terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Boas Entradas

Ano Novo, Vida Nova!

De facto o ano de 2009 vai ser mesmo de vida nova, para além do livro que espero editar em Janeiro/Fevereiro, vai arrancar o tal projecto que me referi uns posts atrás e que já estou em condições de o divulgar:

Finalmente vou concretizar um sonho de há muitos anos - vou trabalhar ligado ao mar!

O projecto chama-se Nitrox 32 (original, não?) e consiste numa empresa de prestação de serviços na área do mergulho recreativo. Trata-se de um projecto inovador em Portugal de transporte, acompanhamento e apoio a familiares de turistas que pretendem mergulhar na zona de Lisboa. De facto ao turista que vem passar férias num hotel da Grande Lisboa e queira mergulhar não resta outra alternativa senão pedir um taxi para Sesimbra, carregar o material, chegado a Sesimbra tem de andar à procura de vagas nos vários centros de mergulho, depois do mergulho (se o conseguir realizar) lavar e arrumar o equipamento, arranjar um local para comer e chamar outro taxi para voltar ao Hotel.

A minha empresa oferece tudo isso, isto é trata do transporte dos turistas do hotel para o centro de mergulho, efectua as reservas, trata do equipamento, oferece a refeição e ainda fornece um serviço de apoio aos familiares que não mergulham! As reacções foram esmagadoras, tanto da parte dos hoteis como dos centros de mergulho, de facto tenho recebido os mais variados elogios pela ideia e só espero que a recepção junto dos potenciais clientes seja proporcional.

Aproveito para agradecer o apoio e desejar um novo ano cheio de prosperidade aos centros de mergulho Cipreia e Nautilus de Sesimbra e Cabana Divers da Fonte da Telha, assim como da Chave d'Ouro - Associação de Profissionais de Portaria e Recepção de Hotel.

Para além destas novidades ficou também clarificada uma situação que me provocou um enorme sofrimento durante anos permitindo-me finalmente libertar-me dessa dor e encarar o novo ano de uma forma radiosa. Tal como uma tempestade que de repente se dissolve e permite ao sol brilhar em todo o seu explendor, assim também eu entrei numa fase bonançosa com um estalar de dedos. De facto impressiona como vários anos de impasse podem ser resolvidos em poucos instantes, basta ler a frase certa, ouvir as palavras adequadas ou simplesmente vislumbrar uma saída que estava encoberta.

Um Bom Ano de 2009 no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Neve na Aroeira em Janeiro de 2006

Como já tradição neste cantinho a música de Natal fica a cargo dessa grande senhora que é Diana Krall!

Repito para quem me acompanha há menos tempo que não gosto de músicas de Natal, mas cantadas por essa diva do Jazz a coisa muda de figura.

Deixo aqui o desejo de um Feliz Natal a todos, com um abraço do tamanho do mundo.

Feliz Natal no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

De volta



Não é que tenha ficado sem computador, tenho estado envolvido em outros projectos, nomeadamente no Bar do Ossian com a rubrica "Audaces Fortuna Juvat" (A sorte protege os audazes) e numa remodelação do blog da Associação de Comandos de Almada.

Em relação ao Bar do Ossian deixo aqui um convite para lerem o artigo que lá deixei (os outros também é claro) pois ao contrário dos meus textos em que normalmente deixo-me guiar pelas emoções, naquele tive de fazer um estudo com alguma profundidade para servir de base a uma ficção baseada em factos históricos. Isso levou-me muito tempo, depois o facto de não poder estar à lareira com o portátil também não ajudou, está um briol do caraças e só apetece estar no quentinho.

Também estou a digerir este início de férias (tirei mais 2 semaninhas) e consequente alteração de horários, para além de outras questões que desvendarei oportunamente. A juntar a isto tive que me ausentar para o de_escarnio pois uma interpretação algo estranha do meu novo fundo do blog e do texto que o acompanha tirou-me do sério. Prometo que volto a este último assunto num próximo post.

Até lá...

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 30 de novembro de 2008

Última hora

Não é que o meu portátil jurássico explodiu?

Mas é que explodiu mesmo com direito a bang, fumo e por fim até saiu um liquido lá de dentro da fonte de alimentação e depois o bicho parou para não mais ligar.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

Nova imagem

Precisava urgentemente de alterar algo na minha vida, as mobílias são pesadas, o frio convida a ficar sentado na frente da lareira, a ouvir o concerto do David Bowie em Lisboa, com o portátil jurássico ao colo e o meu cão mais velho - o Jerry - aos pés a aquecer-se na lareira.

Para já vou contentando-me a mudar os blogues, o "36" também foi actualizado, para a semana tratarei da mobília, para o ano serão outras alterações bem mais profundas, diria até radicais.

Voltando aos blogues, até gostava do farol, mas não era eu, não tinha mar, quer dizer estava implícito mas não explicito. Esta imagem tem muito mais a ver comigo. Foi tirada por mim, no canto pode ver-se a minha filhota, o pôr-do-sol e o mar dominam a restante imagem. Bem posso dizer que está ali quase tudo o que AMO na vida. Quando digo quase, é mesmo quase, pois apenas falta aquela por quem me apaixonei e que depois de tantos anos continuo a AMAR como no dia em que demos o primeiro beijo.

Para ver a totalidade da foto é necessária uma resolução de 1280x1024.

Espero que gostem.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sei lá! Hoje acordei caustico


Estas até vêm numa caixa verdinha e tudo.

