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terça-feira, 8 de abril de 2025

No Lado Escuro da Lua



Foi publicado hoje o meu primeiro livro de ficção.

A história "No Lado Escuro da Lua" passa-se num presente alternativo, segue a vida de Filipe, um homem de 60 anos, apaixonado pelo mar, que imigrou para Roskilde. A narrativa começa com Filipe recebendo uma carta anónima que promete revelar segredos sombrios sobre o passado de sua família. Ao longo do livro vai-se descobrindo que ele não foi um informático durante toda a vida, o seu passado esconde muitas coisas, até dele próprio.

A carta misteriosa leva Filipe a recordar momentos dolorosos de sua vida, incluindo a morte de seu pai e a traição de sua mãe e irmã. A viagem que Filipe começa para tentar descobrir mais sobre a carta e os segredos que ela promete revelar leva-o a Bran, na Roménia, passa por Gdansk na Polónia, atravessa a Europa de Norte a Sul até Lagos, sua terra natal, passa ainda pela Cornualha e por Stonehenge e termina na ilha escocesa de Islay.

Filipe é acompanhado por Birgit, uma amiga próxima e ex-hacker, e Isabela, a nova namorada de Birgit. Juntos, eles enfrentam desafios e mistérios enquanto tentam desvendar os segredos da carta, rapidamente formam um triangulo amoroso que os leva a descobrir emoções inesperadas. A história é rica em detalhes sobre os personagens, suas relações e as paisagens que eles encontram ao longo da jornada.

Numa mistura de realidade e fantasia e onde o real e o fantástico se interligam, passado, presente e futuro conjugam-se no mesmo instante temporal. Sendo por vezes mesmo premonitório com apontamentos metafóricos sobre a realidade e sobre as emoções vemos coragem, paixão, amizade e solidariedade contraporem-se a ódio, rancor, ganância e maldade.

Este livro é uma mistura de guerra, suspense, drama e romance, com uma trama que mantém o leitor envolvido até o final.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 26 de janeiro de 2025

Ao Longe o Mar



Já está à venda o meu 3º Livro - Ao Longe o Mar.

Um conjunto de histórias, poemas e fotos com o Mar (ou a sua ausência) em pano de fundo. 

Este meu terceiro livro, revelou-se um “parto” difícil, já que pouco depois do início deste projecto saí da instituição onde trabalhei durante 21 anos e tive a necessidade de dar um novo rumo à minha carreira que me levou a atravessar a Europa, diferentes projectos em diferentes países foi demasiada agitação retirando-me inspiração e tempo. Só quando regressei a Portugal e à beira-mar a inspiração regressou juntamente com a maresia a invadir-me os pulmões.

Esta viagem começa na minha terra natal – Portimão onde vivi apenas nos meus primeiros meses de vida, mas que nos anos que se seguiram visitava frequentemente, passa por Lagos - onde cresci e de onde tenho algumas das minhas melhores e piores memórias e vou desenhando a viagem até Lisboa – onde residi o maior período da minha vida, subindo até à Covilhã – onde nasceu o Amor da minha vida, depois uma incursão pelo Mediterrâneo e finalmente a volta à Europa, passando por Lille, Bucareste, Constanța, Brasov, Copenhaga, Varsóvia, Gdansk e Roskilde, regressando por fim a Portugal, mais propriamente à Ericeira e depois a Espinho. O desenho no mapa revela 11.000Km mas por uma questão de simplificação apenas desenhei uma linha continua, não respeitando a linha do tempo.

Está em 3 formatos: capa dura, capa mole e Kindle e em 2 línguas: Português e Francês, a versão em inglês irá sair mais tarde.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Europe Endless

Os tambores da guerra soam cada vez mais alto. Mas estamos surdos, acomodados a uma ideia com 80 anos de que a guerra nunca mais atingiria a Europa. 
No entanto ela está aí,  a Rússia invade a Ucrânia,  os actos de sabotagem contra a Europa vão se multiplicando. 

