segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Remember that night

Já faz algum tempo que estava a prever um temporal para o meu lado. Sentia que o tempo não augurava nada de bom, a iminência da catástrofe sufocava-me, não a via, não fazia a mínima ideia se seria um terramoto, um furacão, inundações... não tinha a mais pequena ideia do que vinha aí, mas sentia que era algo terrível. Os temporais que me assolavam não eram mais do que um sinistro prenuncio de que algo verdadeiramente catastrófico estava para acontecer.

Hoje os meus receios e temores mais negros foram materializados, foi como se tivesse sido atingido por um tsunami gigante. Morri, morri mesmo, um cadáver conduzia aquela Strakar, a minha alma não habitava o meu corpo, tinha sido de lá arrancada pelo tsunami devastador, levada para a Antárctida onde ficou aprisionada sob um imenso glaciar...

De repente uma onda engole-me e lança-me a toda a velocidade num surf sem prancha directo à praia. Senti o fluir da água em torno de mim e a premente vontade de voltar a respirar; senti a areia a friccionar o corpo, travando a velocidade até à completa imobilização; a água recua deixando-me finalmente respirar. Foi algo contrariado que permiti que uma golfada de ar voltasse a invadir-me os pulmões. Expirei, levantei a cabeça e desatei a rir, ri profundamente e as minhas gargalhadas fizeram levantar as gaivotas que se preparavam para dormir ali por perto.

Olhei à minha volta, estava completamente nu deitado na areia enquanto as ondas vinham acariciar-me o corpo, levantei-me estava quase só, ao longe na névoa da maresia apenas se vislumbravam os vultos de algumas pessoas que passeavam pela praia. Voltei a correr para a água, repeti o longo surf, no fim do qual soltava um grito de prazer retornando para o mar que novo me trazia para terra.

Depois de dezenas de investidas voltei para a areia, exausto, distingui com dificuldade a minha roupa abandonada no areal, sentei-me ao lado dela e contemplei o pôr do sol, entrei em meditação e ali fiquei até o sol desaparecer por completo no horizonte, vejo o telemóvel a se assomar num bolso das calças e ponho a tocar aleatoriamente. Primeiro um jazz por Diana Krall - Almost Blue, seguiu-se The Blue de David Gilmour e quando as primeiras estrelas começaram a ficar visíveis Island também de David Gilmour.

Remeber that night
White steps in the moonlight
They walked here too
Through empty playground,this ghosts' town
Children again, on rusting swings getting higher
Sharing a dream, on an island, it felt right

We lay side by side
Between the Moon and the Tide
Mapping the stars for a while

Let the night surround you
We're half way to the stars
Ebb and flow
Let it go
Feel her warmth beside you

Remember that night
The warmth and the laughter
Candles burned
Through the church was deserted
At dawn we went down throgh empty streets to the harbour
Dreamers may leave, but they're here ever after
Levantei-me, sacudi o melhor que consegui a areia do corpo antes de me vestir e procurei o carro, coloquei a chave na ignição e o CD começou a tocar Diana Krall - Every time we say goodbye, I die a little. Recostei-me no banco e fiquei ali a contemplar um céu cor de laranja. Respirei fundo, os versos de On an Island atravessavam-me o pensamento misturando-se com aquilo que ouvia nesse momento e pensei em tudo o que me tinha acontecido.

Tinha morrido e voltado a nascer.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Batelão do Burgau - O filme!

Tenho andado sem tempo, nem disponibilidade para vir aos blogs. Em jeito de desculpa aqui fica o vídeo do melhor mergulho da minha vida!



E dos Golfinhos



Fiquem Bem no Lado Escu
ro da Lua!

domingo, 6 de setembro de 2009

De novo Sesimbra

Já havia quase 3 meses que não mergulhava em Sesimbra, desta vez para variar um pouco fui fazer um mergulho com a Best Dive.

Para já temos um ambiente acolhedor, umas instalações dentro do que é habitual em Sesimbra, excluindo a Cipreia que está uns furos acima, apesar de estar longe do cais de embarque o transporte assegurado por uma carrinha, não é desagradável.

Mas para mim, acabado de vir de um mergulho com a Subnauta, ficou aquela sensação de regresso ao passado.

Já agora uma chamada de atenção: Sesimbra é a meca do mergulho em Portugal, no entanto as condições são deploráveis. A começar pelos centros que apesar das recentes melhorias ainda não atingem os standards internacionais, e acabando na perfeita aberração que são os acessos aos barcos, registando-se todas as semanas acidentes, até quando?