Agora diz lá que eu não sou amigo!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 16 de novembro de 2008

O melhor mergulho do ano!

música: Sunset - Café del Mar
São 10:00 de um Sábado que faz jus ao famigerado Verão de S. Martinho, pois apesar do azul profundo do céu e do mar convidarem a um mergulho, a temperatura não era das melhores. Mas mesmo assim, ou talvez por isso, telefono para a Cipreia, marco um mergulho, preparo tudo e lá arranquei directo a Sesimbra, eram umas 10 da manhã.

Ao chegar, cumprimentos, apresentaçõe
s, preparação do equipamento e finalmente lá estamos a bordo prontos para sair.

O mergulho em si mesmo foi fabuloso. A visibilidade de por volta de 10 metros, a vida que encontramos, o sol, o estado do mar, numa palavra - TUDO estava quase perfeito.

Cardumes de Sargos, Salemas, Taínhas e Robalos vieram dar-nos as boas vindas assim que entramos dentro de água.

Sentia-me calmo como aquela estrela do mar que placidamente me observava. Por momentos parecia estar no Mar Vermelho, não fosse a temperatura da água, que não passava dos 15º e a visibilidade que sendo bastante boa para Portugal não tem nada a ver com o que podemos observar a sul do canal do Suez.

Vários Pargos passaram por nós e deixaram que nos aproximássemos de uma forma como nunca tinha visto. Perguntei se não tinham medo de nós, eles responderam que desde que foi criado o parque nacional de Sesimbra e proibida a pesca já não têm receio dos homens.

Tive de reconhecer que estava errado quando achei que criação desta reserva iria ser um fiasco. De facto estava ali bem patente a prova que o homem pode atingir o equilíbrio com a natureza. E que ela é pródiga em recompensar as boas práticas. A cada mergulho observo um incremento da fauna e flora em Sesimbra, provando que o Parque Natural é de facto uma mais valia. Era bom que outros Parques destes proliferassem pelo país, pelo mundo.

Era bom que parasse-mos as agressões ao meio ambiente e encontrasse-mos uma forma de viver em harmonia com ele.

Mas depois pensei, como será possível o Homem ter paz com a natureza se não têm com ele próprio?

É um sonho utópico pensar que um dia poderemos viver em equilíbrio com o planeta se não encontrarmos primeiro uma via para estarmos em paz com o nosso semelhante. Guerras, assassínios, processos de intenção, conjuras, difamações, discussões... Parecem estar indelevelmente marcados na natureza humana.

Ou então é apenas uma característica de alguns. Sim isso é o mais provável, nem todos os seres humanos são mesquinhos, existem pessoas que tentam atingir a felicidade só por si próprios, que a simples contemplação de um pôr-do-sol é mais do que o suficiente para se sentirem em paz, que oferecem mais do que pedem, que ajudam os outros de uma forma abnegada e altruísta.

Um polvo mais atrevido acabou por escapulir para debaixo do colete do meu buddy, demonstrando isso mesmo.

O buddy que me calhou desta vez foi, seguramente, um dos melhores que tive até hoje, não só os conhecimentos acumulados em 40 anos de mergulho, como a calma e os truques de uma longa vivência com o mar.

De facto nada substitui dezenas de anos de experiência visíveis em cada gesto, em cada observação, em cada conselho. Senti-me um iniciado e, no entanto, uma ainda mais profunda paz me invadiu, dei comigo a tomar atenção a pormenores que normalmente me escapam, sempre preocupado a ver se não me perco do buddy enquanto fotografo aquela anémona que me chamou a atenção.

Sabe muito bem mergulhar com quem tem tanta experiência e que vai lá para baixo com uma calma maior do que a nossa. Normalmente os mergulhos são a correr, pois a malta mais nova quer ver mais e mais, sempre com pressa, sempre com stress, muitos esquecem-se do buddy que parou para fotografar uma estrela do mar, poucos como o Octávio nos chamam para observarmos essa estrela do mar.

Tão menosprezada que é a experiência na nossa sociedade, instalou-se uma cultura em que apenas valorizamos os novos, em que tudo é efémero, em que as modas evoluem a um ritmo alucinante, uma sociedade que olha com desdém para os mais velhos, que os acha antiquados, desajustados.

A minha profissão é uma das principais responsáveis por isso, de facto 3 anos é uma eternidade em termos de desenvolvimento informático, rapidamente os mais velhos são ultrapassados pelos mais novos, a experiência pouco conta, pois tudo esta em constante mudança. Por isso muitas vezes sinto-me tentado a ir na maré da novidade, do que é velho não presta, para logo a seguir me arrepender. Devemos ouvir sempre a voz da experiência, dos mais velhos, daqueles que já viveram mais anos e que acumularam por isso uma bagagem superior à nossa.


video


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Estados de espírito

Hoje estava com um estado de espírito um pouco negro, só me apetecia falar mal mas um passeio pela praia à noite seguido de um banho turco e tudo o que era negativo saiu pelos poros e escoo pelo ralo. Sinto-me bem agora, calmo descontraído em paz comigo e com o mundo, embora nem todo o mundo não esteja em paz comigo, mas que se lixe essa parte do mundo.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A magia do Photoshop

música: Beyond the Sea - Robbie Williams
Em Janeiro do ano passado desesperava por uma falha do flash me ter estragado as fotos da hélice do River.

