sábado, 20 de outubro de 2007

Praia



Hoje bem podia ter levado o teclado do telemóvel para a praia, pois estive lá umas horitas da parte da manhã. Tomei uma banhoca, e posso dizer-vos que em Agosto no Algarve a água estava mais fria. Não sendo estranho ter dias bons de praia em Outubro, é perfeitamente anormal a quantidade. Só não tenho ido todos os dias para a praia por falta de tempo, pois já há várias semanas que o tempo está esta maravilha. O Sol até nem queima muito pois está francamente mais baixo o que até é melhor pois no pino do Verão às vezes é insuportável estar na praia, por outro lado a água está muito boa não há muito vento e, sobretudo, há muito pouca gente.


Fiquem Bem!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Meditação


pensamentos em 09-10-2007 8:36
Ontem o vento estava forte quando sai do barco, vinha de conversa com uma colega e não me apercebi, depois quando nos separamos dei por ele. Aproximei-me do molhe e senti-o com vigor a massajar-me a face, estive ali parado durante minutos apenas sentindo-o, ouvindo-o a cantar, sentindo o seu cheiro salgado. Às vezes interrogo-me como as coisas mais simples podem ser as mais belas.
Sempre adorei o vento, talvez por ter vivido em Lagos, talvez por qualquer desequilíbrio energético. O certo é que gosto de o sentir, dá-me um prazer incrível passear ao vento. Recordei-me de um passeio na praia, ao pôr-do-sol, aliás não era assim tão diferente, ali ao pé rebentavam pequenas ondas, o cheiro a maresia pairava no ar e o sol punha-se pintando as esparsas nuvens de um tom rosa choque.
Nem um pensamento abordou a minha consciência, só o prazer transmitido pelos sentidos. Respirei aquele ar salgado profundamente e senti-o a penetrar nos pulmões e a misturar-se no sangue, tomando o lugar do CO2 que acabei por expulsar no fim do ciclo da respiração. A minha mente, apesar de cansada após um dia longo de trabalho, ficou mais fresca, mais desperta. Porém uma pequena dor no pescoço, que tinha começado a manifestar-se ainda no trabalho, teimava a estar lá, no entanto não me incomodava, apaguei-a do meu consciente, aliás apaguei o meu consciente e continuei ali a ouvir e a sentir o vento.
Ao fim e ao cabo trata-se de uma espécie de meditação. Para mim meditar é sempre uma experiência libertadora, às vezes esqueço-me, não tenho tempo ou estou demasiado cansado. Como já referi a vida actual é uma correria, estamos sempre à pressa, sempre contra-relógio. Muitas vezes não temos tempo para aquilo que é de facto importante – VIVER. O acto de meditar faz parte da vida, ajuda-nos a acalmar a mente, tal como o dormir, meditar é fundamental para o nosso equilíbrio mental, talvez por ser tão menosprezada hoje em dia é que estamos a viver numa sociedade cada vez mais esquizofrénica.
Meditar não tem nada de esotérico, lembro-me de uma conversa com o director comercial da Ameritec para a Europa há uns anos atrás. Ele provinha de famílias tradicionais inglesas e contou-nos a respeito de um vinho do Porto que lhe recordava a sua juventude, que se lembrava claramente do pai sentado à lareira a fumar um "Romeo e Julieta" e a beber um cálice desse vinho. Ele ficava ali em silêncio observando as labaredas, enquanto bebia e fumava. Isto é uma forma de meditar. Já escrevi aqui que um dia estava só na praia e resolvi meditar enquanto tentava sincronizar a minha respiração com as ondas. É preciso descobrir o nosso ritmo nos muitos que o Oceano tem, mas a recompensa é muito gratificante.
Claro que com toda esta loucura que se vive hoje em dia é muito complicado parar para não pensar, os problemas assolam-nos, é a taxa do crédito à habitação que não pára de subir e nos sufoca, é a situação no trabalho que está cada vez mais precária e desumanizada, é o custo de vida que não pára de subir acima dos salários. Todos temos muito graves motivos para andar sempre com a mente ocupada. Mas apesar disso, ou talvez mesmo por causa disso, devemos arranjar um momento para nos descontrairmos, para atirar para trás das costas todos os problemas. Tenho de confessar que até sou um privilegiado vivo ao pé do mar e da mata, para além disso tenho uma forte aliada – a música, seja o David Gilmour, os Pink Floyd, os Tangerine Dream, o Vangelis ou simplesmente a música do vento ou das ondas.
Às vezes é o q.b. escutar serenamente a música do vento ou o ritmo das ondas, tão menosprezados e no entanto tão belos. Fico a pensar que a nossa sociedade só dá valor a tudo aquilo que é pago, quantas pessoas vemos parar para admirar um pôr-do-sol? Se calhar se aparece-se uma marca a patrociná-los e começa-se a cobrar para os vermos, as audiências iriam subir.