Se olharmos para trás vemos as semelhanças com 1938, sistematizando: 

1938 Hitler invade os sudetas com o argumento que a população alemã é perseguida e discriminada.

2014 Putin invade a Crimeia com o argumento que a população russa é perseguida e discriminada. 

1939 Hitler toma o resto da Checoslováquia porque... coiso.

2022 Putin ataca a Ucrânia porque... coiso.

1938 Hitler anexa a Áustria sem disparar um tiro. 

2000 Putin reforça o controlo da Bielorrússia com um palhaço como presidente. 

O resto do que se passou no séc. XX já sabemos, falta saber o que se vai passar daqui para a frente. 

Ok, a Ucrânia não caiu, pois foi um erro de cálculo, nem Putin nem ninguém esperava que Zelinsky, um comediante eleito presidente, tivesse tanta fibra e tanto carisma. Também não era espectável que o povo ucraniano resistisse de forma tão aguerrida. 

Putin também não contava que o seu amigo Trump perdesse as eleições, o que adiou em 4 anos os seus planos. 

Putin, tal como Hitler tinha feito 80 anos antes, afirma que as suas pretenções territoriais eram apenas a Crimeia, Donbass e Donetsk, e hoje já juntou Kerson e ... Tenho a certeza que irá acrescentando territórios enquanto lhe deixarem até atingir o desígnio da mãe Rússia - estender-se de Vladivostok até Lisboa! Não! Não estou a inventar ainda não há muitos meses o seu n2, fazia essa afirmação literalmente. 

Os astros voltam a alinhar-se para putin, Trump ganha as eleições nos EUA, a extrema direita assoma-se na Alemanha e em França, já se instalou na Hungria e na Eslováquia pode bem juntar Romênia ao grupo. Aqui no burgo já são a terceira força política.

Por falar nos Cheganos, aquela cáfila mente descaradamente, se um dia chegarem ao poder rapidamente passariam a ser os amigos do Putin. 

Deixo aqui a música dos Kraftwerk - Europe Endless, que termina assim 


Elegance and decadence, Europe Endless

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 27 de outubro de 2024

Regatta de Blanc


Músicas: Regatta de Blanc – The Police; Mysterious Ways - U2

 


Imponente, a Catedral de Palma de Maiorca, domina as vistas. A altura das suas torres, as mais altas de Espanha, desafiam o facto de estarmos numa ilha.

Por todo o lado há alguém a tentar vender algo, quadros, malas, sapatos, recuerdos… também há artistas de rua, que fazem pinturas, performances, homens/mulheres estátuas e o estranho casal que levita numa armação bem disfarçada. Houve-se uma viola tocando o concerto de Aranjuez, o sol é abrasador, apesar dos jactos de água que caem no lago que fica no sopé da catedral o calor torna-se pesado enquanto o sol procura a sua posição mais alta, como que para ver melhor todo o esplendor que se estende por baixo.

Uma brisa levanta-se, embala as folhas das palmeiras que alegres fazem coro aos acordes da viola do virtuoso artista de rua que a dedilha alegremente.

Ao virar de uma esquina os olhos preparam-se para abraçar o mar, quando uma figura enigmática rompe a paisagem chamando a si as atenções.

Agarrando a larga borda azul do chapéu que o vento tenta em vão retirar para descobrir o seu rosto sereno, deixando o alvo vestido ondular ao sabor deste, ora mostrando ora ocultando as suas formas perfeitas. Pequenas rendas orlam as extermidades das curtas mangas, como se brancos lírios lhe ornamentassem os braços firmes e maduros.

Olha fixamente para o Mar, não se deixando distrair com as mundanas figuras que cruzam a rua.  Por momentos o tempo pára, tudo fica estático, congelado. Apenas ela continua a mover-se naquela forma misteriosa, ondulando como o vento, provocando um pesado suspiro de paixão.

O roxo das Buganvílias contrasta com o verde e o amarelo dominantes, traçando um friso colorido no topo do muro desta casa com singelas varandas e venezianas verdes.

