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domingo, 26 de janeiro de 2025

Ao Longe o Mar



Já está à venda o meu 3º Livro - Ao Longe o Mar.

Um conjunto de histórias, poemas e fotos com o Mar (ou a sua ausência) em pano de fundo. 

Este meu terceiro livro, revelou-se um “parto” difícil, já que pouco depois do início deste projecto saí da instituição onde trabalhei durante 21 anos e tive a necessidade de dar um novo rumo à minha carreira que me levou a atravessar a Europa, diferentes projectos em diferentes países foi demasiada agitação retirando-me inspiração e tempo. Só quando regressei a Portugal e à beira-mar a inspiração regressou juntamente com a maresia a invadir-me os pulmões.

Esta viagem começa na minha terra natal – Portimão onde vivi apenas nos meus primeiros meses de vida, mas que nos anos que se seguiram visitava frequentemente, passa por Lagos - onde cresci e de onde tenho algumas das minhas melhores e piores memórias e vou desenhando a viagem até Lisboa – onde residi o maior período da minha vida, subindo até à Covilhã – onde nasceu o Amor da minha vida, depois uma incursão pelo Mediterrâneo e finalmente a volta à Europa, passando por Lille, Bucareste, Constanța, Brasov, Copenhaga, Varsóvia, Gdansk e Roskilde, regressando por fim a Portugal, mais propriamente à Ericeira e depois a Espinho. O desenho no mapa revela 11.000Km mas por uma questão de simplificação apenas desenhei uma linha continua, não respeitando a linha do tempo.

Está em 3 formatos: capa dura, capa mole e Kindle e em 2 línguas: Português e Francês, a versão em inglês irá sair mais tarde.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



sábado, 2 de novembro de 2024

Sagres


Há lugares no mundo que deixam uma marca profunda na nossa alma, Sagres sempre me fascinou, foram inúmeras as vezes que a visitei por terra, só ou acompanhado, o promontório e o cabo "onde termina o mundo", este sempre foi um local quase místico. Aliás para os povos da antiguidade era mesmo um lugar místico. Os Celtas chamaram-lhe o promontório dos Deuses. Outros povos achavam que era ali que o mundo terminava, era ali que começava o mar das trevas.

O Infante mudou tudo isso, mas a mística ficou agarrada àquelas pedras de forma indelével. Em todo o lado sente-se o peso da história, nas muralhas, nas velhas caraças dos canhões gastas pelos anos e pelo salitre, nas paredes do velho templo, na misteriosa rosa dos ventos, nas furnas que descem até ao mar pelo ventre da terra.

Mais a oeste vislumbra-se o cabo de S. Vicente com o seu farol, o ponto mais a sudoeste da Europa, a ponta do velho Continente que aponta para o Novo Mundo, entre ambos uma enseada com vários recantos e um charmoso Castelo hoje transformado numa unidade turística.

Mas nada do que se vê de terra é mais esmagador que a vista a partir do mar! A primeira vez que admirei esta paisagem a partir do reino de Neptuno, foi a bordo do paquete Funchal. Ainda hoje, passados 35 anos, revejo esse momento com uma claridade cristalina. Estávamos a jantar, pelas janelas comecei a ver desfilar a praia da Bordeira, depois o Castelejo, não esperei mais, saí para o convés e debrucei-me na amurada. Ouvia-se Wagner, os penhascos erguiam-se altivos, deslumbrantes à luz do pôr do sol, o navio aproximou-se tanto como as regras de segurança permitiam, deixando os mais pequenos pormenores ficarem expostos aos meus olhos.

Aos poucos fomos contornando o cabo de São Vicente e dirigindo-nos para Sagres, Wagner continuava a tocar pelas colunas do navio, olhei à minha volta, estava só contemplando a mais bela paisagem que jamais vira.

Dias antes tinha visto um rosto que também havia marcado a minha alma, tinha aparecido e depois perdera-se na multidão que preenche as ruas nas noites estivais de Lagos. Receei não mais voltar a rever tão marcantes imagens. Fiquei por ali, a noite caiu fiquei apreciando as luzes do Algarve: Burgau, Luz, Lagos, Alvor, Portimão…

Perguntei-me se voltaria a ver Sagres do mar… e aquele rosto lindo de morrer. Voltei para Lagos procurei-a, não mais a vi.

