quinta-feira, 10 de abril de 2025

Reflexões sobre o "No Lado Escuro da LUA"


Foi a primeira vez que escrevi um romance! Este meu quarto livro nasceu no seguimento de um desafio lançado pela Angie.

O que mais me fascinou neste projecto foi a forma como a história se desenvolveu, parecia que tinha vida própria, a idéia inicial era ter 1 personagem solitária, um homem que a dada altura da sua vida deixou tudo para trás para procurar viver a sua vida longe de intrigas e de pessoas que lhe tinham feito mal, mas que uma carta o tinha feito regressar ao passado. Depois tive de juntar outra personagem, devia ser uma jovem que o ajudava nas lides da casa, rapidamente essa jovem se tornou buddy de mergulho e amiga colorida, mas não mais que isso, depois surgiu uma namorada da amiga...

Se me perguntarem o porquê, sinceramente, apenas posso dizer que elas estavam lá, assim como as restantes personagens e lugares onde a história passou. A certa altura tinha a sensação que estava apenas a descrever uma história que alguém me tinha contado ou filme que tinha visto. Foi um pouco estranho.

Apesar de alguns capítulos se passarem em lugares que conhecia bem (Roskilde, Bucareste, Gdansk, Lille, Lagos e Fátima), outros houve em que nunca tinha lá estado (Polperro, Stonehenge, Islay), não sei porque razão mas a história foi por aí, tive de recorrer ao Street View durante horas. Ainda por cima quase metade do livro é passada em Islay.

Mas já tenho a cabeça a fervilhar para escrever um segundo capítulo.

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

terça-feira, 8 de abril de 2025

No Lado Escuro da Lua



Foi publicado hoje o meu primeiro livro de ficção.

A história "No Lado Escuro da Lua" passa-se num presente alternativo, segue a vida de Filipe, um homem de 60 anos, apaixonado pelo mar, que imigrou para Roskilde. A narrativa começa com Filipe recebendo uma carta anónima que promete revelar segredos sombrios sobre o passado de sua família. Ao longo do livro vai-se descobrindo que ele não foi um informático durante toda a vida, o seu passado esconde muitas coisas, até dele próprio.

A carta misteriosa leva Filipe a recordar momentos dolorosos de sua vida, incluindo a morte de seu pai e a traição de sua mãe e irmã. A viagem que Filipe começa para tentar descobrir mais sobre a carta e os segredos que ela promete revelar leva-o a Bran, na Roménia, passa por Gdansk na Polónia, atravessa a Europa de Norte a Sul até Lagos, sua terra natal, passa ainda pela Cornualha e por Stonehenge e termina na ilha escocesa de Islay.

Filipe é acompanhado por Birgit, uma amiga próxima e ex-hacker, e Isabela, a nova namorada de Birgit. Juntos, eles enfrentam desafios e mistérios enquanto tentam desvendar os segredos da carta, rapidamente formam um triangulo amoroso que os leva a descobrir emoções inesperadas. A história é rica em detalhes sobre os personagens, suas relações e as paisagens que eles encontram ao longo da jornada.

Numa mistura de realidade e fantasia e onde o real e o fantástico se interligam, passado, presente e futuro conjugam-se no mesmo instante temporal. Sendo por vezes mesmo premonitório com apontamentos metafóricos sobre a realidade e sobre as emoções vemos coragem, paixão, amizade e solidariedade contraporem-se a ódio, rancor, ganância e maldade.

Este livro é uma mistura de guerra, suspense, drama e romance, com uma trama que mantém o leitor envolvido até o final.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 26 de janeiro de 2025

Ao Longe o Mar



Já está à venda o meu 3º Livro - Ao Longe o Mar.

Um conjunto de histórias, poemas e fotos com o Mar (ou a sua ausência) em pano de fundo. 

Este meu terceiro livro, revelou-se um “parto” difícil, já que pouco depois do início deste projecto saí da instituição onde trabalhei durante 21 anos e tive a necessidade de dar um novo rumo à minha carreira que me levou a atravessar a Europa, diferentes projectos em diferentes países foi demasiada agitação retirando-me inspiração e tempo. Só quando regressei a Portugal e à beira-mar a inspiração regressou juntamente com a maresia a invadir-me os pulmões.