E a estafada desculpa de "
lá fora é diferente porque..." não dá, ponham os olhos na Subnauta em Portimão e vejam o que é um centro de mergulho em todas as vertentes.

Vamos ao mais importante, o mergulho, depois dos 20º no Algarve senti a diferença para os 16º de Sesimbra, apesar de não ter chegado aos 12 metros de profundidade.

Em tudo idêntico aos muitos que já aqui realizei, mas o prazer de estar no fundo do mar é sempre renovado.

Depois de uma semana muito complicada em termos de trabalho, que me levou perto de um esgotamento, nada melhor que um longo mergulho para repor as baterias.


De facto foram 45' apesar de ter entrado apenas com 188 bar na garrafa e ter saído com cerca de 70! Se calhar é verdade o que um casal dizia, o tabaco faz-nos consumir menos ar (habitualmente não fumo, mas devido ao stress do serviço ultimamente foram 2 caixas de cigarrilhas).

A vida nos fundos de Sesimbra é cada vez mais e menos amedrontada com a presença dos mergulhadores, tive inclusivamente uma judia bastante interessada no ecrã da câmara durante algum tempo.

Mergulhar é parte de mim, já lá vão 33 anos que mergulhei a cabeça debaixo de água munido com óculos pela primeira vez, esse momento marcou em definitivo a minha vida, hoje não consigo pensar como será viver sem mergulhar, sem o contacto com a água salgada. Só no mar me sinto realizado e completo, só no mar sou feliz.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 23 de agosto de 2009

Algarve

Ainda me sinto em transe! Depois dos magníficos mergulhos nas Berlengas, era impensável melhor em Portugal continental, pura ilusão. Precisamente no meu berço marinho, Lagos, mais concretamente na Praia da Luz e na do Burgau, fiz os melhores mergulhos que tenho memória.

Depois de anos de desilusões, com uma água de pouca visibilidade e com um centro gerido por estrangeiros (como todos os de Lagos) e que vende "mergulhos de plástico" resolvi ir até Portimão e mergulhar com a Subnauta. A comparação é abissal dum lado o melhor centro de mergulho português, do outro uma estrutura com o único objectivo de fazer umas massas com os turistas. Se forem visitar o site da Subnauta garanto-vos que aquela organização não foi apenas para as fotos, no dia-a-dia está sempre tudo impecavelmente arrumado e organizado.

1º Mergulho - Wilhelm Krag, também conhecido pelo Vapor da Luz, um navio afundado pelo submarino Alemão U-35 durante a primeira guerra mundial (mais info aqui). Um mergulho com 34 metros de profundidade, 20º de temperatura e uma visibilidade de 15 metros!

Pena que as pilhas do flash externo tivessem dado o berro e apenas dispunha do interno, pelo que as fotos não ficaram grande coisa, pois aquela profundidade os tons vermelhos e amarelos já não são visíveis ficando um ambiente fantasmagórico em tons esverdeados.

2º Mergulho - Batelão do Burgau, ao contrário do que li no fórum do mergulho este é um spot bastante bonito, apesar da pouca profundidade, 8 metros, com a temperatura da água mais elevada 21º, uma visibilidade de mais de 22 (vinte e dois) metros e uma fauna bastante abundante, levou a graçolas sobre um possível desvio da rota do barco e estarmos em frente a Sharm El'Sheik e não do Burgau! Sim estavam mesmo mais de 22 metros de visibilidade, da popa do semi-rígido de 13 metros via-se a ancora do mesmo a 8 metros de profundidade e afastada mais de 8 metros da proa (basta aplicar o teorema de pitágoras e obtemos 22,5). Os jogos de luz no interior dentro do batelão eram absolutamente fantásticos, dando a sensação de estar no interior de uma catedral gótica.

Para terminar em beleza 2 grupos de Golfinhos (Roazes Corvineiros) com mais de 15 indivíduos brincavam em frente à praia do Porto de Mós, nunca tinha visto esses animais tão junto da costa e frequento essa praia desde 1968.

Aqui é preciso lançar um alerta: é fundamental regulamentar a actividade dos barcos que se dedicam a mostrar os golfinhos, pareciam um enxame de volta dos bichos, a tentar estar em cima para dar as melhores sensações aos turistas. Não li nas manobras qualquer intenção de não perturbar os golfinhos, também não vi nenhuma manobra reprovável veementemente, mas notava-se (em contraste com o nosso skipper) que era questões mais de natureza financeira que moviam aqueles barcos.