Quase tudo tinha corrido mal naquele mergulho: frio, o mar extremamente "pesado", a camisola que ficou enrolada por baixo do fato, o elevado consumo de ar, mas o flash é que me arreliava mais. Pela primeira vez estive na frente das hélices do River e o estupor do flash recusava-se a disparar.
Quando, alguns meses depois e por descargo de consciência, passo as fotos completamente pretas pelo Photoshop...

Voilá! A hélice aparece, qual fantasma, como que surgida do negro absoluto. Claro que houve outras fotos em que nem após várias horas de afinações consegui retirar de lá o que quer que fosse. Mas esta assim que mandei fazer o equilíbrio de brancos automático, surgiu em todo o seu esplendor.
Também a judia laranja vivo readquiriu uma cor mais natural. Sem falar dos sargos que já se conseguem ver na foto abaixo, no post original não passavam de meros reflexos que não deixavam entender do que realmente se tratava.

Apesar de a qualidade não ser a melhor, os resultados foram francamente animadores. O que me levou a agradecer o facto de nunca apagar as fotos que faço por muito más que fiquem.

Mas a qualidade também não é a motivação quando fotografo.

Não me dá nenhum prazer fazer a foto perfeita e não mostrar o que me vai na alma, para mim a foto é um momento e não um enquadramento.

Podem pois imaginar a alegria por ter recuperado aqueles momentos que julgava estarem confinados apenas às minhas memórias.

Nunca deixem de lutar pelo que AMAM, nunca dêem por perdidos os vossos sentimentos, lutem sempre enquanto circular sangue pelas artérias é sempre possível conquistar aquilo que AMAMOS.

Eu nunca hei-de desistir!


Nunca desistam do Lado Escuro da Lua!

sábado, 18 de outubro de 2008

As Rémoras

música: Money - Pink Floyd
Naquela manhã quente de Setembro o termómetro indicava 35º e foi com algum sacrifício que vesti o meu fato semi-seco. A viagem de barco até à Ponta da Passagem foi célere mas mesmo assim ansiava o momento de rolar de costas rumo ao azul mais do que me é habitual.

Por fim o tão esperado momento mágico em que abandonamos o peso da gravidade e entramos no reino de Nereu.
Em contraste total a água estava fria, não passando dos 17º, foi com um alívio duplicado que senti a temperatura do neoprene descer rapidamente, avistei um cardume de sargos passeando pelo topo das rochas mais altas, olhando para baixo vi uma medusa ondulando os seus tentáculos na corrente e dou comigo a pensar que não consigo encontrar no fundo do mar uma criatura mesquinha como as moscas ou certos seres humanos.

A medusa adivinhou os meus pensamentos e disse-me para não olhar para ela, pois chatas eram as rémoras.
O pepino do mar sarapintado de pontos brancos avançou que mesmo assim elas apenas se colam aos peixes maiores e fazem-se passar por importantes, alimentando-se dos restos que estes deixam.

Eu acabei por acrescentar que lá em cima existem pessoas parecidas mas ao contrário das rémoras que apenas são uma preguiçosas e mandrionas essas juntam a esses predicados a maldade.

-Estás a pensar em alguém especificamente? - Perguntou-me o pepino.

-Não! Quer dizer talvez, mas não quero trazer esses seres para aqui para debaixo de água.

Um bodião-reticulado aproximou-se e segredou-me ao ouvido que talvez fosse uma boa ideia trazê-los mas sem garrafas!

-Não! Além de tudo sou um ecologista e isso de trazer lixo da superfície cá para baixo deixa-me horrorizado. Depois era dar muita importância a qem não a merece. Era bem melhor dar-lhes uma mão e apoiá-los a progredirem como seres humanos, mostrando-lhes que o caminho para a felicidade está dentro de nós e no AMOR e não no ódio nem na inveja.

Um sargo aproveitou a deixa e entrou na conversa.

-Porquê que vocês são assim? Quer dizer alguns de vocês.

-Não sei. Acho que ainda não viram a beleza do mundo, olham para os outros e invejam a sua felicidade e fazem tudo para que a destruir de maneira a ficarem também eles infelizes.

-Mas tu como consegues ser feliz? A vida até nem tem sido particularmente simpática, no entanto aqui estás sempre com um sorriso, sempre feliz.

-Sabes bem que nem sempre é assim mas eu tento sempre procurar a felicidade, mesmo nos momentos de mais completo desespero, acabo sempre por encontrar um par de minutos para contemplar o Oceano e sentir-me feliz por estar ali a inspirar o salgado sabor da maresia.


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 12 de outubro de 2008

O Naufrágio II

música: Behind the Wheel - Depeche Mode
A 35 metros de profundidade vejo uma proa recortar-se em contra-luz no verde esmeralda do oceano. Sou assaltado por um turbilhão de emoções, se por um lado vibrava de alegria por contemplar tão poderosa visão, por outro uma profunda angústia oprimia-me enquanto contemplava as sombras do que já tinha sido um orgulhoso navio.

Mergulhar num naufrágio é o mais emocionante de todos os mergulhos, sentimos a grandeza de contemplar a história e ao mesmo tempo a pequenez da nossa condição humana perante a força da natureza.

A natureza foi ocupando o outrora poderoso navio, gorgónias, algas, crustáceos e peixes cobriam agora as chapas retorcidas daquele cargueiro. Uma explosão de cores e movimentos substituíra as correrias dos seres humanos, o silencio impusera-se ao som das máquinas poderosas que giravam hélices de quase 2 andares de altura.