Esta viagem começa na minha terra natal – Portimão onde vivi apenas nos meus primeiros meses de vida, mas que nos anos que se seguiram visitava frequentemente, passa por Lagos - onde cresci e de onde tenho algumas das minhas melhores e piores memórias e vou desenhando a viagem até Lisboa – onde residi o maior período da minha vida, subindo até à Covilhã – onde nasceu o Amor da minha vida, depois uma incursão pelo Mediterrâneo e finalmente a volta à Europa, passando por Lille, Bucareste, Constanța, Brasov, Copenhaga, Varsóvia, Gdansk e Roskilde, regressando por fim a Portugal, mais propriamente à Ericeira e depois a Espinho. O desenho no mapa revela 11.000Km mas por uma questão de simplificação apenas desenhei uma linha continua, não respeitando a linha do tempo.

Está em 3 formatos: capa dura, capa mole e Kindle e em 2 línguas: Português e Francês, a versão em inglês irá sair mais tarde.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Europe Endless

Os tambores da guerra soam cada vez mais alto. Mas estamos surdos, acomodados a uma ideia com 80 anos de que a guerra nunca mais atingiria a Europa. 
No entanto ela está aí,  a Rússia invade a Ucrânia,  os actos de sabotagem contra a Europa vão se multiplicando. 

Se olharmos para trás vemos as semelhanças com 1938, sistematizando: 

1938 Hitler invade os sudetas com o argumento que a população alemã é perseguida e discriminada.

2014 Putin invade a Crimeia com o argumento que a população russa é perseguida e discriminada. 

1939 Hitler toma o resto da Checoslováquia porque... coiso.

2022 Putin ataca a Ucrânia porque... coiso.

1938 Hitler anexa a Áustria sem disparar um tiro. 

2000 Putin reforça o controlo da Bielorrússia com um palhaço como presidente. 

O resto do que se passou no séc. XX já sabemos, falta saber o que se vai passar daqui para a frente. 

Ok, a Ucrânia não caiu, pois foi um erro de cálculo, nem Putin nem ninguém esperava que Zelinsky, um comediante eleito presidente, tivesse tanta fibra e tanto carisma. Também não era espectável que o povo ucraniano resistisse de forma tão aguerrida. 

Putin também não contava que o seu amigo Trump perdesse as eleições, o que adiou em 4 anos os seus planos. 

Putin, tal como Hitler tinha feito 80 anos antes, afirma que as suas pretenções territoriais eram apenas a Crimeia, Donbass e Donetsk, e hoje já juntou Kerson e ... Tenho a certeza que irá acrescentando territórios enquanto lhe deixarem até atingir o desígnio da mãe Rússia - estender-se de Vladivostok até Lisboa! Não! Não estou a inventar ainda não há muitos meses o seu n2, fazia essa afirmação literalmente. 

Os astros voltam a alinhar-se para putin, Trump ganha as eleições nos EUA, a extrema direita assoma-se na Alemanha e em França, já se instalou na Hungria e na Eslováquia pode bem juntar Romênia ao grupo. Aqui no burgo já são a terceira força política.

Por falar nos Cheganos, aquela cáfila mente descaradamente, se um dia chegarem ao poder rapidamente passariam a ser os amigos do Putin. 

Deixo aqui a música dos Kraftwerk - Europe Endless, que termina assim 


Elegance and decadence, Europe Endless

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

domingo, 17 de novembro de 2024

A Kind of Magic

Musica dos La Caina e Imagens e texto do penúltimo meu próximo livro - Ao Longe o Mar!

Dedicado a ti minha querida Angie!




A noite vai-se aproximando

O sol vai descendo lentamente

O vento vai juntando as nuvens

Como um rebanho de ovelhas fossem

 

As cores do céu vão mudando

As cores do mar também

O vento encrespa o Mar

Fazendo dele milhares de espelhos

O Sol pinta a paisagem

Vai mudando os tons

Vai mudando a luz

Vai trazendo a paz

Vai acariciando a alma dos homens

Vai transmitindo a magia do dia

Vai chamando o crepúsculo

Vai antecipando a terna noite


As ondas vêm brincar para a praia

Vêm dançando enrolar-se na areia

Dançam com o vento, com as nuvens

Fazem os Homens sentir-se poetas


Trazem com elas a maresia

Que nos inunda o olfacto

Levada pelo vento

Espalha-se pela terra

 