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Independence of the Seas


Em primeiro lugar devo assinalar que este é o primeiro artigo que escrevo com uma caneta. Diga-se que com o teclado é mais rápido, o reconhecimento de caracteres, apesar de bastante evoluído, ainda não é perfeito. Depois o ecran do telemóvel não é como o do PC, por fim, o browser não deixa inserir fotos.

A ideia era mostrar 1 ou 2 fotos do "Independence of the Seas'', assim terei de voltar mais tarde para as pôr cá. Aquilo é monstruoso! Dá a sensação que é um prédio. Junto com as fotos colocarei alguns dados para dar uma melhor noção da "coisa".


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A melhor viagem da minha vida

Música: Sailing - Rod Steward

Foi no dia 20/08/1994, partimos de Lisboa pela madrugada para aproveitar a maré, eram 06:00 lá estávamos a bordo do Magali o meu pequeno veleiro de 7,50m construído em 1942.

A primeira parte da viagem decorreu a motor, pois o vento era praticamente nulo. Toc, toc, toc - tossia velho Volvo Penta de 1 cilindro, apesar de ser mais recente que a embarcação ostentava com orgulho a data de fabrico 1950.

Chegamos ao cabo Espichel já perto da hora de almoço, o velho navio arrastava-se pachorrentamente a 3 nós. Decididos a cortar caminho a direito rumo a Sines. Vi-me obrigado a mergulhar debaixo do barco para soltar o giroete de modo ao odómetro poder marcar a distancia percorrida. Para não perdermos tempo e visto que o vento era muito fraco, optamos por manter as velas içadas continuando em andamento. Atei um cabo e mergulhei para debaixo do barco, é impossível descrever a sensação que tive, tirando o casco do barco apenas via o azul. Acho que nunca me tinha sentido tão só, mas ao mesmo tempo sentia-me em casa.

Algumas horas depois avistamos lá ao longe estranho esguichos de espuma, intrigados fomos buscar os binóculos e vemos um bando de golfinhos, virei a proa na sua direcção embora achasse impossível alcança-los. Foi com enorme surpresa que os vimos aproximarem-se, vindo brincar alegremente na proa do vetusto barco. Os seus saltos e acrobacias deixaram-nos maravilhados durante longos minutos, a velocidade reduzida da embarcação e o infatigável toc-toc foram esquecidos enquanto corríamos da proa à popa e de estibordo a bombordo para tiramos fotos ou simplesmente contemplá-los. Talvez cansados da nossa lentidão acabaram por partir, deixando-nos completamente entusiasmados.

Com a chegada do pôr-do-sol deu-se outro momento mágico, retomei a cana do leme após ter vestido o fato isotérmico, apesar de ser Agosto
com o sol a perder intensidade o frio começou a aumentar. A beleza do pôr -do-sol no mar é redobrada, o Zé agarrou na câmara e registou a foto que ainda hoje uso para me identificar.

Esta foto trás-me recordações não só de momentos belos mas sobretudo de uma profunda sensação de liberdade. Nunca me senti tão livre em toda a minha vida! Apesar de confinado a um espaço de 7,25 m por 3 m, tinha à minha volta a imensidão do Oceano, apesar da cabine não ter mais de 1,5 m de altura, sobre a minha cabeça pairava o infinito. Todas as noites sonho em voltar a fazer uma viagem assim, desta vez sem rumo nem destino traçados, apenas navegar pelo mar impelido pelos ventos.

A noite passou lenta e fria, apesar de ter um fato de treino, uma camisola de lã, um gorro de malha e umas jardineiras e casaco isotérmicos (uns Helly Hansen concebidos para o agreste mar Báltico) apenas uma garrafa de Brandi conseguia aquecer a alma.

Pela manhã dobramos o cabo de S. Vicente. É uma visão grandiosa esta cabo, a 1ª vez que aqui passei estava tocar Wagner, mas hoje não havia música para além do toc-toc. Senti-me esmagado de novo pela imponência destas rochas, talvez existam no mundo outros lugares assim, mas este tem uma mística muito especial, uma série de promontórios separados por pequenas baías têm o seu ex-libris no promontório de Sagres venerado desde o tempo dos Celtas que lhe chamavam o promontório dos Deuses acreditando que era aí que Eles viviam.

