio do mar. Lá em baixo apenas ajusto o colete para me dar o equilíbrio perfeito, depois cada ligeiro movimento das barbatanas deslizo suavemente sobre as rochas do fundo, aproveito as correntes e deixo-me levar não é preciso lutar, não é preciso escolher um caminho, basta deslizar sem esforço, sem pressas, sem stress.

Como é perfeito este mundo, como podemos nós termos abandonado o seu ventre e vir viver para terra, onde a gravidade nos amarra ao chão duro, agreste e rude, onde a dor impera e a cada movimento é polvilhado por violência.

Como eu gostava que todos os seres deste planeta se sentissem como eu me sinto...

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 25 de março de 2008

Yabadabaduuuuuu!!!

Estou radiante! O médico autoriza que faça mergulho com moderação. Isto significa que tenho de limitar os mergulhos aos 18 metros, viagens de barco de 30 minutos no máximo e apenas com o mar calmo e, sobretudo, nada de carregar pesos.

Outra ordem para cumprir é a de começar a fazer natação de modo a reabilitar os músculos das costas, que há vários meses que não fazem exercício nenhum. Fazer caminhadas agora com distancias e ritmos mais elevados. Mantém-se a proibição de me sentar por períodos de tempos superiores a 30 minutos/1 hora, utilizar máquinas que produzam vibração, todo-o-terreno está também interdito, pelo menos até Junho. Perder peso é um objectivo que terei também de ter em atenção, algo como 10 Kg será a meta.

Ao escrever o título lembrei-me de uma discussão filosófica que li não me lembro onde:

I think then I am
René Descartes

I am then I think
Jean Paul Sartre

Yabadabadu
Fred Flindstone

Fiquem Bem no lado escuro da Lua!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Remember That Night

Ao largo de Sesimbra em 8 de Julho de 2006 pelas 22:30

Como prenda do dia do Pai recebi o DVD "RemeberThat Night". Estou a vê-lo e ouvi-lo o mesmo tempo que estou escrevendo este post.

Apenas posso dizer que é algo de transcendente, o "velhote" ataca as cordas como ninguém, sem menosprezar outros (entre os quais incluo Eric Clampton, Joe Satrianni, Carlos Santana e mesmo Jimmy Hendrix), David Gilmour é o guitarrista que mais me enche as medidas. Não falando no legado que deixa pois a solo ou com os Pink Floyd produziu do melhor que já ouvi até hoje, de resto para quase todas as músicas dos Pink Floyd tenho uma história para contar.

REMEMBER THAT NIGHT... Algumas noites não se esquecem, os seus sabores, os seus sons, os seus cheiros, imagens e sensações permanecem na nossa boca até ao fim da vida, coisas que parecem vulgares tendem a ficar para sempre cristalizados nas nossas memorias, coisas simples como um esparguete à bolonhesa, podem passar muitos anos podemos comer muitos esparguetes à bolonhesa, mas aquele em particular nunca mais será esquecido.

O meu primeiro mergulho nocturno foi em Lagos na Ponta da Piedade durante uma lua nova. Por cima das nossas cabeças o céu apresentava-se completamente estrelado, muito mais do que alguma vez tinha visto, o brilho das estrelas reflectia-se num mar estanhado, aqui e ali uma estrela cadente riscava-o e parecia tombar no mar. Quando mergulhei, ao desviar o olhar do cone de luz da lanterna para verificar o equipamento surgiu a grande surpresa, afinal não era só no céu que haviam estrelas ali à minha volta milhares de estrelas brilhavam, desliguei a lanterna e o espectáculo foi impressionante cada movimento deixava um rasto luminoso, qual via láctea submarina, inspirei profundamente e mergulhei sustendo a respiração, fiquei lá embaixo alguns minutos, finalmente tinha regressado a casa, com muita pena tive de regressar à superfície, pois o folgo não era infinito (foi um mergulho em apneia), cá cima já todos estavam preocupados, NITROX; NITROX ONDE ESTÁS? - liguei de novo a lanterna - Bolas pregaste-nos um susto dos grandes há mais de 5 minutos que te procuramos.

Aqueles foram os melhores 5 minutos da minha vida.

Voltei a repetir os mergulhos nocturnos de caça submarina mas só passados 20 anos voltei a ter outro mergulho nocturno memorável. Foi o primeiro mergulho autónomo nocturno, foi em 8 de Julho de 2006 em Sesimbra. Passadas as burocracias do costume lá zarpamos directos à Baía dos Porcos. No caminho fui contemplando a lua cheia que se reflectia no mar como uma língua de prata em direcção ao nosso barco, uma forte brisa nocturna de Julho acariciava-me o rosto, o natural arrefecimento quando se vai para o mar não conseguia atravessar o fato semiseco, sentia-me numa profunda paz, mesmo tendo em conta a excitação pela aproximação do mergulho. Finalmente chegou o grande momento, eram 22:48. Deixei-me cair na água com as lanternas propositadamente desligadas, dei por mim no meio de uma explosão de luz, senti-me no centro de uma galáxia, depois lentamente as estrelas vão-se apagando, é então que resolvi subir e comunicar aos outros que está tudo bem.

Após checar todo o equipamento aguardei ansiosamente o sinal de descer, quando tal aconteceu voltei a sentir de novo aquela paz, aquela sensação de voltar a casa. Verifico o computador, estou a 7 metros de profundidade, tenho 220 bar de ar na garrafa de 15 litros e um RBT (Remain Bottom Time, tempo restante à profundidade) de mais de 99 minutos, deve dar para ficar mais de 1 hora lá embaixo. Apesar da forte brisa que provoca uma grande corrente a temperatura é amena à superfície (21º) debaixo de água não passa dos 15º, mais uma vez abençoou o fato semiseco, continuo o mergulho desço um pouco mais mas não chego a ultrapassar os 9 m dou comigo rodeado de bruxas ou, como também são conhecidos, cavacos. Foi por eles que fiz os primeiros mergulhos nocturnos, mas desta vez não os perturbo, apenas os contemplo, parados encandeados pela luz da lanterna, aqui e ali um safio esgueira-se por entre as rochas. O equilíbrio não está bom, não sei porquê mas aquela profundidade tenho a tendência de os pés subirem em relação à cabeça. Anoto mentalmente que preciso de comprar uns pesos para colocar nos pés. O ar da garrafa ainda vai nos 80 bar mas fazem-me sinal para subir, ao chegar cá cima protesto pois achava que tinha sido pouco tempo e ainda tinha para quase meia-hora. Dizem-me que já passou uma hora de mergulho. - JÁ?!

Nota: A precisão dos números deve-se ao facto de ter mesmo aqui à mão os dados do computador de mergulho.

Fiquem Bem!