Fiquem Bem!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dedicado à Micas

Fiquei com alguma pena pela Micas, afinal depois de se contar os dias para o concerto dos Police este teve de ser adiado.

Sei perfeitamente o que ela está a sentir pois também eu esperei ansiosamente pelo concerto dos Depeche Mode para este vir a ser cancelado.

Vim num instante colocar mais um bocadinho do concerto de Lisboa, têm sido dias cansativos e só me apetece sentar na frente da TV e descansar a alma um pouco.



Fiquem Bem!

sábado, 13 de outubro de 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Voltas

Filhota mergulha no pôr-do-sol em 10/10/2007 na Fonte da Telha

A vida dá imensas voltas. Hoje devia publicar um texto que acabei ontem mas, como já disse anteriormente, não sou capaz de publicar algo sem lhe dar mais um "jeito"; para mim tudo é fluido e resultado do momento. O que penso neste momento pode não ser o mesmo que pensarei daqui a umas horas. O que sinto agora não será seguramente o que estarei a sentir dentro de alguns minutos. Claro que há sempre uma reserva que muda pouco, aqueles pensamentos que demoram anos para mudar e aqueles sentimentos que se prolongam para o resto da vida.

Fui fazer algumas visitas a blogs amigos e a vontade de transcrever o que tinha escrito ficou adiada. Estou a ouvir PinkFloyd - The Dark Side of the Moon - Time:

And then the one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun


Já escrevi aqui uma frase de Sua Santidade o Dalai Lama:

Apenas há 2 dias por ano em que nada se pode fazer; um chama-se ontem e o outro amanhã.

Li ainda nos Laços Azuis:

Perguntaram ao Dalai Lama

“O que mais te surpreende na Humanidade?”

E ele respondeu:

“Os Homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.

E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.

E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido”

Estes pensamentos não me têm saído da cabeça nos últimos anos e por força das circunstâncias estão particularmente activos ultimamente. De modo que tenho feito tudo para viver intensamente cada momento como se fosse o ultimo, por não me prender a nada, para ser feliz hoje em vez de estar a preparar a vida para ser feliz amanhã.

Claro que nem sempre é possível agir assim, mas dentro do possível vou tentando desfrutar cada segundo desta breve passagem pela bolinha azul que apelidamos de Terra.

Fonte da Telha - 10/10/2007

Fiquem Bem!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

On An Island 3

Marina de Vilamoura (scan de uma foto já perdida no tempo)

O nevoeiro acompanhou-me até à porta de casa convidando-nos a entrar, a lareira crepita na sala, sentamo-nos na sua frente. Retiro do bolso as pedras que recolhi na praia colocando-as junto às labaredas que as aquecem. Após estarem na temperatura certa, uso-as para lhe fazer uma relaxante massagem. Voltamos a beijar-nos e deixamos os nossos corpos unirem-se, não trocamos uma única palavra, não precisamos basta olhar profundamente nos olhos e sabemos o que cada um quer dizer ao outro. As nossas sombras dançam na parede oposta impulsionadas pelo saltitar das chamas. Beijamo-nos mais uma vez, a nossa respiração está ofegante e por fim apertamo-nos ainda mais num momento de prazer supremo.
Voltou a calma, aquela paz, aquela serenidade. Voltei a pôr o disco, ajeito os troncos na lareira de modo a intensificar as chamas, volto deitar-me ao lado dela e abraço-a olhamos pela janela e vemos a lua desenhar as sombras dos pinheiros no chão, a voz do David Gilmour começa a ouvir-se e murmuramos as letras com ele…