16 anos depois voltei a cruzar aquelas águas, desta vez no meu pequeno veleiro, voltei a procurar aquele rosto fugidio no meio da multidão. Sagres vista do mar voltou a mostrar-se em todo o seu esplendor num mar estanhado, lá em cima pareceu-me vê-la! Toquei a sirene, abanei freneticamente os braços... Não. Não era ela, tenho agora a certeza.

Passaram outros 16 anos, olhando para um quadro de fotos em casa de alguém que conhecera há poucos dias, volto a rever aquele rosto fugidio! Aquela cujo rosto para sempre ficou gravado na minha alma como as imagens daqueles rochedos imponentes.

Redijo estas linhas a seu lado, contemplo o seu rosto sereno e belo. A noite vai adiantada, não tarda estarei abraçado a ela no nosso leito, sonhando com uma viagem a seu lado contemplado aquela paisagem divina uma vez mais.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.





domingo, 27 de outubro de 2024

Regatta de Blanc


Músicas: Regatta de Blanc – The Police; Mysterious Ways - U2

 


Imponente, a Catedral de Palma de Maiorca, domina as vistas. A altura das suas torres, as mais altas de Espanha, desafiam o facto de estarmos numa ilha.

Por todo o lado há alguém a tentar vender algo, quadros, malas, sapatos, recuerdos… também há artistas de rua, que fazem pinturas, performances, homens/mulheres estátuas e o estranho casal que levita numa armação bem disfarçada. Houve-se uma viola tocando o concerto de Aranjuez, o sol é abrasador, apesar dos jactos de água que caem no lago que fica no sopé da catedral o calor torna-se pesado enquanto o sol procura a sua posição mais alta, como que para ver melhor todo o esplendor que se estende por baixo.

Uma brisa levanta-se, embala as folhas das palmeiras que alegres fazem coro aos acordes da viola do virtuoso artista de rua que a dedilha alegremente.

Ao virar de uma esquina os olhos preparam-se para abraçar o mar, quando uma figura enigmática rompe a paisagem chamando a si as atenções.

Agarrando a larga borda azul do chapéu que o vento tenta em vão retirar para descobrir o seu rosto sereno, deixando o alvo vestido ondular ao sabor deste, ora mostrando ora ocultando as suas formas perfeitas. Pequenas rendas orlam as extermidades das curtas mangas, como se brancos lírios lhe ornamentassem os braços firmes e maduros.

Olha fixamente para o Mar, não se deixando distrair com as mundanas figuras que cruzam a rua.  Por momentos o tempo pára, tudo fica estático, congelado. Apenas ela continua a mover-se naquela forma misteriosa, ondulando como o vento, provocando um pesado suspiro de paixão.

O roxo das Buganvílias contrasta com o verde e o amarelo dominantes, traçando um friso colorido no topo do muro desta casa com singelas varandas e venezianas verdes.

As palmeiras omnipresentes compõem a moldura muito acima das luminárias que quase passam despercebidas. Ali numa muito camuflada esquina uma cascata de belas flores azuis vai descendo pela trepadeira que cobre por completo o muro que delimita a propriedade e dá suporte ao socalco que aplainou o espaço onde esta moradia se ergue.

O calor continua opressor, pesado e húmido, convidando a uma paragem para refrescar.


 Que melhor local para fugir à canícula que a Plaça de la Feixina, com os seus lagos e cascatas, sempre com a água correndo, mergulhando aqui e ali debaixo das pedras do passeio, para surgir uns metros à frente mais fresca.

As amplas sombras do arvoredo auxiliam no arrefecimento, enquanto acenam para a água embaladas pela aragem que atravessa a ilha de norte para sul.

Convidando a uma paragem para descansar as pernas e arrefecer os músculos enquanto se contempla o escoar do tempo na sombra do relógio de sol, ali instalado numa das faces de pirâmide de pedra, noutra surge um enigmático relógio de lua, com a sua tabela de legenda e descodificação.

Os muros do castelo opõem-se à linha das palmeiras deixando no seu regaço um largo passeio de pedra.

Ali surge novamente a bela silhueta alva, agora dança, alegre, feliz, deslumbrante. Rodopia de braços abertos abraçando o vento numa valsa ensurdecedora de silencio. Baila com o calor e com as gotas de humidade que pairam pelo ar arrastadas desde as cascadas pela suave brisa estival.

Continua misteriosa a forma como se move, como dança, como caminha. A harmonia instala-se, todo o quadro ganha uma formosura singular, até a catedral estica as suas torres por entre as palmeiras para observar este pitoresco panorama em movimento, esta poesia silenciosa e serena.