 Sinto-me a bailar

A bailar com o vento

A dançar com as ondas

Rodopiando na areia


 Sinto-me um poeta

Sinto-me um mágico

Sinto-me um pintor

Sinto-me um músico

 

Ali fico a respirar

Aquele ar salgado do mar

Perco a noção do tempo

Perco o lugar do espaço

 

Sacudo a areia dos pés

Seco a água do cabelo

Esfrego o sal da pele

E em paz retorno ao lar

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

sábado, 2 de novembro de 2024

Sagres


Há lugares no mundo que deixam uma marca profunda na nossa alma, Sagres sempre me fascinou, foram inúmeras as vezes que a visitei por terra, só ou acompanhado, o promontório e o cabo "onde termina o mundo", este sempre foi um local quase místico. Aliás para os povos da antiguidade era mesmo um lugar místico. Os Celtas chamaram-lhe o promontório dos Deuses. Outros povos achavam que era ali que o mundo terminava, era ali que começava o mar das trevas.

O Infante mudou tudo isso, mas a mística ficou agarrada àquelas pedras de forma indelével. Em todo o lado sente-se o peso da história, nas muralhas, nas velhas caraças dos canhões gastas pelos anos e pelo salitre, nas paredes do velho templo, na misteriosa rosa dos ventos, nas furnas que descem até ao mar pelo ventre da terra.

Mais a oeste vislumbra-se o cabo de S. Vicente com o seu farol, o ponto mais a sudoeste da Europa, a ponta do velho Continente que aponta para o Novo Mundo, entre ambos uma enseada com vários recantos e um charmoso Castelo hoje transformado numa unidade turística.

Mas nada do que se vê de terra é mais esmagador que a vista a partir do mar! A primeira vez que admirei esta paisagem a partir do reino de Neptuno, foi a bordo do paquete Funchal. Ainda hoje, passados 35 anos, revejo esse momento com uma claridade cristalina. Estávamos a jantar, pelas janelas comecei a ver desfilar a praia da Bordeira, depois o Castelejo, não esperei mais, saí para o convés e debrucei-me na amurada. Ouvia-se Wagner, os penhascos erguiam-se altivos, deslumbrantes à luz do pôr do sol, o navio aproximou-se tanto como as regras de segurança permitiam, deixando os mais pequenos pormenores ficarem expostos aos meus olhos.

Aos poucos fomos contornando o cabo de São Vicente e dirigindo-nos para Sagres, Wagner continuava a tocar pelas colunas do navio, olhei à minha volta, estava só contemplando a mais bela paisagem que jamais vira.

Dias antes tinha visto um rosto que também havia marcado a minha alma, tinha aparecido e depois perdera-se na multidão que preenche as ruas nas noites estivais de Lagos. Receei não mais voltar a rever tão marcantes imagens. Fiquei por ali, a noite caiu fiquei apreciando as luzes do Algarve: Burgau, Luz, Lagos, Alvor, Portimão…

Perguntei-me se voltaria a ver Sagres do mar… e aquele rosto lindo de morrer. Voltei para Lagos procurei-a, não mais a vi.

16 anos depois voltei a cruzar aquelas águas, desta vez no meu pequeno veleiro, voltei a procurar aquele rosto fugidio no meio da multidão. Sagres vista do mar voltou a mostrar-se em todo o seu esplendor num mar estanhado, lá em cima pareceu-me vê-la! Toquei a sirene, abanei freneticamente os braços... Não. Não era ela, tenho agora a certeza.

Passaram outros 16 anos, olhando para um quadro de fotos em casa de alguém que conhecera há poucos dias, volto a rever aquele rosto fugidio! Aquela cujo rosto para sempre ficou gravado na minha alma como as imagens daqueles rochedos imponentes.

Redijo estas linhas a seu lado, contemplo o seu rosto sereno e belo. A noite vai adiantada, não tarda estarei abraçado a ela no nosso leito, sonhando com uma viagem a seu lado contemplado aquela paisagem divina uma vez mais.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.





domingo, 27 de outubro de 2024

Regatta de Blanc


Músicas: Regatta de Blanc – The Police; Mysterious Ways - U2

 


Imponente, a Catedral de Palma de Maiorca, domina as vistas. A altura das suas torres, as mais altas de Espanha, desafiam o facto de estarmos numa ilha.

