Fiquem bem no lado escuro da Lua.
ESTOU NO MAR, NO AZUL INFINITO, ESTOU MOLHADO, SENTINDO O SABOR DO SAL, O CHEIRO DA MARESIA. VEJO A LUA REFLECTIDA NO MAR, INUNDANDO-O DE UM BRILHO PRATEADO. SEJAM BEM-VINDOS AO LADO ESCURO DA LUA.
domingo, 26 de dezembro de 2021
O Tempo
Fiquem bem no lado escuro da Lua.
domingo, 14 de maio de 2017
Alergia
Isso tira-me a inspiração para escrever.
As vendas do "Wet Side of the Moon" estão a decorrer bem.
Já tenho mais de metade do "Paisagens" escrito.
O segundo livro "Isto sempre foi assim" está praticamente pronto para publicar, tenho apenas de o rever e corrigir uma ou outra coisa.
Ainda estou a dissolver os restos da festa de ontem - uma boa cerveja, um excelente whisky e um charuto Dominicano muito bom, isto para não falar da Raia de Alhada que estava divinal.
Mas estive aqui vários minutos a olhar para o ecrã e só me passa isto na cabeça.
Até amanhã.
Fiquem bem no lado escuro da lua.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
A minha página de autor na AMAZON
A partir de hoje tenho uma página de autor na AMAZON. (ver aqui)
De facto a AMAZON é uma empresa fantástica e presta um serviço inestimável a todos os que querem iniciar-se no mundo da escrita, mas também a autores já reconhecidos.
Não é preciso ser-se uma celebridade para poder publicar, não é preciso conteúdos escandalosos ou polémicos, basta escrever e a AMAZON com simplicidade, rapidez e pouca burocracia (para não dizer nenhuma) publica-nos os nossos livros.
Fiquem bem no lado escuro da lua.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
The Wet Side of the Moon
Inicialmente será apenas em formato Kindle, estou neste momento a ultimar a edição em papel.
Excerto da primeira história:
A melhor viagem da minha vidaMúsica: Sailing - Rod StewardFoi no dia 20/08/1994, partimos de Lisboa pela madrugada para aproveitar a maré, eram 06:00 lá estávamos a bordo do Magali o meu pequeno veleiro de 7,50m construído em 1942.
A primeira parte da viagem decorreu a motor, pois o vento era praticamente nulo. Toc, toc, toc - tossia velho Volvo Penta de 1 cilindro, apesar de ser mais recente que a embarcação ostentava com orgulho a data de fabrico 1950. (...)
O preço foi colocado na loja está em Dólares, pois não existe loja directa em Portugal.
Aqui está o link da minha página da AMAZON.
Fiquem bem no lado escuro da lua.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Tempestade 2
2) Genoa – vela de estai de maiores dimensões.
3) Rizes – pequenos cabos usados para reduzir a dimensão da vela grande.
4) Vela grande – vela situada atrás do mastro de forma triangular e mantida entre o mastro e a retranca.
5) Marear – caçar ou folgar uma vela ajustando-a à direção do vento.
6) Planar – quando o barco deslizar na crista da onda.
7) Nós – unidade de medida de velocidade. Corresponde a uma Milha Náutica (1852 metros) por hora (MN/H) ou seja 1,852 Km/h.
8) Convés – é a parte da cobertura superior de uma embarcação.
9) Bombordo – lado esquerdo da embarcação, quando virados para a proa.
10) Estibordo – lado direito da embarcação, quando virados para a proa.
11) Proa – a parte da frente de uma embarcação.
12) Escota – cabo fixo à retranca ou ao punho da escota através da qual se controla a abertura da vela em relação ao vento.
13) Adriça – cabo para sutentar a vela e também usado para a içar.
14) Poço – local onde se encontra a tripulação e de onde se comanda a embarcação.
15) Vante – proa.
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Tempestade 1
Não tenho medo, se há um sítio onde não tenho medo de morrer é no mar, consigo manter a proa virada às ondas, o barco sobe-as, quais montanhas de água em movimento. Parece que fica na vertical, lá em cima projecta-se no vazio caindo com estrondo no regaço da onda seguinte, por vezes mergulha profundamente naquele mar tempestuoso, agarro-me com ambas as mão à roda de leme, luto desenfreadamente para me manter a bordo.