Abraço a beleza do quadro e regresso ao navio, sou um marinheiro, um homem do mar, apaixonado pela doce silhueta alva que misteriosamente se movimentava, ora caminhando, ora dançando.

Contemplo a linha do casario que se estende entre as verdes colinas e o azul do mar, a multitude de embarcações que descansam na grande marina, os paquetes luxuosos que preparam a partida para o alto mar.

Tudo parece pacífico, sereno, nem o vento se sente agora.

Sinto uns braços a me envolver, um doce perfume invade-me as narinas e o doce som de uma voz faz-me estremecer.

Lentamente viro-me, perante mim está a delicada figura alva com que me cruzei uma e outra vez durante o dia.

A noite caiu, não sentimos o sol esgueirar-se sob as ondas distantes, inebriados pelo tão inesperado como anunciado encontro. Os nossos olhares não se desviaram durante as longas horas em que o glorioso astro atravessou os céus.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Onde o Mar é mais Azul


Depois de um dia em que não se sentia a diferença entre abrir a porta do terraço e a porta do forno, hoje, aqui onde o mar é mais azul, a típica doce e refrescante brisa marítima temperou o clima o que me permite estar a escrever estas linhas no exterior.

Confesso que ainda sinto uma certa nostalgia de Lagos, mas este cantinho é de facto abençoado. Com uma quantidade assinalável de praias, desde as mais cosmopolitas às mais escondidas, a temperatura da água é compensada pelo calor humano. Inúmeras ribeiras desaguam em praias cavando vales férteis até à areia e proporcionando abrigo aos ventos que são uma imagem de marca do Oeste.

Depois há esse pormaior que, para quem me lê há algum tempo já sabe, tem uma importância central na minha vida - O AZUL. De facto aqui é mesmo onde o mar é mais azul! Desde que me conheço como gente, o azul foi sempre a minha cor favorita e sempre dominou os meus gostos. Cresci com uma vista privilegiada sobre o azul com o mar à porta e o céu limpo sobre a cabeça. Passava dias inteiros na praia, mergulhando, nadando, surfando, quer dizer tentando surfar, pois naquela altura era muito difícil encontrar pranchas de surf em Portugal, tentei fazer com vários materiais que conseguia arranjar, mas todas se partiam na minha primeira tentativa de as usar 😖. Acabei a fazer bodysurf, ou como se dizia na época a "correr marulho". Ou a surfar com os pequenos veleiros da escola de vela, acabando muitas vezes por ver-me obrigado a algumas reparações nas embarcações.

Por falar nisso, tinha 12 anos quando pela primeira vez me sentei um barco à vela - um Optimist. Ainda hoje me lembro da sensação de caçar a vela e sentir a "caixa de sabão" a deslizar pela ribeira até ao mar, de esgueirar-me pela praia da Batata, passar pela praia dos Estudantes e contemplar o pôr-do-sol na Ponta da Piedade. Acho que me ficou melhor gravado esse momento do que o do primeiro beijo. 😆


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 26 de junho de 2022

Bring on the night

      23 de Junho de 2022

Isto anda muito musical! O post anterior foi sobre os Pink Floyd, neste momento Confortably Numb está a tocar numa playlist aleatória que começou com Joe Bonamassa+Beth Hart, Beth Hart, Shiva Ree e agora passou para Chris Isaak - outra música monumental - Wicked Game. Está a ser brutal!!!

Na paisagem visual ainda flutua a memória de (mais) um pôr do sol fantástico sobre o Atlântico, aqui, onde o mar é mais azul. Ao que se seguiu (mais) um crepúsculo também fabuloso.

    5 de Maio de 2022

Esta é o momento mais mágico do dia aquele que se estende desde os minutos precedentes ao pôr do sol até à escuridão completa! Foi uma das coisas que mais senti falta nos anos em que estive fora de Portugal, apenas em Roskilde tive um pequeno vislumbre, mas o fjord estendia-se para norte e assim o sol punha-se sobre terra.

Após o fim do dia de trabalho, dirigia-me à margem do fjord e ficava por lá a admirar as nuances do crepúsculo, afogando as saudades do Atlântico e mascarando a solidão, comia um cachorro-quente e voltava para o apartamento com a alma saciada.

    15 de Setembro de 2020

Completei um circulo, dei a volta à Europa, estive praticamente nos seus dos 4 cantos nestes últimos anos, mas faltava sempre algo... Quase que me esquecia: Constanţă, mas aí era o nascer do sol que trazia as melhores paisagens. 