Enquanto contemplo as belas gorgónias multicoloridas vou meditando sobre a forma como algo de tão poderoso aos nossos olhos humanos foi afundado em poucas horas e reduzido a um destroço pela fúria da natureza. Sinto-me frágil, tão frágil como aquelas gorgónias, interrogo-me sobre como é possível o ser humano pensar que controla o mundo. Percebo que a humanidade vive numa ilusão, quem controla o mundo é a natureza e nós ao não a respeitarmos acabaremos por sucumbir.

Observo os meus companheiros de mergulho rodearem a balaustrada como se tratassem de fantasmas, imagino a dor e o desespero que marcou os últimos momentos desse barco, vejo os espíritos dos que lá pereceram acercarem-se de mim interrogando-me sobre o que me levou a descer até ali. Presto-lhes uma sentida homenagem e conto-lhes os meus pensamentos.


Sinto que me compreendem, o meu parceiro aproxima-se de mim faz-me sinal se está tudo bem. Aponto para os espíritos, ele também os vê e repete o meu ritual. Os espíritos dizem-nos que outrora sentiam-se os donos do mundo, que era a nós humanidade que competia comandar o planeta e que o saque não só parecia algo de normal como até mesmo obrigatório.


Pedem para os seguirmos e conduzem-nos por corredores e salas por fim paramos na ponte de comando onde o comandante continua no seu posto agarrando a roda do leme.

A emoção leva-me a confessar que quando morrer quero vir para o fundo do mar pois esta é a minha casa e apenas aqui me sinto em paz.

Ele diz-me que antes disso tenho um longo trabalho a realizar, que tenho de transmitir aos outros tudo o que disse aos seus marinheiros.

Sinto uma amargura no seu tom de voz, ele responde-me que é por só ter tomado essa consciência tarde demais...


Não naufraguem no Lado Escuro da Lua!

sábado, 4 de outubro de 2008

O regresso ao trabalho

Esta quarta-feira marcou o meu regresso ao trabalho. Achei preferível começar a meio da semana para poder ter uma habituação mais suave, apesar de na Junta Médica terem posto a hipótese de ficar mais uns dias achei preferível ir trabalhar logo no dia seguinte.

Para já tive de alterar radicalmente os meus horários, pois tenho de continuar a fazer fisioterapia, assim tenho de me levantar às 6:30 para estar no Aquafitness às 7:00 para nadar 45' e às 8:00 estar a caminho do barco. Por isso tive de alterar a minha rotina diária e quem sofreu foi o blog, pois à tarde ainda quero arranjar tempo para ir para o ginásio.

Quanto ao regresso ao trabalho, tirando o pobrezinho do J.A.S. e sua esposa (que nem sequer um bom-dia me dirigiram, mas como devemos ter apenas pena dos pobres de espírito aqui vai um desejo profundo que um dia sejam pessoas dignas, nunca é tarde para se crescer como ser humano, tenham fé e trabalhem nesse sentido que um dia conseguirão despertar nos outros sentimentos diferentes do desprezo e pena com que que hoje todos vos olham, estou mesmo disposto a acender um pau de incenso para vos ajudar nessa tarefa) toda a gente me recebeu com carinho. O trabalho é muito, felizmente, mas está a ser digerido a um ritmo rápido. Realmente estou muito subaproveitado ali, poderia com toda a facilidade gerir 4 ou 5 sistemas daqueles ao mesmo tempo.

Sentia a falta do convívio do almoço e das brincadeiras da praxe, em relação a estar activo como vocês já sabem não estive a ver passar os comboios estes 7 meses, ao lançar-me nos projectos do livro e do outro (que prefiro manter ainda em segredo) não estive propriamente parado.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 21 de setembro de 2008

The Wet Side of the Moon

Tenho andado menos pelos blogs pois 2 projectos em que me lancei atingiram um ponto em que necessitavam de uma maior atenção da minha parte. Sobre um deles já posso dar com a língua nos dentes mas o outro por enquanto fica no segredo dos Deuses.

Voilá! Está pronto o meu primeiro livro! Já comecei a dura tarefa de procurar apoios, editora/gráfica e todas as questões chatas do género. Mas toda a parte de composição gráfica está gizada, agora só falta adaptar à impressora da gráfica. Um aparte para colocar-vos à vontade para me enviarem conselhos, dicas, apoios, enfim todo o tipo de ajuda que acharem útil dispensar-me:-)

O título deverá ser The Wet Side of the Moon e será constituído por algumas das histórias que aqui tenho publicado com ligeiros retoques e algumas delas acompanhadas de fotos inéditas. Ainda ponderei em colocar novas histórias, mas depois optei por apenas usar o material dos blogues. Pensei que a tarefa fosse mais simples, ao fim e ao cabo já tinha tudo escrito era só descarregar no Word; erro! muito trabalhito, um salto estratégico da Microsoft para a Adobe, pois não me entendo com o sistema que o Bill Gates arranjou para competir com o What You See Is What You Get e cujo o nome oficioso é What You See Is What You Should Get!!!

Seja como for, nos próximos dias irei trazendo as notícias do andamento da coisa. Para já tenho de agradecer a atenção dispensada pela Susana Catita da revista Planeta d'Água que me deu preciosos conselhos.

Em relação a esta revista as coincidências continuam (o primeiro post que deixei no seu blog foca precisamente esta temática) qual não é o meu espanto quando ao ler o editorial deste mês vejo uma queixa sobre a pouca literatura de ficção dedicada ao mergulho! Logo agora que estava a acabar o meu livro.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

XIII Encontro de Limpeza Subaquática e quejandos


Pela primeira vez participei num encontro de limpeza submarina. Já por diversas vezes quis participar, mas por uma ou outra razão tal foi impossível. Ainda não sei os resultados oficiais, mas foi realmente uma grande "colheita", pelo menos lá pela Nautilus.

