domingo, 7 de dezembro de 2014

Mar dos sargaços

Não corre um fio de vento, o mar parece azeite, a imobilidade é total. O tédio instala-se suspiro por uma tempestade, neste momento pouco importa a vida, apenas queria algum vento.

Navegar é preciso, viver não é preciso.

Estou a ouvir o último disco de Leonard Cohen, a música Never Mind, parece fazer sentido neste momento. Estou sem inspiração, tenho vindo escrever enquanto ultrapasso o mar dos sargaço, esse pedaço de oceano onde não há ventos nem correntes.

Sou um homem de tempestades, de fortes ventanias, de ondas gigantes. Adoro sentir o vento a fustigar-me o rosto, a assobiar nos brandais ou entre os pinheiros. Gosto da sensação da adrenalina, daquela sensação de formigueiro, gosto do stress da acção.

Odeio o conforto de um dia igual ao outro, das rotinas. Prefiro a picada à autoestrada, não saber onde vou, se consigo atingir o meu destino em contraponto com a partida e chegada com hora marcada e paragens agendadas nas diversas estações de serviço.

Prefiro procurar um recanto de uma moita para mijar a esperar na fila do WC.

Sou um lobo, uma águia, não sou um carneiro ou uma ovelha. Prefiro enfrentar a incerteza de ter refeição a pastar no meio do rebanho.

Defendo ciosamente aquilo que diferencia dos outros e escondo o que me identifica, detesto ser mais um.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Entropia e caos.

Estava calmamente passeando pelo pinhal, sentindo aquele aroma único da resina e da caruma misturadas com a maresia, ouvindo o vento de noroeste assobiando pelos ramos dos pinheiros, observando a ondulação destes e das giestas.
Sinto-me bem agora, depois de atravessado um longo deserto onde conheci oásis magníficos mas onde a sede, o cansaço e a fome quase me derrubaram.
A entropia desvendou-se aos meus olhos em toda a plenitude. Nunca se consegue voltar exatamente ao local de onde se saiu.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Land Rover Discovery

Estou de volta às origens, que é como quem diz ao Discovery. O TD5 é como o homem da Regisconta "Aquela MÁ-QUI-NA!". Isto para quem se lembra do anúncio. De facto este foi defenitivamente o carro que me atestou as medidas e com cangulo! Um motor concebido exclusivamente para TT (acho que foi o único), uma suspensão pneumática atrás e com o sistema ACE que teima em manter a carroçaria sempre direita independentemente da carga e da força centrífuga, mas que quando passamos a trialeiras deixa um curso de 1 metro (sim é mesmo um metro) às suspensões. Depois há o HDC, o controlo de tração, a possibilidade de elevar a traseira para aumentar os ângulos central e de saída. A única falta é o bloqueio manual dos diferenciais. Situação que até se pode ultrapassar pois já vi que é possível bloquear o centro por software. Enfim na minha modesta opinião é o melhor carro de todos os tempos!!!

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Margem sul


Os primeiros raios de sol beijam as águas enrugadas pela brisa da alvorada manchas douradas contrastam com o azul-escuro das sombras das colinas.

As traves vermelhas da ponte vão atravessando a paisagem enquanto o comboio progride em direcção ao casario triste. 

Lá em baixo pequenos barcos baloiçam abrigados pelo pontão de um porto de abrigo que já viveu momentos mais áureos.

Olhando para a margem os sinais de degradação são evidentes. Armazéns caquécticos apresentam um ar abandonado, na maioria das casas as paredes exibem apenas vestígios de já terem tido tinta, a esta distância nenhuma janela apresenta sinais de cortinados. A pequena ruela deserta e escura bordeja o rio, por entre o casario não se vê vivalma mas sente-se que sobre aquelas pedras numa época anterior já houve um movimento frenético de pescadores, marinheiros, familiares e amigos. Parece que as emoções das despedidas para as campanhas do bacalhau ficaram por ali agarradas aos muros e ao pó que se tem acumulado. 

Em contraste o elevador panorâmico de linhas redondas e design moderno anda num sobe e desce ditado pelo ritmo dos turistas. Um cilindro branco eleva-se desde a margem até ao topo da colina ligado por uma ponte, também ela branca. No meio daquele quadro de linhas austeras e quadradas parece um artefacto alienígena.