Os dias passam, semanas, meses, aquela tempestade não termina... Espera, lá ao fundo, parece um raio de sol... É um raio de sol. Sinto-me só naquele navio, estou cansado, doem-me as mãos, os braços, os ombros. De repente vejo um intervalo maior entre 2 cristas, agarro a escota com uma mão, deixo a escota escorregar no molinete. Arribo ligeiramente de modo a ganhar alguma velocidade, atinjo o cume da primeira montanha de água, desta vez vou muito mais perpendicular, já não caio, desço a onda a grande velocidade, lá em baixo orço descaradamente, puxo a escota, rapidamente o vento muda de bordo, ganho velocidade, subo a onda seguinte.
Tenho o raio de sol à proa, uma gaivota pousa junto a mim, peço-lhe para ficar de olho na roda de leme, corro até ao pé do mastro e puxo as adriças da vela grande que sobe célere. O rumo mantém-se estável, desloco-me à proa troco o tourmentin pelo estai. Volto até à roda de leme, o barco já segue célere pelas ondas o céu vai trocando lentamente os tons de chumbo por tons laranja. Ainda estou só, apenas a gaivota me acompanha, falo com ela, desabafo sobre a tormenta que atravesso ainda, mas que aos poucos vai desfazendo. A gaivota levanta voo e aponta-me o caminho, fixo a roda de leme as ondas estão ainda pesadas, ainda me encontro só. Desloco-me de novo à proa, chegou a altura de fazer subir a genoa. O casco começa a planar, volto-me para traz e vejo-A ao leme. Já não estou só, ELA conduz-me a um lugar mágico, sinto-me enebriado pelo cheiro, envolvo-A com um braço, beijo-A, AMO-A.
Estou feliz, muito feliz, não sei para onde me dirijo, apenas tenho uma certeza: com ELA vou até ao fim do mundo, até ao fim da vida.
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Remember that night
Hoje os meus receios e temores mais negros foram materializados, foi como se tivesse sido atingido por um tsunami gigante. Morri, morri mesmo, um cadáver conduzia aquela Strakar, a minha alma não habitava o meu corpo, tinha sido de lá arrancada pelo tsunami devastador, levada para a Antárctida onde ficou aprisionada sob um imenso glaciar...
De repente uma onda engole-me e lança-me a toda a velocidade num surf sem prancha directo à praia. Senti o fluir da água em torno de mim e a premente vontade de voltar a respirar; senti a areia a friccionar o corpo, travando a velocidade até à completa imobilização; a água recua deixando-me finalmente respirar. Foi algo contrariado que permiti que uma golfada de ar voltasse a invadir-me os pulmões. Expirei, levantei a cabeça e desatei a rir, ri profundamente e as minhas gargalhadas fizeram levantar as gaivotas que se preparavam para dormir ali por perto.
Olhei à minha volta, estava completamente nu deitado na areia enquanto as ondas vinham acariciar-me o corpo, levantei-me estava quase só, ao longe na névoa da maresia apenas se vislumbravam os vultos de algumas pessoas que passeavam pela praia. Voltei a correr para a água, repeti o longo surf, no fim do qual soltava um grito de prazer retornando para o mar que novo me trazia para terra.
Depois de dezenas de investidas voltei para a areia, exausto, distingui com dificuldade a minha roupa abandonada no areal, sentei-me ao lado dela e contemplei o pôr do sol, entrei em meditação e ali fiquei até o sol desaparecer por completo no horizonte, vejo o telemóvel a se assomar num bolso das calças e ponho a tocar aleatoriamente. Primeiro um jazz por Diana Krall - Almost Blue, seguiu-se The Blue de David Gilmour e quando as primeiras estrelas começaram a ficar visíveis Island também de David Gilmour.
