ESTOU NO MAR, NO AZUL INFINITO, ESTOU MOLHADO, SENTINDO O SABOR DO SAL, O CHEIRO DA MARESIA. VEJO A LUA REFLECTIDA NO MAR, INUNDANDO-O DE UM BRILHO PRATEADO.
SEJAM BEM-VINDOS AO LADO ESCURO DA LUA.
O que aconteceria a alguém que conseguisse controlar 100% o seu cérebro? Luc Besson dá-nos a sua visão em Lucy, quando uma jovem é transformada em correio de droga o o saco com a mesma se rompe dentro dela, provocando uma transformação no seu metabolismo.
Para além do que o filme nos transmite, muitas questões são levantadas de forma subliminar, quer por imagens, quer pela própria história. Algumas cenas transmitem situações com as quais já me deparei na realidade ou em sonhos.
Será Deus uma pessoa que alcançou esse controlo? O Nirvana, será a assumpção desse estado? Poderemos mesmo atingir a omnisciência? Não morremos? Temos uma alma?
São muitas as interrogações que este filme nos suscita, mais do que as respostas...
A pequena enseada que abriga as frágeis embarcações de pesca formada pelo leito de um rio, rasga a paisagem com um traço azul a cortar o verde dos campos. Lá mais a sul o rochedo negro da ilha do Pessegueiro desafia as ondas que teimam em quebrar-se libertando nuvens espuma. A mesma teimosia que levou os homens a construir o Forte que acabava destruído pelos piratas uma e outra vez.
A beleza fascinante deste local capturou o coração de muitos Homens desde os tempos mais antigos, passeando pelos campos vêm-se vestígios de antigas culturas, Celtas, Romanos, Árabes, Cristãos, Piratas... Uns a seguir aos outros, empurrando-se, misturando-se, uns após os outros apaixonando-se por estas terras e este mar.
Abraçado à mulher que AMO, estas imagens tomaram uma dimensão ainda maior, o sabor do sal nos seus lábios turva-me os sentidos como se estivesse inebriado, o vento embala-nos, os raios de sol pousam suavemente sobre a nossa pele. Não, o nosso AMOR não é um amor ordinário...
Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.
São 18:00 de uma tarde de Agosto, uma ligeira brisa vai correndo sobre a água, enrugando-a suavemente, as pequenas ondas vão-se quebrando nas rochas. Está calor, um doce calor típico dos fins de tarde estivais.
O sol brilha nas rugas do mar, dando-lhe um tom dourado, que contrasta com os rochedos e com o azul. Lá longe, muito longe, vislumbram-se nuvens de algodão pousadas sobre a terra que se perde no horizonte.
Um odor salgado inunda o ar trazido pela brisa onshore, depositando-se nos lábios, na alma, dando sabor a um quadro que trás a banda sonora do vento cantando nos arbustos ressequidos.
Fecho os olhos e recuo 6 anos, até ao dia em que tirei esta foto, todas as emoções e sensações regressam. Uma cor preenche a minha imaginação o AZUL...
Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.
Balouçando, ao sabor da brisa, acariciado pelos raios de sol desta tarde dominical, contemplo o espelho que se forma na areia molhada e que reflecte a arriba e o céu.
O som do mar, do vento e da música do Café del mar, que toca longínqua num bar da praia. aproxima-se aquela hora mágica em que o sol mergulha nas águas deixando um
Não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.
Vasculhando por fotos guardadas no disco encontrei esta que me prendeu não só pelas recordações do que foi o último Dakar na Europa (mais concretamente em Portugal), mas também pela presença da minha filhota, que partilhava então estes momentos comigo.
Outra coisa é a sensação de foto montagem. Na realidade a foto foi mesmo tirada assim não estava à espera que aparece-se a mota, ficou um efeito no mínimo estranho.
Vejo e revejo este videoclip vezes sem conta. À beleza da musica, junta-se uma fotografia fantástica, com paisagens deslumbrantes e uma preocupação estética poética.