Diria a título pessoal que foi uma jornada muito positiva, como de costume na Nautilus o convívio entre todos é do mais salutar. O ambiente naquele centro de mergulho é de facto diferente de todos os outros e é sempre com imensa satisfação que mergulho com eles, mesmo apesar de um erro meu (troquei as lentes de contacto de manhã e a dificuldade de ver levou-me a confundir 131 bar com 231 bar) que me encurtou para metade o tempo de mergulho foi um prazer redobrado ter lá estado.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Até sempre Richard...


Ontem o mundo perdeu um dos mais brilhantes dos seus habitantes - Richard Wright.

Sem ele seguramente o mundo seria hoje muito diferente, muito mais feio, muito mais triste, sem ele nunca teríamos ouvido esses momentos magníficos, esses monumentos feitos de som que foram as músicas Us and Them e The Great Gig in the Sky, sem ele as sublimes obras The Dark Side of the Moon, Wish You Are Here e Division Bell não teriam a mesma beleza. Sem ele os Pink Floyd não teriam sido a melhor banda de Rock de todos os tempos. Sem ele a Lua seria muito mais escura.

Não posso deixar de lhe agradecer pela herança sonora, pela poesia, pela mestria nos teclados, por ter dado outra cor ao mundo, por nos ter mostrado o lado escuro da Lua...

Já aqui exprimi por diversas vezes a influencia decisiva que os Pink Floyd tiveram na minha vida, não quero repetir-me mas não posso deixar de reafirmar que muito do que hoje sou devo às longas horas passadas na companhia da sua música. Cresci a ouvir Pink Floyd, The Dark Side of the Moon, Wish You Are Here, Ummaguma, The Wall, todos estes álbuns entraram na minha vida em plena adolescência e mesclaram-se nela de uma forma indelével. Muito mudou em mim ao ouvir Money pela primeira vez, mas The Great Gig in the Sky foi uma das músicas mais marcantes de toda a minh vida, sendo hoje considerada por mim a mais bela de sempre.

Por não conseguir exprimir-me convenientemente e com a devida vénia deixo as palavras de David Gilmour:
No one can replace Richard Wright. He was my musical partner and my friend.

In the welter of arguments about who or what was Pink Floyd, Rick's enormous input was frequently forgotten.

He was gentle, unassuming and private but his soulful voice and playing were vital, magical components of our most recognised Pink Floyd sound.
I have never played with anyone quite like him. The blend of his and my voices and our musical telepathy reached their first major flowering in 1971 on 'Echoes'. In my view all the greatest PF moments are the ones where he is in full flow. After all, without 'Us and Them' and 'The Great Gig In The Sky', both of which he wrote, what would 'The Dark Side Of The Moon' have been? Without his quiet touch the Album 'Wish You Were Here' would not quite have worked.

In our middle years, for many reasons he lost his way for a while, but in the early Nineties, with 'The Division Bell', his vitality, spark and humour returned to him and then the audience reaction to his appearances on my tour in 2006 was hugely uplifting and it's a mark of his modesty that those standing ovations came as a huge surprise to him, (though not to the rest of us).

Like Rick, I don't find it easy to express my feelings in words, but I loved him and will miss him enormously.

David Gilmour
Monday 15th September 2008

Hei-de encontrar-me com Richard no Lado Escuro da Lua!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Portinho da Arrábida


Talvez não seja um exagero afirmar que este é um dos mais belos lugares do Mundo. Em poucos lugares a Serra, o Mar e a Praia estão em tão perfeita
harmonia. Em poucos lugares se sente uma paz tão profunda e inspiradora.

Fui visitar o Museu Oceanográfico na Fortaleza de Santa Maria, subi ao topo e contemplei a paisagem sublime que nos é oferecida. Toquei o sino com um pouco de inveja, deve ser algo de maravilhoso viver ali, assim sem qualquer preocupação.

A minha filhota aproveitou para se deitar em cima da muralha ficando a absorver todas as sensações maravilhosas que aquele sítio nos transmite.

-Isto é tão lindo...
-Pois é filha, é um pedaço do paraíso que caiu aqui na Terra.

Ficamos ali até à hora de fecho da fortaleza, sorvendo com sofreguidão cada imagem, cada som, cada cheiro, cada carícia do vento nos nossos rostos, cada sabor a sal trazido pela maresia.

Aquela paisagem fala connosco, diz-nos que a vida é bela, que o Amor é sublime, convida-nos a desfrutar cada momento, ensina-nos a apreciar cada inspiração. Diz-nos que é fácil ser-se feliz, basta abandonar-nos à contemplação, limpar os problemas da nossa mente e viver cada segundo como se fosse o último.

Observar as suaves ondulações do Mar, os barcos que baloiçam alegremente nos seus braços e deixar a paz invadir o nosso corpo.

Saímos dali e descemos em direcção à praia, as casas brancas enquadram-se perfeitamente na paisagem, transmitem a mesma aura de paz que a restante envolvência, diversas flores pintam o ambiente de vermelho e rosa, as tâmaras acrescentam um tom amarelo.

A paisagem continua a falar connosco, convida-nos a demorar mais um pouco, a saborear mais uns momentos a viver intensamente cada segundo que ali passamos. Vamos ficando, já há muito que fomos seduzidos por ela.
As nuvens também foram seduzidas por esta beleza e vieram beijar ternamente a Serra.