    05 de Outubro de 2019

Mas continuo a preferir o crepúsculo, a luz é diferente, guia-nos para a calma da noite, em especial quando podemos desfrutar desses momentos à varanda, com o vento a acariciar-me o rosto, a saborear o gosto fumado de um copo de Ardebeg, com um Cohiba a completar o quadro olfato/degustativo, a observar o lampejo longínquo do farol, com o som desta bela melodia misturando-se com o canto das gaivotas que regressam aos ninhos depois da pescaria da tarde.

E claro na companhia de quem amamos.



Bring on the Night / I couldn't stand another hour of daylight. 




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

I'll Take Care of You



Como habitualmente andava deambulando pelas ruas de Lille após o jantar, de repente uma voz poderosa irrompe pelos auscultadores em desafio com uma guitarra tocada com uma mestria rara! 


I'll Take Care of You cantava a na altura a por mim desconhecida Beth Hart, a seguir entrava um monumental solo de viola de outro ilustre desconhecido Joe Bonamassa. Rapidamente se tornaram os meus fieis companheiros de passeio nocturno.


Foi um período intenso, pela primeira vez estava a viver fora de Portugal, pela primeira vez tinha reuniões de trabalho numa língua que não a de Camões, pela primeira vez vivia isolado a muitas centenas de quilómetros de alguém que conhecesse, pela primeira vez contactava intimamente com outra cultura. Também no aspecto musical era uma primeira vez.

Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 8 de maio de 2022

Sou uma câmara


O sol está quente, uma fresca brisa tempera o clima ao mesmo tempo que desenha pequenas vagas que se transformam em cristas de espuma. A areia quente transmite uma a terna textura dos grãos. 

Agora que a neblina matinal se dissolveu suavemente debaixo dos raios do sol, o piar das gaivotas mistura-se com o murmúrio das ondas que rebolam pela areia e convidam a um mergulho nas suas águas temperadas. 

As poucas pessoas que usufruem deste pequeno paraíso na Terra vão brincando com os seus patutos ou simplesmente passeando pela fina areia, o vento fresco inibe o ímpeto de mergulhar, mas aos poucos vão-se deixando convencer uma após outra.

As ruínas do forte abandonado pela sua obsolescência, continuam firmes e determinadas a resistir à erosão dos anos. Assim como o AMOR, o verdadeiro AMOR, por muitas que sejam as vicissitudes e  os problemas, também ele resiste como este forte à erosão.  

Tal como o forte dá uma pincelada poética na paisagem, o AMOR contagia a vida como um poema romântico, trazendo cor, alegria e prazer mesmo em tempos difíceis e convida-nos a olhar para trás e a pensar: "Valeu a pena".

AMO-TE ANGÉLICA!


Fiquem bem no lado escuro da Lua.








sexta-feira, 6 de maio de 2022

Barcelona


Ali do alto do Montjuïc a Catedral de Barcelona sobrepõe-se imponente ao resto do tecido urbano, no subconsciente Freddie Mercury e Montserrat Caballé, entoam aquele dueto memorável, contemplando o Estádio Olímpico lembro-me das mais belas cerimónias Olímpicas de abertura e fecho se realizaram.


Olhando para o outro lado, vemos a zona financeira de Barcelona, com as suas torres emblemáticas, em especial a estranha torre oval, que mais parece uma nave extraterrestre que ali aterrou. Esta torre serve de aperitivo para a Sagrada Família cujas elaboradas torres cónicas fazem uma perfeita transição entre estilos arquitetónicos. 


Descemos pelas estradas que serviram de pista para algumas provas de Fórmula 1 memoráveis, até que paramos em frente à memorável Catedral da Sagrada Família, com as suas obras infindáveis, mas mesmo assim bela, extremamente bela. Mais uma vez Barcelona entoa nas nossas cabeças. Essa música está indelevelmente ligada à cidade de Gaudí. Nenhuma outra melodia criaria uma harmonia tão perfeita com a arquitetura neogótico que vemos a cada esquina. 


Continuamos o nosso passeio e outros estilos de arquitetura surgem entrelaçando-se numa harmonia que mais uma vez rima com os estilos tão contrastante e mesmo assim tão harmoniosos como os de Freddie e Montserrat. O moderno e o clássico, com um toque extravagante e sinfónico à mistura, ora em calmo e ternurento, ora explodindo de som e côr, ora expressando-se na língua de Shakespeare ora na de Cervantes.

