sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tempestade 2


As nuvens deslocam-se para lá do horizonte perseguidas pelo azul do céu. A poente, começam a surgir as primeiras pinceladas de laranja, as gaivotas pairam aproveitando as correntes sem aparente dificuldade seguindo o pequeno barco, oiço o som das vagas a serem cortadas pela proa.
A brisa vai trazendo o cheiro da maresia, acariciando o meu rosto e inundando-me os pulmões. Agora sinto-me em paz. O turbilhão da tempestade já passou, doem-me os músculos. Com renitência vou trocar a vela de estai1) pela genoa2) e tirar os rizes3) da vela grande4). O barco ganha velocidade, retomo o leme, mareio as velas5), traço uma rota mais favorável. A velocidade vai aumentando, o casco começa a planar6) e atinjo os 9 nós7), 10, 12. Tudo está em ordem, o pequeno veleiro resistiu incólume à tempestade.
Sinto-me em paz, feliz, um largo sorriso ilumina-me o rosto.
-Anda, podes subir, o temporal passou, podemos de novo estar aqui abraçados.
Ela subiu e dirige-se até mim com aquele movimento sensual e felino que me lembra a música dos U2 "She moves in mysterious ways". Abraçamo-nos e beijamo-nos apaixonadamente.
Estivemos afastados durante aquela tempestade que saiu do nada, de repente. Tinha-a pressentido, havia indícios dela aqui e ali, mas eterno otimista, segui o meu caminho. Era simplesmente impossível estar os 2 juntos no convés8) no meio daquelas vagas. Agora podíamos apreciar tranquilamente o pôr-do-sol ali, abraçados.
Lá ao longe começa a brilhar o farol, aos poucos vão se tornando visíveis as luzes das povoações, como uma poeira luminosa. Lentamente a poeira vai-se transformando em pontos bem definidos até ficarem individualizados.
Os pequenos faróis verde e vermelho que balizam a entrada do porto já são visíveis.
Aponto a meio dos dois, vermelho a bombordo9), verde a estibordo10) e preparo-me para recolher as velas.
Ligo o motor, o velho Volvo Penta tosse uma baforada de fumo e começa a cantar. Salto para a proa11) e peço-lhe para soltar a escota12) da genoa, solto a sua adriça13), rapidamente a grande vela começa a descer, oriento a queda para que não caia na água, depois é só prendê-la com os elásticos e regressar ao poço14) e repetir a manobra para a vela grande. Enquanto amarro a vela ela engata a marcha à vante15). Dirigimo-nos para o pontão onde encosto e amarro o barco. Abraço-a longamente olhando-a nos olhos, beijamo-nos embalados pelas pequenas vagas do porto.
-Vamos para casa, acendemos a lareira, jantamos e bebemos um bom vinho, depois… a noite é longa e temos muito para dar um ao outro – murmurei-lhe ao ouvido.
Entramos no carro, no rádio toca “Goodbye Moon” dos Shivaree…

1) Vela de estai – pequena vela de proa, usada quando o vento é mais forte.
2) Genoa – vela de estai de maiores dimensões.
3) Rizes – pequenos cabos usados para reduzir a dimensão da vela grande.
4) Vela grande – vela situada atrás do mastro de forma triangular e mantida entre o mastro e a retranca.
5) Marear – caçar ou folgar uma vela ajustando-a à direção do vento.
6) Planar – quando o barco deslizar na crista da onda.
7) Nós – unidade de medida de velocidade. Corresponde a uma Milha Náutica (1852 metros) por hora (MN/H) ou seja 1,852 Km/h.
8) Convés – é a parte da cobertura superior de uma embarcação.
9) Bombordo – lado esquerdo da embarcação, quando virados para a proa.
10) Estibordo – lado direito da embarcação, quando virados para a proa.
11) Proa – a parte da frente de uma embarcação.
12) Escota – cabo fixo à retranca ou ao punho da escota através da qual se controla a abertura da vela em relação ao vento.
13) Adriça – cabo para sutentar a vela e também usado para a içar.
14) Poço – local onde se encontra a tripulação e de onde se comanda a embarcação.
15) Vante – proa.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Tempestade 1