Remeber that nightLevantei-me, sacudi o melhor que consegui a areia do corpo antes de me vestir e procurei o carro, coloquei a chave na ignição e o CD começou a tocar Diana Krall - Every time we say goodbye, I die a little. Recostei-me no banco e fiquei ali a contemplar um céu cor de laranja. Respirei fundo, os versos de On an Island atravessavam-me o pensamento misturando-se com aquilo que ouvia nesse momento e pensei em tudo o que me tinha acontecido.
White steps in the moonlight
They walked here too
Through empty playground,this ghosts' town
Children again, on rusting swings getting higher
Sharing a dream, on an island, it felt right
We lay side by side
Between the Moon and the Tide
Mapping the stars for a while
Let the night surround you
We're half way to the stars
Ebb and flow
Let it go
Feel her warmth beside you
Remember that night
The warmth and the laughter
Candles burned
Through the church was deserted
At dawn we went down throgh empty streets to the harbour
Dreamers may leave, but they're here ever after
Tinha morrido e voltado a nascer.
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
sexta-feira, 31 de julho de 2009
A melhor viagem da minha vida
Foi no dia 20/08/1994, partimos de Lisboa pela madrugada para aproveitar a maré, eram 06:00 lá estávamos a bordo do Magali o meu pequeno veleiro de 7,50m construído em 1942.A primeira parte da viagem decorreu a motor, pois o vento era praticamente nulo. Toc, toc, toc - tossia velho Volvo Penta de 1 cilindro, apesar de ser mais recente que a embarcação ostentava com orgulho a data de fabrico 1950.
Chegamos ao cabo Espichel já perto da hora de almoço, o velho navio arrastava-se pachorrentamente a 3 nós. Decididos a cortar caminho a direito rumo a Sines. Vi-me obrigado a mergulhar debaixo do barco para soltar o giroete de modo ao odómetro poder marcar a distancia percorrida. Para não perdermos tempo e visto que o vento era muito fraco, optamos por manter as velas içadas continuando em andamento. Atei um cabo e mergulhei para debaixo do barco, é impossível descrever a sensação que tive, tirando o casco do barco apenas via o azul. Acho que nunca me tinha sentido tão só, mas ao mesmo tempo sentia-me em casa.
Algumas horas depois avistamos lá ao longe estranho esguichos de espuma, intrigados fomos buscar os binóculos e vemos um bando de golfinhos, virei a proa na sua direcção embora achasse impossível alcança-los. Foi com enorme surpresa que os vimos aproximarem-se, vindo brincar alegremente na proa do vetusto barco. Os seus saltos e acrobacias deixaram-nos maravilhados durante longos minutos, a velocidade reduzida da embarcação e o infatigável toc-toc foram esquecidos enquanto corríamos da proa à popa e de estibordo a bombordo para tiramos fotos ou simplesmente contemplá-los. Talvez cansados da nossa lentidão acabaram por partir, deixando-nos completamente entusiasmados.
Com a chegada do pôr-do-sol deu-se outro momento mágico, retomei a cana do leme após ter vestido o fato isotérmico, apesar de ser Agostocom o sol a perder intensidade o frio começou a aumentar. A beleza do pôr -do-sol no mar é redobrada, o Zé agarrou na câmara e registou a foto que ainda hoje uso para me identificar.
Esta foto trás-me recordações não só de momentos belos mas sobretudo de uma profunda sensação de liberdade. Nunca me senti tão livre em toda a minha vida! Apesar de confinado a um espaço de 7,25 m por 3 m, tinha à minha volta a imensidão do Oceano, apesar da cabine não ter mais de 1,5 m de altura, sobre a minha cabeça pairava o infinito. Todas as noites sonho em voltar a fazer uma viagem assim, desta vez sem rumo nem destino traçados, apenas navegar pelo mar impelido pelos ventos.