No entanto há poesia naquele espaço, uma beleza decadente emana aos olhos de quem observa aquela paisagem despertando sentimentos nostálgicos. À medida que nos afastamos as imagens começam a tornar-se difusas na ténue neblina da fria manhã de Outono. Os detalhes vão se ofuscando, mas a mística vai aumentando, assumindo um protagonismo maior. Quase que se ouvem os gritos de despedida das jovens para os seus homens prestes a partir para a Terra Nova. Quase que se sente o cheiro do bacalhau misturado com o das lágrimas de alegria e saudade de quem viu um seu familiar chegar são e salvo. 

As pinceladas verdes das ervas que crescem entropicamente pelas encostas, o amarelo escuro das areias sujas pelas águas turvas do Tejo lutam contra os tons monocromáticos da paisagem.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012


Adeus tio Zé Miguel.

Já havia muito tempo que não nos viamos (demasiado tempo) mas a vida é como um bolo de passas, à medida que vai crescendo as passas vão se afastando umas das outras.

Lembro-me bem quando fostes trabalhar para a loja do meu pai. Devias ter por volta de 20 anos e eu era um miúdo de 8. Brincavamos sempre que não havia clientes. Lembro-me também com muita nostálgia de irmos montar armadilhas para os pássaros na quinta do Sargaçal, era a manhã e a tarde a andar para dar a volta ao pinhal. No meu imaginário ficará sempre o cheiro da caruma do pinheiro aquecida pelo sol de Verão. Ainda hoje quando sinto esse cheiro a recordação que tenho é de seguir atrás de ti mais o primo Manelinho pelo meio do pinhal.

O Manel... já lá vão uma dezena de anos que ele morreu. Será que voces andam a caçar pardalitos juntos agora?

Era tão feliz nessa altura. Não tinha preocupações, stress, a vida era uma alegria completa. Tenho tantas saudades desses tempos e ontem quando soube que já não estavas cá foi como uma luz (mais uma luz) que se apagou dessas memórias ficando agora mais sombrias e tristes.

Sei que não devemos viver no e do passado, mas o que somos hoje é em grande medida fruto desse passado, assim todos os acontecimentos que interajem com ele afectam-nos o presente inexorávelmente.

Adeus tio, até um dia...
Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

terça-feira, 10 de julho de 2012

BLACK





Foto: <3


Adeus Black!

Conheci-te à porta da praça da Charneca, estavas com os teus irmãos para adopção, vieste ter comigo, lambeste-me a mão e olhaste-me com esses mesmos olhos. Não resisti e tive de te levar comigo.

Detestavas cães pretos, ladravas a ti próprio quando te vias ao espelho, eras um fingido, uma vez fingias estar coxo para logo a seguir saires a correr atrás de um gato. Quando fazias asneiras, ao passares junto a mim ganias mesmo sem te tocar. Detestavas molhar-te, mas sempre que vias gaivotas pousadas na água lá ias atrás delas.

Conquistaste todos os corações os que te conheceram, eras um malandro, daqueles que toda a gente gosta.

Durante 11 anos fostes um amigo, um companheiro, passamos juntos por muitas alegrias e tristezas, tiras-te-me do sério e arrancas-te-me gargalhadas.

Ontem foste-te embora, estou triste, mas sei que foi melhor assim, deves estar com o teu amigo Tom, com quem partilhavas a casota, provavelmente estarão por aí os Ringos, o Perry, o outro Black, a Cockie, o Joli e a Lassie. Todos eles foram meus amigos em diferentes periodos da minha vida, uns estiveram mais tempo comigo, outros menos e todos deixaram uma marca, uma recordação.

