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terça-feira, 8 de abril de 2025

No Lado Escuro da Lua



Foi publicado hoje o meu primeiro livro de ficção.

A história "No Lado Escuro da Lua" passa-se num presente alternativo, segue a vida de Filipe, um homem de 60 anos, apaixonado pelo mar, que imigrou para Roskilde. A narrativa começa com Filipe recebendo uma carta anónima que promete revelar segredos sombrios sobre o passado de sua família. Ao longo do livro vai-se descobrindo que ele não foi um informático durante toda a vida, o seu passado esconde muitas coisas, até dele próprio.

A carta misteriosa leva Filipe a recordar momentos dolorosos de sua vida, incluindo a morte de seu pai e a traição de sua mãe e irmã. A viagem que Filipe começa para tentar descobrir mais sobre a carta e os segredos que ela promete revelar leva-o a Bran, na Roménia, passa por Gdansk na Polónia, atravessa a Europa de Norte a Sul até Lagos, sua terra natal, passa ainda pela Cornualha e por Stonehenge e termina na ilha escocesa de Islay.

Filipe é acompanhado por Birgit, uma amiga próxima e ex-hacker, e Isabela, a nova namorada de Birgit. Juntos, eles enfrentam desafios e mistérios enquanto tentam desvendar os segredos da carta, rapidamente formam um triangulo amoroso que os leva a descobrir emoções inesperadas. A história é rica em detalhes sobre os personagens, suas relações e as paisagens que eles encontram ao longo da jornada.

Numa mistura de realidade e fantasia e onde o real e o fantástico se interligam, passado, presente e futuro conjugam-se no mesmo instante temporal. Sendo por vezes mesmo premonitório com apontamentos metafóricos sobre a realidade e sobre as emoções vemos coragem, paixão, amizade e solidariedade contraporem-se a ódio, rancor, ganância e maldade.

Este livro é uma mistura de guerra, suspense, drama e romance, com uma trama que mantém o leitor envolvido até o final.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 26 de janeiro de 2025

Ao Longe o Mar



Já está à venda o meu 3º Livro - Ao Longe o Mar.

Um conjunto de histórias, poemas e fotos com o Mar (ou a sua ausência) em pano de fundo. 

Este meu terceiro livro, revelou-se um “parto” difícil, já que pouco depois do início deste projecto saí da instituição onde trabalhei durante 21 anos e tive a necessidade de dar um novo rumo à minha carreira que me levou a atravessar a Europa, diferentes projectos em diferentes países foi demasiada agitação retirando-me inspiração e tempo. Só quando regressei a Portugal e à beira-mar a inspiração regressou juntamente com a maresia a invadir-me os pulmões.

Esta viagem começa na minha terra natal – Portimão onde vivi apenas nos meus primeiros meses de vida, mas que nos anos que se seguiram visitava frequentemente, passa por Lagos - onde cresci e de onde tenho algumas das minhas melhores e piores memórias e vou desenhando a viagem até Lisboa – onde residi o maior período da minha vida, subindo até à Covilhã – onde nasceu o Amor da minha vida, depois uma incursão pelo Mediterrâneo e finalmente a volta à Europa, passando por Lille, Bucareste, Constanța, Brasov, Copenhaga, Varsóvia, Gdansk e Roskilde, regressando por fim a Portugal, mais propriamente à Ericeira e depois a Espinho. O desenho no mapa revela 11.000Km mas por uma questão de simplificação apenas desenhei uma linha continua, não respeitando a linha do tempo.

Está em 3 formatos: capa dura, capa mole e Kindle e em 2 línguas: Português e Francês, a versão em inglês irá sair mais tarde.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 17 de novembro de 2024

A Kind of Magic

Musica dos La Caina e Imagens e texto do penúltimo meu próximo livro - Ao Longe o Mar!

Dedicado a ti minha querida Angie!