Encostei o carro e a minha filha fotografou esse momento de ternura. Voltou para dentro e suspirou:

- Pai isto é tudo tão belo. Porquê que o Mundo inteiro não é assim?

A paisagem veio em meu socorro e murmurou:

- Se não houvesse o feio, como seria possível apreciarmos o belo?

Fiquem Bem, no Lado Escuro da Lua!

sábado, 6 de setembro de 2008

Le Grand Bleu


Ontem várias situações convergiram na direcção deste excelente filme de Luc Besson, este sim editado em Portugal com o nome de "Vertigem Azul" e tem Jean Luc Barr, Rosanna Arquette e Jean Reno como interpretes principais.

Mais uma vez Luc Besson vem contar uma história de Amor pelo Mar, através da rivalidade/amizade entre 2 mergulhadores de apneia Jacques Mayol e Enzo Mollinari, sendo a história inspirada na vida real de Jacques Mayol e Enzo Mayorca. Excelente fotografia, uma história arrebatadora, uma banda sonora sublime (mais uma vez a cargo de Eric Serra) e o Mar, sempre o Mar como pano de fundo. Garantidamente um dos melhores filmes que já vi.

De referir que a realização deste filme serviu de base para o já citado Atlantis, pois foi durante a sua rodagem que Besson filmou magníficas imagens que serviram para este último.

Definitivamente a não perder.

Mergulhem bem, no Lado Escuro da Lua!

domingo, 31 de agosto de 2008

Pedra da Lagoa

in The Wet Side of the Moon
música: The Great Gig in the Sky - Pink Floyd - The Dark Side of the Moon


Depois de 3 meses o Mar voltou a acolher-me nos seus braços!

Cada vez que volto a mergulhar após um tão grande período de ausência é como se
renascesse. Sou invadido por uma sensação quase orgástica que dura desde o momento em que começo a preparar a mala até assinar o logbook.

Ontem o mar estava calmo, parecia azeite, ao mergulhar sou recebido por um cardume de carapaus que brilhavam como se fossem pedaços de lua e me envolveram num festival de luz, como que a dar-me as boas vindas.

Continuei a descer e deparo com uma floresta de gorgónias de várias cores, com os seus leques abertos contra a corrente. Pequenos peixes passeavam entre elas, aqui e ali um ouriço do mar, uma anémona e um ou outro pepino do mar.

Só aqui me lembro que mergulhei com menos 4 Kg de lastro que o habitual, no entanto a descida foi fácil, muito fácil, as sereias e as musas conduziram-me para baixo sem qualquer esforço.

Parece que quanto mais Amamos o Mar mais ele nos Ama também.

Um cardume imenso de jovens fanecas tira-me dos meus pensamentos, sigo-as, deixo-me envolver por elas, sinto-me como se fosse uma delas e prossigo o mergulho.

Sinto-me recuar milhões de anos, as lembranças do nosso passado marinho devem ter ficado indelevelmente gravadas no meu ADN, pois recordo-me que nasci aqui, vivi aqui e morri aqui. Primeiro era uma simples célula, depois renasci como uma alga, voltei a morrer e a nascer diversas vezes.

Fui uma esponja, um peixe, um tubarão, depois aconteceu uma calamidade e renasci terráqueo, fui muitos animais, mas voltei ao mar, fui uma baleia, fui um golfinho, voltei a nascer em terra como um homem.

Foi então que tomei consciência, que pude Amar o Mar. Então voltei a ele, desta vez precisei de fato, de garrafas, de barbatanas artificias e colete, mas só agora me deslumbro, só agora me sinto fundir nesse Universo liquido, só agora compreendi a verdadeira essência, o verdadeiro AMOR. Só agora consigo admirar em toda a sua plenitude a beleza dos Oceanos.


Um enorme safio vem cumprimentar-me, olhamos-nos longamente nos olhos um do outro. Ele disse-me:

-Um dia serei um homem como tu.
E eu respondi:
-E eu já fui um safio como tu.

O computador apita, atingi o fim do RBT, tenho de voltar à superfície.

Largo a bóia de patamar e subo aos 5 metros, prendo o mosquetão do carreto da bóia de patamar num arnês do colete e consigo um equilíbrio perfeito e fico ali a pairar durante os 3 minutos da praxe, sem um movimento, apenas um ocasional bater de barbatana para manter a posição naquela doce imponderabilidade. Sinto-me feliz imensamente feliz. Subo para bordo e até agora ainda não parei de sorrir.


Fiquem Bem, no Lado Escuro da Lua!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Leituras de Verão


Tenho andado sem inspiração e também com alguma falta de tempo. Desde que regressei tenho tido várias coisas para organizar e embrenhei-me na leitura de um livro verdadeiramente fantástico, ao ponto de reler cada frase e para frequentemente para assimilar toda a informação e apreciar o raciocínio daquele que é seguramente o meu maior ídolo.

Esse mesmo Jacques Cousteau!