Por todo o lado há alguém a tentar vender algo, quadros, malas, sapatos, recuerdos… também há artistas de rua, que fazem pinturas, performances, homens/mulheres estátuas e o estranho casal que levita numa armação bem disfarçada. Houve-se uma viola tocando o concerto de Aranjuez, o sol é abrasador, apesar dos jactos de água que caem no lago que fica no sopé da catedral o calor torna-se pesado enquanto o sol procura a sua posição mais alta, como que para ver melhor todo o esplendor que se estende por baixo.

Uma brisa levanta-se, embala as folhas das palmeiras que alegres fazem coro aos acordes da viola do virtuoso artista de rua que a dedilha alegremente.

Ao virar de uma esquina os olhos preparam-se para abraçar o mar, quando uma figura enigmática rompe a paisagem chamando a si as atenções.

Agarrando a larga borda azul do chapéu que o vento tenta em vão retirar para descobrir o seu rosto sereno, deixando o alvo vestido ondular ao sabor deste, ora mostrando ora ocultando as suas formas perfeitas. Pequenas rendas orlam as extermidades das curtas mangas, como se brancos lírios lhe ornamentassem os braços firmes e maduros.

Olha fixamente para o Mar, não se deixando distrair com as mundanas figuras que cruzam a rua.  Por momentos o tempo pára, tudo fica estático, congelado. Apenas ela continua a mover-se naquela forma misteriosa, ondulando como o vento, provocando um pesado suspiro de paixão.

O roxo das Buganvílias contrasta com o verde e o amarelo dominantes, traçando um friso colorido no topo do muro desta casa com singelas varandas e venezianas verdes.

As palmeiras omnipresentes compõem a moldura muito acima das luminárias que quase passam despercebidas. Ali numa muito camuflada esquina uma cascata de belas flores azuis vai descendo pela trepadeira que cobre por completo o muro que delimita a propriedade e dá suporte ao socalco que aplainou o espaço onde esta moradia se ergue.

O calor continua opressor, pesado e húmido, convidando a uma paragem para refrescar.


 Que melhor local para fugir à canícula que a Plaça de la Feixina, com os seus lagos e cascatas, sempre com a água correndo, mergulhando aqui e ali debaixo das pedras do passeio, para surgir uns metros à frente mais fresca.

As amplas sombras do arvoredo auxiliam no arrefecimento, enquanto acenam para a água embaladas pela aragem que atravessa a ilha de norte para sul.

Convidando a uma paragem para descansar as pernas e arrefecer os músculos enquanto se contempla o escoar do tempo na sombra do relógio de sol, ali instalado numa das faces de pirâmide de pedra, noutra surge um enigmático relógio de lua, com a sua tabela de legenda e descodificação.

Os muros do castelo opõem-se à linha das palmeiras deixando no seu regaço um largo passeio de pedra.

Ali surge novamente a bela silhueta alva, agora dança, alegre, feliz, deslumbrante. Rodopia de braços abertos abraçando o vento numa valsa ensurdecedora de silencio. Baila com o calor e com as gotas de humidade que pairam pelo ar arrastadas desde as cascadas pela suave brisa estival.

Continua misteriosa a forma como se move, como dança, como caminha. A harmonia instala-se, todo o quadro ganha uma formosura singular, até a catedral estica as suas torres por entre as palmeiras para observar este pitoresco panorama em movimento, esta poesia silenciosa e serena.

Abraço a beleza do quadro e regresso ao navio, sou um marinheiro, um homem do mar, apaixonado pela doce silhueta alva que misteriosamente se movimentava, ora caminhando, ora dançando.

Contemplo a linha do casario que se estende entre as verdes colinas e o azul do mar, a multitude de embarcações que descansam na grande marina, os paquetes luxuosos que preparam a partida para o alto mar.

Tudo parece pacífico, sereno, nem o vento se sente agora.

Sinto uns braços a me envolver, um doce perfume invade-me as narinas e o doce som de uma voz faz-me estremecer.

Lentamente viro-me, perante mim está a delicada figura alva com que me cruzei uma e outra vez durante o dia.

A noite caiu, não sentimos o sol esgueirar-se sob as ondas distantes, inebriados pelo tão inesperado como anunciado encontro. Os nossos olhares não se desviaram durante as longas horas em que o glorioso astro atravessou os céus.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quarta-feira, 1 de março de 2023

The Dark Side of the Moon



50 anos! Porra! Estou velho!