Mantente bien en el lado oscuro de la luna



segunda-feira, 25 de abril de 2022

Regatta de Blanc

Música: Regatta de Blanc – The Police; Mysterious Ways - U2


Imponente, a Catedral de Palma de Maiorca, domina as vistas. A altura das suas torres, as mais altas de Espanha, desafiam o facto de estarmos numa ilha.

Por todo o lado há alguém a tentar vender algo, quadros, malas, sapatos, recuerdos… também há artistas de rua, que fazem pinturas, performances, homens/mulheres estátuas e o estranho casal que levita numa armação bem disfarçada. Houve-se uma viola tocando o concerto de Aranjuez, o sol é abrasador, apesar dos jactos de água que caem no lago que fica no sopé da catedral o calor torna-se pesado enquanto o sol procura a sua posição mais alta, como que para ver melhor todo o esplendor que se estende por baixo.

Uma brisa levanta-se, embala as folhas das palmeiras que alegres fazem coro aos acordes da viola do virtuoso artista de rua que a dedilha alegremente.

 


Ao virar de uma esquina os olhos preparam-se para abraçar o mar, quando uma figura enigmática rompe a paisagem chamando a si as atenções.

Agarrando a larga borda azul do chapéu que o vento tenta em vão retirar para descobrir o seu rosto sereno, deixando o alvo vestido ondular ao sabor deste, ora mostrando ora ocultando as suas formas perfeitas. Pequenas rendas orlam as extermidades das curtas mangas, como se brancos lírios lhe ornamentassem os braços firmes e maduros.

Olha fixamente para o Mar, não se deixando distrair com as mundanas figuras que cruzam a rua.  Por momentos o tempo pára, tudo fica estático, congelado. Apenas ela continua a mover-se naquela forma misteriosa, ondulando como o vento, provocando um pesado suspiro de paixão.

O roxo das Buganvílias contrata com o verde e o amarelo dominantes, traçando um friso colorido no topo do muro desta casa com singelas varandas e venezianas verdes.

As palmeiras omnipresentes compõem a moldura muito acima das luminárias que quase passam despercebidas. Ali numa muito camuflada esquina uma cascata de belas flores azuis vai descendo pela trepadeira que cobre por completo o muro que delimita a propriedade e dá suporte ao socalco que aplainou o espaço onde esta moradia se ergue.

O calor continua opressor, pesado e húmido, convidando a uma paragem para refrescar.

 


Que melhor local para fugir à canícula que a Plaça de la Feixina, com os seus lagos e cascatas, sempre com a água correndo, mergulhando aqui e ali debaixo das pedras do passeio, para surgir uns metros à frente mais fresca.

As amplas sombras do arvoredo auxiliam no arrefecimento, enquanto acenam para a água embaladas pela aragem que atravessa a ilha de norte para sul.

Convidando a uma paragem para descansar as pernas e arrefecer os músculos enquanto se contempla o escoar do tempo na sombra do relógio de sol, ali instalado numa das faces de pirâmide de pedra, noutra surge um enigmático relógio de lua, com a sua tabela de legenda e descodificação.

Os muros do castelo opõem-se à linha das palmeiras deixando no seu regaço um largo passeio de pedra.

Ali surge novamente a bela silhueta alva, agora dança, alegre, feliz, deslumbrante. Rodopia de braços abertos abraçando o vento numa valsa ensurdecedora de silencio. Baila com o calor e com as gotas de humidade que pairam pelo ar arrastadas desde as cascadas pela suave brisa estival.

Continua misteriosa a forma como se move, como dança, como caminha. A harmonia instala-se, todo o quadro ganha uma formosura singular, até a catedral estica as suas torres por entre as palmeiras para observar este pitoresco panorama em movimento, esta poesia silenciosa e serena.

Abraço a beleza do quadro e regresso ao navio, sou um marinheiro, um homem do mar, apaixonado pela doce silhueta alva que misteriosamente se movimentava, ora caminhando, ora dançando.

Contemplo a linha do casario que se estende entre as verdes colinas e o azul do mar, a multitude de embarcações que descansam na grande marina, os paquetes luxuosos que preparam a partida para o alto mar.

Tudo parece pacífico, sereno, nem o vento se sente agora.

Sinto uns braços a me envolver, um doce perfume invade-me as narinas e o doce som de uma voz faz-me estremecer.

Lentamente viro-me, perante mim está a delicada figura alva com que me cruzei uma e outra vez durante o dia.

