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quarta-feira, 4 de maio de 2022

O presente


O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sábia e seriamente o presente.
Buda


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 15 de novembro de 2015

O Ódio


Não vou escrever muito, apenas vou pedir emprestadas a voz e as palavras desse grande vulto da música - Leonard Cohen e o lápis de Osama Hajjaj.


Fiquem bem no lado escuro da lua.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Save a Prayer


Vejo e revejo este videoclip vezes sem conta. À beleza da musica, junta-se uma fotografia fantástica, com paisagens deslumbrantes e uma preocupação estética poética.

Conta uma viagem de busca espiritual, que se inicia numa praia do Ceilão, subindo um rio e chegando aos templos budistas do interior. Inicialmente Simon está só, descalço no quarto, dirige-se para a praia, cruza-se com várias pessoas, observa os pescadores, o pôr do sol, as crianças brincando, brinca com elas, é catapultado para o topo de uma montanha de onde desce para encontrar o AMOR - este é um momento de verdadeira inspiração:

And you wanted to dance so I asked you to dance
But fear is in your soul
Some people call it a one night stand but we can call it paradise

Poderia escrever-se um livro inteiro com base naqueles 20 segundos, naquelas 3 simples frases, aquelas 32 palavras, naquele casal que dança apaixonadamente e depois separa-se ela "com medo na alma" volta para a segurança da vida que já conhece, ele prossegue na sua demanda espiritual. A vida continua, está feliz pois sabe que aquela noite fugaz foi como estar no paraíso, foi a antecâmara do Nirvana que por fim encontra. 

Fiquem bem no lado escuro da lua.

sábado, 23 de abril de 2011

Vamos a ver se é desta

Já passou 1 mês desde que iniciei este post. Não tenho tido disponibilidade, nem mental nem de tempo. Agora estou a meio de umas férias e com os serviços encerrados já posso dispor de algum tempo para o lazer. É que sempre que estou no computador tenho trabalho para fazer, tenho alguém que está "encravado" ou os postos de trabalho estão todos ocupados ou há um problema num programa ou há uma alteração urgente... Quando não há nada disto sou eu que acho que determinado procedimento faria mais sentido de outra forma...


Resumindo a minha vida de uma forma mais poética - Estou como o mar, em constante mudança, às vezes calmo, às vezes em completa agitação; às vezes em solidão, às vezes no meio de uma multidão, desde o Verão passado que as mudanças têm sido a única constante na minha vida, no amor, nas amizades, na família, no trabalho e até na aparência.

Nunca passaram tantos meses sem mergulhar. Nunca estive tanto tempo sem me deixar abraçar pelo mar. Talvez aqui resida uma boa parte das responsabilidades por tão longo afastamento. Uma miríade de razões provocou este afastamento, desde logo o aumento logarítmico das responsabilidades no trabalho e consequente aumento das preocupações, estudos e pesquisas; por outro lado decidi aprofundar-me em termos religiosos/filosóficos e tenho-me dedicado profundamente à meditação.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O anel


Depois de altos e baixos, estou de novo feliz, mas tenho de me lembrar sempre daquele conto Budista em que o velho Rei quando está preste a morrer chama o filho e dá-lhe um anel dizendo – Meu filho vais herdar o meu Reino mas toma atenção, este anel, usa-o sempre e quando estiveres nos teus maiores momentos de tragédia ou de glória retira-o e lê a inscrição que tem no interior.

O jovem príncipe tornou-se Rei, passados anos um conflito com o reino vizinho provoca uma guerra e no meio de uma batalha, tendo perdido a maioria dos seus amigos e vendo que a mesma estava praticamente perdida e com ela a guerra ele lembrou-se do anel, retirou-o e leu "Um dia também isto terá um fim". Num volte face o jovem Rei acaba por vencer a batalha e de vitoria em vitoria acaba por vencer a guerra, ao regressar em triunfo, aclamado pelo povo, ele voltou a lembrar-se do anel retirou-o e leu "Um dia também isto terá um fim".


Fiquem Bem!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Pôr-do-Sol



O pôr-do-sol é sempre algo de fascinante, infelizmente agora não posso ir dar um pulinho à praia e contemplá-lo depois de sair do trabalho, resta-me pois os fins-de-semana. Estava a entrar no barco e vi como estava bonito o céu, com os tons rosa e azul típicos desta hora do dia, ocorreu-me olhar à volta e ver a reacção das outras pessoas, ninguém estava prestando atenção, atrasei o passo na esperança de ver alguém a olhar para ele, mas nada ninguém pára para ver o pôr-do-sol. E este estava particularmente exuberante.