Hoje melguei a paciência a toda a gente com esta efeméride! Salvo raras e honrosas excepções, a esmagadora maioria dos meus amigos não eram nascidos quando este álbum foi lançado, curiosamente um dos mais novos foi o primeiro a concordar comigo que este é o melhor álbum de todos os tempos.

De facto os anos parecem não afetar a música nem os textos, hoje ainda faz sentido quase tudo o que é cantado e a harmonia musical está longe de ser datada.

Tinha quase 10 anos quando este disco foi lançado, ao ouvi-lo fiquei apaixonado e pedi à minha mãe que o comprasse, ela foi à loja e ouviu, agarrou-me por uma orelha e arrastou-me de lá para fora a dizer que nunca me compraria este disco porque era muito subversivo. (Bem, o que ela disse mesmo é que era música de drogados😆).

Poucos dias depois o meu pai veio oferecer-me às escondidas - Vê lá, não o ouças quando ela estiver em casa!

Ainda hoje fico arrepiado cada vez que o ouço, acho que nenhum outro disco me consegue trazer tantas emoções, os sublimes acordes da viola de David Gilmour, a perfeita harmonia entre a bateria de Nick Manson e a viola baixo de Roger Waters tudo temperado com os teclados do Richard Wright, se existe algo perfeito neste planeta é definitivamente este disco.




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Abbey Road



Este sempre foi um dos meus álbuns favoritos. Melodias como Here comes the Sun, Come Togheter ou Something encheram desde a minha pré-adolescência o meu universo musical. Hoje estava a ler um texto da AnaMar e de repente este álbum saltou-me das memórias e uma vontade imperiosa de o ouvir apoderou-se de mim.

Tantas coisas que deixamos para trás na vida, mas a música é daquelas que sabe sempre bem ir rebuscar. 

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Onde o Mar é mais Azul


Depois de um dia em que não se sentia a diferença entre abrir a porta do terraço e a porta do forno, hoje, aqui onde o mar é mais azul, a típica doce e refrescante brisa marítima temperou o clima o que me permite estar a escrever estas linhas no exterior.

Confesso que ainda sinto uma certa nostalgia de Lagos, mas este cantinho é de facto abençoado. Com uma quantidade assinalável de praias, desde as mais cosmopolitas às mais escondidas, a temperatura da água é compensada pelo calor humano. Inúmeras ribeiras desaguam em praias cavando vales férteis até à areia e proporcionando abrigo aos ventos que são uma imagem de marca do Oeste.

Depois há esse pormaior que, para quem me lê há algum tempo já sabe, tem uma importância central na minha vida - O AZUL. De facto aqui é mesmo onde o mar é mais azul! Desde que me conheço como gente, o azul foi sempre a minha cor favorita e sempre dominou os meus gostos. Cresci com uma vista privilegiada sobre o azul com o mar à porta e o céu limpo sobre a cabeça. Passava dias inteiros na praia, mergulhando, nadando, surfando, quer dizer tentando surfar, pois naquela altura era muito difícil encontrar pranchas de surf em Portugal, tentei fazer com vários materiais que conseguia arranjar, mas todas se partiam na minha primeira tentativa de as usar 😖. Acabei a fazer bodysurf, ou como se dizia na época a "correr marulho". Ou a surfar com os pequenos veleiros da escola de vela, acabando muitas vezes por ver-me obrigado a algumas reparações nas embarcações.

Por falar nisso, tinha 12 anos quando pela primeira vez me sentei um barco à vela - um Optimist. Ainda hoje me lembro da sensação de caçar a vela e sentir a "caixa de sabão" a deslizar pela ribeira até ao mar, de esgueirar-me pela praia da Batata, passar pela praia dos Estudantes e contemplar o pôr-do-sol na Ponta da Piedade. Acho que me ficou melhor gravado esse momento do que o do primeiro beijo. 😆


Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 26 de junho de 2022

Bring on the night

      23 de Junho de 2022

Isto anda muito musical! O post anterior foi sobre os Pink Floyd, neste momento Confortably Numb está a tocar numa playlist aleatória que começou com Joe Bonamassa+Beth Hart, Beth Hart, Shiva Ree e agora passou para Chris Isaak - outra música monumental - Wicked Game. Está a ser brutal!!!