Conta uma viagem de busca espiritual, que se inicia numa praia do Ceilão, subindo um rio e chegando aos templos budistas do interior. Inicialmente Simon está só, descalço no quarto, dirige-se para a praia, cruza-se com várias pessoas, observa os pescadores, o pôr do sol, as crianças brincando, brinca com elas, é catapultado para o topo de uma montanha de onde desce para encontrar o AMOR - este é um momento de verdadeira inspiração:
And you wanted to dance so I asked you to dance
But fear is in your soul
Some people call it a one night stand but we can call it paradise
Poderia escrever-se um livro inteiro com base naqueles 20 segundos, naquelas 3 simples frases, aquelas 32 palavras, naquele casal que dança apaixonadamente e depois separa-se ela "com medo na alma" volta para a segurança da vida que já conhece, ele prossegue na sua demanda espiritual. A vida continua, está feliz pois sabe que aquela noite fugaz foi como estar no paraíso, foi a antecâmara do Nirvana que por fim encontra.
Este é um grupo que me diz muito, a começar pelo nome. Não fosse eu também um rapaz da água.
Um rock alternativo, com o omnipresente violino e com a voz rouca de Mike Scott a dar um toque folk q.b.
Pelo menos venho "afogar" as mágoas, afastado das profundidades tenho andado sem inspiração, nem vontade para escrever. Um vasto conjunto de razões afastou-me do fundo do mar e tem sistematicamente impedido o meu regresso.
O último mergulho foi quase fatídico: resolvi ir sem lentes e tendo o meu computador ficado sem bateria (ou avariado ainda não sei) levei um computador que mal conhecia, sem conseguir ler correctamente os dados confundi o tempo até à descompressão com o manómetro da garrafa.
Estávamos a mais de 30 metros de profundidade e o ar subitamente acabou! Por sorte estava a mergulhar num dos melhores centros do país - a Subnauta - onde os cuidados com a segurança nunca são descurados e o divemaster para além de uma boa reserva de ar também estava atento e por perto.
Esta experiência em alguns dos centros em que já mergulhei (cujos nomes não irei mencionar mas eles sabem quem são) era um acidente de mergulho que tinha tudo para terminar na primeira página de alguns jornais. Com a Subnauta foi apenas um inconveniente e orgulho ferido.
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Há lugares no mundo que deixam uma marca profunda na nossa alma, Sagres sempre me fascinou, foram inúmeras as vezes que visitei o promontório e o cabo "onde termina o mundo" por terra, só ou acompanhado este sempre foi um local quase místico. Aliás para os povos da antiguidade era mesmo um lugar místico. Os Celtas chamaram-lhe o promontório dos Deuses. Outros povos achavam que era ali que o mundo terminava, era ali que começava o mar das trevas.
O Infante mudou tudo isso, mas a mística ficou agarrada àquelas pedras de forma indelével. Em todo o lado sente-se o peso da história, nas muralhas, nas velhas caraças dos canhões gastas pelos anos e pelo salitre, nas paredes do velho templo, na misteriosa rosa dos ventos, nas furnas que descem até ao mar pelo ventre da terra.
Mais a oeste vislumbra-se o cabo de S. Vicente com o seu farol, o ponto mais a sudoeste da Europa, a ponta do velho Continente que aponta para o Novo Mundo, entre ambos uma enseada com vários recantos e um charmoso Castelo hoje transformado numa unidade turística.
Mas nada do que se vê de terra é mais esmagador que a vista a partir do mar! A primeira vez que admirei esta paisagem a partir do reino de Neptuno, foi a bordo do paquete Funchal. Ainda hoje, passados 35 anos, revejo esse momento com uma claridade cristalina. Estávamos a jantar, pelas janelas comecei a ver desfilar a praia da Bordeira, depois o Castelejo, não esperei mais, saí para o convés e debrucei-me na amurada. Ouvia-se Wagner, os penhascos erguiam-se altivos, deslumbrantes à luz do pôr do sol, o navio aproximou-se tanto como as regras de segurança permitiam, deixando os mais pequenos pormenores ficarem expostos aos meus olhos.
Aos poucos fomos contornando o cabo de São Vicente e dirigindo-nos para Sagres, Wagner continuava a tocar pelas colunas do navio, olhei à minha volta, estava só contemplando a mais bela paisagem que jamais vira.