Adeus meu cãozinho, até sempre...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tempestade 2


As nuvens deslocam-se para lá do horizonte perseguidas pelo azul do céu. A poente, começam a surgir as primeiras pinceladas de laranja, as gaivotas pairam aproveitando as correntes sem aparente dificuldade seguindo o pequeno barco, oiço o som das vagas a serem cortadas pela proa.
A brisa vai trazendo o cheiro da maresia, acariciando o meu rosto e inundando-me os pulmões. Agora sinto-me em paz. O turbilhão da tempestade já passou, doem-me os músculos. Com renitência vou trocar a vela de estai1) pela genoa2) e tirar os rizes3) da vela grande4). O barco ganha velocidade, retomo o leme, mareio as velas5), traço uma rota mais favorável. A velocidade vai aumentando, o casco começa a planar6) e atinjo os 9 nós7), 10, 12. Tudo está em ordem, o pequeno veleiro resistiu incólume à tempestade.
Sinto-me em paz, feliz, um largo sorriso ilumina-me o rosto.
-Anda, podes subir, o temporal passou, podemos de novo estar aqui abraçados.
Ela subiu e dirige-se até mim com aquele movimento sensual e felino que me lembra a música dos U2 "She moves in mysterious ways". Abraçamo-nos e beijamo-nos apaixonadamente.
Estivemos afastados durante aquela tempestade que saiu do nada, de repente. Tinha-a pressentido, havia indícios dela aqui e ali, mas eterno otimista, segui o meu caminho. Era simplesmente impossível estar os 2 juntos no convés8) no meio daquelas vagas. Agora podíamos apreciar tranquilamente o pôr-do-sol ali, abraçados.
Lá ao longe começa a brilhar o farol, aos poucos vão se tornando visíveis as luzes das povoações, como uma poeira luminosa. Lentamente a poeira vai-se transformando em pontos bem definidos até ficarem individualizados.
Os pequenos faróis verde e vermelho que balizam a entrada do porto já são visíveis.
Aponto a meio dos dois, vermelho a bombordo9), verde a estibordo10) e preparo-me para recolher as velas.
Ligo o motor, o velho Volvo Penta tosse uma baforada de fumo e começa a cantar. Salto para a proa11) e peço-lhe para soltar a escota12) da genoa, solto a sua adriça13), rapidamente a grande vela começa a descer, oriento a queda para que não caia na água, depois é só prendê-la com os elásticos e regressar ao poço14) e repetir a manobra para a vela grande. Enquanto amarro a vela ela engata a marcha à vante15). Dirigimo-nos para o pontão onde encosto e amarro o barco. Abraço-a longamente olhando-a nos olhos, beijamo-nos embalados pelas pequenas vagas do porto.
-Vamos para casa, acendemos a lareira, jantamos e bebemos um bom vinho, depois… a noite é longa e temos muito para dar um ao outro – murmurei-lhe ao ouvido.
Entramos no carro, no rádio toca “Goodbye Moon” dos Shivaree…

1) Vela de estai – pequena vela de proa, usada quando o vento é mais forte.
2) Genoa – vela de estai de maiores dimensões.
3) Rizes – pequenos cabos usados para reduzir a dimensão da vela grande.
4) Vela grande – vela situada atrás do mastro de forma triangular e mantida entre o mastro e a retranca.
5) Marear – caçar ou folgar uma vela ajustando-a à direção do vento.
6) Planar – quando o barco deslizar na crista da onda.
7) Nós – unidade de medida de velocidade. Corresponde a uma Milha Náutica (1852 metros) por hora (MN/H) ou seja 1,852 Km/h.
8) Convés – é a parte da cobertura superior de uma embarcação.
9) Bombordo – lado esquerdo da embarcação, quando virados para a proa.
10) Estibordo – lado direito da embarcação, quando virados para a proa.
11) Proa – a parte da frente de uma embarcação.
12) Escota – cabo fixo à retranca ou ao punho da escota através da qual se controla a abertura da vela em relação ao vento.
13) Adriça – cabo para sutentar a vela e também usado para a içar.
14) Poço – local onde se encontra a tripulação e de onde se comanda a embarcação.
15) Vante – proa.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Tempestade 1

Navego no meio da tempestade, as vagas roçam o céu de chumbo, o vento uiva nos brandais, temo que o tormentin (pequena vela usada quando o vento é muito forte) se desfaça sob a sua fúria. O barco geme e range a cada rajada de vento, não consigo ganhar velocidade, não consigo sair dali, cada vez que tento voltar a popa à fúria do mar uma onda desfaz-se na proa abortando essa demanda.

Não tenho medo, se há um sítio onde não tenho medo de morrer é no mar, consigo manter a proa virada às ondas, o barco sobe-as, quais montanhas de água em movimento. Parece que fica na vertical, lá em cima projecta-se no vazio caindo com estrondo no regaço da onda seguinte, por vezes mergulha profundamente naquele mar tempestuoso, agarro-me com ambas as mão à roda de leme, luto desenfreadamente para me manter a bordo.