Na paisagem visual ainda flutua a memória de (mais) um pôr do sol fantástico sobre o Atlântico, aqui, onde o mar é mais azul. Ao que se seguiu (mais) um crepúsculo também fabuloso.

    5 de Maio de 2022

Esta é o momento mais mágico do dia aquele que se estende desde os minutos precedentes ao pôr do sol até à escuridão completa! Foi uma das coisas que mais senti falta nos anos em que estive fora de Portugal, apenas em Roskilde tive um pequeno vislumbre, mas o fjord estendia-se para norte e assim o sol punha-se sobre terra.

Após o fim do dia de trabalho, dirigia-me à margem do fjord e ficava por lá a admirar as nuances do crepúsculo, afogando as saudades do Atlântico e mascarando a solidão, comia um cachorro-quente e voltava para o apartamento com a alma saciada.

    15 de Setembro de 2020

Completei um circulo, dei a volta à Europa, estive praticamente nos seus dos 4 cantos nestes últimos anos, mas faltava sempre algo... Quase que me esquecia: Constanţă, mas aí era o nascer do sol que trazia as melhores paisagens. 

    05 de Outubro de 2019

Mas continuo a preferir o crepúsculo, a luz é diferente, guia-nos para a calma da noite, em especial quando podemos desfrutar desses momentos à varanda, com o vento a acariciar-me o rosto, a saborear o gosto fumado de um copo de Ardebeg, com um Cohiba a completar o quadro olfato/degustativo, a observar o lampejo longínquo do farol, com o som desta bela melodia misturando-se com o canto das gaivotas que regressam aos ninhos depois da pescaria da tarde.

E claro na companhia de quem amamos.



Bring on the Night / I couldn't stand another hour of daylight. 




Fiquem bem no lado escuro da Lua.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Delicate sound of Thunder

Tenho estado a assistir ao video Delicate Sound of Thunder! Hoje tinha trazido o PC para escrever algo aqui, mas perdi-me a ouvir os mágicos Pink Floyd.

Por acaso até tinha presenciado um crepúsculo lindíssimo, com uma luz perfeita, ondas e a luz dum barco no horizonte. 

Mas... Wish You Where Here, The Great Gig in the Sky, Breathe, etc captaram a minha atenção.


 

Fiquem bem no lado escuro da Lua.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

I'll Take Care of You



Como habitualmente andava deambulando pelas ruas de Lille após o jantar, de repente uma voz poderosa irrompe pelos auscultadores em desafio com uma guitarra tocada com uma mestria rara! 


I'll Take Care of You cantava a na altura a por mim desconhecida Beth Hart, a seguir entrava um monumental solo de viola de outro ilustre desconhecido Joe Bonamassa. Rapidamente se tornaram os meus fieis companheiros de passeio nocturno.


Foi um período intenso, pela primeira vez estava a viver fora de Portugal, pela primeira vez tinha reuniões de trabalho numa língua que não a de Camões, pela primeira vez vivia isolado a muitas centenas de quilómetros de alguém que conhecesse, pela primeira vez contactava intimamente com outra cultura. Também no aspecto musical era uma primeira vez.

Fiquem bem no lado escuro da Lua.



domingo, 8 de maio de 2022

Sou uma câmara


O sol está quente, uma fresca brisa tempera o clima ao mesmo tempo que desenha pequenas vagas que se transformam em cristas de espuma. A areia quente transmite uma a terna textura dos grãos. 

Agora que a neblina matinal se dissolveu suavemente debaixo dos raios do sol, o piar das gaivotas mistura-se com o murmúrio das ondas que rebolam pela areia e convidam a um mergulho nas suas águas temperadas. 

As poucas pessoas que usufruem deste pequeno paraíso na Terra vão brincando com os seus patutos ou simplesmente passeando pela fina areia, o vento fresco inibe o ímpeto de mergulhar, mas aos poucos vão-se deixando convencer uma após outra.

As ruínas do forte abandonado pela sua obsolescência, continuam firmes e determinadas a resistir à erosão dos anos. Assim como o AMOR, o verdadeiro AMOR, por muitas que sejam as vicissitudes e  os problemas, também ele resiste como este forte à erosão.  