As palmeiras omnipresentes compõem a moldura muito acima das luminárias que quase passam despercebidas. Ali numa muito camuflada esquina uma cascata de belas flores azuis vai descendo pela trepadeira que cobre por completo o muro que delimita a propriedade e dá suporte ao socalco que aplainou o espaço onde esta moradia se ergue.

O calor continua opressor, pesado e húmido, convidando a uma paragem para refrescar.


 Que melhor local para fugir à canícula que a Plaça de la Feixina, com os seus lagos e cascatas, sempre com a água correndo, mergulhando aqui e ali debaixo das pedras do passeio, para surgir uns metros à frente mais fresca.

As amplas sombras do arvoredo auxiliam no arrefecimento, enquanto acenam para a água embaladas pela aragem que atravessa a ilha de norte para sul.

Convidando a uma paragem para descansar as pernas e arrefecer os músculos enquanto se contempla o escoar do tempo na sombra do relógio de sol, ali instalado numa das faces de pirâmide de pedra, noutra surge um enigmático relógio de lua, com a sua tabela de legenda e descodificação.

Os muros do castelo opõem-se à linha das palmeiras deixando no seu regaço um largo passeio de pedra.

Ali surge novamente a bela silhueta alva, agora dança, alegre, feliz, deslumbrante. Rodopia de braços abertos abraçando o vento numa valsa ensurdecedora de silencio. Baila com o calor e com as gotas de humidade que pairam pelo ar arrastadas desde as cascadas pela suave brisa estival.

Continua misteriosa a forma como se move, como dança, como caminha. A harmonia instala-se, todo o quadro ganha uma formosura singular, até a catedral estica as suas torres por entre as palmeiras para observar este pitoresco panorama em movimento, esta poesia silenciosa e serena.

Abraço a beleza do quadro e regresso ao navio, sou um marinheiro, um homem do mar, apaixonado pela doce silhueta alva que misteriosamente se movimentava, ora caminhando, ora dançando.

Contemplo a linha do casario que se estende entre as verdes colinas e o azul do mar, a multitude de embarcações que descansam na grande marina, os paquetes luxuosos que preparam a partida para o alto mar.

Tudo parece pacífico, sereno, nem o vento se sente agora.

Sinto uns braços a me envolver, um doce perfume invade-me as narinas e o doce som de uma voz faz-me estremecer.

Lentamente viro-me, perante mim está a delicada figura alva com que me cruzei uma e outra vez durante o dia.

A noite caiu, não sentimos o sol esgueirar-se sob as ondas distantes, inebriados pelo tão inesperado como anunciado encontro. Os nossos olhares não se desviaram durante as longas horas em que o glorioso astro atravessou os céus.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quarta-feira, 1 de março de 2023

The Dark Side of the Moon



50 anos! Porra! Estou velho!

Hoje melguei a paciência a toda a gente com esta efeméride! Salvo raras e honrosas excepções, a esmagadora maioria dos meus amigos não eram nascidos quando este álbum foi lançado, curiosamente um dos mais novos foi o primeiro a concordar comigo que este é o melhor álbum de todos os tempos.

De facto os anos parecem não afetar a música nem os textos, hoje ainda faz sentido quase tudo o que é cantado e a harmonia musical está longe de ser datada.

Tinha quase 10 anos quando este disco foi lançado, ao ouvi-lo fiquei apaixonado e pedi à minha mãe que o comprasse, ela foi à loja e ouviu, agarrou-me por uma orelha e arrastou-me de lá para fora a dizer que nunca me compraria este disco porque era muito subversivo. (Bem, o que ela disse mesmo é que era música de drogados😆).

Poucos dias depois o meu pai veio oferecer-me às escondidas - Vê lá, não o ouças quando ela estiver em casa!

Ainda hoje fico arrepiado cada vez que o ouço, acho que nenhum outro disco me consegue trazer tantas emoções, os sublimes acordes da viola de David Gilmour, a perfeita harmonia entre a bateria de Nick Manson e a viola baixo de Roger Waters tudo temperado com os teclados do Richard Wright, se existe algo perfeito neste planeta é definitivamente este disco.