A noite caiu, não sentimos o sol esgueirar-se sob as ondas distantes, inebriados pelo tão inesperado como anunciado encontro. Os nossos olhares não se desviaram durante as longas horas em que o glorioso astro atravessou os céus.


Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.





quinta-feira, 15 de abril de 2021

The Fog


Like ghosts coming out from the fog, the giants and majestic buildings irromps in the skyline gathering the attention from everybody who are contemplating.

The silence imposes himself over the normal sounds of the city, in a moment everything disappears, only these giants remains there, still, quiet.

But, suddenly, they start moving, they start dancing. A music start to play, firstly low, almost imperceptibly, but slowly get louder and louder.

Now we can distinguish the piano echoing by the square, the sad and at the same time joyful chords of the music combine in harmony with the old and new mixture of architecture.

In a breach of the fog a figure appears playing the keyboard while floating in the gentle breeze, his passion is moving his fingers over the keys.

The music follows the wind, now slowly... now speedy, one time high... other time low, majestic and romantic, she mix with the fog and echoes endlessly.

The love, the same love who make this man to state that his heart should stay forever in the city he loved, the LOVE is everywhere dissolved in the fog. 
 

Stay well on the Dark Side Of The Moon.



This was my first poem written in english, and his dedicated to my beautiful and dear wife

sábado, 4 de março de 2017

Meco


Olha à tua volta, irás ver algo fantástico
Olha à tua volta, vais ficar surpreendido
Olha à tua volta, tira as vendas que usas
Olha à tua volta, liberta a tua mente

Sente os cheiros que envolvem a paisagem
A maresia que é arrastada pelo vento
O odor da areia húmida que se eleva
O cheiro das ervas que se propaga

VIVE!
LIBERTA-TE!
VOA!
MERGULHA!

Todos os dias há um pôr-do-sol
Todos os dias há algo para contemplar
Todos os dias há vida para além dessa vida
Todos os dias o mundo gira sobre si

Deixa-te pairar sobre o mundo
Flutua para além da prisão do dia-a-dia
Foge do quotidiano, essa grilheta da mente
Esquece tudo o que pensas que sabes e VIVE!

Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.



Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

5 anos depois entre Portimão e Lagos


Já tinham decorrido 5 anos desde a minha última estadia no Algarve, eram 6 da manhã, os primeiros raios de sol chamaram-me, sob um céu polvilhado de nuvens, o mar estava estanhado numa calmaria acompanhada pelo silencio quase absoluto de uma manhã perfeita, apenas cortado pelo esporádico canto dos pássaros.

O sol elevando-se do mar vai furando as nuvens e fazendo os seus suaves raios aquecer-me a pele despida, arrepiada pela fresca brisa matinal. Não passa ninguém na rua, nem vivalma, a hora tinha acabado de avançar para o horário de Verão e poucos se tinham adaptado.

Uma melodia veio-me à cabeça:


Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Lagos

Não nasci aqui. O meu berço foi 15 Km a este, em Portimão; os meus pais "imigraram" tinha eu 1 ano. Mas hoje quando me perguntam "De onde és?" - a minha resposta é: "De Lagos."

Esta é de facto uma cidade muito especial, talvez uma das mais belas do mundo, para mim certamente a mais bela das cidades.

 O rendilhado da costa, as dezenas de pequenas praias, a majestosa meia-praia com os seus 8,5 Km de areia branca e suave, o casario baixo do centro da cidade, as ruas que serpenteiam pelas colinas acima e abaixo.

Lagos tem uma poesia única e inigualável, seja na canícula do Verão ou na chuva de Inverno.
Não é apenas a visão que é seduzida por este paraíso na Terra, o uivo do vento que sopra quase ininterruptamente, entrecortado pelo cantar das gaivotas, com o som das ondas quebrando-se na areia; o cheiro a maresia que invade cada cm2 da cidade; o sabor do sal que se deposita nos nossos lábios e a caricia do vento no rosto e cabelos, preenchem na totalidade os 5 sentidos.
 Desde o nascer ao pôr do Sol, mas também sob a Lua e as estrelas, a luz reflecte-se no mar brincando com as ondas, criando jogos com as sombras, mudando sem cessar a paisagem, fazendo com que cada momento seja único e irrepetível.

O Sol, a Lua, as estrelas e, também, as luzes da cidade, tudo contribui para a atmosfera quase mítica que se vive. 
Por fim há a história, a história dos homens que começou no paleolítico, prosseguiu pelos Celtas, Iberos, Romanos, Visigodos, Árabes, Cristãos...