Tal como o forte dá uma pincelada poética na paisagem, o AMOR contagia a vida como um poema romântico, trazendo cor, alegria e prazer mesmo em tempos difíceis e convida-nos a olhar para trás e a pensar: "Valeu a pena".

AMO-TE ANGÉLICA!


Fiquem bem no lado escuro da Lua.








sexta-feira, 6 de maio de 2022

Barcelona


Ali do alto do Montjuïc a Catedral de Barcelona sobrepõe-se imponente ao resto do tecido urbano, no subconsciente Freddie Mercury e Montserrat Caballé, entoam aquele dueto memorável, contemplando o Estádio Olímpico lembro-me das mais belas cerimónias Olímpicas de abertura e fecho se realizaram.


Olhando para o outro lado, vemos a zona financeira de Barcelona, com as suas torres emblemáticas, em especial a estranha torre oval, que mais parece uma nave extraterrestre que ali aterrou. Esta torre serve de aperitivo para a Sagrada Família cujas elaboradas torres cónicas fazem uma perfeita transição entre estilos arquitetónicos. 


Descemos pelas estradas que serviram de pista para algumas provas de Fórmula 1 memoráveis, até que paramos em frente à memorável Catedral da Sagrada Família, com as suas obras infindáveis, mas mesmo assim bela, extremamente bela. Mais uma vez Barcelona entoa nas nossas cabeças. Essa música está indelevelmente ligada à cidade de Gaudí. Nenhuma outra melodia criaria uma harmonia tão perfeita com a arquitetura neogótico que vemos a cada esquina. 


Continuamos o nosso passeio e outros estilos de arquitetura surgem entrelaçando-se numa harmonia que mais uma vez rima com os estilos tão contrastante e mesmo assim tão harmoniosos como os de Freddie e Montserrat. O moderno e o clássico, com um toque extravagante e sinfónico à mistura, ora em calmo e ternurento, ora explodindo de som e côr, ora expressando-se na língua de Shakespeare ora na de Cervantes.

Mantente bien en el lado oscuro de la luna



quarta-feira, 4 de maio de 2022

O presente


O segredo da saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sábia e seriamente o presente.
Buda


Fiquem bem no lado escuro da Lua.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Regatta de Blanc

Música: Regatta de Blanc – The Police; Mysterious Ways - U2


Imponente, a Catedral de Palma de Maiorca, domina as vistas. A altura das suas torres, as mais altas de Espanha, desafiam o facto de estarmos numa ilha.

Por todo o lado há alguém a tentar vender algo, quadros, malas, sapatos, recuerdos… também há artistas de rua, que fazem pinturas, performances, homens/mulheres estátuas e o estranho casal que levita numa armação bem disfarçada. Houve-se uma viola tocando o concerto de Aranjuez, o sol é abrasador, apesar dos jactos de água que caem no lago que fica no sopé da catedral o calor torna-se pesado enquanto o sol procura a sua posição mais alta, como que para ver melhor todo o esplendor que se estende por baixo.

Uma brisa levanta-se, embala as folhas das palmeiras que alegres fazem coro aos acordes da viola do virtuoso artista de rua que a dedilha alegremente.

 


Ao virar de uma esquina os olhos preparam-se para abraçar o mar, quando uma figura enigmática rompe a paisagem chamando a si as atenções.

Agarrando a larga borda azul do chapéu que o vento tenta em vão retirar para descobrir o seu rosto sereno, deixando o alvo vestido ondular ao sabor deste, ora mostrando ora ocultando as suas formas perfeitas. Pequenas rendas orlam as extermidades das curtas mangas, como se brancos lírios lhe ornamentassem os braços firmes e maduros.

Olha fixamente para o Mar, não se deixando distrair com as mundanas figuras que cruzam a rua.  Por momentos o tempo pára, tudo fica estático, congelado. Apenas ela continua a mover-se naquela forma misteriosa, ondulando como o vento, provocando um pesado suspiro de paixão.

O roxo das Buganvílias contrata com o verde e o amarelo dominantes, traçando um friso colorido no topo do muro desta casa com singelas varandas e venezianas verdes.

As palmeiras omnipresentes compõem a moldura muito acima das luminárias que quase passam despercebidas. Ali numa muito camuflada esquina uma cascata de belas flores azuis vai descendo pela trepadeira que cobre por completo o muro que delimita a propriedade e dá suporte ao socalco que aplainou o espaço onde esta moradia se ergue.