A noite passou lenta e fria, apesar de ter um fato de treino, uma camisola de lã, um gorro de malha e umas jardineiras e casaco isotérmicos (uns Helly Hansen concebidos para o agreste mar Báltico) apenas uma garrafa de Brandi conseguia aquecer a alma.Pela manhã dobramos o cabo de S. Vicente. É uma visão grandiosa esta cabo, a 1ª vez que aqui passei estava tocar Wagner, mas hoje não havia música para além do toc-toc. Senti-me esmagado de novo pela imponência destas rochas, talvez existam no mundo outros lugares assim, mas este tem uma mística muito especial, uma série de promontórios separados por pequenas baías têm o seu ex-libris no promontório de Sagres venerado desde o tempo dos Celtas que lhe chamavam o promontório dos Deuses acreditando que era aí que Eles viviam.
Séculos mais tarde foi escolhido pelo Infante D. Henrique como berço do maior e menos sanguinário império da História. Foi uma obra de Deuses os feitos de Gil Eanes e dos que lhe seguiram, pois apenas Deuses conseguiriam realizar o feito que eles fizeram de tornar o mundo pequeno.O 2º dia de viagem decorreu calmamente até chegarmos à Salema, aí o vento de Norte começou a rugir forte, impulsionando o Magali (já com o motor desligado num mais que merecido repouso) a uma velocidade de 10 nós, que rapidamente nos fez chegar ao nosso destino - Lagos. As 5 toneladas de peso gostavam era de vento rijo e o velho veleiro acelerou deixando uma comprida esteira de espuma e percorrendo as milhas que faltavam até à baía de Lagos ao triplo da velocidade que o motor nos tinha impulsionado durante dia e meio.
A viagem apenas ficou interrompida, um hei-de retomá-la até à eternidade!
Velejem no Lado Escuro da Lua!
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
quarta-feira, 22 de julho de 2009
AZUL

Fecho os meus olhos
Cheios de estrelas
Cheios de luz
AZUL
A água molha-me a pele
Encho os pulmões
Afundo-me no
AZUL

No meio dos destroços do vapor
Um polvo contempla-me
Vou flutuando no
AZUL
No fundo do mar mil cores
Milhões de tonalidades
Vermelho, verde e
AZUL

Nas cavernas daquele navio
Muitas dores passaram
Mas lá ao fundo é
AZUL
Vejo esponjas e gorgónias
Polvos, sargos e fanecas
Mas espanta-me o
AZUL

Na escuridão da profunda gruta
Seres estranhos passeiam
Também eles procuram
AZUL
Lá fora vejo a glória da luz
Uma profunda e intensa
Mas suave no tom
AZUL

O sol aquece-me a alma
Banha-me o corpo
Sob um céu
AZUL
O barco flutua placidamente
Espera-me sem pressa
Sobre o oceano
AZUL
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
domingo, 21 de junho de 2009
Que dia!!!
Foi um dos melhores dias da minha vida, seguramente o melhor dos últimos 5 anos!O dia iniciou-se às 8:00 da manhã, preparar o material e seguir para Sesimbra, onde cheguei perto da 10:00. Saída de mergulho para o River, novamente uma visibilidade extraordinária, mas o mergulho não correu 100%, a mergulhadora da esquerda (com os braços abertos) teve bastante dificuldade em descer e verifiquei que estava quase em pânico. Combinei com o Hupert que ele seguiria à frente e eu atrás dela ao alcance das barbatanas de modo a prevenir qualquer acidente. Foi um mergulho algo preocupado e consequentemente com muito consumo de ar, o Hupert acabou por se perder e nem vimos o River, terminou com mais de 500 metros a nadar contra a corrente à superfície para chegar ao barco.
Deu no entanto para ainda ver algumas coisas e foi optimo em termos de treino, não só pela parte física mas também pela parte de lidar com um mergulhador com problemas, permitindo-me avaliar as minhas capacidades de psicológicas para lidar com uma situação potencialmente perigosa, claro que a presença do Hupert (que é instructor) facilitou, mas deu-me para perceber que a minha reacção foi boa, aumentando de forma significativa a minha experiencia e a minha auto-confiança.A seguir foi um teste de mar ao primeiro barco para liveaboard de Portugal. Numa palavra FABULOSO, a Subnauta está de parabéns e faço votos que tenham sucesso. Voltarei a abordar este tema num próximo post, já com imagens do interior do barco.