Antes desse livro já tinha lido de Ian Flemming (um autor que gosto muito) Dr. No - foi a primeira aventura de 007 a ser passada para filme, antes tinha lido de Sebastian Faulks - A Essência do Mal - um livro comemorativo do centenário do nascimento de Ian Flemming, Mergulho e Fauna Subaquática das Ilhas Berlengas de Fernando Morgado, Juliana Gadelha, Marta Pimpão e Amadeu Soares, várias revistas entre as quais Planeta d'Água, Imersões, Portugal Dive, Exame Informática, etc e estive a ler a título de consulta o Manual de Tiro con Arco de Kathleen M. Haywood e Catherine F. Lewis (versão espanhola) e A Biblia da Meditação de Madona Gauding. Como podem ver tenho andado algo ocupado, destes livros falarei mais tarde, por agora vamos ao melhor de todos:

O Homem, a Orquídea e o Polvo, de Jacques Cousteau e Susan Schiefelbein, foi dos melhores livros que já li e posso recomendá-lo como um título obrigatório. Escrito nos seus últimos dez anos de vida em colaboração com Susan Schiefelbein, para mim uma ilustre desconhecida, mas que rapidamente me cativou pela forma entusiasmada como escreve, devendo-se a ela uma introdução e uma actualização sobre o que se passou na última década, após a morte da maior lenda do século XX.

Já conhecia de há muitos anos a obra de Jacques Cousteau, aliás metade da minha prateleira "nobre" está ocupada por livros dele, sem falar que possuo mais de 10 DVD's. No entanto fiquei surpreendido com o que li; Cousteau foi dos primeiros humanos a se manifestar em relação ao ambiente, mas naquele livro explica de uma forma tão clara como inédita a forma como ele assiste à destruição do planeta e lança um grito de alerta a todos os cidadãos no sentido de ser absolutamente necessário ganhar uma consciência ecológica e, sobretudo, obrigar os governantes a respeitá-la.

É um livro absolutamente fantástico, com um encadeamento de capítulos que à primeira vista podem não ter uma relação directa uns com os outros, mas que à medida que vamos lendo começamos a perceber a lógica por trás deles.

Cousteau começa por nos falar das motivações dos exploradores, do Amor pela descoberta, dos riscos inerentes. Depois detêm-se num capítulo acerca desses mesmos riscos na sua perspectiva de explorador. Seguidamente introduz-nos inteligentemente na sua analise sobre a forma como governos, industrias e militares fazem a humanidade e o planeta correr riscos ao mesmo tempo que procuram que nós nos mantenhamos alheados desses mesmos riscos.

Passa então a explicar a fragilidade do nosso planeta, vai buscar as escrituras sagradas das diversas religiões para mostrar que lá também podemos encontrar mensagens ecológicas. Retornando à temática da destruição do planeta com aquilo que ele apelida de saque e com a inconsciência provocada pela ganância dos lucros.

Volta à temática da exploração, demonstrando a sua compreensão pelos cientistas, comparando-os aos exploradores e a ele próprio e traçando uma linha separadora entre a ciência pura e a ciência aplicada. Após o que volta a sua atenção para o problema nuclear, arrasando de uma forma brilhante toda a argumentação a favor desta opção. Este é o maior capítulo do livro e só por si vale bem a leitura do mesmo, agora que voltamos a falar de centrais nucleares em Portugal e que os acidentes com as mesmas em Espanha e França se multiplicam.

Cousteau deixa-nos ainda a sua visão "optimista" para o futuro do planeta, em que após um cataclismo nuclear a humanidade sobrevive e consegue corrige a destruição que lhe causou, na forma de um sonho enquanto está na ponte do Calipso durante uma viagem nocturna.

Por fim traça-nos a sua perspectiva sobre a evolução e complexidade da vida, em que os mais complexos organismos entre os vertebrados, as plantas e os invertebrados dão o nome ao livro. A luta pela sobrevivência dos indivíduos e das espécies e como a morte é a geradora da vida.

Leiam no Lado Escuro da Lua!

domingo, 3 de agosto de 2008

Está tudo bem

in The Wet Side of the Moon
música: It's Alright - Café del Mar


Esteve um dia lindíssimo, as gaivotas piavam enquanto deslizavam suavemente na brisa do fim da tarde. Tinha estado na Cordoama, onde as ondas violentas convidavam a umas surfadas. O contraste após percorrer uma dúzia de quilómetros era evidente, aqui em Lagos o mar está liso como uma mesa de bilhar. O Barlavento do Algarve é assim, num lado uma calmaria do outro, um mar furioso. Vou inspirando o cheiro da maresia, fecho os olhos e viajo no tempo, até a um fundo submarino coberto de algas púrpura, onde pairo sem sentir qualquer peso, qualquer força externa.

Um pequeno peixe observa-me atentamente, interrogando-me sobre a minha presença. Tranquilamente respondo-lhe que estou onde sempre quis estar, que por um erro fortuito a natureza fez-me nascer humano, embora na realidade apenas me sinta bem debaixo de água.

Ficamos bastante tempo a olhar-nos um ao outro, invejei-o, ele pode levar toda a sua vida debaixo de água, respira-a, não precisa de coletes, nem de lastro, nem de fatos, nem de aparelhos respiratórios. Ele invejou-me, podia sair daquele mundo e entrar noutro, podia ver os pôr-do-sol, respirar na atmosfera, contemplar o voo dos pássaros, não tinha de me preocupar com os predadores e podia sempre voltar cá para baixo, para o reino do silêncio.

Continuei o meu passeio, maravilhando-me com a delicadeza de um caboz, ao mesmo tempo que pensava que se calhar o pequeno sargo tinha razão o caboz confirmou, disse-me que ali todos me invejavam, até a estrela-do-mar que podia bem passar umas horas fora de água, mas não tinha olhos para ver. Acabei por lhes dar razão, afinal a expressão popular “esperto que nem um sargo” devia ter algum fundamento.