A noite vai-se aproximando

O sol vai descendo lentamente

O vento vai juntando as nuvens

Como um rebanho de ovelhas fossem

 

As cores do céu vão mudando

As cores do mar também

O vento encrespa o Mar

Fazendo dele milhares de espelhos

O Sol pinta a paisagem

Vai mudando os tons

Vai mudando a luz

Vai trazendo a paz

Vai acariciando a alma dos homens

Vai transmitindo a magia do dia

Vai chamando o crepúsculo

Vai antecipando a terna noite


As ondas vêm brincar para a praia

Vêm dançando enrolar-se na areia

Dançam com o vento, com as nuvens

Fazem os Homens sentir-se poetas


Trazem com elas a maresia

Que nos inunda o olfacto

Levada pelo vento

Espalha-se pela terra

 


 Sinto-me a bailar

A bailar com o vento

A dançar com as ondas

Rodopiando na areia


 Sinto-me um poeta

Sinto-me um mágico

Sinto-me um pintor

Sinto-me um músico

 

Ali fico a respirar

Aquele ar salgado do mar

Perco a noção do tempo

Perco o lugar do espaço

 

Sacudo a areia dos pés

Seco a água do cabelo

Esfrego o sal da pele

E em paz retorno ao lar

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

sábado, 2 de novembro de 2024

Sagres


Há lugares no mundo que deixam uma marca profunda na nossa alma, Sagres sempre me fascinou, foram inúmeras as vezes que a visitei por terra, só ou acompanhado, o promontório e o cabo "onde termina o mundo", este sempre foi um local quase místico. Aliás para os povos da antiguidade era mesmo um lugar místico. Os Celtas chamaram-lhe o promontório dos Deuses. Outros povos achavam que era ali que o mundo terminava, era ali que começava o mar das trevas.

O Infante mudou tudo isso, mas a mística ficou agarrada àquelas pedras de forma indelével. Em todo o lado sente-se o peso da história, nas muralhas, nas velhas caraças dos canhões gastas pelos anos e pelo salitre, nas paredes do velho templo, na misteriosa rosa dos ventos, nas furnas que descem até ao mar pelo ventre da terra.

Mais a oeste vislumbra-se o cabo de S. Vicente com o seu farol, o ponto mais a sudoeste da Europa, a ponta do velho Continente que aponta para o Novo Mundo, entre ambos uma enseada com vários recantos e um charmoso Castelo hoje transformado numa unidade turística.

Mas nada do que se vê de terra é mais esmagador que a vista a partir do mar! A primeira vez que admirei esta paisagem a partir do reino de Neptuno, foi a bordo do paquete Funchal. Ainda hoje, passados 35 anos, revejo esse momento com uma claridade cristalina. Estávamos a jantar, pelas janelas comecei a ver desfilar a praia da Bordeira, depois o Castelejo, não esperei mais, saí para o convés e debrucei-me na amurada. Ouvia-se Wagner, os penhascos erguiam-se altivos, deslumbrantes à luz do pôr do sol, o navio aproximou-se tanto como as regras de segurança permitiam, deixando os mais pequenos pormenores ficarem expostos aos meus olhos.

Aos poucos fomos contornando o cabo de São Vicente e dirigindo-nos para Sagres, Wagner continuava a tocar pelas colunas do navio, olhei à minha volta, estava só contemplando a mais bela paisagem que jamais vira.

Dias antes tinha visto um rosto que também havia marcado a minha alma, tinha aparecido e depois perdera-se na multidão que preenche as ruas nas noites estivais de Lagos. Receei não mais voltar a rever tão marcantes imagens. Fiquei por ali, a noite caiu fiquei apreciando as luzes do Algarve: Burgau, Luz, Lagos, Alvor, Portimão…

Perguntei-me se voltaria a ver Sagres do mar… e aquele rosto lindo de morrer. Voltei para Lagos procurei-a, não mais a vi.

16 anos depois voltei a cruzar aquelas águas, desta vez no meu pequeno veleiro, voltei a procurar aquele rosto fugidio no meio da multidão. Sagres vista do mar voltou a mostrar-se em todo o seu esplendor num mar estanhado, lá em cima pareceu-me vê-la! Toquei a sirene, abanei freneticamente os braços... Não. Não era ela, tenho agora a certeza.