Navego no meio da tempestade, as vagas roçam o céu de chumbo, o vento uiva nos brandais, temo que o tormentin (pequena vela usada quando o vento é muito forte) se desfaça sob a sua fúria. O barco geme e range a cada rajada de vento, não consigo ganhar velocidade, não consigo sair dali, cada vez que tento voltar a popa à fúria do mar uma onda desfaz-se na proa abortando essa demanda.

Não tenho medo, se há um sítio onde não tenho medo de morrer é no mar, consigo manter a proa virada às ondas, o barco sobe-as, quais montanhas de água em movimento. Parece que fica na vertical, lá em cima projecta-se no vazio caindo com estrondo no regaço da onda seguinte, por vezes mergulha profundamente naquele mar tempestuoso, agarro-me com ambas as mão à roda de leme, luto desenfreadamente para me manter a bordo.

Os dias passam, semanas, meses, aquela tempestade não termina... Espera, lá ao fundo, parece um raio de sol... É um raio de sol. Sinto-me só naquele navio, estou cansado, doem-me as mãos, os braços, os ombros. De repente vejo um intervalo maior entre 2 cristas, agarro a escota com uma mão, deixo a escota escorregar no molinete. Arribo ligeiramente de modo a ganhar alguma velocidade, atinjo o cume da primeira montanha de água, desta vez vou muito mais perpendicular, já não caio, desço a onda a grande velocidade, lá em baixo orço descaradamente, puxo a escota, rapidamente o vento muda de bordo, ganho velocidade, subo a onda seguinte.

Tenho o raio de sol à proa, uma gaivota pousa junto a mim, peço-lhe para ficar de olho na roda de leme, corro até ao pé do mastro e puxo as adriças da vela grande que sobe célere. O rumo mantém-se estável, desloco-me à proa troco o tourmentin pelo estai. Volto até à roda de leme, o barco já segue célere pelas ondas o céu vai trocando lentamente os tons de chumbo por tons laranja. Ainda estou só, apenas a gaivota me acompanha, falo com ela, desabafo sobre a tormenta que atravesso ainda, mas que aos poucos vai desfazendo. A gaivota levanta voo e aponta-me o caminho, fixo a roda de leme as ondas estão ainda pesadas, ainda me encontro só. Desloco-me de novo à proa, chegou a altura de fazer subir a genoa. O casco começa a planar, volto-me para traz e vejo-A ao leme. Já não estou só, ELA conduz-me a um lugar mágico, sinto-me enebriado pelo cheiro, envolvo-A com um braço, beijo-A, AMO-A.

Estou feliz, muito feliz, não sei para onde me dirijo, apenas tenho uma certeza: com ELA vou até ao fim do mundo, até ao fim da vida.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A minha Musa


Para que não restem quaisquer dúvidas a musa que me inspira foi a minha primeira namorada, chamava-se Teresa, era 2 anos mais velha que eu, era loira, tinha uns lindos olhos azuis, uma pele clara e macia. Frequentávamos o 8º ano na Escola de Lagos e namoramos esse ano e o Verão seguinte, depois de outro chumbo o pai mandou-a estudar para Lisboa, perdi-lhe o contacto, nem sequer sei se ainda é viva. Era demasiado bonita, demasiado ardente e demasiado jovem...