Por fim um mergulho nocturno! Local pedra Nautilus, mesmo no centro da baía de Sesimbra.Em ambiente descontraído, com é norma na Nautilus, começou-se a prepara a saída por volta da 20:00, o calor era abrasador e os fatos apenas foram envergados à última da hora. Depois de preparar cuidadosamente todo o equipamento, pois no mar às escuras é complicado, saímos. A viagem foi curta e quando mergulhamos ainda havia luz do dia. Fizemos um pequeno briefing, em que ficou definido que quando me acabasse o ar a Lena viria comigo à superfície e depois voltaria para junto dos outros (isto de ser o maior beberrão de ar tem destas coisas). Mergulhamos direitos aos 13,2 metros, para avistarmos um pequeno polvo que por ali andava à caça.
Depois vi uma medusa enorme, linda e outra e outra. Nunca tinha visto medusas tão grandes e ainda por cima eram numa quantidade realmente impressionante.Enquanto tirava uns bonecos às medusas a câmara avisou-me que já não havia bateria. Outra vez o estupor da bateria a acabar antes do mergulho, apesar de ser o 2º mergulho do dia, no 1º não tinha tirado praticamente fotos nenhumas. Estive então a prestar assistência ao meu parceiro enquanto me divertia com um ou outro polvo, tive hipótese de observar um a alimentar-se a uma ameijoa bem grande, vi um safio pequeno e por esta altura o computador indicou-me que estava a ficar na reserva de ar.
Olhei à volta e não vi ninguém, além do meu buddy, o que achei estranho pois a visibilidade era obscena, para dizer o mínimo. Fiz sinal ao meu buddy que precisava de subir e ele respondeu-me que também vinha para cima, só ia tirar mais uma foto. Iniciei a subida na vertical dele ficando a pairar na superfície e vendo-o claramente no fundo a 13 metros de profundidade.Tirei a cabeça da água para localizar a embarcação e... foi o choque, à minha frente as luzes de Sesimbra brilhavam reflectindo-se na água, tentei fotografar mas ficou tudo tremido, apesar do mar estar um espelho não é possível fixar a máquina para fotografar com aqula luz, mas conservei a foto mais para me recordar do momento absolutamente mágico.
Olhando à volta, encontrei o barco e para meu espanto já lá estavam todos a bordo, nós eramos os últimos a sair da água. Chegado a casa verifiquei que foi o consumo de ar mais baixo de sempre (17 L/min contra o melhor que tinha feito até hoje 19 L/min, com a média na casa dos 24). Absolutamente fantástico. Foi uma excelente despedida da Primavera!
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
domingo, 14 de junho de 2009
A proa do River
Havia de facto uma razão para estar
particularmente eufórico por ir mergulhar, parecia que adivinhava...
Em termos técnicos:
Tempo de fundo : 27'
Visibilidade : 15 m
Gás : Nitrox32
Alarmes : RBT, slow
Resumindo, foi o melhor mergulho da minha vida!
A dar-nos as boas vindas estava um cardume de Sargos Veado de grandes dimensões, olhando à nossa volta distinguia-se perfeitamente a proa do River, sendo particularmente conspícuo o bolbo da proa.É um peixe que muda o tom de acordo com a cor do fundo, como os camaleões, mas a sua picada deixa um membro dormente por um dia inteiro.
Aproveitamos para fazer algumas fotos "artísticas" com enquadramentos de cabeços de amarração e vigias. até que os computadores começaram a mandar-nos subir um a um.

Para não variar o 1º a ter de subir fui eu, continuo a consumir muito ar e cada vez mais um rebreather torna-se o objecto mais desejado.
Um pequeno engano no botão fez-me subir uns metros agarrado à boia de patamar .
O cqansaço apodera-se de mim inexurávelmente, já fechei os olhos 2 vezes enquanto escrevia estas linhas. O 36 irá ter de esperar por amanhã pois já está a ser uma aventura manter os olhos abertos.
P.S. deixei ficar esta última parte pois faz parte do momento que vivi, apenas ajeitei o tamanho do texto para dar um melhor aspecto.