Passaram outros 16 anos, olhando para um quadro de fotos em casa de alguém que conhecera há poucos dias, volto a rever aquele rosto fugidio! Aquela cujo rosto para sempre ficou gravado na minha alma como as imagens daqueles rochedos imponentes.

Redijo estas linhas a seu lado, contemplo o seu rosto sereno e belo. A noite vai adiantada, não tarda estarei abraçado a ela no nosso leito, sonhando com uma viagem a seu lado contemplado aquela paisagem divina uma vez mais.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.





segunda-feira, 11 de julho de 2022

Onde o Mar é mais Azul


Depois de um dia em que não se sentia a diferença entre abrir a porta do terraço e a porta do forno, hoje, aqui onde o mar é mais azul, a típica doce e refrescante brisa marítima temperou o clima o que me permite estar a escrever estas linhas no exterior.

Confesso que ainda sinto uma certa nostalgia de Lagos, mas este cantinho é de facto abençoado. Com uma quantidade assinalável de praias, desde as mais cosmopolitas às mais escondidas, a temperatura da água é compensada pelo calor humano. Inúmeras ribeiras desaguam em praias cavando vales férteis até à areia e proporcionando abrigo aos ventos que são uma imagem de marca do Oeste.

Depois há esse pormaior que, para quem me lê há algum tempo já sabe, tem uma importância central na minha vida - O AZUL. De facto aqui é mesmo onde o mar é mais azul! Desde que me conheço como gente, o azul foi sempre a minha cor favorita e sempre dominou os meus gostos. Cresci com uma vista privilegiada sobre o azul com o mar à porta e o céu limpo sobre a cabeça. Passava dias inteiros na praia, mergulhando, nadando, surfando, quer dizer tentando surfar, pois naquela altura era muito difícil encontrar pranchas de surf em Portugal, tentei fazer com vários materiais que conseguia arranjar, mas todas se partiam na minha primeira tentativa de as usar 😖. Acabei a fazer bodysurf, ou como se dizia na época a "correr marulho". Ou a surfar com os pequenos veleiros da escola de vela, acabando muitas vezes por ver-me obrigado a algumas reparações nas embarcações.

Por falar nisso, tinha 12 anos quando pela primeira vez me sentei um barco à vela - um Optimist. Ainda hoje me lembro da sensação de caçar a vela e sentir a "caixa de sabão" a deslizar pela ribeira até ao mar, de esgueirar-me pela praia da Batata, passar pela praia dos Estudantes e contemplar o pôr-do-sol na Ponta da Piedade. Acho que me ficou melhor gravado esse momento do que o do primeiro beijo. 😆


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 26 de junho de 2022

Bring on the night

      23 de Junho de 2022

Isto anda muito musical! O post anterior foi sobre os Pink Floyd, neste momento Confortably Numb está a tocar numa playlist aleatória que começou com Joe Bonamassa+Beth Hart, Beth Hart, Shiva Ree e agora passou para Chris Isaak - outra música monumental - Wicked Game. Está a ser brutal!!!

Na paisagem visual ainda flutua a memória de (mais) um pôr do sol fantástico sobre o Atlântico, aqui, onde o mar é mais azul. Ao que se seguiu (mais) um crepúsculo também fabuloso.

    5 de Maio de 2022

Esta é o momento mais mágico do dia aquele que se estende desde os minutos precedentes ao pôr do sol até à escuridão completa! Foi uma das coisas que mais senti falta nos anos em que estive fora de Portugal, apenas em Roskilde tive um pequeno vislumbre, mas o fjord estendia-se para norte e assim o sol punha-se sobre terra.

Após o fim do dia de trabalho, dirigia-me à margem do fjord e ficava por lá a admirar as nuances do crepúsculo, afogando as saudades do Atlântico e mascarando a solidão, comia um cachorro-quente e voltava para o apartamento com a alma saciada.

    15 de Setembro de 2020

Completei um circulo, dei a volta à Europa, estive praticamente nos seus dos 4 cantos nestes últimos anos, mas faltava sempre algo... Quase que me esquecia: Constanţă, mas aí era o nascer do sol que trazia as melhores paisagens. 