Atingindo o píncaro no berço dos Descobrimentos, quando uma pequena nação teve a impertinencia de aumentar o mundo, empurrando os limites do fim do mundo para as estrelas.

Hoje tudo isto jaz violado, delapidado por algumas piranhas que sem pudor empurram o Infante para o lado, destroem a calçada que reproduzia as ondas do cabo Bojador, que aterram a mais bela praia do mundo...

Para esses vendilhões do templo, traficantes de cimento, nem mil mortes seriam castigo suficiente.

Mas a poesia continua lá, pedindo Show me the place...

Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.



Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Porto Côvo


A pequena enseada que abriga as frágeis embarcações de pesca formada pelo leito de um rio, rasga a paisagem com um traço azul a cortar o verde dos campos. Lá mais a sul o rochedo negro da ilha do Pessegueiro desafia as ondas que teimam em quebrar-se libertando nuvens espuma. A mesma teimosia que levou os homens a construir o Forte que acabava destruído pelos piratas uma e outra vez.

A beleza fascinante deste local capturou o coração de muitos Homens desde os tempos mais antigos, passeando pelos campos vêm-se vestígios de antigas culturas, Celtas, Romanos, Árabes, Cristãos, Piratas... Uns a seguir aos outros, empurrando-se, misturando-se, uns após os outros apaixonando-se por estas terras e este mar.

Abraçado à mulher que AMO, estas imagens tomaram uma dimensão ainda maior, o sabor do sal nos seus lábios turva-me os sentidos como se estivesse inebriado, o vento embala-nos, os raios de sol pousam suavemente sobre a nossa pele. Não, o nosso AMOR não é um amor ordinário...




Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Azul mágico


São 18:00 de uma tarde de Agosto, uma ligeira brisa vai correndo sobre a água, enrugando-a suavemente, as pequenas ondas vão-se quebrando nas rochas. Está calor, um doce calor típico dos fins de tarde estivais. 

O sol brilha nas rugas do mar, dando-lhe um tom dourado, que contrasta com os rochedos e com o azul. Lá longe, muito longe, vislumbram-se nuvens de algodão pousadas sobre a terra que se perde no horizonte.

Um odor salgado inunda o ar trazido pela brisa onshore, depositando-se nos lábios, na alma, dando sabor a um quadro que trás a banda sonora do vento cantando nos arbustos ressequidos.

Fecho os olhos e recuo 6 anos, até ao dia em que tirei esta foto, todas as emoções e sensações regressam. Uma cor preenche a minha imaginação o AZUL...





Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.



Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 24 de maio de 2015

Fonte da Telha


Balouçando, ao sabor da brisa, acariciado pelos raios de sol desta tarde dominical, contemplo o espelho que se forma na areia molhada e que reflecte a arriba e o céu.

O som do mar, do vento e da música do Café del mar, que toca longínqua num bar da praia. aproxima-se aquela hora mágica em que o sol mergulha nas águas deixando um

Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 17 de maio de 2015

Arrifana


Penhascos negros mergulham no mar azul
Traçando uma linha branca de espuma
Parece tombada das nuvens 
Que pintam de branco um céu azul

Sinto-me livre como uma gaivota
Deixando-se elevar sem esforço
Pairando sobre as ondas... flutuando
Deliciando-se nesta paisagem estival


As casas brancas serpenteiam pela encosta
Ao longo de uma estrada poeirenta 
Que termina abraçando-se ao mar
Numa praia que se estende para sul

Aqui não há pressa, o tempo parou
Para além do suave rumor das ondas
Uma cigarra toca uma melodia estival
A gaivota pousa no molhe cantando 


As pequenas embarcações abraçadas
Descansam da faina ao abrigo do pontão
O pequeno guindaste perfila-se com o farol
Pequenas bóias vermelhas salpicam a paisagem

Continuo à procura da bela Nereida 
Vejo a sua silhueta nas ondas
Sinto o seu sopro no vento
Absorvo o seu perfume na maresia...


terça-feira, 7 de abril de 2015

My Lover's Gone


As nuvens cobrem o céu 
com um abraço 
o Sol brilha entre elas
pincelando-as de rosa.

O vento acaricia as ondas
fazendo soltar uma espuma alva
que ora avança, ora recua,
terna pela areia.

Duas silhuetas brincam
entre latidos e saltos
felizes, molhados 
rebolam na areia.