Séculos mais tarde foi escolhido pelo Infante D. Henrique como berço do maior e menos sanguinário império da História. Foi uma obra de Deuses os feitos de Gil Eanes e dos que lhe seguiram, pois apenas Deuses conseguiriam realizar o feito que eles fizeram de tornar o mundo pequeno.

O 2º dia de viagem decorreu calmamente até chegarmos à Salema, aí o vento de Norte começou a rugir forte, impulsionando o Magali (já com o motor desligado num mais que merecido repouso) a uma velocidade de 10 nós, que rapidamente nos fez chegar ao nosso destino - Lagos. As 5 toneladas de peso gostavam era de vento rijo e o velho veleiro acelerou deixando uma comprida esteira de espuma e percorrendo as milhas que faltavam até à baía de Lagos ao triplo da velocidade que o motor nos tinha impulsionado durante dia e meio.

A viagem apenas ficou interrompida, um hei-de retomá-la até à eternidade!


Velejem no Lado Escuro da Lua!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

AZUL

Música: The Blue - David Gilmour

Fecho os meus olhos
Cheios de estrelas
Cheios de luz
AZUL

A água molha-me a pele
Encho os pulmões
Afundo-me no
AZUL



No meio dos destroços do vapor
Um polvo contempla-me
Vou flutuando no
AZUL

No fundo do mar mil cores
Milhões de tonalidades
Vermelho, verde e
AZUL



Nas cavernas daquele navio
Muitas dores passaram
Mas lá ao fundo é
AZUL

Vejo esponjas e gorgónias
Polvos, sargos e fanecas
Mas espanta-me o
AZUL




Na escuridão da profunda gruta
Seres estranhos passeiam
Também eles procuram
AZUL

Lá fora vejo a glória da luz
Uma profunda e intensa
Mas suave no tom
AZUL




O sol aquece-me a alma
Banha-me o corpo
Sob um céu
AZUL

O barco flutua placidamente
Espera-me sem pressa
Sobre o oceano
AZUL


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 12 de julho de 2009

Berlengas

1º mergulho nas Berlengas, posso dizer que foi fantástico e se tivesse de realçar um aspecto apenas diria a cor da água! De um azul profundo, magnético, escuro.

Depois foi a excelência da organização da Haliotis, demonstrando que o prémio do melhor centro PADI de 2008 não foi atribuído por acaso, uma saída, 2 mergulhos com um almoço (lanche) pelo meio, servido nas Berlengas (aproveito para chamar a atenção às casa de banho das ilhas que parecem saídas do jurássico, pequenas, com um aspecto muito pouco convidativo, de realçar que ao contrário do que qualquer um possa pensar foram feitas há apenas 6 anos, realmente incompreensível).
Voltando ao mergulho, muita fauna, visibilidade de mais de 20 metros, o AZUL, aquele AZUL é de morrer.

Começamos na gruta do rabo de asno, cuja entrada a 30 metros de profundidade, subindo ligeiramente até aos 26 metros. A gruta é algo comprida com uma saída para o outro lado, mas lá dentro reina o escuro, apenas se vendo o AZUL em ambas as extremidades.

Para além de uma Santola enorme, os sargos e as fanecas eram incontáveis. A temperatura da água rondava os 16º, o que até nem era mau para 30 metros de profundidade.

Do lado negativo de referir a perda da lanterna de flash que deve ter saltado do encaixe quando vesti o colete (a minha mania de vestir o colete dentro de água).

A este propósito introduzo já o 2º mergulho, a corrente era de tal forma forte à superfície que tive de optar por equipar-me a bordo. Depois foi avançar a pulso agarrado aos cabos do barco até ao cabo da ancora e descer firmemente agarrado a este. Felizmente que a partir dos 10-15 metros a corrente perdia completamente a força.

O local foi o Vapor do Trigo, um naufrágio de um navio a vapor grego em 1926 de nome Andreus e, como o nome indica transportava trigo. Diz-se que durante algum tempo após o naufrágio apareceu muito peixe morto pois ao ingerirem o trigo este inchava nos estômagos acabando por os matar.

Está a 26 metros de profundidade e o local onde mergulhamos (que é o mais interessante) foi junto às enormes caldeiras, onde para além destas tem ainda grutas formadas pelo cavername e que abrigam muita fauna de grande porte.