    05 de Outubro de 2019

Mas continuo a preferir o crepúsculo, a luz é diferente, guia-nos para a calma da noite, em especial quando podemos desfrutar desses momentos à varanda, com o vento a acariciar-me o rosto, a saborear o gosto fumado de um copo de Ardebeg, com um Cohiba a completar o quadro olfato/degustativo, a observar o lampejo longínquo do farol, com o som desta bela melodia misturando-se com o canto das gaivotas que regressam aos ninhos depois da pescaria da tarde.

E claro na companhia de quem amamos.



Bring on the Night / I couldn't stand another hour of daylight. 




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 8 de maio de 2022

Sou uma câmara


O sol está quente, uma fresca brisa tempera o clima ao mesmo tempo que desenha pequenas vagas que se transformam em cristas de espuma. A areia quente transmite uma a terna textura dos grãos. 

Agora que a neblina matinal se dissolveu suavemente debaixo dos raios do sol, o piar das gaivotas mistura-se com o murmúrio das ondas que rebolam pela areia e convidam a um mergulho nas suas águas temperadas. 

As poucas pessoas que usufruem deste pequeno paraíso na Terra vão brincando com os seus patutos ou simplesmente passeando pela fina areia, o vento fresco inibe o ímpeto de mergulhar, mas aos poucos vão-se deixando convencer uma após outra.

As ruínas do forte abandonado pela sua obsolescência, continuam firmes e determinadas a resistir à erosão dos anos. Assim como o AMOR, o verdadeiro AMOR, por muitas que sejam as vicissitudes e  os problemas, também ele resiste como este forte à erosão.  

Tal como o forte dá uma pincelada poética na paisagem, o AMOR contagia a vida como um poema romântico, trazendo cor, alegria e prazer mesmo em tempos difíceis e convida-nos a olhar para trás e a pensar: "Valeu a pena".

AMO-TE ANGÉLICA!


Fiquem bem no lado escuro da Lua.








quarta-feira, 4 de maio de 2022

O presente


O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sábia e seriamente o presente.
Buda


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 26 de dezembro de 2021

O Tempo



O tempo parou.
Olho para o ponteiro imóvel
Já não se houve o tic-tac
Apenas o vento assobia.

Caminho descalço sobre a areia
Sinto sua frescura e humidade
As ondas rebentam numa espuma branca
Que rasteja até beijar-me os pés.

Contemplo o céu que se abre sobre mim
As estrelas estão ali, imóveis
Estico o dedo e toco-as
Ou serão elas que me tocam?

Vejo as ondas da sua luz
Que descem sobre mim
Tal como as ondas do mar
Tocam-nos na alma... profundamente.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.





sábado, 4 de março de 2017

Meco


Olha à tua volta, irás ver algo fantástico
Olha à tua volta, vais ficar surpreendido
Olha à tua volta, tira as vendas que usas
Olha à tua volta, liberta a tua mente

Sente os cheiros que envolvem a paisagem
A maresia que é arrastada pelo vento
O odor da areia húmida que se eleva
O cheiro das ervas que se propaga

VIVE!
LIBERTA-TE!
VOA!
MERGULHA!

Todos os dias há um pôr-do-sol
Todos os dias há algo para contemplar
Todos os dias há vida para além dessa vida
Todos os dias o mundo gira sobre si

Deixa-te pairar sobre o mundo
Flutua para além da prisão do dia-a-dia
Foge do quotidiano, essa grilheta da mente
Esquece tudo o que pensas que sabes e VIVE!

Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.



Fiquem bem no lado escuro da Lua.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Lagos

Não nasci aqui. O meu berço foi 15 Km a este, em Portimão; os meus pais "imigraram" tinha eu 1 ano. Mas hoje quando me perguntam "De onde és?" - a minha resposta é: "De Lagos."

Esta é de facto uma cidade muito especial, talvez uma das mais belas do mundo, para mim certamente a mais bela das cidades.