Sinto-te ao meu lado
mas não estás aqui
estás longe, longe dos olhos
mas mesmo assim perto, perto de mim.

As pegadas na areia afastam-se
terás regressado ao mar?
caminho a teu lado
suspiro pelo teu rosto.



Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Almost like the blues


Sinto-me no mar
suspenso na espuma
preso nas nuvens
pairando no ar

Sou uma gaivota 
voando sobre as ondas
rumo ao céu azul
vogando no vento

Sou a areia
sou o mar
sou as ondas
sou o vento

Entre dois mundos
o mar, a terra
as nuvens, as ondas
os peixes, as gaivotas

Olho para o mar 
vejo o teu rosto
na espuma das ondas
desenha-se o teu corpo

Estou perdido
sigo as estrelas
levado pelo vento
empurrado pelas ondas






Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Sagres

Há lugares no mundo que deixam uma marca profunda na nossa alma, Sagres sempre me fascinou, foram inúmeras as vezes que visitei o promontório e o cabo "onde termina o mundo" por terra, só ou acompanhado este sempre foi um local quase místico. Aliás para os povos da antiguidade era mesmo um lugar místico. Os Celtas chamaram-lhe o promontório dos Deuses. Outros povos achavam que era ali que o mundo terminava, era ali que começava o mar das trevas.

O Infante mudou tudo isso, mas a mística ficou agarrada àquelas pedras de forma indelével. Em todo o lado sente-se o peso da história, nas muralhas, nas velhas caraças dos canhões gastas pelos anos e pelo salitre, nas paredes do velho templo, na misteriosa rosa dos ventos, nas furnas que descem até ao mar pelo ventre da terra.

Mais a oeste vislumbra-se o cabo de S. Vicente com o seu farol, o ponto mais a sudoeste da Europa, a ponta do velho Continente que aponta para o Novo Mundo, entre ambos uma enseada com vários recantos e um charmoso Castelo hoje transformado numa unidade turística.

Mas nada do que se vê de terra é mais esmagador que a vista a partir do mar! A primeira vez que admirei esta paisagem a partir do reino de Neptuno, foi a bordo do paquete Funchal. Ainda hoje, passados 35 anos, revejo esse momento com uma claridade cristalina. Estávamos a jantar, pelas janelas comecei a ver desfilar a praia da Bordeira, depois o Castelejo, não esperei mais, saí para o convés e debrucei-me na amurada. Ouvia-se Wagner, os penhascos erguiam-se altivos, deslumbrantes à luz do pôr do sol, o navio aproximou-se tanto como as regras de segurança permitiam, deixando os mais pequenos pormenores ficarem expostos aos meus olhos.

Aos poucos fomos contornando o cabo de São Vicente e dirigindo-nos para Sagres, Wagner continuava a tocar pelas colunas do navio, olhei à minha volta, estava só contemplando a mais bela paisagem que jamais vira.

Dias antes tinha visto um rosto que também havia marcado a minha alma, tinha aparecido e depois perdera-se na multidão que polula nas noites estivais de Lagos. Receei não mais voltar a rever tão marcantes imagens. Fiquei por ali, a   noite caiu fiquei apreciando as luzes do Algarve: Burgau, Luz, Lagos, Alvor, Portimão.

Perguntei-me se voltaria a ver Sagres do mar... e aquele rosto lindo de morrer. Voltei para Lagos procurei-a, não mais a vi.

16 anos depois voltei a cruzar aquelas águas, desta vez no meu pequeno veleiro, voltei a procurar aquele rosto fugidio no meio da multidão. Sagres vista do mar voltou a mostrar-se em todo o seu esplendor num mar estanhado, lá em cima pareceu-me vê-la! Toquei a sirene, abanei freneticamente os braços... Não. não era ela, tenho agora a certeza.

Passaram outros 16 anos, olhando para um quadro de fotos em casa de alguém que conhecera à poucos dias volto a rever aquele rosto fugidio! Aquela cujo o rosto para sempre ficou gravado na minha alma como as imagens daqueles rochedos imponentes.

Redijo estas linhas a seu lado, contemplo o seu rosto sereno e belo. A noite vai adiantada, não tarda estarei abraçado a ela no nosso leito, sonhando com uma viagem a seu lado contemplado aquela paisagem divina uma vez mais.



Tal como as ondas do oceano que acabam rebentando sobre terra, também nós acabamos por encontrar quem amamos profundamente.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.