Dias antes tinha visto um rosto que também havia marcado a minha alma, tinha aparecido e depois perdera-se na multidão que polula nas noites estivais de Lagos. Receei não mais voltar a rever tão marcantes imagens. Fiquei por ali, a noite caiu fiquei apreciando as luzes do Algarve: Burgau, Luz, Lagos, Alvor, Portimão.
Perguntei-me se voltaria a ver Sagres do mar... e aquele rosto lindo de morrer. Voltei para Lagos procurei-a, não mais a vi.
16 anos depois voltei a cruzar aquelas águas, desta vez no meu pequeno veleiro, voltei a procurar aquele rosto fugidio no meio da multidão. Sagres vista do mar voltou a mostrar-se em todo o seu esplendor num mar estanhado, lá em cima pareceu-me vê-la! Toquei a sirene, abanei freneticamente os braços... Não. não era ela, tenho agora a certeza.
Passaram outros 16 anos, olhando para um quadro de fotos em casa de alguém que conhecera à poucos dias volto a rever aquele rosto fugidio! Aquela cujo o rosto para sempre ficou gravado na minha alma como as imagens daqueles rochedos imponentes.
Redijo estas linhas a seu lado, contemplo o seu rosto sereno e belo. A noite vai adiantada, não tarda estarei abraçado a ela no nosso leito, sonhando com uma viagem a seu lado contemplado aquela paisagem divina uma vez mais.
Tal como as ondas do oceano que acabam rebentando sobre terra, também nós acabamos por encontrar quem amamos profundamente.
Começa aqui uma nova etapa nos meus blogs. Paisagensé uma nova label que já tem alguns textos, mas será daqui para a frente o moto principal.
Os temas serão invariavelmente inspirados por uma paisagem, adornados por uma música ou sons ou mesmo cheiros. Claro que representaram uma visão muito pessoal, alguns contos serão ficcionais, outros serão retratos de um momento subjectivo.
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Não corre um fio de vento, o mar parece azeite, a imobilidade é total. O tédio instala-se suspiro por uma tempestade, neste momento pouco importa a vida, apenas queria algum vento.
Navegar é preciso, viver não é preciso.
Estou a ouvir o último disco de Leonard Cohen, a música Never Mind, parece fazer sentido neste momento. Estou sem inspiração, tenho vindo escrever enquanto ultrapasso o mar dos sargaço, esse pedaço de oceano onde não há ventos nem correntes.
Sou um homem de tempestades, de fortes ventanias, de ondas gigantes. Adoro sentir o vento a fustigar-me o rosto, a assobiar nos brandais ou entre os pinheiros. Gosto da sensação da adrenalina, daquela sensação de formigueiro, gosto do stress da acção.
Odeio o conforto de um dia igual ao outro, das rotinas. Prefiro a picada à autoestrada, não saber onde vou, se consigo atingir o meu destino em contraponto com a partida e chegada com hora marcada e paragens agendadas nas diversas estações de serviço.
Prefiro procurar um recanto de uma moita para mijar a esperar na fila do WC.
Sou um lobo, uma águia, não sou um carneiro ou uma ovelha. Prefiro enfrentar a incerteza de ter refeição a pastar no meio do rebanho.
Defendo ciosamente aquilo que diferencia dos outros e escondo o que me identifica, detesto ser mais um.
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Estava calmamente passeando pelo pinhal, sentindo aquele aroma único da resina e da caruma misturadas com a maresia, ouvindo o vento de noroeste assobiando pelos ramos dos pinheiros, observando a ondulação destes e das giestas.
Sinto-me bem agora, depois de atravessado um longo deserto onde conheci oásis magníficos mas onde a sede, o cansaço e a fome quase me derrubaram.
A entropia desvendou-se aos meus olhos em toda a plenitude. Nunca se consegue voltar exatamente ao local de onde se saiu.
