Também aconteceram situações desagradáveis a nível pessoal e não só, mas essas deixo-as para o escárnio. Aqui evito trazer temas desagradáveis, apesar de por vezes me ver obrigado a fazê-lo.
Chegado a casa, apeteceu-me ir até à praia. E lá fui, com os meus cães, quer dizer os 3 mais velhos, o Dudú e o Max ainda não estão suficientemente obedientes para esses longos passeios.
Aproximei-me do mar e deixei que a 1ª onda me lambesse ternamente os pés. Surpresa! A água estava bastante temperada, tépida mesmo, meditei por alguns segundos - Bolas! Não trouxe o fato de banho! Que se lixe! - Afasto-me umas centenas de metros dos veraneantes mais próximos e aqui vou eu. Entrei sem qualquer hesitação, a água estava mesmo um caldo. Fiquei por ali nadando, apanhando boleias nas ondas, observando a luz do sol poente deslizando na minha direcção ou simplesmente deixando-me absorver pela comunhão total com aquele quadro de uma beleza imensa. O tempo, esse carrasco impiedoso, continuou a sua marcha e verifiquei que eram 19:30. Está no momento de regressar.
Saí contrariado daquele mar de prata e com alguma relutância comecei-me a vestir. A viagem de regresso a casa começou com a constatação que as nuvens que prometiam chuva tinham perdido todo o pudor e agora apresentavam-se completamente desinibidas. Pensei se a minha nudez não teria contribuido para essa emancipação. Não creio, mas acredito piamente que serei contemplado com um duche antes de conseguir chegar ao meu chuveiro.
O inevitável aconteceu, a chuva começa a cair, mas longe de ser algo de desagradável, veio dar um novo colorido ao quadro de sons, imagens e cheiros que se tinha composto neste magnífico fim de tarde. Estava precisamente a atravessar a Mata dos Medos, em pleno pinhal, quando recebi este brinde. Não sei se algum de vós já passeou no meio de um pinhal à chuva; os cheiros da terra molhada, da resina, da madeira húmida, das agulhas dos pinheiros e das pinhas banhadas pelas gotas da chuva; o verde das folhas ressalta com o brilho da água, o castanho da areia e da caruma toma um tom ocre. O pinhal adquire um ar mágico.
Deixo aqui uma das músicas que tenho estado a ouvir enquanto redigi estas linhas:
Fiquem Bem!
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