Infelizmente a bateria da câmara está mesmo nas lonas e só me permitiu tirar meia dúzia de fotos tanto no 1º como no 2º mergulho. O final do mergulho foi uma aventura pois tendo sido arrastados pela corrente para cerca de 1 milha do barco, foi com alguma apreenção que nos víamos a afastar cada vez mais, pelo meu lado sabia que podia contar com a experiência do meu buddy (que já estava a bordo) mas tudo se resolveu quando um barco de pescadores passou e nos deu boleia. Um verdadeiro drift-dive!!!
Mas a minha memória ficará para sempre marcada pelo AZUL, podem ver um pequeno exemplo do AZUL numa foto em que apenas corrigi os níveis de luz

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

No teu deserto


Já faz muito tempo que não lia um livro em menos de 24 horas. Aconteceu com “No teu deserto” de Miguel Sousa Tavares. É certo que o livro não é grande, tem as letras bem dimensionadas, mas lê-se num ápice, cativa-nos, prende-nos e depois acaba-se, deixando imediatamente saudades.


É um livro relatado na primeira pessoa, mostrando uma faceta de MST que poucos conhecem, apenas os mais íntimos ou, no meu caso, frequentou o mesmo bar de Lagos e na mesa do lado observou e ouviu por várias vezes o Miguel em contraponto, mas não em oposição, com o Miguel Sousa Tavares que vemos na TV.


O deserto é mesmo assim, muda uma pessoa, transforma-a. Uma viagem ao deserto é uma viagem de ida, quem de lá regressa já não é a mesma pessoa que partiu, essa morre lá invariavelmente. Enquanto o li regressei lá, senti os seus cheiros, os seus calores, os seus frios. Lembrei-me das suas estranhezas e da sua extrema beleza, árida, seca, deserta, selvagem. Admito que quem não tiver vivido essa experiencia possa não ter uma sensação tão intensa quanto a minha, pois o livro não relata propriamente a viagem, centra-se numa relação de 2 pessoas em que o deserto se entranha, mistura, condiciona, numa relação impossível de acontecer fora do deserto. De facto este livro não conta uma história, mas sim 5 histórias: a dele, a da Cláudia, a de ambos, a da viagem e a deles no deserto. Tudo usando as mesmas frases, as mesmas palavras.


Um dos mais belos livros que já li!


Fiquem Bem no Lado Escuro do Deserto!

domingo, 5 de julho de 2009

Beautiful day

Lembro-me do azul
Um azul profundo, luminoso
Onde a vista se perdia
Achando-se nos corais

Nadei na mansidão da corrente
Livre das grilhetas da gravidade
Pairei sobre rochas, sobre areia
Na ternura da imponderabilidade


Lembro-me do crepúsculo
Da doçura da água
Que me acolhe no seu seio
Que me abraça suavemente

As medusas soltam os tentáculos
Como cabelos sacudidos no vento
Ondeiam ao sabor da corrente
Despenteados, belos, livres


Lembro-me da escuridão
Sem a luz do dia
Sem a luz da lanterna
Outra luz surge

Milhares de estrelas brilham
Como uma via láctea
No fundo do Oceano
O esplendor galáctico



Lembro-me de 2 olhos fitarem-me
Interrogavam quem anda aí
Quem ousa perturbar a Paz
Quem trouxe essa luz

Sinto-me intruso naquele mundo
Sinto-me um estranho na terra
Quero viver aqui
Embora em breve deva partir


Lembro-me daquele dia
Da imensa paz
Do sublime pôr-do-sol
Da serena noite

No nevoeiro da memória
Persiste aquele dia que passou
Como gravado numa rocha
Como desenhado no vento

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

De pensamento do dia a pensamento da semana



Decidi transformar o pensamento do dia do último post em pensamento da semana, ou melhor dos últimos 4 anos.
Este governo não cairá porque não é um edifício,
sairá com benzina porque é uma nódoa.

Eça de Queirós
Perdoem-me a repetição mas o momento exige.

Esta é a imagem de um ministro de uma nação num parlamento, de facto este governo é uma nódoa para a história de uma nação que já foi grande em orgulho e feitos e que a única grandeza que lhe resta é a dos disparates desta criatura.


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pensamento do dia

Este governo não cairá porque não é um edifício,
sairá com benzina porque é uma nódoa.