O calor continua opressor, pesado e húmido, convidando a uma paragem para refrescar.

 


Que melhor local para fugir à canícula que a Plaça de la Feixina, com os seus lagos e cascatas, sempre com a água correndo, mergulhando aqui e ali debaixo das pedras do passeio, para surgir uns metros à frente mais fresca.

As amplas sombras do arvoredo auxiliam no arrefecimento, enquanto acenam para a água embaladas pela aragem que atravessa a ilha de norte para sul.

Convidando a uma paragem para descansar as pernas e arrefecer os músculos enquanto se contempla o escoar do tempo na sombra do relógio de sol, ali instalado numa das faces de pirâmide de pedra, noutra surge um enigmático relógio de lua, com a sua tabela de legenda e descodificação.

Os muros do castelo opõem-se à linha das palmeiras deixando no seu regaço um largo passeio de pedra.

Ali surge novamente a bela silhueta alva, agora dança, alegre, feliz, deslumbrante. Rodopia de braços abertos abraçando o vento numa valsa ensurdecedora de silencio. Baila com o calor e com as gotas de humidade que pairam pelo ar arrastadas desde as cascadas pela suave brisa estival.

Continua misteriosa a forma como se move, como dança, como caminha. A harmonia instala-se, todo o quadro ganha uma formosura singular, até a catedral estica as suas torres por entre as palmeiras para observar este pitoresco panorama em movimento, esta poesia silenciosa e serena.

Abraço a beleza do quadro e regresso ao navio, sou um marinheiro, um homem do mar, apaixonado pela doce silhueta alva que misteriosamente se movimentava, ora caminhando, ora dançando.

Contemplo a linha do casario que se estende entre as verdes colinas e o azul do mar, a multitude de embarcações que descansam na grande marina, os paquetes luxuosos que preparam a partida para o alto mar.

Tudo parece pacífico, sereno, nem o vento se sente agora.

Sinto uns braços a me envolver, um doce perfume invade-me as narinas e o doce som de uma voz faz-me estremecer.

Lentamente viro-me, perante mim está a delicada figura alva com que me cruzei uma e outra vez durante o dia.

A noite caiu, não sentimos o sol esgueirar-se sob as ondas distantes, inebriados pelo tão inesperado como anunciado encontro. Os nossos olhares não se desviaram durante as longas horas em que o glorioso astro atravessou os céus.


Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.





domingo, 26 de dezembro de 2021

O Tempo



O tempo parou.
Olho para o ponteiro imóvel
Já não se houve o tic-tac
Apenas o vento assobia.

Caminho descalço sobre a areia
Sinto sua frescura e humidade
As ondas rebentam numa espuma branca
Que rasteja até beijar-me os pés.

Contemplo o céu que se abre sobre mim
As estrelas estão ali, imóveis
Estico o dedo e toco-as
Ou serão elas que me tocam?

Vejo as ondas da sua luz
Que descem sobre mim
Tal como as ondas do mar
Tocam-nos na alma... profundamente.


Fiquem bem no lado escuro da Lua.





quinta-feira, 15 de abril de 2021

The Fog


Like ghosts coming out from the fog, the giants and majestic buildings irromps in the skyline gathering the attention from everybody who are contemplating.

The silence imposes himself over the normal sounds of the city, in a moment everything disappears, only these giants remains there, still, quiet.

But, suddenly, they start moving, they start dancing. A music start to play, firstly low, almost imperceptibly, but slowly get louder and louder.

Now we can distinguish the piano echoing by the square, the sad and at the same time joyful chords of the music combine in harmony with the old and new mixture of architecture.

In a breach of the fog a figure appears playing the keyboard while floating in the gentle breeze, his passion is moving his fingers over the keys.

The music follows the wind, now slowly... now speedy, one time high... other time low, majestic and romantic, she mix with the fog and echoes endlessly.

The love, the same love who make this man to state that his heart should stay forever in the city he loved, the LOVE is everywhere dissolved in the fog. 
 

Stay well on the Dark Side Of The Moon.



This was my first poem written in english, and his dedicated to my beautiful and dear wife

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Snow


And the snow continues...

Let it snow

Let it snow

Let it snow 

 

 

Stay well in the Dark Side of the Moon.