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Abbey Road



Este sempre foi um dos meus álbuns favoritos. Melodias como Here comes the Sun, Come Togheter ou Something encheram desde a minha pré-adolescência o meu universo musical. Hoje estava a ler um texto da AnaMar e de repente este álbum saltou-me das memórias e uma vontade imperiosa de o ouvir apoderou-se de mim.

Tantas coisas que deixamos para trás na vida, mas a música é daquelas que sabe sempre bem ir rebuscar. 

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 26 de junho de 2022

Bring on the night

      23 de Junho de 2022

Isto anda muito musical! O post anterior foi sobre os Pink Floyd, neste momento Confortably Numb está a tocar numa playlist aleatória que começou com Joe Bonamassa+Beth Hart, Beth Hart, Shiva Ree e agora passou para Chris Isaak - outra música monumental - Wicked Game. Está a ser brutal!!!

Na paisagem visual ainda flutua a memória de (mais) um pôr do sol fantástico sobre o Atlântico, aqui, onde o mar é mais azul. Ao que se seguiu (mais) um crepúsculo também fabuloso.

    5 de Maio de 2022

Esta é o momento mais mágico do dia aquele que se estende desde os minutos precedentes ao pôr do sol até à escuridão completa! Foi uma das coisas que mais senti falta nos anos em que estive fora de Portugal, apenas em Roskilde tive um pequeno vislumbre, mas o fjord estendia-se para norte e assim o sol punha-se sobre terra.

Após o fim do dia de trabalho, dirigia-me à margem do fjord e ficava por lá a admirar as nuances do crepúsculo, afogando as saudades do Atlântico e mascarando a solidão, comia um cachorro-quente e voltava para o apartamento com a alma saciada.

    15 de Setembro de 2020

Completei um circulo, dei a volta à Europa, estive praticamente nos seus dos 4 cantos nestes últimos anos, mas faltava sempre algo... Quase que me esquecia: Constanţă, mas aí era o nascer do sol que trazia as melhores paisagens. 

    05 de Outubro de 2019

Mas continuo a preferir o crepúsculo, a luz é diferente, guia-nos para a calma da noite, em especial quando podemos desfrutar desses momentos à varanda, com o vento a acariciar-me o rosto, a saborear o gosto fumado de um copo de Ardebeg, com um Cohiba a completar o quadro olfato/degustativo, a observar o lampejo longínquo do farol, com o som desta bela melodia misturando-se com o canto das gaivotas que regressam aos ninhos depois da pescaria da tarde.

E claro na companhia de quem amamos.



Bring on the Night / I couldn't stand another hour of daylight. 




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Delicate sound of Thunder

Tenho estado a assistir ao video Delicate Sound of Thunder! Hoje tinha trazido o PC para escrever algo aqui, mas perdi-me a ouvir os mágicos Pink Floyd.

Por acaso até tinha presenciado um crepúsculo lindíssimo, com uma luz perfeita, ondas e a luz dum barco no horizonte. 

Mas... Wish You Where Here, The Great Gig in the Sky, Breathe, etc captaram a minha atenção.


 

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

I'll Take Care of You



Como habitualmente andava deambulando pelas ruas de Lille após o jantar, de repente uma voz poderosa irrompe pelos auscultadores em desafio com uma guitarra tocada com uma mestria rara! 


I'll Take Care of You cantava a na altura a por mim desconhecida Beth Hart, a seguir entrava um monumental solo de viola de outro ilustre desconhecido Joe Bonamassa. Rapidamente se tornaram os meus fieis companheiros de passeio nocturno.


Foi um período intenso, pela primeira vez estava a viver fora de Portugal, pela primeira vez tinha reuniões de trabalho numa língua que não a de Camões, pela primeira vez vivia isolado a muitas centenas de quilómetros de alguém que conhecesse, pela primeira vez contactava intimamente com outra cultura. Também no aspecto musical era uma primeira vez.

Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 8 de maio de 2022

Sou uma câmara


O sol está quente, uma fresca brisa tempera o clima ao mesmo tempo que desenha pequenas vagas que se transformam em cristas de espuma. A areia quente transmite uma a terna textura dos grãos. 

Agora que a neblina matinal se dissolveu suavemente debaixo dos raios do sol, o piar das gaivotas mistura-se com o murmúrio das ondas que rebolam pela areia e convidam a um mergulho nas suas águas temperadas. 

As poucas pessoas que usufruem deste pequeno paraíso na Terra vão brincando com os seus patutos ou simplesmente passeando pela fina areia, o vento fresco inibe o ímpeto de mergulhar, mas aos poucos vão-se deixando convencer uma após outra.

As ruínas do forte abandonado pela sua obsolescência, continuam firmes e determinadas a resistir à erosão dos anos. Assim como o AMOR, o verdadeiro AMOR, por muitas que sejam as vicissitudes e  os problemas, também ele resiste como este forte à erosão.  

Tal como o forte dá uma pincelada poética na paisagem, o AMOR contagia a vida como um poema romântico, trazendo cor, alegria e prazer mesmo em tempos difíceis e convida-nos a olhar para trás e a pensar: "Valeu a pena".

AMO-TE ANGÉLICA!


Fiquem bem no lado escuro da Lua.








quinta-feira, 15 de abril de 2021

The Fog


Like ghosts coming out from the fog, the giants and majestic buildings irromps in the skyline gathering the attention from everybody who are contemplating.

The silence imposes himself over the normal sounds of the city, in a moment everything disappears, only these giants remains there, still, quiet.

But, suddenly, they start moving, they start dancing. A music start to play, firstly low, almost imperceptibly, but slowly get louder and louder.

Now we can distinguish the piano echoing by the square, the sad and at the same time joyful chords of the music combine in harmony with the old and new mixture of architecture.

In a breach of the fog a figure appears playing the keyboard while floating in the gentle breeze, his passion is moving his fingers over the keys.

The music follows the wind, now slowly... now speedy, one time high... other time low, majestic and romantic, she mix with the fog and echoes endlessly.

The love, the same love who make this man to state that his heart should stay forever in the city he loved, the LOVE is everywhere dissolved in the fog. 
 

Stay well on the Dark Side Of The Moon.



This was my first poem written in english, and his dedicated to my beautiful and dear wife

sábado, 19 de dezembro de 2020

Ao Longe o Mar - Madredeus


Não sei bem porquê, mas hoje lembrei-me de Pedro Ayres de Magalhães, um dos melhores músicos portugueses de sempre, embora não sendo por isso suficientemente reconhecido.

Desde o projecto dos Heróis do Mar, pelo qual quase que foi crucificado, até ao amplamente aplaudido Madredeus, sempre admirei a sua música, simplesmente maravilhosa.

Fiquem bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

I'll take care of you

Comecei a ouvir esta música e como sempre fiquei hipnotizado. A voz poderosa de Beth Hart e a mestria de Joe Bonamassa na viola, pontificam nesta belíssima melodia.

Sem mais comentários





Fiquem bem no lado escuro da Lua.

terça-feira, 3 de maio de 2016

China

De novo sentado no canto da aparelhagem com os auscultadores, de novo aquele programa fantástico... Começo por ouvir um trovejar, depois relâmpagos saltam de um ouvido para o outro, começam a soar uns acordes pesados com forte influência oriental e por fim om gongo. Bruscamente a música abranda e acalma... depois surge uma melodia, uma das mais belas que jamais tinha ouvido, o tom apoteótico vai crescendo até ao fim da música.

Começa assim Chung Kuo, a primeira música do album China de Vangelis, outra das apresentações daquele maravilhoso programa que falei no post anterior. Sem interrupção segue-se The Long March um solo de piano espectacular, The Dragon traz-nos uma sonoridade mais oriental, quase dá para imaginarmos a dança do dragão nas ruas de Xangai ou Pequim, os ritmos das músicas vão se encadeando ora mais rápidos ora mais lentos, ora mais Yang ora mais Yin, The Plum Blossom combina na perfeição um violino com cores sonoras vindas da China. The Tao of Love introduz-nos uma Pipa (guitarra típica chinesa), sempre na companhia dos sintetizadores, The little Fete inicia com uma flauta, e conta-nos uma história chinesa numa voz com forte pronúncia.