Eça de Queirós
Desculpem esta retirada do de-escárnio, mas às vezes a indignação é demasiada para ser guardada no local próprio. Isto a propósito desta notícia

Site para a transparência das obras públicas foi adjudicado sem concurso público
O Estado criou uma página na internet para dar transparência às contas públicas e evitar derrapagens. Mas a página já custou mais do dobro e foi entregue a uma empresa sem concurso. O Instituto da Construção e do Imobiliário (InCI) afirma que, apesar do ajuste directo à Microsoft, a "lei foi rigorosamente respeitada".

in SIC on-line
Sem comentários... ou melhor, onde é que já vi isto?

Fiquem na transparência do Lado Escuro da Lua!

domingo, 21 de junho de 2009

Que dia!!!

musica: Beatiful Day - U2
Foi um dos melhores dias da minha vida, seguramente o melhor dos últimos 5 anos!

O dia iniciou-se às 8:00 da manhã, preparar o material e seguir para Sesimbra, onde cheguei perto da 10:00. Saída de mergulho para o River, novamente uma visibilidade extraordinária, mas o mergulho não correu 100%, a mergulhadora da esquerda (com os braços abertos) teve bastante dificuldade em descer e verifiquei que estava quase em pânico. Combinei com o Hupert que ele seguiria à frente e eu atrás dela ao alcance das barbatanas de modo a prevenir qualquer acidente. Foi um mergulho algo preocupado e consequentemente com muito consumo de ar, o Hupert acabou por se perder e nem vimos o River, terminou com mais de 500 metros a nadar contra a corrente à superfície para chegar ao barco.

Deu no entanto para ainda ver algumas coisas e foi optimo em termos de treino, não só pela parte física mas também pela parte de lidar com um mergulhador com problemas, permitindo-me avaliar as minhas capacidades de psicológicas para lidar com uma situação potencialmente perigosa, claro que a presença do Hupert (que é instructor) facilitou, mas deu-me para perceber que a minha reacção foi boa, aumentando de forma significativa a minha experiencia e a minha auto-confiança.

A seguir foi um teste de mar ao primeiro barco para liveaboard de Portugal. Numa palavra FABULOSO, a Subnauta está de parabéns e faço votos que tenham sucesso. Voltarei a abordar este tema num próximo post, já com imagens do interior do barco.
Por fim um mergulho nocturno! Local pedra Nautilus, mesmo no centro da baía de Sesimbra.

Em ambiente descontraído, com é norma na Nautilus, começou-se a prepara a saída por volta da 20:00, o calor era abrasador e os fatos apenas foram envergados à última da hora. Depois de preparar cuidadosamente todo o equipamento, pois no mar às escuras é complicado, saímos. A viagem foi curta e quando mergulhamos ainda havia luz do dia. Fizemos um pequeno briefing, em que ficou definido que quando me acabasse o ar a Lena viria comigo à superfície e depois voltaria para junto dos outros (isto de ser o maior beberrão de ar tem destas coisas). Mergulhamos direitos aos 13,2 metros, para avistarmos um pequeno polvo que por ali andava à caça.

Depois vi uma medusa enorme, linda e outra e outra. Nunca tinha visto medusas tão grandes e ainda por cima eram numa quantidade realmente impressionante.

Enquanto tirava uns bonecos às medusas a câmara avisou-me que já não havia bateria. Outra vez o estupor da bateria a acabar antes do mergulho, apesar de ser o 2º mergulho do dia, no 1º não tinha tirado praticamente fotos nenhumas. Estive então a prestar assistência ao meu parceiro enquanto me divertia com um ou outro polvo, tive hipótese de observar um a alimentar-se a uma ameijoa bem grande, vi um safio pequeno e por esta altura o computador indicou-me que estava a ficar na reserva de ar.

Olhei à volta e não vi ninguém, além do meu buddy, o que achei estranho pois a visibilidade era obscena, para dizer o mínimo. Fiz sinal ao meu buddy que precisava de subir e ele respondeu-me que também vinha para cima, só ia tirar mais uma foto. Iniciei a subida na vertical dele ficando a pairar na superfície e vendo-o claramente no fundo a 13 metros de profundidade.

Tirei a cabeça da água para localizar a embarcação e... foi o choque, à minha frente as luzes de Sesimbra brilhavam reflectindo-se na água, tentei fotografar mas ficou tudo tremido, apesar do mar estar um espelho não é possível fixar a máquina para fotografar com aqula luz, mas conservei a foto mais para me recordar do momento absolutamente mágico.