Ficou no meu coração, como qualquer primeiro amor, mas muito sinceramente não gostava de voltar a encontrá-la. Quero recordá-la como era nessa altura, linda de morrer, fogosa, terna, dominadora, um pouco Maria rapaz de feitio mas com uma sensualidade contrastante.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

sábado, 23 de abril de 2011

Vamos a ver se é desta

Já passou 1 mês desde que iniciei este post. Não tenho tido disponibilidade, nem mental nem de tempo. Agora estou a meio de umas férias e com os serviços encerrados já posso dispor de algum tempo para o lazer. É que sempre que estou no computador tenho trabalho para fazer, tenho alguém que está "encravado" ou os postos de trabalho estão todos ocupados ou há um problema num programa ou há uma alteração urgente... Quando não há nada disto sou eu que acho que determinado procedimento faria mais sentido de outra forma...


Resumindo a minha vida de uma forma mais poética - Estou como o mar, em constante mudança, às vezes calmo, às vezes em completa agitação; às vezes em solidão, às vezes no meio de uma multidão, desde o Verão passado que as mudanças têm sido a única constante na minha vida, no amor, nas amizades, na família, no trabalho e até na aparência.

Nunca passaram tantos meses sem mergulhar. Nunca estive tanto tempo sem me deixar abraçar pelo mar. Talvez aqui resida uma boa parte das responsabilidades por tão longo afastamento. Uma miríade de razões provocou este afastamento, desde logo o aumento logarítmico das responsabilidades no trabalho e consequente aumento das preocupações, estudos e pesquisas; por outro lado decidi aprofundar-me em termos religiosos/filosóficos e tenho-me dedicado profundamente à meditação.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A deliciosa leveza do ser

A velocidade a que o tempo passa é surpreendente, desde o meu último post já passou mais de 1 mês!

Se olhar para olhar para trás vejo que muito aconteceu, "gozei" férias, acabei de pintar a casa, encetei uma reestruturação da minha vida, etc.

De facto sinto-me hoje como se estivesse quase no topo do mundo, acho que em toda a minha vida nunca me senti tão bem. Isto até me faz lembrar a intervenção cirúrgica à coluna, sofri durante anos, tanto que me habituei à dor, quando a lesão se começou a revelar incapacitante não tive outro remédio senão ir à faca. Depois quando finalmente recuperei é que me apercebi do que era viver sem dores.

A nível emocional foi mais o menos o mesmo, sofri durante décadas e aos poucos habituei-me a sentir-me miserável, depois quando as causas do sofrimento foram afastadas é que senti a liberdade de viver.

Tudo mudou à minha volta e dentro e mim. Agora sinto-me leve, muito leve. Sobretudo feliz.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Alive & Kicking

Já estão pintados o quarto da cachopa, o quarto das visitas e a casa de banho do 1º andar. Apenas faltam os corredores, escada, cozinha e casa de banho do rés-do-chão.
Resolvi colocar cor na minha vida e todas as divisões têm agora um toque de cor, o quarto da miúda ficou em cinzento e rosa e o quarto das visitas branco com a sanca em azul, numa evocação às minhas origens algarvias; a juntar aos tons de azul do meu quarto e ao tecto em azuis do escritório.
Posso bem dizer que a cor e a música invadiram a minha vida, sinto-me como tendo renascido, não sei se sou uma nova pessoa ou se libertei aquele que se encontrava agrilhoado num limbo e que tinha sido substituído por uma marioneta. Sinto-me livre e, fundamentalmente, sinto-me vivo – Alive & Kicking – vivia preso entre um espartilho que me tolhia a liberdade e um amor sofrido, sofrível, insano, maníaco-depressivo que quase me matou.
2010 foi o ano da libertação, estou livre de quase todas as grilhetas, quase – continuo preso a um emprego, a uma hipoteca mas tenho a preocupação e o prazer de viver com a minha filha. Há liberdades que preferimos não ter e “libertar-me” da minha filha é algo que definitivamente não gostaria.
Para a semana vou de férias, já tenho planos: assistir aos 1.000 Km de Portimão das Le Mans Series, mergulhar no galeão francês Ocean e noutros locais a ver, fazer uns passeios de veleiro e sobretudo passar 3 semanas com a filhota no Algarve. Depois será o regresso e 3 semanas sem a filha (que ficará com a mãe), altura escolhida para completar a pintura do lar.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Primeiro Dia




Este Post deveria ter sido colocado no Sábado. A mãe da minha filha saiu de casa na sexta-feira, tendo assim terminado um casamento que durou 21 anos, Situação que desde há muitos meses era previsível e inevitável, mas que para evitar uma desestabilização da filha em pleno ano lectivo só agora se consumou.