On An Island

Remember that night...
White sails in the moonlight
The
y walked it too...
Through empty playground, this ghost's town
Children again on rusting swings getting higher
Sharing a dream
On an Island.... it felt right
We lay side by side,
Between the moon and the tide
Mapping the stars for a while
Let the night surround you
We're half way to the stars,
Ebb and flow
Let it grow..... feel the warmth beside you

Remember that night,
The warmth and the laughter
Candles burn...
Though the church was deserted
At dawn we went down through empty streets to the harbour
Dreamers may leave ...but we're here everafter...
Da da da da da....
Let the night surround you
We're half way to the stars,
Ebb and flow
Let it grow..... feel the warmth beside you...

Fim (por agora)

Fiquem Bem!

sábado, 6 de outubro de 2007

On An Island 2

Belém 28/08/2007

Concentro-me a olhar para o mar, ali ao lado, está calmo agora. Ao longe uma vela recorta-se no horizonte, entre dois tons de azul, desloca-se lentamente, a paz invade-me, uma paz profunda, serena. Os acordes da viola levam-me até ao veleiro onde me deito numa rede observando o azul profundo do céu. Um Albatroz desloca-se através da esfera celeste sem um único batimento de asas e afasta-se, placidamente.

Respiro fundo, o vento aumenta de intensidade acelerando o barco, a proa corta as ondas, salpicos de agua atingem-me a cara, olho pela popa e observo o risco que a esteira desenha na superfície do oceano, ainda assim impera a calma, respiro fundo mais uma vez. Uma sensação de calor apropria-se do meu peito, a velocidade aumenta, mas a serenidade subsiste. O vento assobia nos brandais, o clímax foi atingido, um momento orgásmico.

Aquela sensação de doce cansaço invade-me enquanto oiço os acordes de saxofone de “Red Sky at Night” e os céus tomam esse tom do pôr-do-sol filtrado pelas nuvens, de vez em quando uma suave aragem acaricia-me a cara e provoca um arrepio nas águas do mar. Sinto-me no céu, aliás condizendo com o que estou a ouvir agora “This Heaven”, nada tem importância agora, apenas eu e esta paisagem deslumbrante. Baloiço na rede acompanhando o ritmo da música.

Chego a terra, ouve-se as ondas a espreguiçarem-se no cascalho da praia, arrumo a palamenta, caiu um manto de nevoeiro e ouve-se ao longe a sirene do farol, alertando da proximidade de rochedos, ainda de vê o seu clarão no meio de nevoeiro. Fecho os olhos e inspiro aquele cheiro a maresia, sinto-me a flutuar no nevoeiro, lentamente, deixo o ar escapar lentamente ronronando de prazer, para voltar a encher os pulmões. Um sorriso invade a minha cara quando a vejo junto da porta de casa entreaberta, abraço-a e beijamo-nos ternamente, acaricio-lhe o cabelo e contemplo o seu belo e sereno sorriso enquanto encosta a cabeça no meu ombro. Deixo-me ficar ali admirando aquele sorriso terno e sentido o calor do seu corpo enroscado no meu.