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
domingo, 31 de maio de 2009
De novo no River
As condições eram bastante boas, temperatura do ar 27º, mar chão, pouco vento, céu limpo, visibilidade de quase 10 m, a temperatura da água é que destoava pois eram apenas 14º.A viagem foi bastante rápida, pois os 225 CV do semi-rigido não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Ainda houve tempo para uma visita às grutas da Ponta da Passagem.

Descemos pelo cabo até aos 23 metros, onde deparamos com a estrutura deste cargueiro nigeriano, acertos do equipamento, da câmara, uma vista de olhos em redor e lá partimos para a descoberta de mais uma zona do River.Desta vez vi um dos motores, infelizmente a suspensão e um mau posicionamento do flash não permitiram boas fotos.

O mergulho foi prosseguindo com vistas espectaculares como só um naufrágio propicia, aqui e ali surgia exemplares de peixes de grandes dimensões para a espécie, como este Bodião listado no dorso o Sargo Veado (o maior que já vi) e os Salmonetes extraordinariamente grandes.
Apesar de ter levado 2 lanternas não pude usar nenhuma delas, uma estava avariada e a outra sem pilhas. Isto é
muito mau no River pois há sempre muitas cavidades a explorar, para além da luminosidade ser já algo reduzida aquela profundidade.Assim não consegui ver um lavagante e 2 safios que se encontravam dentro da estrutura do barco.
O mergulho foi bastante "plano", sendo que a profundidade máxima que atingi foram os 24,8 metros, precisamente a meio do mergulho.

Em termos de fauna, para além do já citado, foi escassa aquilo que se viu, apenas a realçar uma enorme quantidade de abróteas ainda jovens.
Aos 22 minutos de mergulho o computador mandou-me regressar à superfície. O meu consumo de ar é elevado e começo a acreditar que não vai ser possível reduzi-lo, pois já à superfície sinto que necessito de muito ar normalmente.
A minha garrafa era a do costume de apenas 12 litros, vou ter de investir algum dinheiro num rebreather, a hipótese de comprar uma garrafa maior talvez não valha a pena. O futuro do mergulho está nos equipamentos em circuito fechado ou semi-fechado, pena é que o preço e a manutenção ainda sejam um tanto elevados. A única coisa que sinto que vou ter saudades é do som das bolhas de ar, que faz parte do meu imaginário.
no Wet Side
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
domingo, 15 de março de 2009
Feel
música: Feel - Robin WilliamsNunca tinha visto tanta cor debaixo de água. Nunca tinha visto um bodião machado de um azul eléctrico fluorescente. Infelizmente um arreliador problema de compensação dos tímpanos obrigou-me a subir e a perdê-lo de vista. Tudo o que consegui foi esta foto (tirei mais duas mas como o flash não disparou ficaram sub-expostas).
Diria que a Primavera também chegou ao reino de Neptuno!
Desenganem-se se pensarem que foi apenas o bodião, as judias macho também exibiam uma coloração exuberante, os ouriços e as anémonas estavam bem mais coloridos que o habitual.A temperatura da água (14º) também já começa a reflectir uma Primavera que chegou algo antecipada, pena a visibilidade reduzida.
Nem quero imaginar o quadro que nos seria exibido com uns 20 metros de visibilidade.
Os cardumes de salemas reflectiam os raios de sol como se de bolas de espelhos se tratassem, por vezes vi-me cercado por vários cardumes que transformavam o mar numa orgia de luz e cor.As algas apresentavam um tapete vermelho bordeau exuberante.
Pequenos cabozes observavam-nos a coberto da sua camuflagem, nunca tinha sentido tanto a falta de uma lente macro. Aqui e ali pequenas explosões de cor, como aquelas duas anemonas verdes em baixo, solicitavam um "close" que a minha câmara não permite, pelo menos enquanto não comprar as dias lentes.

Mergulhar é para mim encontrar uma paz difícil de obter sob a opressão da gravidade, impossível mesmo no corropio dos nossos dias, no stress do emprego. Mas hoje a paz era muito mais intensa, talvez este tenha sido o mais belo mergulho que já fiz. Não foi o melhor mas foi definitivamente o mais belo.