Para acompanhar estas profundas mudanças resolvi redecorar por completo a minha casa, pintei o quarto em 2 tons de azul, decorei-o com fotos submarinas (tiradas por mim e convertidas em posteres), substituí a mobília que ela levou pelo amplificador Denon e pelas colunas KEF. Transferi o escritório do 1º andar para o rés-do-chão e pintei-lhe o tecto de azul celeste com a sanca em azul marinho e as paredes de branco. Pintada também foi a minha casa de banho (embora aqui sem qualquer alteração, tirando a disposição das coisas). Na noite de Domingo para Segunda, foi a vez da cozinha sofrer uma remodelação em grande, mudando a disposição dos frigoríficos, da mesa e de um armário, ficando agora uma verdadeira cozinha com copa (falta pintar, mas isso ficará para quando a filha for de férias com a mãe).

Enfim, ainda tenho o quarto da cachopa, o quarto das visitas/biblioteca, as outras casas de banho e as escadas e corredores. Devagar se vai ao longe e tem sido assim mesmo que as coisas têm avançado. Mas ainda há um reorganizar de rotinas que me tem consumido imensa energia.

Como podem ver tempo é algo que não disponho em excesso, Vamos lá a ver se é desta que regresso a estas lides.

Fiquem Bem no lado escuro da Lua!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tanque


Estas fotos são do meu último mergulho em 31 de Janeiro.

Muitas alterações têm acontecido na minha vida, a nível sentimental, emocional e profissional. Estou a tentar assentar as ideias e não tenho tido cabeça para escrever nem para ler, aliás passam-se dias que nem ligo o PC de casa. Ainda por cima o portátil deu o berro.

A todos os que paulatinamente passam por aqui deixo um abraço e a promessa de cá voltar com mais assiduidade assim que os problemas começarem a ficar organizados.



Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DAKAR

É tempo de DAKAR (apesar de ser estranho um Dakar na América do Sul) como tal tenho andado mais pelo forum do Autosport e pelo site do Dakar. Sou um amante dos grandes espaços, seja o mar sejam os desertos, e da aventura como tal o Dakar não podia passar-me ao lado.

Hoje dei aqui um pulinho rápido antes de me deitar, aproveito para deixar umas informações:

Foi um excelente dia para os portugueses com o Carlos Sousa a subir mais um lugar (é 6º), embora a peder bastante tempo para o 1º  Stephane Peterhansel (o sr. Deserto) e Hélder Rodrigues e Paulo Gonçalves a brilharem bem alto ficando em 2º e 3º lugares da etapa, tendo o Hélder subido para o 3º da geral, ficando apenas atrás do melhor piloto da actualidade Cyril Despres.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Apesar de não estar com espírito natalício, não posso deixar de desejar um Feliz Natal a todos...

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

1 de Dezembro - Sesimbra - Pedra do Leão


Já fazia mais de um mês que não mergulhava. Problemas de saúde afastaram-me do reino de Neptuno e o meu humor ressentiu-se disso.


Quer dizer não foi só a saúde houve outras causas que já esmiucei no de_escarnio. Talvez por isso a vontade de ler e escrever ainda não tenham regressado.


Muita coisa mudou na minha vida nestas últimas semanas, mudanças tão profundas que julgava impossíveis, estou um pouco perdido num mundo que parece ser novo, mergulhado num turbilhão de novas emoções, de novos amores e desamores.