Continua

Fiquem Bem!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

On An Island

O meu cantinho em 23/03/2006

Acho que ainda não falei deste álbum, talvez dos mais belos dos últimos anos, na minha perspectiva o melhor deste século. A sensação que me transmite é de uma profunda paz e serenidade. David Gilmour aparece aqui mais maduro, menos agressivo, menos depressivo. Um verdadeiro hino à felicidade e à calma. Só muito raramente um disco consegue transmitir tanta tranquilidade. SUBLIME.
Fechei os olhos e imagino-me a olhar para um lago cujas águas imaculadas pela ausência de qualquer brisa, reflectem um castelo numa ilha. O horizonte perde-se na bruma, ao longe ouve-se o som grave, quase cavernoso, das ondas do mar embatendo nos rochedos. Está frio, um frio seco, quase cortante, o céu coberto de nuvens que apesar do seu aspecto tempestuoso, combinam nesta paisagem conferindo uma moldura a todo este quadro. Sente-se alguma electricidade no ar, ouve longínquo um trovão, e nota-se claramente o cheiro da iminência da chuva.
A tarde aproxima-se do fim, pequenos bandos de aves cortam o ar a caminho dos seus ninhos, deixando aqui e ali escapar um trinado. Ao longe sobre as falésias adivinha-se o habitual frenesim de fim de tarde das gaivotas, do outro lado nas colinas que se adivinham verdejantes no cinzento da bruma, um rebanho de ovelhas pasta pachorrentamente, ouve os seus sinos assim como o latir dos cães pastores que se afadigam a reagrupar as que se tresmalham. Não sinto qualquer pressa nem vontade de abandonar este local mágico, olho para o relógio e verifico que os ponteiros estão parados. As sombras também não se movem, o tempo ficou congelado num longo segundo. Não reajo, não tenho fome, nem sede, nem cansaço, nem stress.
Continua - Um parêntesis para informar que devido à extensão do texto tive de cortá-lo. Irei publicar os diferentes excertos nos próximos dias. Um conselho, faz todo o sentido ler o texto acompanhado pela música, pois foi ouvindo-a que encontrei inspiração para escrever.
Fiquem Bem!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Morrer

Praia do Porto de Mós em Agosto de 2004

Ontem depois de todas as confusões que arranjaram com o electrocardiograma vi-me perante a perspectiva de algo não estar bem a nível do coração e inevitavelmente a ideia da morte acabou por ser considerada. Não senti medo, nem temor, apenas me senti incomodado. Sim pois é a única certeza que temos ao nascer, um dia morreremos, é inevitável e todos nós devíamos encarar esse facto como algo de normal.

Tenho de confessar alguma curiosidade para saber o que há depois, por isso não encaro a morte de uma forma aterradora. É mais uma interrogação, quase como uma aventura. Só que na maior parte das aventuras podemos sempre regressar e nesta é uma viagem sem volta. Por isso não a temendo, também não a desejo, assim tipo amor e ódio.

Aqui há uns tempos comecei a ler o Livro Tibetano dos Mortos, não o concluí, tal como muitos outros pois muitas vezes perco a vontade de ler seja o que for. Não sei porquê que tal acontece mas de vez em quando tenho uma grande vontade de ler e devoro livros uns atrás de outros para depois passados dias nem me lembrar que existem livros. Digamos, até para não fugir ao assunto, que a vontade de ler morre dentro de mim, assim abruptamente, para depois renascer como uma Fénix.

Em relação aos outros sinto pena, quer dizer, é mais sentir a sua falta, mas não sou capaz de chorar num enterro, não o fiz na morte do meu pai. De facto não sei descrever o sentimento que se apoderou de mim, não fiquei arrasado, apenas triste pela perda, é estranho agora à distância mas para mim foi o contacto com a inevitabilidade. Aliás sinto hoje mais a falta dele do que naqueles dias, é a saudade, é a falta daquela pessoa com quem podia desabafar e que dava sempre o conselho certo, ou pelo menos o mais avisado.

Aqui há uns anos sonhei com o meu pai, sonhei que eu estava prestes a cometer uma asneira enorme e o meu pai assomou-se à porta e sorrindo fez-me sinal de não com o dedo. Nessa altura como em muitas outras no passado não lhe liguei e o resultado foi desastroso sofri imenso, mais do que alguma vez em toda a minha vida. Ainda hoje sinto uma grande dor na alma por tudo o que se passou.

Mesmo depois de ter morrido o meu pai continuou a dar-me conselhos, portanto de facto ele está comigo, pode ter morrido mas não desapareceu, nem desaparecerá. Eu prometo é que irei sempre seguir os conselhos dele daqui para a frente.


Fiquem Bem!