Deixo aqui o convite para contemplarem calmamente as fotos, ao som da banda sonora, por alguns minutos esqueçam tudo, passem o vídeo deixem-se embalar. São 3 minutos que de imagem, podem desligar os som do mar e da música e ouvir o borbulhar do regulador ou deixar a música seguir para a Moonlight Sonata. Ou fazer um replay uma vez com os sons ao vivo outra com a banda sonora.Fiquem em Paz lado escuro da Lua!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Fantasmas?
Havia uma neblina verde, um ambiente lúgubre, no entanto sereno, voltei a ver os fantasmas, passaram ali ao lado, seriam de marinheiros ou de piratas? seriam de exploradores ou curiosos?
Descobri que os peixes são na realidade anjos, que em vez de asas têm barbatanas, que o AMOR é infinito e que a PAZ é eterna.
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Eu me perdi
As ondas desfazem-se na areia elaborando uma pintura surreal com a sua espuma branca e cantando uma melodia de amor em tons graves. O vento acaricia-as deixando atrás uma nuvem de água. Um pequeno barco aproxima-se traçando uma linha branca no azul profundo do mar, vem vazio, nem as gaivotas se importunam a visitá-lo. Aqui e ali uma gaivota passa a rasar as águas, 2 surfistas baloiçam nas ondas, apesar do frio intenso que se faz sentir sinto-me tentado a ir também para lá. A minha mente recua no tempo nostalgicamente.
São 10 horas do dia 3 de Janeiro de 2009 em Sesimbra. Dirijo-me para o barco. Subitamente começa a chover apesar de ter estado um dia de sol; cumprimento a chuva, é a antecipação da entrada nos domínios de Poseidon, um aperitivo. Entramos na água, está turva, muito turva, vê-se pouco mais de 5 metros. Descemos felizes apenas por ali estarmos, um cardume de sargos surge no meio da suspensão como se fossem fantasmas no nevoeiro de um cais assombrado.
Um bodião vem acompanhar-me e conduz-me até uma bela esponja amarela contando-me que já foram conhecidas pelo ouro do mar. Na penumbra admiro-a, admiro o silencio que me rodeia, a imobilidade, o ser e o não ser daquela criatura tão estranha e ao mesmo tempo tão familiar.Sigo-o pelo fundo do mar e por entre algas e medusas acabo por vislumbrar uma magnífica gorgónia. Contemplo um a um os seus frágeis braços de uma bela filigrana.
Perco-me por entre aquelas hastes ondulantes na corrente, sinto-me integrado naquele mundo, naquela beleza, naquela serenidade.Mais abaixo vejo um caranguejo que tenta desesperadamente esconder-se da luz que é projectada pela minha lanterna, fico ali uns momentos e tento convencê-lo que não estou ali para lhe fazer mal. Agradecido, deixa-se fotografar, a calma volta a invadir o fundo do mar, os bodiões, as judias, os sargos, passeiam à minha volta naquela atmosfera quase fantasmagórica.
Volto a contemplar o mar, as ondas continuam a desfazer-se preguiçosamente na areia. O pequeno barco já desapareceu, os 2 surfistas continuam ali embalados pelas vagas e eu sinto-me em paz, feliz por ali estar, por desfrutar aquele momento. Rezo uma oração de agradecimento a todos os deuses que a humanidade já honrou, à natureza, ao Universo, na forma de um poema de Sophia de Melo Breyner:
Eu me perdi na sordidez de um mundo
Onde era preciso ser
Polícia agiota fariseu
Ou cocote
Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu me salvei na limpidez da terra
Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar
Não se percam no Lado Escuro da Lua!
domingo, 16 de novembro de 2008
O melhor mergulho do ano!