Lê-se o jornal ou a Caras, olha-se para o chão ou para o relógio, brinca-se com telemóvel, mas para olhar para aquilo que é belo, para saborear a vida ninguém parece ter tempo. O Dalai Lama diz que a humanidade vive como se nunca morresse e morre como se nunca tivesse vivido. Mais uma vez encontro uma profunda sabedoria nas palavras de Sua Santidade.

Longe de criticar ou de me achar superior, sinto compaixão por todos os que atravessam a sua existência sem viverem. Muitos têm perfeita noção disto, outros acham que uma existência carregada de materialismos, passada a correr para ganhar mais e mais chama-se vida, é destes que sinto maior compaixão, pois sentirão uma enorme dor quando tiverem de abandonar este mundo.


Fiquem Bem!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Meditação


pensamentos em 09-10-2007 8:36
Ontem o vento estava forte quando sai do barco, vinha de conversa com uma colega e não me apercebi, depois quando nos separamos dei por ele. Aproximei-me do molhe e senti-o com vigor a massajar-me a face, estive ali parado durante minutos apenas sentindo-o, ouvindo-o a cantar, sentindo o seu cheiro salgado. Às vezes interrogo-me como as coisas mais simples podem ser as mais belas.
Sempre adorei o vento, talvez por ter vivido em Lagos, talvez por qualquer desequilíbrio energético. O certo é que gosto de o sentir, dá-me um prazer incrível passear ao vento. Recordei-me de um passeio na praia, ao pôr-do-sol, aliás não era assim tão diferente, ali ao pé rebentavam pequenas ondas, o cheiro a maresia pairava no ar e o sol punha-se pintando as esparsas nuvens de um tom rosa choque.
Nem um pensamento abordou a minha consciência, só o prazer transmitido pelos sentidos. Respirei aquele ar salgado profundamente e senti-o a penetrar nos pulmões e a misturar-se no sangue, tomando o lugar do CO2 que acabei por expulsar no fim do ciclo da respiração. A minha mente, apesar de cansada após um dia longo de trabalho, ficou mais fresca, mais desperta. Porém uma pequena dor no pescoço, que tinha começado a manifestar-se ainda no trabalho, teimava a estar lá, no entanto não me incomodava, apaguei-a do meu consciente, aliás apaguei o meu consciente e continuei ali a ouvir e a sentir o vento.
Ao fim e ao cabo trata-se de uma espécie de meditação. Para mim meditar é sempre uma experiência libertadora, às vezes esqueço-me, não tenho tempo ou estou demasiado cansado. Como já referi a vida actual é uma correria, estamos sempre à pressa, sempre contra-relógio. Muitas vezes não temos tempo para aquilo que é de facto importante – VIVER. O acto de meditar faz parte da vida, ajuda-nos a acalmar a mente, tal como o dormir, meditar é fundamental para o nosso equilíbrio mental, talvez por ser tão menosprezada hoje em dia é que estamos a viver numa sociedade cada vez mais esquizofrénica.
Meditar não tem nada de esotérico, lembro-me de uma conversa com o director comercial da Ameritec para a Europa há uns anos atrás. Ele provinha de famílias tradicionais inglesas e contou-nos a respeito de um vinho do Porto que lhe recordava a sua juventude, que se lembrava claramente do pai sentado à lareira a fumar um "Romeo e Julieta" e a beber um cálice desse vinho. Ele ficava ali em silêncio observando as labaredas, enquanto bebia e fumava. Isto é uma forma de meditar. Já escrevi aqui que um dia estava só na praia e resolvi meditar enquanto tentava sincronizar a minha respiração com as ondas. É preciso descobrir o nosso ritmo nos muitos que o Oceano tem, mas a recompensa é muito gratificante.
Claro que com toda esta loucura que se vive hoje em dia é muito complicado parar para não pensar, os problemas assolam-nos, é a taxa do crédito à habitação que não pára de subir e nos sufoca, é a situação no trabalho que está cada vez mais precária e desumanizada, é o custo de vida que não pára de subir acima dos salários. Todos temos muito graves motivos para andar sempre com a mente ocupada. Mas apesar disso, ou talvez mesmo por causa disso, devemos arranjar um momento para nos descontrairmos, para atirar para trás das costas todos os problemas. Tenho de confessar que até sou um privilegiado vivo ao pé do mar e da mata, para além disso tenho uma forte aliada – a música, seja o David Gilmour, os Pink Floyd, os Tangerine Dream, o Vangelis ou simplesmente a música do vento ou das ondas.
Às vezes é o q.b. escutar serenamente a música do vento ou o ritmo das ondas, tão menosprezados e no entanto tão belos. Fico a pensar que a nossa sociedade só dá valor a tudo aquilo que é pago, quantas pessoas vemos parar para admirar um pôr-do-sol? Se calhar se aparece-se uma marca a patrociná-los e começa-se a cobrar para os vermos, as audiências iriam subir.


Fiquem Bem!