Yin and Yang aqui a sonoridade é definitiva e inequivocamente oriental, só após alguns minutos os sintetizadores repartem o protagonismo. Ao ouvir a envolvência sonora de Himalaya transmite-nos a sensação de neve, grandiosidade e enigma, juro que consigo-me imaginar lá nos Himalaias sempre que ouço esta música. Summit conduz-nos ao pico, dali conseguimos contemplar o mundo, ali o tempo pára, lá em baixo as nuvens deslizam placidamente.

Foi o meu primeiro contacto com a cultura oriental, embora pela mão de um grego, um contacto que acabou por ser decisivo no resto da minha vida influenciando a minha maneira de ser e ver o mundo, a minha religião, a minha filosofia. Ao longo dos anos fui-me embrenhando cada vez mais a Oriente estudei medicina tradicional chinesa, pratiquei Yoga e Tai Chi, segui a filosofia do Tao Te Ching e do I Ching, para além de seguir os ensinamentos Budistas.

Acho que tal como no disco China, também acabei por mesclar o Ocidente e o Oriente, absorvendo e misturando ideias e conceitos. Daí essa obra ter tido uma importância capital no desenvolvimento da pessoa que sou hoje.

Há momentos que mudam por completo a vida de uma pessoa, não imediatamente, mas tal como uma semente que cai na terra e fica ali dormente, desenvolvendo-se lentamente até desabrochar vindo a tornar-se numa árvore majestosa.

E ainda não me consegui lembrar do nome do program de rádio...

Fiquem bem no lado escuro da lua.





segunda-feira, 21 de março de 2016

O Sonho da Tangerina


Era uma noite de Março ou Abril de 1979, como era habitual enquanto a restante família ficava a ver o programa da noite do 1º Canal da RTP (o único canal que se conseguia ver em Lagos nessa altura), eu estava sentado num canto da sala, junto à aparelhagem AIWA, tinha recebido como prenda de aniversário uns auscultadores e as minhas soirés eram passadas a ouvir a rádio - A rádio comercial FM estéreo.

À noite passava um programa (não me recordo o nome) onde tocavam discos na integra, quase sempre de Rock Progressivo, que não perdia por nada. Naquela noite o locutor anunciou o álbum Force Majeure dos Tangerine Dream.

Os acordes iniciais fantasmagóricos captaram-me imediatamente a atenção, bips cortavam um fundo musical denso, pesado, todo à base de sintetizadores, que deambulava de um ouvido para o outro... uma viola baixo ressoa compassadamente, depois um piano faz-se ouvir e a melodia explode numa cascata de sintetizadores, sequencers que vão alternado ritmos, com uma viola eléctrica e depois duas a desenhar acordes surreais.

Fiquei em êxtase, a música atinge novo andamento agora as violas, fazem a base para um sintetizador lançar-nos como que numa corrida, faz-se ouvir uma bateria, a música acelera até um anticlimax cortado pelo som de um comboio - pouca terra, pouca terra. Entramos numa espécie de ciclone sonoro, o vento sopra acompanhando a viola eléctrica.

Um gongo marca novo andamento, com um sintetizador que lembra as gotas de água de uma chuva primaveril, preparando a entrada para a parte mais mística e melodiosa da música, apenas com sintetizadores somos embalados até um novo andamento, mais mecânico, mais opressivo, mas igualmente belo, que nos catapulta para um final pesado.

Estava esmagado pela primeira música, depois uma viola acústica sobrepõe-se a um sintetizador marcando os primeiros acordes de Cloudburst Flight transitando para um sintetizador que nos eleva para além das nuvens, começando uma viagem vertiginosa por um universo musical como transportados por um foguetão lunar. A viola eléctrica amplifica a sensação de uma tempestade contra a qual chocamos à velocidade do som.