 O rendilhado da costa, as dezenas de pequenas praias, a majestosa meia-praia com os seus 8,5 Km de areia branca e suave, o casario baixo do centro da cidade, as ruas que serpenteiam pelas colinas acima e abaixo.

Lagos tem uma poesia única e inigualável, seja na canícula do Verão ou na chuva de Inverno.
Não é apenas a visão que é seduzida por este paraíso na Terra, o uivo do vento que sopra quase ininterruptamente, entrecortado pelo cantar das gaivotas, com o som das ondas quebrando-se na areia; o cheiro a maresia que invade cada cm2 da cidade; o sabor do sal que se deposita nos nossos lábios e a caricia do vento no rosto e cabelos, preenchem na totalidade os 5 sentidos.
 Desde o nascer ao pôr do Sol, mas também sob a Lua e as estrelas, a luz reflecte-se no mar brincando com as ondas, criando jogos com as sombras, mudando sem cessar a paisagem, fazendo com que cada momento seja único e irrepetível.

O Sol, a Lua, as estrelas e, também, as luzes da cidade, tudo contribui para a atmosfera quase mítica que se vive. 
Por fim há a história, a história dos homens que começou no paleolítico, prosseguiu pelos Celtas, Iberos, Romanos, Visigodos, Árabes, Cristãos...

Atingindo o píncaro no berço dos Descobrimentos, quando uma pequena nação teve a impertinencia de aumentar o mundo, empurrando os limites do fim do mundo para as estrelas.

Hoje tudo isto jaz violado, delapidado por algumas piranhas que sem pudor empurram o Infante para o lado, destroem a calçada que reproduzia as ondas do cabo Bojador, que aterram a mais bela praia do mundo...

Para esses vendilhões do templo, traficantes de cimento, nem mil mortes seriam castigo suficiente.

Mas a poesia continua lá, pedindo Show me the place...

Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.



Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Porto Côvo


A pequena enseada que abriga as frágeis embarcações de pesca formada pelo leito de um rio, rasga a paisagem com um traço azul a cortar o verde dos campos. Lá mais a sul o rochedo negro da ilha do Pessegueiro desafia as ondas que teimam em quebrar-se libertando nuvens espuma. A mesma teimosia que levou os homens a construir o Forte que acabava destruído pelos piratas uma e outra vez.

A beleza fascinante deste local capturou o coração de muitos Homens desde os tempos mais antigos, passeando pelos campos vêm-se vestígios de antigas culturas, Celtas, Romanos, Árabes, Cristãos, Piratas... Uns a seguir aos outros, empurrando-se, misturando-se, uns após os outros apaixonando-se por estas terras e este mar.

Abraçado à mulher que AMO, estas imagens tomaram uma dimensão ainda maior, o sabor do sal nos seus lábios turva-me os sentidos como se estivesse inebriado, o vento embala-nos, os raios de sol pousam suavemente sobre a nossa pele. Não, o nosso AMOR não é um amor ordinário...




Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Azul mágico


São 18:00 de uma tarde de Agosto, uma ligeira brisa vai correndo sobre a água, enrugando-a suavemente, as pequenas ondas vão-se quebrando nas rochas. Está calor, um doce calor típico dos fins de tarde estivais. 

O sol brilha nas rugas do mar, dando-lhe um tom dourado, que contrasta com os rochedos e com o azul. Lá longe, muito longe, vislumbram-se nuvens de algodão pousadas sobre a terra que se perde no horizonte.

Um odor salgado inunda o ar trazido pela brisa onshore, depositando-se nos lábios, na alma, dando sabor a um quadro que trás a banda sonora do vento cantando nos arbustos ressequidos.

Fecho os olhos e recuo 6 anos, até ao dia em que tirei esta foto, todas as emoções e sensações regressam. Uma cor preenche a minha imaginação o AZUL...





Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.



Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O meu mar


És como o mar!
Às vezes calma e terna
Às vezes tempestuosa e agreste
Mas sempre, SEMPRE LINDA

És como o mar!
Embalas-me placidamente,
Bailas, rodopias, inebrias-me,
Enroscas-te e anichas-te em mim

És como o mar!
De uma beleza única, inimitável,
O teu odor preenche-me os sentidos,
O teu sabor adoça-me a vida

És como o mar!
Indomável, forte, poderosa,
Delicada, dedicada, amiga,
Poderosa e frágil

És como o mar!
Sem ti não podia viver,
Sem ti não podia amar,
Sem ti estaria perdido

És como o mar!
Amo-te!
Adoro-te!
Quero-te para sempre!



Fiquem bem no lado escuro da lua.

domingo, 24 de maio de 2015

Fonte da Telha


Balouçando, ao sabor da brisa, acariciado pelos raios de sol desta tarde dominical, contemplo o espelho que se forma na areia molhada e que reflecte a arriba e o céu.

O som do mar, do vento e da música do Café del mar, que toca longínqua num bar da praia. aproxima-se aquela hora mágica em que o sol mergulha nas águas deixando um

Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 17 de maio de 2015

Arrifana


Penhascos negros mergulham no mar azul
Traçando uma linha branca de espuma
Parece tombada das nuvens 
Que pintam de branco um céu azul

Sinto-me livre como uma gaivota
Deixando-se elevar sem esforço
Pairando sobre as ondas... flutuando
Deliciando-se nesta paisagem estival


As casas brancas serpenteiam pela encosta
Ao longo de uma estrada poeirenta 
Que termina abraçando-se ao mar
Numa praia que se estende para sul

Aqui não há pressa, o tempo parou
Para além do suave rumor das ondas
Uma cigarra toca uma melodia estival
A gaivota pousa no molhe cantando 


As pequenas embarcações abraçadas
Descansam da faina ao abrigo do pontão
O pequeno guindaste perfila-se com o farol
Pequenas bóias vermelhas salpicam a paisagem

Continuo à procura da bela Nereida 
Vejo a sua silhueta nas ondas
Sinto o seu sopro no vento
Absorvo o seu perfume na maresia...


terça-feira, 7 de abril de 2015

My Lover's Gone


As nuvens cobrem o céu 
com um abraço 
o Sol brilha entre elas
pincelando-as de rosa.

O vento acaricia as ondas
fazendo soltar uma espuma alva
que ora avança, ora recua,
terna pela areia.

Duas silhuetas brincam
entre latidos e saltos
felizes, molhados 
rebolam na areia.

Sinto-te ao meu lado
mas não estás aqui
estás longe, longe dos olhos
mas mesmo assim perto, perto de mim.

As pegadas na areia afastam-se
terás regressado ao mar?
caminho a teu lado
suspiro pelo teu rosto.



Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Almost like the blues


Sinto-me no mar
suspenso na espuma
preso nas nuvens
pairando no ar

Sou uma gaivota 
voando sobre as ondas
rumo ao céu azul
vogando no vento

Sou a areia
sou o mar
sou as ondas
sou o vento

Entre dois mundos
o mar, a terra
as nuvens, as ondas
os peixes, as gaivotas

Olho para o mar 
vejo o teu rosto
na espuma das ondas
desenha-se o teu corpo

Estou perdido
sigo as estrelas
levado pelo vento
empurrado pelas ondas






Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 5 de abril de 2015

Waterboys

Este é um grupo que me diz muito, a começar pelo nome. Não fosse eu também um rapaz da água.




Um rock alternativo, com o omnipresente violino e com a voz rouca de Mike Scott a dar um toque folk q.b.

Pelo menos venho "afogar" as mágoas, afastado das profundidades tenho andado sem inspiração, nem vontade para escrever. Um vasto conjunto de razões afastou-me do fundo do mar e tem sistematicamente impedido o meu regresso.

O último mergulho foi quase fatídico: resolvi ir sem lentes e tendo o meu computador ficado sem bateria (ou avariado ainda não sei) levei um computador que mal conhecia, sem conseguir ler correctamente os dados confundi o tempo até à descompressão com o manómetro da garrafa.