Olhando à volta, encontrei o barco e para meu espanto já lá estavam todos a bordo, nós eramos os últimos a sair da água. Chegado a casa verifiquei que foi o consumo de ar mais baixo de sempre (17 L/min contra o melhor que tinha feito até hoje 19 L/min, com a média na casa dos 24). Absolutamente fantástico. Foi uma excelente despedida da Primavera!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 14 de junho de 2009

A proa do River

música: Sweet, Sweet Rain - Gene Loves Jezebel

Havia de facto uma razão para estar
particularmente eufórico por ir mergulhar, parecia que adivinhava...


Em termos técnicos:
Tempo de fundo : 27'
Profundidade Max. : 27,9 m
Grupo pressão : P
Temperatura água :15º
Temperatura ar : 29º
Visibilidade : 15 m
Gás : Nitrox32
Alarmes : RBT, slow

Resumindo, foi o melhor mergulho da minha vida!
Ontem eram 4:00 ainda acompanhava as 24h de Le Mans, hoje eram 8:00 quando me levantei com a intenção de ir mergulhar, 1ª constatação um céu de chumbo, 2ª uma carga de água pelo caminho que parecia um dilúvio, mas chegado lá abaixo uma visibilidade estonteante


Descemos direitos até atingirmos o casco do River a 23.8 m de profundidade, cumpridas as verificações da ordem (controlo de flutuabilidade, câmara, flash, etc) descemos para o fundo a 26 m.


A dar-nos as boas vindas estava um cardume de Sargos Veado de grandes dimensões, olhando à nossa volta distinguia-se perfeitamente a proa do River, sendo particularmente conspícuo o bolbo da proa.

Nunca tinha tido a oportunidade de observar um naufrágio de uma forma tão abrangente, infelizmente a luz não estava a querer colaborar e impediu uma foto de todo o conjunto.


Diversos rascassos andavam por lá de tal forma dissimulados que o Pedro por 2 vezes ia pousando a mão num.

É um peixe que muda o tom de acordo com a cor do fundo, como os camaleões, mas a sua picada deixa um membro dormente por um dia inteiro.


Continuamos a inspeccionar a proa deste cargueiro, cruzando-nos com mais sargos de enorme dimensão.

Aproveitamos para fazer algumas fotos "artísticas" com enquadramentos de cabeços de amarração e vigias. até que os computadores começaram a mandar-nos subir um a um.

Para não variar o 1º a ter de subir fui eu, continuo a consumir muito ar e cada vez mais um rebreather torna-se o objecto mais desejado.

Um pequeno engano no botão fez-me subir uns metros agarrado à boia de patamar .



Em suma foi, de longe, o melhor mergulho da minha vida, tendo me deixado a pensar nos porquês de não se apostar em afundar uns navios nas nossas costas de modo a criar mais pontos de interesse para mergulho e não só.

O cqansaço apodera-se de mim inexurávelmente, já fechei os olhos 2 vezes enquanto escrevia estas linhas. O 36 irá ter de esperar por amanhã pois já está a ser uma aventura manter os olhos abertos.


P.S. deixei ficar esta última parte pois faz parte do momento que vivi, apenas ajeitei o tamanho do texto para dar um melhor aspecto.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

sábado, 13 de junho de 2009

Prazeres

Apesar do turbilhão em que vivo, consegui isolar o que me afecta negativamente e estar a viver um momento do qual retiro algum prazer. Não fossem alguns problemas que me recuso a trazer para aqui, são mais para o de_escarnio, e poderia dizer que sou um ser humano feliz.

A piscina está óptima, depois da avaria do motor e consequente deterioração da água, consegui resolver a situação, agora está bem azulinha e quentinha também (hoje estão 25º), a descida das taxas de juro, os subsídios de férias e o IRS colocaram a economia num nível confortável, amanhã vou mergulhar! O verão parece ter chegado (embora hoje estejam umas nuvenzitas, mas está calor, parece as caraíbas), só se está bem dentro de água.

Ontem estive a cortar uma Aroeira que estava enorme e tapava o sol da piscina, para além de a encher de folhas (foi um barrete que me enfiaram, a Aroeira não suja, não suja pouco), o que aliado ao pinheiro que o vizinho cortou no inverno passado (roguei-lhe tantas pragas, que acabou por começar a tombar para cima da casa dele) fez com que a piscina ficasse ao sol o dia todo e assim a temperatura subiu logo 2º!

Bom vou dar outro mergulho para ir para o duche, pois hoje é dia de jantar fora!