Thru Metamorphic Rocks, rodopiamos num remoinho que nos puxa inexoravelmente para o fundo de um oceano de sons. De repente o sol rompe no meio das nuvens transportado por uma viola, estamos de volta à superfície, exaustos, contemplamos o céu, quando de repente aparecem nuvens escuras! Relâmpagos riscam os céus, os mares agitam-se, as ondas começam a rebentar à nossa volta, ouvem-se trombetas, o oceano de som continua agitado, sentimos a força das pesadas ondas de som que explodem contra nós, fantasmas gemem à nossa volta, a tormenta continua mais pesada, mais pesada ainda, os gemidos aumentam de intensidade.

Estamos exaustos mas não conseguimos desligar, a música está no clímax, a qualquer momento parece que a nau onde enfrentamos a fúria desta tempestade musical vai desintegrar-se, por fim afasta-se... lentamente afasta-se deixando-nos respirar... por fim o silêncio, um longo silêncio de 5 segundos que parecem anos...

As memórias terminam aqui, apenas mais uma, no dia seguinte na loja Disco de Ouro - aguardo com ansiedade que o pai da Marisa me traga o vinil, nem peço para ouvir como sempre fazia. Agarro-o firmemente e corro para casa. Durante dias ouvi-o e voltei a ouvi-lo. Ainda hoje sinto um arrepio e termino a sua audição quase exausto.

Fiquem bem no lado escuro da lua.





quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

10.000 anos depois entre Vénus e Marte


Rebuscando no baú, venho a verificar que cometi um verdadeiro pecado. Ainda não me referi a este magnífico álbum, como sou um pouco presunçoso, chamo-lhe o melhor que já foi feito em Portugal.

Pouca gente imagina José Cid a tocar Rock Progressivo, a "atacar" os sintetizadores como poucos, ouvir nas suas músicas longos solos de viola eléctrica, letras de ficção cientifica e vê-lo associado a Mike Sergent não tão é improvável como com Ramon Galarza e Zé Nabo. No entanto em 1978 editou um disco com todos estes ingredientes - 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte.

José Cid, um dos músicos com a carreira mais extensa em Portugal, aparece normalmente ligado à música popular, sendo este álbum um exemplar, e que exemplar, único. A revista americana Billboard coloca-o nos 100 melhores álbuns de sempre do género. Aliás este disco passou algo despercebido em Portugal, enquanto além fronteiras obteve um sucesso e um reconhecimento ímpares na nossa música até mesmo nos dias de hoje.

Antecessor da explosão do Rock Português, foi contemporâneo dos Tantra, uma banda de Rock Progressivo portuguesa apenas conhecida por franjas minoritárias de jovens desalinhados com o main stream; um e outro acabariam por eclipsar-se na espuma de Xico Fininho e de Cavalos de Corrida.

10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte é uma Ópera Rock que conta uma história de ficção cientifica: o planeta Terra está em colapso, moribundo, levado à destruição pelos Homens, o ar fica irrespirável e o Sol invisível entre a bruma da poluição. É o caos, a humanidade morre, as cidades tornam-se em valas comuns. A esperança desapareceu, o futuro morre na apatia dos homens. No meio deste caos um casal foge para o espaço, percorrem uma longa viagem entre planetas maravilhosos e 10.000 anos depois regressam à Terra para começar do zero.

Se recuarmos a 1978 o tema poluição não estava entre as prioridades da humanidade, hoje na esteira da conferência de Paris sobre o ambiente e das alterações climáticas, esta história não poderia ser mais actual. Até neste ponto 10.000 Anos é inovador e desconcertante, como é que um músico que cantava "A Rosa que te Dei" vem-nos contar uma história tão futurista e mostrar-nos uma visão de um holocausto, com um suporte musical arrojado?

Uma última palavra para o grafismo do disco, também ele inovador, naif q.b. e que transformava a capa do disco num livro cujo texto era, nem mais nem menos, as letras das músicas.