Voltando ao mergulho, não foi nada de especial, uma enorme santola salvou o dia, tendo proporcionado algumas fotos e um filme. Era bem agressiva e tentou filar-me a máquina enquanto filmava-a.


De resto a temperatura da água era 16º (o ar estava nos 13º), não havia muita vida, pode-se mesmo falar de um mergulho pobrezinho, mas um mau dia de mergulho é sempre melhor que um bom dia no escritório!


À saída estava reservada uma surpresa, o mar que até estava calmo quando entramos estava já bastante formado, ou como diria o meu avô: o mar está feito num cão

A chuva caía e para termino o outro barco partiu uma hélice levando-nos a ficar em terra à espera dele mais de uma hora, pois as chaves da carrinha estavam lá! E como a Best Dive fica longe do porto o único remédio foi esperar que os outros chegassem...




Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DE_ESCARNIO

Ando pelo de_escarnio, quem estiver lá registado está convidado a ver os porquês


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 8 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

De passagem

Estou apenas de passagem, alguns problemas de saúde, uma grande desilusão e uma canalhice afastaram-me a vontade de escrever. Mas esses assuntos ficam, obviamente, para o de_escárnio.

Sinto a falta do mar, no entanto estou aqui mesmo ao lado dele, ouço-o chamar-me, sinto o sal trazido pela brisa, mas a saúde impede-me de lá ri ter com ele. É um (mais) sofrimento atroz, mas por outro lado deixa-me uma certeza de que dentro de pouco tempo voltarei a estar com ele. Surfando nas suas ondas ou mergulhando no seu seio, não sei, cabe-lhe a ele decidir. Mas sei que voltarei a me juntar nele.

Peço a compreensão de todos os meus amigos pois tenho-me sentido verdadeiramente desinspirado e sem qualquer vontade de escrever, muitos são os problemas, decisões e acções que tenho pela frente, dificilmente consigo estar com  a mente serena para poder ouvir os outros, mas a luz já surge no fundo do túnel.

Até lá!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Remember that night

Já faz algum tempo que estava a prever um temporal para o meu lado. Sentia que o tempo não augurava nada de bom, a iminência da catástrofe sufocava-me, não a via, não fazia a mínima ideia se seria um terramoto, um furacão, inundações... não tinha a mais pequena ideia do que vinha aí, mas sentia que era algo terrível. Os temporais que me assolavam não eram mais do que um sinistro prenuncio de que algo verdadeiramente catastrófico estava para acontecer.

Hoje os meus receios e temores mais negros foram materializados, foi como se tivesse sido atingido por um tsunami gigante. Morri, morri mesmo, um cadáver conduzia aquela Strakar, a minha alma não habitava o meu corpo, tinha sido de lá arrancada pelo tsunami devastador, levada para a Antárctida onde ficou aprisionada sob um imenso glaciar...

De repente uma onda engole-me e lança-me a toda a velocidade num surf sem prancha directo à praia. Senti o fluir da água em torno de mim e a premente vontade de voltar a respirar; senti a areia a friccionar o corpo, travando a velocidade até à completa imobilização; a água recua deixando-me finalmente respirar. Foi algo contrariado que permiti que uma golfada de ar voltasse a invadir-me os pulmões. Expirei, levantei a cabeça e desatei a rir, ri profundamente e as minhas gargalhadas fizeram levantar as gaivotas que se preparavam para dormir ali por perto.

Olhei à minha volta, estava completamente nu deitado na areia enquanto as ondas vinham acariciar-me o corpo, levantei-me estava quase só, ao longe na névoa da maresia apenas se vislumbravam os vultos de algumas pessoas que passeavam pela praia. Voltei a correr para a água, repeti o longo surf, no fim do qual soltava um grito de prazer retornando para o mar que novo me trazia para terra.