Pela primeira vez senti-me bem por ser um humano, por poder contemplar ambos os mundos, por poder ter consciência da beleza do mundo e admirá-la, afinal a natureza tinha razão, a natureza tem sempre razão, nós os Homens é que temos a mania que a havemos de corrigir. Senti uma raiva profunda, sou da mesma espécie que está a delapidar o planeta, mas lembrei-me de Jacques Cousteau, de Al Gore e dos muitos milhares de anónimos que, como eu, apoiam ou apoiaram instituições como o Greenpeace ou a Quercus e que diariamente lutam por um planeta melhor, lembrei-me da cada vez mais emergente cultura ecológica, lembrei-me da minha filha.

Talvez haja uma esperança para a humanidade, talvez não seja tarde demais para salvar o planeta.

Um pequeno ruivo passeou pela minha frente, decidi ficar ali a observar como ele caminha pelo fundo com as suas patitas, levantando sedimentos em busca de alimento. A vida para ele pode ser simples e graciosa, mas afinal de contas ele não tem capacidade para se poder deleitar dela.

Enchi os pulmões com o ar salgado do fim da tarde, regressando da minha viagem no tempo e no espaço, contemplo o voo gracioso das gaivotas enquanto o vento sopra nos meus ouvidos. It’s Allright! A suave melodia do Café del Mar preenche o resto do quadro, a felicidade é algo de momentâneo, é um estado de espírito que se pode atingir mesmo no meio da adversidade, só precisamos de seguir o que nos disse o Dalai Lama “Apenas há 2 dias no ano em que nada se pode fazer, um chama-se ontem e o outro amanhã...”.


Fiquem Bem, no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Gula


Dedicado à Micas

Não estando a chamar gulosa à Micas, apenas não resisti ao cheiro que emanava da pastelaria alemã, entrei e comprei uma fatia de cada bolo que depois cortadas em cubos foram a delicia de toda a gente.

Os bolos até não são muito doces, mas que são uma delicia, lá isso são.

Fiquei a pensar se todas as pastelarias na Alemanha serão assim, saborosas até ao fim!

Fiquem Bem, no Lado Escuro da Lua!

domingo, 27 de julho de 2008

Bailando Va

in "The Wet Side of the Moon"

O vento acalmou completamente, apenas ficou uma ligeira brisa e aquele calor agradável dos fins de tarde estivais. O sol vai descendo em direcção ao horizonte e prolongando as sombras dos pinheiros, lá ao fundo sente-se a presença do mar, consigo adivinhar as ondas a navegar lá bem de longe e a rebentarem preguiçosamente na praia, aqui e ali um sopro mais enérgico do vento trás uma suave melodia e acaricia-me o rosto.

Vou bebendo uma cerveja e comendo uns tremoços à beira da piscina, hesitando entre a preguiça e a vontade de dar mais um mergulho. Queria mesmo era estar na praia, esta é uma hora mágica, a minha altura favorita para lá estar.

Detesto estar na praia quando esta está apinhada de gente, não gosto de lá estar na torreira do calor, a partir das 18:00 é quando verdadeiramente sabe bem estar na praia, ficar envolvido pela névoa da maresia, admirar o sol a pôr-se, ouvindo simplesmente o mar, ou então uma suave melodia com o ritmo de Bossa Nova e uma voz doce, "Bailando Va" dos La Caina - sou invadido por uma paz imensa, os meus pensamentos flutuam na brisa, todos os problemas e stresses afastam-se do meu horizonte, como invariavelmente me acontece nestes momentos os meus pensamentos são desviados para o fundo do mar...

Revejo-me a contemplar os fundos do mar, a beleza das anémonas ondeando os tentáculos verdes e purpura na corrente, a delicadeza cruel das estrelas do mar, as esponjas que dificilmente nos apercebemos que pertencem ao reino animal.

Estou a sonhar que estou bailando lá debaixo de água, vejo-me num salão de baile submarino dançando com sereias e golfinhos, ao meu lado estão moreias e safios, bodiões e judias, santolas e caranguejos, lulas e chocos. Um polvo é o maestro, as lapas, percebes e mexilhões compõem a orquestra.

Vou bailando, rodopiando, feliz e em liberdade absoluta, sinto-me inebriado, será a narcose? Não! A narcose não nos afecta nos sonhos, continuo a dançar mudando de par, passo de barbatana em barbatana e volto aos braços da minha sereia.

Olho bem fundo naqueles olhos belos de morrer e beijo-a ternamente, sinto a suavidade dos seus lábios nos meus, o calor doce da sua boca. Podia morrer ali com a cabeça dela encostada no meu peito e um sorriso feliz e pacifico nos seus lábios, abraçado ao seu corpo de sonho.

Deixo-me embalar pela música e danço abraçado a ela, de repente começa a soar o alarme do computador, tenho de retornar à superfície. Enquanto faço a paragem de descompressão olho para baixo, já não a vejo, nem ao salão de baile, apenas vejo a claridade que desaparece com a profundidade.

Mesmo assim não me sinto triste, a vida é composta por todos os segundos que passam, se em alguns deles fui verdadeiramente feliz então toda a vida terá valido a pena.

Os sonhos também fazem parte da vida, que seriamos nós se não sonhássemos? Que diferença teríamos das pedras ou da areia? Que interessa se é sonho ou realidade? Não será a realidade apenas um sonho?

Continuei bailando e...

Me sinto tan chiquito no Lado Escuro da Lua!