Fiquem bem no lado escuro da lua.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Save a Prayer


Vejo e revejo este videoclip vezes sem conta. À beleza da musica, junta-se uma fotografia fantástica, com paisagens deslumbrantes e uma preocupação estética poética.

Conta uma viagem de busca espiritual, que se inicia numa praia do Ceilão, subindo um rio e chegando aos templos budistas do interior. Inicialmente Simon está só, descalço no quarto, dirige-se para a praia, cruza-se com várias pessoas, observa os pescadores, o pôr do sol, as crianças brincando, brinca com elas, é catapultado para o topo de uma montanha de onde desce para encontrar o AMOR - este é um momento de verdadeira inspiração:

And you wanted to dance so I asked you to dance
But fear is in your soul
Some people call it a one night stand but we can call it paradise

Poderia escrever-se um livro inteiro com base naqueles 20 segundos, naquelas 3 simples frases, aquelas 32 palavras, naquele casal que dança apaixonadamente e depois separa-se ela "com medo na alma" volta para a segurança da vida que já conhece, ele prossegue na sua demanda espiritual. A vida continua, está feliz pois sabe que aquela noite fugaz foi como estar no paraíso, foi a antecâmara do Nirvana que por fim encontra. 

Fiquem bem no lado escuro da lua.

domingo, 5 de abril de 2015

Waterboys

Este é um grupo que me diz muito, a começar pelo nome. Não fosse eu também um rapaz da água.




Um rock alternativo, com o omnipresente violino e com a voz rouca de Mike Scott a dar um toque folk q.b.

Pelo menos venho "afogar" as mágoas, afastado das profundidades tenho andado sem inspiração, nem vontade para escrever. Um vasto conjunto de razões afastou-me do fundo do mar e tem sistematicamente impedido o meu regresso.

O último mergulho foi quase fatídico: resolvi ir sem lentes e tendo o meu computador ficado sem bateria (ou avariado ainda não sei) levei um computador que mal conhecia, sem conseguir ler correctamente os dados confundi o tempo até à descompressão com o manómetro da garrafa.

Estávamos a mais de 30 metros de profundidade e o ar subitamente acabou! Por sorte estava a mergulhar num dos melhores centros do país - a Subnauta - onde os cuidados com a segurança nunca são descurados e o divemaster para além de uma boa reserva de ar também estava atento e por perto.

Esta experiência em alguns dos centros em que já mergulhei (cujos nomes não irei mencionar mas eles sabem quem são) era um acidente de mergulho que tinha tudo para terminar na primeira página de alguns jornais. Com a Subnauta foi apenas um inconveniente e orgulho ferido.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

domingo, 7 de junho de 2009

Frankie goes to Hollywood


Hoje deu-me uma onda nostálgica e fui tirar esta do baú!

Já agora alterei a Playlist, farto de andar a aturar tretas como a de reduzir as músicas a trechos de 30 seg. tratei do assunto pelas minhas mãos.

Espero que gostem, em relação à playlist deixo um link e podem ir lá ouvi-la na integra.

Más notícias para quem usa o Firefox (como eu), só dá para ouvir uma coisa. a música ou o mar.




Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Remember that Night


Estou assim como que anestesiado. Coloquei o DVD "Remeber that Night" - o sublime concerto de David Gilmour no Royal Albert Hall - e aqueles sons levaram-me para muito longe daqui. É com algum esforço que escrevo estas linhas, vou interrompendo a escrita durante a música e retomando-a enquanto duram os aplausos.



Queria agradecer à Keila pelo selinho que orgulhosamente e, peço desculpa, tardiamente mostro. Em relação a repassar, dedico-o a todos os que me visitam regularmente.

Outra situação que me encheu de orgulho foi ter sido informado que fazia parte da lista de amigos de David Gilmour no IMEEM! Mais orgulhoso fiquei quando descobri que essa lista continha apenas 60 (sessenta) nomes. Nem podem imaginar o efeito, sinto-me como se tivesse sido tocado por Deus.


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!