Os dias passam, semanas, meses, aquela tempestade não termina... Espera, lá ao fundo, parece um raio de sol... É um raio de sol. Sinto-me só naquele navio, estou cansado, doem-me as mãos, os braços, os ombros. De repente vejo um intervalo maior entre 2 cristas, agarro a escota com uma mão, deixo a escota escorregar no molinete. Arribo ligeiramente de modo a ganhar alguma velocidade, atinjo o cume da primeira montanha de água, desta vez vou muito mais perpendicular, já não caio, desço a onda a grande velocidade, lá em baixo orço descaradamente, puxo a escota, rapidamente o vento muda de bordo, ganho velocidade, subo a onda seguinte.

Tenho o raio de sol à proa, uma gaivota pousa junto a mim, peço-lhe para ficar de olho na roda de leme, corro até ao pé do mastro e puxo as adriças da vela grande que sobe célere. O rumo mantém-se estável, desloco-me à proa troco o tourmentin pelo estai. Volto até à roda de leme, o barco já segue célere pelas ondas o céu vai trocando lentamente os tons de chumbo por tons laranja. Ainda estou só, apenas a gaivota me acompanha, falo com ela, desabafo sobre a tormenta que atravesso ainda, mas que aos poucos vai desfazendo. A gaivota levanta voo e aponta-me o caminho, fixo a roda de leme as ondas estão ainda pesadas, ainda me encontro só. Desloco-me de novo à proa, chegou a altura de fazer subir a genoa. O casco começa a planar, volto-me para traz e vejo-A ao leme. Já não estou só, ELA conduz-me a um lugar mágico, sinto-me enebriado pelo cheiro, envolvo-A com um braço, beijo-A, AMO-A.

Estou feliz, muito feliz, não sei para onde me dirijo, apenas tenho uma certeza: com ELA vou até ao fim do mundo, até ao fim da vida.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A minha Musa


Para que não restem quaisquer dúvidas a musa que me inspira foi a minha primeira namorada, chamava-se Teresa, era 2 anos mais velha que eu, era loira, tinha uns lindos olhos azuis, uma pele clara e macia. Frequentávamos o 8º ano na Escola de Lagos e namoramos esse ano e o Verão seguinte, depois de outro chumbo o pai mandou-a estudar para Lisboa, perdi-lhe o contacto, nem sequer sei se ainda é viva. Era demasiado bonita, demasiado ardente e demasiado jovem...


Ficou no meu coração, como qualquer primeiro amor, mas muito sinceramente não gostava de voltar a encontrá-la. Quero recordá-la como era nessa altura, linda de morrer, fogosa, terna, dominadora, um pouco Maria rapaz de feitio mas com uma sensualidade contrastante.

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

sábado, 23 de abril de 2011

Vamos a ver se é desta

Já passou 1 mês desde que iniciei este post. Não tenho tido disponibilidade, nem mental nem de tempo. Agora estou a meio de umas férias e com os serviços encerrados já posso dispor de algum tempo para o lazer. É que sempre que estou no computador tenho trabalho para fazer, tenho alguém que está "encravado" ou os postos de trabalho estão todos ocupados ou há um problema num programa ou há uma alteração urgente... Quando não há nada disto sou eu que acho que determinado procedimento faria mais sentido de outra forma...


Resumindo a minha vida de uma forma mais poética - Estou como o mar, em constante mudança, às vezes calmo, às vezes em completa agitação; às vezes em solidão, às vezes no meio de uma multidão, desde o Verão passado que as mudanças têm sido a única constante na minha vida, no amor, nas amizades, na família, no trabalho e até na aparência.

Nunca passaram tantos meses sem mergulhar. Nunca estive tanto tempo sem me deixar abraçar pelo mar. Talvez aqui resida uma boa parte das responsabilidades por tão longo afastamento. Uma miríade de razões provocou este afastamento, desde logo o aumento logarítmico das responsabilidades no trabalho e consequente aumento das preocupações, estudos e pesquisas; por outro lado decidi aprofundar-me em termos religiosos/filosóficos e tenho-me dedicado profundamente à meditação.


Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A deliciosa leveza do ser

A velocidade a que o tempo passa é surpreendente, desde o meu último post já passou mais de 1 mês!

Se olhar para olhar para trás vejo que muito aconteceu, "gozei" férias, acabei de pintar a casa, encetei uma reestruturação da minha vida, etc.

De facto sinto-me hoje como se estivesse quase no topo do mundo, acho que em toda a minha vida nunca me senti tão bem. Isto até me faz lembrar a intervenção cirúrgica à coluna, sofri durante anos, tanto que me habituei à dor, quando a lesão se começou a revelar incapacitante não tive outro remédio senão ir à faca. Depois quando finalmente recuperei é que me apercebi do que era viver sem dores.

A nível emocional foi mais o menos o mesmo, sofri durante décadas e aos poucos habituei-me a sentir-me miserável, depois quando as causas do sofrimento foram afastadas é que senti a liberdade de viver.

Tudo mudou à minha volta e dentro e mim. Agora sinto-me leve, muito leve. Sobretudo feliz.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Alive & Kicking

Já estão pintados o quarto da cachopa, o quarto das visitas e a casa de banho do 1º andar. Apenas faltam os corredores, escada, cozinha e casa de banho do rés-do-chão.
Resolvi colocar cor na minha vida e todas as divisões têm agora um toque de cor, o quarto da miúda ficou em cinzento e rosa e o quarto das visitas branco com a sanca em azul, numa evocação às minhas origens algarvias; a juntar aos tons de azul do meu quarto e ao tecto em azuis do escritório.
Posso bem dizer que a cor e a música invadiram a minha vida, sinto-me como tendo renascido, não sei se sou uma nova pessoa ou se libertei aquele que se encontrava agrilhoado num limbo e que tinha sido substituído por uma marioneta. Sinto-me livre e, fundamentalmente, sinto-me vivo – Alive & Kicking – vivia preso entre um espartilho que me tolhia a liberdade e um amor sofrido, sofrível, insano, maníaco-depressivo que quase me matou.
2010 foi o ano da libertação, estou livre de quase todas as grilhetas, quase – continuo preso a um emprego, a uma hipoteca mas tenho a preocupação e o prazer de viver com a minha filha. Há liberdades que preferimos não ter e “libertar-me” da minha filha é algo que definitivamente não gostaria.
Para a semana vou de férias, já tenho planos: assistir aos 1.000 Km de Portimão das Le Mans Series, mergulhar no galeão francês Ocean e noutros locais a ver, fazer uns passeios de veleiro e sobretudo passar 3 semanas com a filhota no Algarve. Depois será o regresso e 3 semanas sem a filha (que ficará com a mãe), altura escolhida para completar a pintura do lar.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Primeiro Dia




Este Post deveria ter sido colocado no Sábado. A mãe da minha filha saiu de casa na sexta-feira, tendo assim terminado um casamento que durou 21 anos, Situação que desde há muitos meses era previsível e inevitável, mas que para evitar uma desestabilização da filha em pleno ano lectivo só agora se consumou.


Para acompanhar estas profundas mudanças resolvi redecorar por completo a minha casa, pintei o quarto em 2 tons de azul, decorei-o com fotos submarinas (tiradas por mim e convertidas em posteres), substituí a mobília que ela levou pelo amplificador Denon e pelas colunas KEF. Transferi o escritório do 1º andar para o rés-do-chão e pintei-lhe o tecto de azul celeste com a sanca em azul marinho e as paredes de branco. Pintada também foi a minha casa de banho (embora aqui sem qualquer alteração, tirando a disposição das coisas). Na noite de Domingo para Segunda, foi a vez da cozinha sofrer uma remodelação em grande, mudando a disposição dos frigoríficos, da mesa e de um armário, ficando agora uma verdadeira cozinha com copa (falta pintar, mas isso ficará para quando a filha for de férias com a mãe).

Enfim, ainda tenho o quarto da cachopa, o quarto das visitas/biblioteca, as outras casas de banho e as escadas e corredores. Devagar se vai ao longe e tem sido assim mesmo que as coisas têm avançado. Mas ainda há um reorganizar de rotinas que me tem consumido imensa energia.

Como podem ver tempo é algo que não disponho em excesso, Vamos lá a ver se é desta que regresso a estas lides.