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Estou de volta às origens, que é como quem diz ao Discovery. O TD5 é como o homem da Regisconta "Aquela MÁ-QUI-NA!". Isto para quem se lembra do anúncio. De facto este foi defenitivamente o carro que me atestou as medidas e com cangulo! Um motor concebido exclusivamente para TT (acho que foi o único), uma suspensão pneumática atrás e com o sistema ACE que teima em manter a carroçaria sempre direita independentemente da carga e da força centrífuga, mas que quando passamos a trialeiras deixa um curso de 1 metro (sim é mesmo um metro) às suspensões. Depois há o HDC, o controlo de tração, a possibilidade de elevar a traseira para aumentar os ângulos central e de saída. A única falta é o bloqueio manual dos diferenciais. Situação que até se pode ultrapassar pois já vi que é possível bloquear o centro por software. Enfim na minha modesta opinião é o melhor carro de todos os tempos!!!
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.
Os primeiros raios de sol beijam as águas enrugadas pela brisa da alvorada manchas douradas contrastam com o azul-escuro das sombras das colinas.
As traves vermelhas da ponte vão atravessando a paisagem enquanto o comboio progride em direcção ao casario triste.
Lá em baixo pequenos barcos baloiçam abrigados pelo pontão de um porto de abrigo que já viveu momentos mais áureos.
Olhando para a margem os sinais de degradação são evidentes. Armazéns caquécticos apresentam um ar abandonado, na maioria das casas as paredes exibem apenas vestígios de já terem tido tinta, a esta distância nenhuma janela apresenta sinais de cortinados. A pequena ruela deserta e escura bordeja o rio, por entre o casario não se vê vivalma mas sente-se que sobre aquelas pedras numa época anterior já houve um movimento frenético de pescadores, marinheiros, familiares e amigos. Parece que as emoções das despedidas para as campanhas do bacalhau ficaram por ali agarradas aos muros e ao pó que se tem acumulado.
Em contraste o elevador panorâmico de linhas redondas e design moderno anda num sobe e desce ditado pelo ritmo dos turistas. Um cilindro branco eleva-se desde a margem até ao topo da colina ligado por uma ponte, também ela branca. No meio daquele quadro de linhas austeras e quadradas parece um artefacto alienígena.
No entanto há poesia naquele espaço, uma beleza decadente emana aos olhos de quem observa aquela paisagem despertando sentimentos nostálgicos. À medida que nos afastamos as imagens começam a tornar-se difusas na ténue neblina da fria manhã de Outono. Os detalhes vão se ofuscando, mas a mística vai aumentando, assumindo um protagonismo maior. Quase que se ouvem os gritos de despedida das jovens para os seus homens prestes a partir para a Terra Nova. Quase que se sente o cheiro do bacalhau misturado com o das lágrimas de alegria e saudade de quem viu um seu familiar chegar são e salvo.
As pinceladas verdes das ervas que crescem entropicamente pelas encostas, o amarelo escuro das areias sujas pelas águas turvas do Tejo lutam contra os tons monocromáticos da paisagem.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Adeus tio Zé Miguel.
Já havia muito tempo que não nos viamos (demasiado tempo) mas a vida é
como um bolo de passas, à medida que vai crescendo as passas vão se
afastando umas das outras.
Lembro-me bem quando fostes
trabalhar para a loja do meu pai. Devias ter por volta de 20 anos e eu
era um miúdo de 8. Brincavamos sempre que não havia clientes. Lembro-me
também com muita nostálgia de irmos montar armadilhas para os pássaros
na quinta do Sargaçal, era a manhã e a tarde a andar para dar a volta ao
pinhal. No meu imaginário ficará sempre o cheiro da caruma do pinheiro
aquecida pelo sol de Verão. Ainda hoje quando sinto esse cheiro a
recordação que tenho é de seguir atrás de ti mais o primo Manelinho pelo
meio do pinhal.
O Manel... já lá vão uma dezena de anos que ele morreu. Será que voces andam a caçar pardalitos juntos agora?
Era tão feliz nessa altura. Não tinha preocupações, stress, a vida era
uma alegria completa. Tenho tantas saudades desses tempos e ontem quando
soube que já não estavas cá foi como uma luz (mais uma luz) que se
apagou dessas memórias ficando agora mais sombrias e tristes.
Sei que não devemos viver no e do passado, mas o que somos hoje é em
grande medida fruto desse passado, assim todos os acontecimentos que
interajem com ele afectam-nos o presente inexorávelmente.
Adeus tio, até um dia...
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.