Depois de dezenas de investidas voltei para a areia, exausto, distingui com dificuldade a minha roupa abandonada no areal, sentei-me ao lado dela e contemplei o pôr do sol, entrei em meditação e ali fiquei até o sol desaparecer por completo no horizonte, vejo o telemóvel a se assomar num bolso das calças e ponho a tocar aleatoriamente. Primeiro um jazz por Diana Krall - Almost Blue, seguiu-se The Blue de David Gilmour e quando as primeiras estrelas começaram a ficar visíveis Island também de David Gilmour.

Remeber that night
White steps in the moonlight
They walked here too
Through empty playground,this ghosts' town
Children again, on rusting swings getting higher
Sharing a dream, on an island, it felt right

We lay side by side
Between the Moon and the Tide
Mapping the stars for a while

Let the night surround you
We're half way to the stars
Ebb and flow
Let it go
Feel her warmth beside you

Remember that night
The warmth and the laughter
Candles burned
Through the church was deserted
At dawn we went down throgh empty streets to the harbour
Dreamers may leave, but they're here ever after
Levantei-me, sacudi o melhor que consegui a areia do corpo antes de me vestir e procurei o carro, coloquei a chave na ignição e o CD começou a tocar Diana Krall - Every time we say goodbye, I die a little. Recostei-me no banco e fiquei ali a contemplar um céu cor de laranja. Respirei fundo, os versos de On an Island atravessavam-me o pensamento misturando-se com aquilo que ouvia nesse momento e pensei em tudo o que me tinha acontecido.

Tinha morrido e voltado a nascer.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Batelão do Burgau - O filme!

Tenho andado sem tempo, nem disponibilidade para vir aos blogs. Em jeito de desculpa aqui fica o vídeo do melhor mergulho da minha vida!



E dos Golfinhos



Fiquem Bem no Lado Escu
ro da Lua!

domingo, 6 de setembro de 2009

De novo Sesimbra

Já havia quase 3 meses que não mergulhava em Sesimbra, desta vez para variar um pouco fui fazer um mergulho com a Best Dive.

Para já temos um ambiente acolhedor, umas instalações dentro do que é habitual em Sesimbra, excluindo a Cipreia que está uns furos acima, apesar de estar longe do cais de embarque o transporte assegurado por uma carrinha, não é desagradável.

Mas para mim, acabado de vir de um mergulho com a Subnauta, ficou aquela sensação de regresso ao passado.

Já agora uma chamada de atenção: Sesimbra é a meca do mergulho em Portugal, no entanto as condições são deploráveis. A começar pelos centros que apesar das recentes melhorias ainda não atingem os standards internacionais, e acabando na perfeita aberração que são os acessos aos barcos, registando-se todas as semanas acidentes, até quando?

E a estafada desculpa de "
lá fora é diferente porque..." não dá, ponham os olhos na Subnauta em Portimão e vejam o que é um centro de mergulho em todas as vertentes.

Vamos ao mais importante, o mergulho, depois dos 20º no Algarve senti a diferença para os 16º de Sesimbra, apesar de não ter chegado aos 12 metros de profundidade.

Em tudo idêntico aos muitos que já aqui realizei, mas o prazer de estar no fundo do mar é sempre renovado.

Depois de uma semana muito complicada em termos de trabalho, que me levou perto de um esgotamento, nada melhor que um longo mergulho para repor as baterias.


De facto foram 45' apesar de ter entrado apenas com 188 bar na garrafa e ter saído com cerca de 70! Se calhar é verdade o que um casal dizia, o tabaco faz-nos consumir menos ar (habitualmente não fumo, mas devido ao stress do serviço ultimamente foram 2 caixas de cigarrilhas).

A vida nos fundos de Sesimbra é cada vez mais e menos amedrontada com a presença dos mergulhadores, tive inclusivamente uma judia bastante interessada no ecrã da câmara durante algum tempo.