Estávamos a mais de 30 metros de profundidade e o ar subitamente acabou! Por sorte estava a mergulhar num dos melhores centros do país - a Subnauta - onde os cuidados com a segurança nunca são descurados e o divemaster para além de uma boa reserva de ar também estava atento e por perto.

Esta experiência em alguns dos centros em que já mergulhei (cujos nomes não irei mencionar mas eles sabem quem são) era um acidente de mergulho que tinha tudo para terminar na primeira página de alguns jornais. Com a Subnauta foi apenas um inconveniente e orgulho ferido.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Sagres

Há lugares no mundo que deixam uma marca profunda na nossa alma, Sagres sempre me fascinou, foram inúmeras as vezes que visitei o promontório e o cabo "onde termina o mundo" por terra, só ou acompanhado este sempre foi um local quase místico. Aliás para os povos da antiguidade era mesmo um lugar místico. Os Celtas chamaram-lhe o promontório dos Deuses. Outros povos achavam que era ali que o mundo terminava, era ali que começava o mar das trevas.

O Infante mudou tudo isso, mas a mística ficou agarrada àquelas pedras de forma indelével. Em todo o lado sente-se o peso da história, nas muralhas, nas velhas caraças dos canhões gastas pelos anos e pelo salitre, nas paredes do velho templo, na misteriosa rosa dos ventos, nas furnas que descem até ao mar pelo ventre da terra.

Mais a oeste vislumbra-se o cabo de S. Vicente com o seu farol, o ponto mais a sudoeste da Europa, a ponta do velho Continente que aponta para o Novo Mundo, entre ambos uma enseada com vários recantos e um charmoso Castelo hoje transformado numa unidade turística.

Mas nada do que se vê de terra é mais esmagador que a vista a partir do mar! A primeira vez que admirei esta paisagem a partir do reino de Neptuno, foi a bordo do paquete Funchal. Ainda hoje, passados 35 anos, revejo esse momento com uma claridade cristalina. Estávamos a jantar, pelas janelas comecei a ver desfilar a praia da Bordeira, depois o Castelejo, não esperei mais, saí para o convés e debrucei-me na amurada. Ouvia-se Wagner, os penhascos erguiam-se altivos, deslumbrantes à luz do pôr do sol, o navio aproximou-se tanto como as regras de segurança permitiam, deixando os mais pequenos pormenores ficarem expostos aos meus olhos.

Aos poucos fomos contornando o cabo de São Vicente e dirigindo-nos para Sagres, Wagner continuava a tocar pelas colunas do navio, olhei à minha volta, estava só contemplando a mais bela paisagem que jamais vira.

Dias antes tinha visto um rosto que também havia marcado a minha alma, tinha aparecido e depois perdera-se na multidão que polula nas noites estivais de Lagos. Receei não mais voltar a rever tão marcantes imagens. Fiquei por ali, a   noite caiu fiquei apreciando as luzes do Algarve: Burgau, Luz, Lagos, Alvor, Portimão.

Perguntei-me se voltaria a ver Sagres do mar... e aquele rosto lindo de morrer. Voltei para Lagos procurei-a, não mais a vi.

16 anos depois voltei a cruzar aquelas águas, desta vez no meu pequeno veleiro, voltei a procurar aquele rosto fugidio no meio da multidão. Sagres vista do mar voltou a mostrar-se em todo o seu esplendor num mar estanhado, lá em cima pareceu-me vê-la! Toquei a sirene, abanei freneticamente os braços... Não. não era ela, tenho agora a certeza.

Passaram outros 16 anos, olhando para um quadro de fotos em casa de alguém que conhecera à poucos dias volto a rever aquele rosto fugidio! Aquela cujo o rosto para sempre ficou gravado na minha alma como as imagens daqueles rochedos imponentes.

Redijo estas linhas a seu lado, contemplo o seu rosto sereno e belo. A noite vai adiantada, não tarda estarei abraçado a ela no nosso leito, sonhando com uma viagem a seu lado contemplado aquela paisagem divina uma vez mais.



Tal como as ondas do oceano que acabam rebentando sobre terra, também nós acabamos por encontrar quem amamos profundamente.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.