São 10:00 de um Sábado que faz jus ao famigerado Verão de S. Martinho, pois apesar do azul profundo do céu e do mar convidarem a um mergulho, a temperatura não era das melhores. Mas mesmo assim, ou talvez por isso, telefono para a Cipreia, marco um mergulho, preparo tudo e lá arranquei directo a Sesimbra, eram umas 10 da manhã.Ao chegar, cumprimentos, apresentações, preparação do equipamento e finalmente lá
estamos a bordo prontos para sair.O mergulho em si mesmo foi fabuloso. A visibilidade de por volta de 10 metros, a vida que encontramos, o sol, o estado do mar, numa palavra - TUDO estava quase perfeito.
Cardumes de Sargos, Salemas, Taínhas e Robalos vieram dar-nos as boas vindas assim que entramos dentro de água.
Sentia-me calmo como aquela estrela do mar que placidamente me observava. Por momentos parecia estar no Mar Vermelho, não fosse a temperatura da água, que não passava dos 15º e a visibilidade que sendo bastante boa para Portugal não tem nada a ver com o que podemos observar a sul do canal do Suez.
Vários Pargos passaram por nós e deixaram que nos aproximássemos de uma forma como nunca tinha
visto. Perguntei se não tinham medo de nós, eles responderam que desde que foi criado o parque nacional de Sesimbra e proibida a pesca já não têm receio dos homens.
Tive de reconhecer que estava errado quando achei que criação desta reserva iria ser um fiasco. De facto estava ali bem patente a prova que o homem pode atingir o equilíbrio com a natureza. E que ela é pródiga em recompensar as boas práticas. A cada mergulho observo um incremento da fauna e flora em Sesimbra, provando que o Parque Natural é de facto uma mais valia. Era bom que outros Parques destes proliferassem pelo país, pelo mundo.
Era bom que parasse-mos as agressões ao meio ambiente e encontrasse-mos uma forma de viver em harmonia com ele.
Mas depois pensei, como será possível o Homem ter paz com a natureza se não têm com ele próprio?
É um sonho utópico pensar que um dia poderemos viver em equilíbrio com o planeta se não encontrarmos primeiro uma via para estarmos em paz com o nosso semelhante. Guerras, assassínios, processos de intenção, conjuras, difamações, discussões... Parecem estar indelevelmente marcados na natureza humana. 
Ou então é apenas uma característica de alguns. Sim isso é o mais provável, nem todos os seres humanos são mesquinhos, existem pessoas que tentam atingir a felicidade só por si próprios, que a simples contemplação de um pôr-do-sol é mais do que o suficiente para se sentirem em paz, que oferecem mais do que pedem, que ajudam os outros de uma forma abnegada e altruísta.
Um polvo mais atrevido acabou por escapulir para debaixo do colete do meu buddy, demonstrando isso mesmo.
O buddy que me calhou desta vez foi, seguramente, um dos melhores
que tive até hoje, não só os conhecimentos acumulados em 40 anos de mergulho, como a calma e os truques de uma longa vivência com o mar.
De facto nada substitui dezenas de anos de experiência visíveis em cada gesto, em cada observação, em cada conselho. Senti-me um iniciado e, no entanto, uma ainda mais profunda paz me invadiu, dei comigo a tomar atenção a pormenores que normalmente me escapam, sempre preocupado a ver se não me perco do buddy enquanto fotografo aquela anémona que me chamou a atenção.
Sabe muito bem mergulhar com quem tem tanta experiência e que vai lá para baixo com uma calma maior do que a nossa. Normalmente os mergulhos são a correr, pois a malta mais nova quer ver mais e mais, sempre com pressa, sempre com stress, muitos esquecem-se do buddy que parou para fotografar uma estrela do mar, poucos como o Octávio nos chamam para observarmos essa estrela do mar.
A minha profissão é uma das principais responsáveis por isso, de facto 3 anos é uma eternidade em termos de desenvolvimento informático, rapidamente os mais velhos são ultrapassados pelos mais novos, a experiência pouco conta, pois tudo esta em constante mudança. Por isso muitas vezes sinto-me tentado a ir na maré da novidade, do que é velho não presta, para logo a seguir me arrepender. Devemos ouvir sempre a voz da experiência, dos mais velhos, daqueles que já viveram mais anos e que acumularam por isso uma bagagem superior à nossa.
Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!



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