Mergulhar é parte de mim, já lá vão 33 anos que mergulhei a cabeça debaixo de água munido com óculos pela primeira vez, esse momento marcou em definitivo a minha vida, hoje não consigo pensar como será viver sem mergulhar, sem o contacto com a água salgada. Só no mar me sinto realizado e completo, só no mar sou feliz.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 23 de agosto de 2009

Algarve

Ainda me sinto em transe! Depois dos magníficos mergulhos nas Berlengas, era impensável melhor em Portugal continental, pura ilusão. Precisamente no meu berço marinho, Lagos, mais concretamente na Praia da Luz e na do Burgau, fiz os melhores mergulhos que tenho memória.

Depois de anos de desilusões, com uma água de pouca visibilidade e com um centro gerido por estrangeiros (como todos os de Lagos) e que vende "mergulhos de plástico" resolvi ir até Portimão e mergulhar com a Subnauta. A comparação é abissal dum lado o melhor centro de mergulho português, do outro uma estrutura com o único objectivo de fazer umas massas com os turistas. Se forem visitar o site da Subnauta garanto-vos que aquela organização não foi apenas para as fotos, no dia-a-dia está sempre tudo impecavelmente arrumado e organizado.

1º Mergulho - Wilhelm Krag, também conhecido pelo Vapor da Luz, um navio afundado pelo submarino Alemão U-35 durante a primeira guerra mundial (mais info aqui). Um mergulho com 34 metros de profundidade, 20º de temperatura e uma visibilidade de 15 metros!

Pena que as pilhas do flash externo tivessem dado o berro e apenas dispunha do interno, pelo que as fotos não ficaram grande coisa, pois aquela profundidade os tons vermelhos e amarelos já não são visíveis ficando um ambiente fantasmagórico em tons esverdeados.

2º Mergulho - Batelão do Burgau, ao contrário do que li no fórum do mergulho este é um spot bastante bonito, apesar da pouca profundidade, 8 metros, com a temperatura da água mais elevada 21º, uma visibilidade de mais de 22 (vinte e dois) metros e uma fauna bastante abundante, levou a graçolas sobre um possível desvio da rota do barco e estarmos em frente a Sharm El'Sheik e não do Burgau! Sim estavam mesmo mais de 22 metros de visibilidade, da popa do semi-rígido de 13 metros via-se a ancora do mesmo a 8 metros de profundidade e afastada mais de 8 metros da proa (basta aplicar o teorema de pitágoras e obtemos 22,5). Os jogos de luz no interior dentro do batelão eram absolutamente fantásticos, dando a sensação de estar no interior de uma catedral gótica.

Para terminar em beleza 2 grupos de Golfinhos (Roazes Corvineiros) com mais de 15 indivíduos brincavam em frente à praia do Porto de Mós, nunca tinha visto esses animais tão junto da costa e frequento essa praia desde 1968.

Aqui é preciso lançar um alerta: é fundamental regulamentar a actividade dos barcos que se dedicam a mostrar os golfinhos, pareciam um enxame de volta dos bichos, a tentar estar em cima para dar as melhores sensações aos turistas. Não li nas manobras qualquer intenção de não perturbar os golfinhos, também não vi nenhuma manobra reprovável veementemente, mas notava-se (em contraste com o nosso skipper) que era questões mais de natureza financeira que moviam aqueles barcos.


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Independence of the Seas


Em primeiro lugar devo assinalar que este é o primeiro artigo que escrevo com uma caneta. Diga-se que com o teclado é mais rápido, o reconhecimento de caracteres, apesar de bastante evoluído, ainda não é perfeito. Depois o ecran do telemóvel não é como o do PC, por fim, o browser não deixa inserir fotos.

A ideia era mostrar 1 ou 2 fotos do "Independence of the Seas'', assim terei de voltar mais tarde para as pôr cá. Aquilo é monstruoso! Dá a sensação que é um prédio. Junto com as fotos colocarei alguns dados para dar uma melhor noção da "coisa".


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!