Não sei se disse mas vou mergulhar amanhã!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Video de promoção

Já há algum tempo que matutava nisto, fazer um vídeo de promoção para a empresa. Comecei por fazer um curto de 1 min. Tenho planos para fazer outro de 4 min contendo mais informação e outras fotos dos centros de mergulho , das viaturas, dos barcos e do pessoal a ir mergulhar.

Até lá fica este.



Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Os piratas

imagem: El País
A recente eleição de um deputado do Partido Pirata da Suécia para o Parlamento Europeu veio um pouco no seguimento do meu post anterior. De facto o "aperto" que as editoras andam a fazer à divulgação de arte, brilhantemente auxiliadas pela ASAE, está a atingir contornos perfeitamente ridículos.

Já viram o que era não podermos publicar mais de 10% de uma foto que tiramos ao Mosteiro dos Jerónimos? Ou da pintura da Noite Estrelada de Van Gogh? O cúmulo do ridículo foi numa barbearia daquelas antigas a ASAE ter lá entrado e multado o barbeiro por este ter o rádio (sim o rádio, não estava a tocar nem discos, nem cassetes) ligado! O homem tinha a barbearia há 20 anos, sempre teve lá um rádiozito a tocar e agora chegam uns tipos e multam-no. Exemplos destes podem encontrar-se um pouco por todo o lado.

Não acredito que os músicos se sintam roubados quando usamos a música deles nos nossos blogs, um artista quando faz uma obra gosta que os outros a admirem. O problema parece estar nas editoras e na mira do lucro selvagem, este mundo anda louco, ou então descobriram uma maneira de levar o dinheiro para a cova e usá-lo lá.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 7 de junho de 2009

Frankie goes to Hollywood


Hoje deu-me uma onda nostálgica e fui tirar esta do baú!

Já agora alterei a Playlist, farto de andar a aturar tretas como a de reduzir as músicas a trechos de 30 seg. tratei do assunto pelas minhas mãos.

Espero que gostem, em relação à playlist deixo um link e podem ir lá ouvi-la na integra.

Más notícias para quem usa o Firefox (como eu), só dá para ouvir uma coisa. a música ou o mar.




Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 31 de maio de 2009

De novo no River

As condições eram bastante boas, temperatura do ar 27º, mar chão, pouco vento, céu limpo, visibilidade de quase 10 m, a temperatura da água é que destoava pois eram apenas 14º.

A viagem foi bastante rápida, pois os 225 CV do semi-rigido não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Ainda houve tempo para uma visita às grutas da Ponta da Passagem.

Descemos pelo cabo até aos 23 metros, onde deparamos com a estrutura deste cargueiro nigeriano, acertos do equipamento, da câmara, uma vista de olhos em redor e lá partimos para a descoberta de mais uma zona do River.

Desta vez vi um dos motores, infelizmente a suspensão e um mau posicionamento do flash não permitiram boas fotos.

O mergulho foi prosseguindo com vistas espectaculares como só um naufrágio propicia, aqui e ali surgia exemplares de peixes de grandes dimensões para a espécie, como este Bodião listado no dorso o Sargo Veado (o maior que já vi) e os Salmonetes extraordinariamente grandes.

Apesar de ter levado 2 lanternas não pude usar nenhuma delas, uma estava avariada e a outra sem pilhas. Isto é
muito mau no River pois há sempre muitas cavidades a explorar, para além da luminosidade ser já algo reduzida aquela profundidade.
Assim não consegui ver um lavagante e 2 safios que se encontravam dentro da estrutura do barco.

O mergulho foi bastante "plano", sendo que a profundidade máxima que atingi foram os 24,8 metros, precisamente a meio do mergulho.

Em termos de fauna, para além do já citado, foi escassa aquilo que se viu, apenas a realçar uma enorme quantidade de abróteas ainda jovens.

Aos 22 minutos de mergulho o computador mandou-me regressar à superfície. O meu consumo de ar é elevado e começo a acreditar que não vai ser possível reduzi-lo, pois já à superfície sinto que necessito de muito ar normalmente.
A minha garrafa era a do costume de apenas 12 litros, vou ter de investir algum dinheiro num rebreather, a hipótese de comprar uma garrafa maior talvez não valha a pena. O futuro do mergulho está nos equipamentos em circuito fechado ou semi-fechado, pena é que o preço e a manutenção ainda sejam um tanto elevados. A única coisa que sinto que vou ter saudades é do som das bolhas de ar, que faz parte do meu imaginário.

no Wet Side

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!