Fiquem Bem no lado escuro da Lua!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tanque


Estas fotos são do meu último mergulho em 31 de Janeiro.

Muitas alterações têm acontecido na minha vida, a nível sentimental, emocional e profissional. Estou a tentar assentar as ideias e não tenho tido cabeça para escrever nem para ler, aliás passam-se dias que nem ligo o PC de casa. Ainda por cima o portátil deu o berro.

A todos os que paulatinamente passam por aqui deixo um abraço e a promessa de cá voltar com mais assiduidade assim que os problemas começarem a ficar organizados.



Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DAKAR

É tempo de DAKAR (apesar de ser estranho um Dakar na América do Sul) como tal tenho andado mais pelo forum do Autosport e pelo site do Dakar. Sou um amante dos grandes espaços, seja o mar sejam os desertos, e da aventura como tal o Dakar não podia passar-me ao lado.

Hoje dei aqui um pulinho rápido antes de me deitar, aproveito para deixar umas informações:

Foi um excelente dia para os portugueses com o Carlos Sousa a subir mais um lugar (é 6º), embora a peder bastante tempo para o 1º  Stephane Peterhansel (o sr. Deserto) e Hélder Rodrigues e Paulo Gonçalves a brilharem bem alto ficando em 2º e 3º lugares da etapa, tendo o Hélder subido para o 3º da geral, ficando apenas atrás do melhor piloto da actualidade Cyril Despres.

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Apesar de não estar com espírito natalício, não posso deixar de desejar um Feliz Natal a todos...

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

1 de Dezembro - Sesimbra - Pedra do Leão


Já fazia mais de um mês que não mergulhava. Problemas de saúde afastaram-me do reino de Neptuno e o meu humor ressentiu-se disso.


Quer dizer não foi só a saúde houve outras causas que já esmiucei no de_escarnio. Talvez por isso a vontade de ler e escrever ainda não tenham regressado.


Muita coisa mudou na minha vida nestas últimas semanas, mudanças tão profundas que julgava impossíveis, estou um pouco perdido num mundo que parece ser novo, mergulhado num turbilhão de novas emoções, de novos amores e desamores.


Voltando ao mergulho, não foi nada de especial, uma enorme santola salvou o dia, tendo proporcionado algumas fotos e um filme. Era bem agressiva e tentou filar-me a máquina enquanto filmava-a.


De resto a temperatura da água era 16º (o ar estava nos 13º), não havia muita vida, pode-se mesmo falar de um mergulho pobrezinho, mas um mau dia de mergulho é sempre melhor que um bom dia no escritório!


À saída estava reservada uma surpresa, o mar que até estava calmo quando entramos estava já bastante formado, ou como diria o meu avô: o mar está feito num cão. 

A chuva caía e para termino o outro barco partiu uma hélice levando-nos a ficar em terra à espera dele mais de uma hora, pois as chaves da carrinha estavam lá! E como a Best Dive fica longe do porto o único remédio foi esperar que os outros chegassem...




Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DE_ESCARNIO

Ando pelo de_escarnio, quem estiver lá registado está convidado a ver os porquês


Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!

domingo, 8 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

De passagem

Estou apenas de passagem, alguns problemas de saúde, uma grande desilusão e uma canalhice afastaram-me a vontade de escrever. Mas esses assuntos ficam, obviamente, para o de_escárnio.

Sinto a falta do mar, no entanto estou aqui mesmo ao lado dele, ouço-o chamar-me, sinto o sal trazido pela brisa, mas a saúde impede-me de lá ri ter com ele. É um (mais) sofrimento atroz, mas por outro lado deixa-me uma certeza de que dentro de pouco tempo voltarei a estar com ele. Surfando nas suas ondas ou mergulhando no seu seio, não sei, cabe-lhe a ele decidir. Mas sei que voltarei a me juntar nele.

Peço a compreensão de todos os meus amigos pois tenho-me sentido verdadeiramente desinspirado e sem qualquer vontade de escrever, muitos são os problemas, decisões e acções que tenho pela frente, dificilmente consigo estar com  a mente serena para poder ouvir os outros, mas a luz já surge no fundo do túnel.

Até lá!

Fiquem Bem no Lado Escuro da Lua!